Cicloturismo em Campo Magro e Estrada do Marmeleiro

E não é que o Marmeleiro é maneiro demais? Pedal super agradável e na medida para um domingo de manhã. Quase 60 km de pedal com bastante desnível mas muitos trechos planos bem gostosos de pedalar. Parti bem cedo com a Ana Barbara, seguindo uns tracks pescados na interwebs... Foi um rolê de quase cinco horas, contando algumas poucas paradinhas. 

O trajeto foi predominantemente em estradas de terra, nada técnico e com subidas curtas mas íngremes. Em alguns pontos havia um mato fechado e riachos cristalinos junto à estrada, no ponto mais distante da capital paranaense. Porém o que predominava eram plantações e roça mesmo, principalmente de milho. 

O tempo estava encoberto que, se não garantiu boas fotos, pelo menos tornou a pedalada mais confortável.

Pura diversão para um domingo de manhã! A marcação do GPS tá aqui:


Umas fotos abaixo, de Ana e George Volpão. 

Abraços e boa semana!








As Muitas Faces do Morro Araçatuba

Bem, se eu e a Ana Barbara quiséssemos mesmo ter ido ao Moreia e ao Baleia, como eu tinha indicado no post anterior, não precisávamos ter rodado o Araçatuba quase inteiro. Bastaria ter tomado a trilha mais direta, galgar o cume e descer rumo ao vale do Rio Pinhal, cruzando-o e, por fim, esgueirando-se Baleia acima.

O clima não estava 100%, havia algumas nuvens no alto da serra e decidimos variar um pouco. Iniciamos a subida do Araçatuba pela sua trilha normal e uns 30 minutos depois nos enfiamos no mato em direção à Cachoeira do Rio São Paulo. Cruzando esse rio pela parte superior da queda d'água, chega-se à trilha que contorna o Morro Araçatuba pela sua face noroeste e sobe de maneira bastante agradável. É uma trilha muito mais longa do que aquela direta, porém muito bonita, de verdade. A subida suave, aliada aos campos de altitude e vistas amplas torna a ascensão desta montanha muito mais prazerosa do que pela trilha direta. Alguns cursos d'água pelo caminho e o vento característico desta montanha estavam presentes. Veio uma chuva rápida e gelada que serviu para animar ainda mais. Ao final de quatro horas e meia de subida atingimos o cume. Absolutamente encharcado, ter trazido uma lona plástica sobressalente foi a grande salvação. Protegeu-nos da umidade onipresente e garantiu um mínimo de conforto na apertadíssima barraca Azteq Minipak, que é recomendada para apenas uma pessoa.

Estávamos a sós na montanha, algo não muito comum em tempos de vida outdoor explicitada e exagerada na mídia. 

Tempo fechado, mas sem chuva, pelo menos até as oito da noite. Então veio água do céu e algum vento até o final da madrugada. O tempo amanheceu encoberto mas foi abrindo aos poucos. Um frio bem gostoso, na casa dos 12 graus ajudou muito a lagartear na barraca até as onze da manhã.

Descemos pela trilha direta, tranquilamente, com muitas fotografias e novos planos traçados para que, um dia, saia esse encantado Moreia e Baleia...

Abaixo, imagens do passeio.

Abraços e boa semana!















Travessias

A palavra travessia é bem interessante. Atravessar. Cruzar. Transpor. Muitos são os significados, principalmente no âmbito pessoal de cada um de nós. Na natação, chamamos travessia aquela modalidade onde longas distâncias são cruzadas em mares, rios, lagos e afins. Na montanha dizemos de um trekking ou escalada que se inicia em um ponto e finaliza em outro, geralmente com duração maior que um dia.

Falando de montanha, já que na natação sou tão hábil quanto uma água-viva levada pela correnteza, tive a oportunidade de concluir algumas bem interessantes. Aqui no Paraná, tem a Tucum-Itapiroca, que começa na Fazenda da Bolinha, galga os cumes do Camapuan, Tucum, Cerro Verde e Itapiroca, finalizando na Fazenda Pico Paraná. Travessia belíssima e relativamente acessível. Por aqui existem outras mais. Já realizei em outros paragens belas travessias como a Marins-Itaguaré, Serra Fina, Serra do Caparaó e Tabuleiro-Lapinha, esta no ano anterior.

