Por que você treina?

Sim, amigo? Por que você treina?

Para baixar suas marcas? Para perder peso? Para chamar atenção daquela(e) gatinha(o)? Para ganhar saúde? Para se sentir invejado pelos colegas de trabalho que o chamam de "atleta"? Para ganhar dinheiro?

Existem inúmeras razões para encarar uma boa sessão de corrida. Acho todas elas válidas, cada um sabe a sua motivação.

Eu tenho a minha, que é, principalmente me divertir.

Neste final de semana vai rolar uma competição dos sonhos, a Western States 100, uma "corridinha" de 100 milhas por trilhas na Califórnia. Na verdade ela é a mais antiga corrida a pé nesta distância, estando no seu 38º ano de existência. Hoje ela já é bem popular por lá, com inscrições sendo aceitas na base do sorteio (são apenas 400 vagas, afinal trilhas não são avenidas). O vencedor do ano passado foi o norte-americano Geoff Roes, que ainda meteu a melhor marca da prova, completando-a em incríveis 15h07min.

Então deixo a sábia frase deste colega a respeito de sua filosofia de treinamento a qual é incrivelmente similar à minha, algo que descobri agora há pouco, decidindo assim compartilhar:

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Training with a specific focus and purpose of trying to be as fast as possible on a given day at some point in the future feels so shallow and silly to me when compared to simply going out and doing the run that feels the most logical, enjoyable, and appealing on each given day...

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Traduzindo livremente:

Treinar com um foco específico e com o propósito de tentar ser o mais rápido possível em um determinado dia, em algum momento no futuro, soa tão superficial e tolo para mim quando comparado a simplesmente sair e fazer a corrida que pareça mais lógica, agradável e atraente em cada dia...

Abraços e bons (e relaxados) treinos. Ah, and good luck, Mr. Roes =)


Super Meia Maratona Noturna de Extrema / 2011 - Relato

E eis que, ressurgido de certa abstinência criativa e testículos suficientes para escrever algo, cá estou. Não que que a criatividade tenha baixado por aqui, menos ainda que tenha brotado testículos por algum efeito radiotivo, ou o que valha. Simplesmente penso que participar da Super Meia Maratona Noturna de Extrema merece um registro. É uma Corrida de Montanha, cara! E noturna! E dura, muito dura, como deve ser uma verdadeira prova do gênero.

Foram pouco mais de 24 quilômetros percorridos, no meu caso, em exatas 3h40min43seg, como atesta o photochart clicado pela Juliana Monteiro que cedeu a imagem.




Extrema é uma cidade pitoresca e agradável situada às faldas da Serra do Lopo, um dos ramais da Mantiqueira, cadeia montanha de expressão.

Após largar as tralhas na hospedaria escolhida, partimos pra um reconhecimento da cidade e na captura de um almoço bom e barato. Junto com o Léo Freitas que tive o privilégio de conhecer pessoalmente na ocasião, fomos retirar o kit da prova. Hora de descansar!

O hotelzinho ficava a uns 150 metros da largada e pra me dirigi faltando 15 minutos para o horário marcado.

Material conferido e reconferido, é dada a largada. Alguns reclamavam do frio, porém eu estava vindo de duas semanas de treinos matinais com temperaturas pouco acima do zero grau e, assim sendo, este fator não foi assim tão relevante.

Largamos pela cidade, desce, desce até o pé do "morro". Pelo menos uns 5 quilômetros morro acima. primeiro no asfalto, depois na terra e depois em um trilha fechadinha, single track mesmo, sem condições de ultrapassar quem não estava tão acostumado a negociar com raízes, pedras e ausência de luz.

Desembocamos no alto de uma crista, as luzes da cidade acesa lá embaixo, com certeza clareando alguma foto sobre a mesa. A vegetação, antes cerrada, passa a apresentar um campo de altitude traiçoeiro, com pedras ocultas e faceiras para derrubar os incautos e empolgados. Como eu, que me deliciei com a primeira torção de tornozelo da noite. Quedinha sem outra consequência além da puta dor, logo esquecida pela urgência de tocar em frente. Segue pela crista, a mata fecha de novo, sobe e desce, sobe e desce, trilha, trilha e trilha. Lanterna de cabeça e uma sobressalente na mão que fez muita diferença, já que era compacta e muito potente, com certeza me salvando de outros apuros.

Em muitos momentos corri absolutamente sozinho naquelas matas geladas (devia estar uns 7 graus lá em cima, penso). Fim de trilha, hora de descer a morraria do lado oposto por uma estradinha de terra com algumas erosões que, claro, me causaram mais um passo em falso e o pé esquerdo virado - sempre ele. Desci conversando com um pessoal gente boa, aproveitando a oportunidade para um networking em plena roça mineira num sábado à noite.

E chegou o quilômetro 14 (ou 15 ou 16, não sei). O que sei é que passávamos uma porteira e olhávamos para o céu. Não para ver estrelas, mas para ver a procissão de luzes das lanternas do povo subindo e subindo e subindo. Era a região do afamado Pasto da Morte, que faz o tal Morro Maldito da Volta a Ilha parecer um monte de merda. Não marquei no relógio, mas certamente levei mais de 40 minutos para percorrer menos de 3 quilômetros. Começamos suave, em estradinhas de chão. Depois trilhas no pasto e depois pasto bruto mesmo, entre montes do cocô e arames farpados. Um festival de atletas bufando, foi lindo. O verdadeiro espírito da corrida de montanha, todos se falando, perguntando se estava tudo ok e, após um sinal positivo, cada um seguindo no seu embalo.

Topo do tal pasto, uma agua e o último gelzinho goela abaixo (preciso retomar o uso das energy balls de 2009) e voltamos a um terreeno mais plano, mais duas torções leves e, enfim, o retorno pela mesma estrada que percorremos no começo da prova. Hora de despencar com cuidado, pé dolorido, sorriso na cara e bora pro vinho na chegada.

Cheguei tranquilo, consegui até mesmo subir correndo o trecho final em asfalto, já na área urbana. 3h40min não fizeram estragos em mim, além do pé inchado, coisa simples que se resolveu em 3 dias.

O pós prova foi bem bom, com sopa quente, frutas, biscoitos à vontade, enfim, ótima estrutura. Loko de bão!

Não chegamos a detonar toda a garrafa do chilenito, afinal o segredo é apreciar com moderação =) Toca pro hotel, recuperar e arrumar as malas pra retornar à geladeira paranaense onde vivo.

Obrigado a quem tornou possível essa parada, ao Fábio da organização.

No decorrer da semana discorrerei sobre os equipos usados em uma prova como essa, algo que acho importante compartilhar mas que não faço agora para não me alongar.

Resultados aqui.

Abraços!










As Corridas de Montanha

O que é correr em trilhas em montanhas? Para mim não há classificação melhor que esta colocada pelo amigo Pedro Abe Myahira em um artigo para um site de fabricantes de roupas esportivas. Reproduzo abaixo e faço dessas palavras minhas também:

"Para aqueles que se detêm apenas na performance e alto rendimento, as Corridas de Montanha têm pouco a oferecer. Seus tempos apenas podem ser mensurados em função do seu desempenho e de outros atletas. Sua performance é tão-somente aferida em um trajeto específico e único. A recompensa é a alegria de correr pela Natureza. Não há recordes nas Corridas de Montanha."

Abraços.