Em 2013, com meu abandono das competições de trail running e meu relativo afastamento desta cena, tenho duas travessias que quero muito conhecer. 

Monte Crista-Araçatuba é uma delas. Uma das mais belas pelo que dizem e uma das mais longas, com algo em torno de sessenta e tantos quilômetros e mais de 4.000 metros de desnível positivo acumulado percorridos entre as alturas de Santa Catarina e Paraná. Deve sair ainda antes do inverno.

A outra é a Trans-Mantiqueira, com cento e poucos quilômetros, tratada por alguns como uma das mais longas e duras. Igualmente com belísimos visuais. Na verdade, trata-se da união de três travessias já bem conhecidas dos montanhistas tupiniquins: Marins-Itaguaré, Serra Fina e Serra Negra. Unindo-se essas três, temos uma versão da Transmantiqueira (existem outras, a comentar em momento oportuno). Falarei mais das duas ao longo deste ano.

E já pensando nisso, amanhã é dia de me lançar num dos trechos da Travessia Monte Crista-Araçatuba. Eu e a Ana Barbara iniciaremos a caminhada aos pés do Araçatuba e tocaremos até onde as forças permitirem, reconhecendo terreno e acampando onde der, após umas boas horas de pernada e belos visuais daqueles campos.

Volto na segunda feira com as impressões. Abaixo, imagem de duas das montanhas que pretendemos passar: Moreia e Baleia, visto dos cafundós do Araçatuba.

Bom final de semana a todos!



Verão nos Campos Gerais

O verão para nós curitibanos é algo muito precioso. É preciso aproveitar. Nos arredores da capital paranaense não dispomos de muitas opções para um refresco. Ok, o litoral está a duas horas de viagem, mas eu não acho isso muito perto não. Existem também algumas cachoeiras meia boca a aproximadamente uma hora e meia daqui.

Então, decidi encarar com a Ana Barbara uma visita aos Campos Gerais do Paraná, aproveitando uma excursão organizada por alguns colegas de um grupo de caminhadas do Facebook. Feliz demais em não ter mais que estar comprometido com performance questionáveis em competições e poder aproveitar um programa realmente divertido, barato e profundamente marcante na memória e na alma como este. Se fosse alguns meses atrás eu não poderia "perder" um longão de sábado ou, no mínimo, me sentiria muito culpado por eventual "furo".

O roteiro constava de Buraco do Padre, Cachoeira da Mariquinha e Salto São Jorge, atrações essas nas imediações da cidade de Ponta Grossa.

Partimos bem cedo em duas curitibanas vans rumo ao segundo planalto paranaense, deixando o cinza e o friozinho fora de época do verão pinheiral rumo ao ensolarado Campos Gerais. Ainda bem cedo havia nuvens, mas a primeira atração já nos brindava com sol tímido, o Buraco do Padre. Formação até comum na região estes buracos - furnas -  são causados pelo desabamento do solo provocado pela erosão do arenito, rocha predominante na região. No caso específico do Buraco do Padre, a natureza encarregou-se de preparar uma bela obra prima, conforme podemos ver nas fotos abaixo.

Eis algumas imagens.






Alguns minutos por lá, seguimos para a Cachoeira da Mariquinha, o que significam mais uns 20 quilômetros chacoalhando no veículo. Só depois viemos saber da possibilidade de ir do Buraco do Padre à Cachoeira da Mariquinha por uma trilha cruzando campos e plantações em apenas 5 km de caminhada. Fica para uma próxima!

Lá chegando, paga-se a entrada (trata-se de uma propriedade particular, cinco reais na época) e segue-se até próximo às margens do Rio Quebra-Perna. Ali tomamos uma agradabilíssima e sombreada trilha até a base da Cachoeira da Mariquinha, já com sol alto e água bem gelada. Rolou até uma sessão de fotos para futuras matérias do TrailRunnning BRASIL. Lugar fantástico, e até certo ponto tranquilo. Havia apenas mais dois grupos por lá. É permitido acampar na propriedade, mas não junto à cachoeira, o que mantém um pouco do sossego do local. Disparado, a melhor cachoeira da região, dentre as que conheço. Quer saber como chegar lá? Doutor Google informa com facilidade. 

Imagens do local e da bagunça que fizemos.








Tudo que é bom não dura tanto assim e seguimos para o Salto São Jorge. Era hora da boia e neste outro local havia estrutura para quem quisesse almoçar. Não era nosso caso, já que levamos conosco o farnel necessário. Seguimos o fluxo turístico, percebendo que havia mesmo muita gente se dirigindo para o afamado Salto São Jorge.

Neste local, achei um pouco chocante a farofada geral que rolava. Muitos motoqueiros extremamente mal educados e imprudentes, acelerando suas máquinas a poucos centímetros dos passantes. Muitos e muitos farofas bagunceiros e surdos, acredito, dado o volume dos equipamentos de som de milhares de reais instalados em carros caindo aos pedaços. Pelo menos essa zona toda estava restrita à região do estacionamento e do boteco local.

Nada disso influiu em nosso humor e partimos para as bandas do salto propriamente dito, onde era o ruído das águas que predominava. Interessante notar que havia pouco lixo espalhado, configurando a questão da poluição como apenas sonora.

Cenicamente a região é muito bonita e merece uma visita em algum dia menos movimento, como dias de semana ou fora de temporada. No local, assim como no Buraco do Padre, existem opções de vias de escalada. Não é minha praia mas certamente se tratam de ótimas opções para quem curte. Para quem, como eu, se liga nas corridas em trilha, todos os locais são ótimas opções e pretendemos retornar em breve para fazer a trilha que liga o Buraco do Padre e a Cachoeira da Mariquinha.

Abaixo algumas imagens do Salto São Jorge.

Abraços e até a próxima!




8.000 Metros de Felicidade

Olá!

É notória e pública, a minha paixão pelas montanhas. Criado ao ar livre desde muito pequeno, acampando nas ilhas do litoral paranaense e na Serra do Mar com meu pai e com minha irmã, meu primeiro cume foi em 1995 no Morro do Anhangava (1.420m) e de lá para cá foram mais de 100 incursões montanhosas, tendo a oportunidade inclusive de estar na alta montanha (até 6.000m) no Cerro Plata em 2009.

É notória e pública, igualmente, minha admiração pelo veganismo, opção escolhida por quem decide levar uma vida livre de sofrimento animal, onde não se ingere nada de origem animal, tampouco utiliza objetos e utensílios oriundos de vida animal. Sou muito, mas muito avesso mesmo a terminologias e definições. Minha opção, na verdade, é apenas não causar sofrimento animal, já que uma dieta sem produtos de origem animal pode ser tão saudável quanto aquela que contempla o consumo de carne, laticínios, etc. No entanto, acho importante difundir esse modo de viver e o termo "vegano" as vezes se faz necessário para uma melhor compreensão.

Nos últimos três anos dediquei-me com vontade às corridas de longa distância, especialmente àquelas fora do asfalto, as corridas de montanha, também conhecidas como Trail Running. Certamente esse período proporcionou um ganho fisiológico considerável e que me permite traçar a mais ambiciosa meta que eu poderia conceber considerando minhas condições atuais.

Trata-se do Projeto 8.000.

Basicamente é a ideia de estar em uma montanha com altitude superior a 8.000 metros (existem apenas 14 delas, sendo o Monte Everest a mais alta e "famosa") e, com todas as forças disponíveis, tentar atingir seu cume. A opção será pelo Cho-Oyu, a Deusa Turquesa. Com 8.201 metros, é a sexta mais alta do mundo e está localizada na fronteira entre Nepal e Tibete. É vizinha do citado Everest e a segunda mais visitada dos dos cumes acima dos 8.000 metros.

Tudo sem pressa. Com respeito. Por isso, a ideia é que essa meta final seja atingida somente em 2021, quando se completarão 30 anos da primeira ascensão de um brasileiro a uma montanha desta envergadura, exatamente o Cho-Oyu, quando Sérgio Beck atingiu seu cume em 22 de abril de 1991, sem oxigênio suplementar, sem auxílio de sherpas, sem firulas.

Antes disso, ainda muita água irá rolar, confundindo propositalmente aprendizado com boas experiências em lugares como Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Alasca já a partir de 2013.

Vamos lá, que 2021 já está chegando =D

Abraços.


Descendo lá do alto


Claro, como se poderia descer de algum lugar que não seja mais alto de onde você está? O título é esse porque abaixo estarei falando das obviedades da vida.

Sabem, eu não busco compreender as coisas através de verdades absolutas. Acho que, na verdade, não busco compreender nada. Em 2013 eu vou parar de competir por razões que talvez somente eu e uns poucos entendam. Nos últimos cinco anos eu já exigi demais de mim. Divertir-se é muito bom, mas estar competindo tem a ver com querer baixar tempos e melhorar performances. O "clique" rolou após a Maratona de Curitiba de 2012, onde eu nem estava inscrito, tampouco treinado, e somente com a base adquirida fui lá e fiz o tal "personal record". O anticlímax foi imediato: "Tá vendo? Para que? Nem precisou treinar para isso, foi lá e fez?" Essas e muitas outras coisas passaram pela cabeça.

"Ah, o que vale é a viagem e não a chegada". Não adianta... vá dizer isso a uma pessoa competitiva. Não basta. A gente quer mais. Quer superar senão o próximo, mas a si mesmo. Esse ano quero correr a K42 de novo, única prova que me anima de verdade. Posso espalhar aos quatro ventos que a ideia é apenas completar inteiro e feliz. Mas como posso pensar em dizer que não ficarei mais satisfeito se eu fizer uma marca melhor que as anteriores? 

Justamente por me cobrar tanto que chegou numa espécie de burn-out, como comentei em post anterior. A conclusão que cheguei foi que eu estava pegando forte demais comigo mesmo. Para tudo na vida sempre fui muito exigente, mas em se tratando de mim mesmo, sai de baixo. Quando desci do Cerro Plata, abandonando a subida a 50 metros do cume, o peso da frustração que joguei nas costas era maior que aquela montanha inteira. Depois daquele evento, fiquei mais de dois anos sem pisar em uma montanha de verdade, sem dormir uma noite sequer em barraca. Entreguei-me com todas as forças ao prazer de me desafiar correndo longas distâncias, sugando forte o que me parecia ser o último suspiro de alegria esportiva que eu poderia almejar. Tornei-me o famoso coxinha dos relógios GPS, das roupas de compressão, dos sites onde se postam e compartilham os treinos e provas.

Meu lado crítico havia encontrado um ótimo campo para se expressar, o que me tornou um verdadeiro mala para alguns, admirado por uns poucos e politicamente incorreto para a maioria, principalmente porque nunca falei o que as pessoas queriam ouvir, mas sim o que meu "eu verdadeiro" dizia. Não há graça ou glamour algum em ser "do contra", como já me disseram. Não se tratava de ser do contra. Tratava-se de ser eu mesmo, com todas as contradições bem expostas, jamais jogadas sob o tapete. E isso não tem como mudar. Ser eu mesmo.

E isso é uma obviedade. Como não sermos nós mesmos? Acreditem, tem gente que apenas segue a maré e são aquilo que as pessoas querem que elas sejam. É um papo meio Paulo Coelho em "O Alquimista" mas me soa muito mais como realidade do que como ficção.

E por acabar me tornando meio "Paulo Coelho" demais é que vou parar por aqui. Não que eu não goste do autor. Mas sim porque não tenho talento nem pretensão de ganhar uns milhoezinhos escrevendo.

Grande abraço!


Nas Alturas em 2013

Olá.

Ano novo, vida nova. Rá!

Lugar-comum, ok. Mas todos merecem entrar em um novo ano do calendário fazendo coisas legais e cercado de pessoas legais também?

Fui ao Morro Camapuan, em um trekking de aproximadamente três horas subindo até os seus 1.719 metros de altitude. Contrariando a previsão do tempo, o clima estava sensacional, com vistas desimpedidas para os 360 graus possíveis. Ventania patagônica durante a noite e cores incríveis, tanto no último dia de 2012 como no primeiro de 2013.

Abaixo as imagens.


Abraços e feliz ano novo, turma!