This is the End...

Este é o fim!

Fechei meu ano de atividades físicas em bom estilo. Rumo ao Itapiroca, montanha que frequentei muitas vezes ao longo dos anos. Foram quatro horas e cinco minutos de muito calor, umidade e satisfação. Um percurso solo pelas montanhas da Serra do Ibitiraquire, neste domingo passado.



Percebo que meus dois anos apenas correndo, longe das trilhas do Ibitiraquire me emburreceram. Se hoje sou capaz de percorrer 42 km em asfalto, percebo que sofro muito mais que antigamente ao encarar as pirambeiras enlameadas da Serra do Mar. Dois anos longe dessas trilhas me tornaram um ser humano pior, em todos os aspectos. Para andar naqueles barrancos úmidos é preciso muito mais que preparo físico, GPS, meias de compressão ou calçados adequados. É preciso espírito livre. E este espírito estava aprisionado em paces, frequencias cardíacas, placas de quilômetros e calendários de provas. Confira a altimetria:



O espírito livre está de volta. No entanto, é hora de merecidas férias. Os desafios que encarei esse ano me cobraram um preço alto, tanto no emocional quanto no físico. Fui participar de competições para as quais eu não estava minimamente preparado, como foi o caso das maratonas de Bombinhas, Foz e Curitiba.

E na hora de fazer o balanço, enquanto apreciava esta vista...




...veio a conclusão que é melhor parar uns dias (ou semanas) recarregar as baterias, recuperar os estragos, que vêm em formas de dores espalhadas pelo corpo, e partir com fé rumo a 2011 que, para mim, começa hoje.

Eis um videozinho.

Um grande abraço a todos.









No final era só o começo...

No calendário, o ano termina em 31 de dezembro. Para mim, meu ano acabou na Maratona de Curitiba, que foi o último suspiro da minha participação em maratonas de rua.

E, falando nisso, agradeço ao Léo Mesquita, de BH, que deixou um comentário que me comoveu sinceramente, pedindo para eu não abandonar esse tipo de prova. Respondo por aqui, amigo: Se eu voltar a sentir prazer nas longas distâncias em asfalto, correrei com certeza. Saí muito marcado das maratonas de Foz e de Curitiba. E como acho que correr longe tem a ver com prazer e correr rápido com dor, to na vibe de me divertir mais do que sofrer. Agradeço demais seu comentário e confesso que me fez pensar na minha escolha a ponto de dizer que tudo pode acontecer.

Mas, para mim, 2011 começa neste final de semana, quando pretendo bater perna em alguma montanha, de mochilinha e muito protetor solar.

E, segunda-feira iniciam os treinos visando a Ultramaratón de Los Andes 80K, objetivo maior do ano próximo. Antes dessa prova, vai rolar a K42 Bombinhas e um projeto-surpresa para o mês de abril ou maio, a ver. Algo já realizado por outras pessoas, nada de emocionante, apenas uma questão pessoal. A dica (péssima, é apenas do lugar, e não que fazer lá) está na foto.

Agradeço aqui também aos inúmeros comentários no blog. Se eu enumerar aqui o todos que deixam os comentários ou interagem via Facebook ou Twitter, o post fica muito longo e ainda corro risco de esquecer, injustamente, alguém.

Bora lá, tigrada, valeu!

Maratona de Curitiba 2010 - A Prova

Buenas!

Falei que talvez não estivesse muito motivado para escrever sobre minha participação nesta maratona mas aqui estou. Algumas impressões abaixo, de maneira rápida:

* Correr maratona sem treinamento adequado dói muito. Minhas três maratonas neste ano foram feitas literalmente nas coxas, que por sinal foi a parte do corpo que mais doeu. Em 2009 corri 5 provas nesta distância e senti metade das dores. Em 2010 sempre melhorei meus tempos, mas doeu mais. Em 2010 fiz a Maratona de Curitiba 3 minutos mais rápido que o ano anterior. Mesmo com percurso mais acidentado e com calor mais forte. Mas também doeu mais. Senti dores nos quadríceps desde o quilômetro 14, muito cedo. Sinal evidente de falta de longões em trechos íngremes, como aqueles que fiz satisfatoriamente em 2009. Portanto, maratona com treino medíocre dá pra fazer, mas dói. Vale lembrar que esta foi a primeira maratona que fiz com um tênis flat, bem baixinho e isso pode ter influenciado no aparecimento das dores em uma musculatura mal treinada e nada acostumada com distâncias tão longas em um calçado quase mínimo.

* É claro que na prova não se deve utilizar nada que não tenha sido testado antes em treinos. Mandei essa regra às favas e corri com camiseta e tênis (pasmem) nunca antes usados. A camiseta em nada me incomodou. Nada de assaduras, nem mamilos, protegidos com micropore, sangrando. Mas deve ter incomodado um engraçadinho que ficou curtindo com a minha cara por eu estar combinando as cores do vestuário (vide foto que ilustra o post, a poucos metros da chegada). Cada um veste a mediocridade que lhe cabe. Pelo menos as fotos ficaram sensuais, lembrando algo como a Banheira do Gugu. E por ter mais sorte que juízo, saí no lucro com apenas uma bolha de leve, no solado do pé direito. Tenho o despautério de atribuir este evento ao pé molhado pelos litros de água que despejei sobre o corpo durante o percurso, para refrescar o calor. O tênis é sensacional, um Saucony Type A3, que havia usado para caminhar no Park Shopping Barigui (o templo dos idiotas) no sábado e me conquistado com seu conforto e sensação de estar descalço. Parabéns à Saucony por oferecer um calçado decente por muito menos que os 500 reais que algumas marcas cobram por tênis mais macios que chicletes babados.

* Os pentelhos de plantão reclamaram do kit fraquinho pré-corrida. Também achei descartável, mas prefiro correr do que me preocupar se a camiseta é de material XYZ-Tech Ultra Power ou se a mochila oferecida era uma vergonha. Durante a prova tudo correu perfeitamente. Água gelada, isotônico em garrafas colossais de 500 ml, esponjas com água, bananas, trânsito bem controlado e ótima estrutura. Isso que vale.

* Subidas e descidas são a tônica da prova, onde quase não há trechos planos. O calor me pegou somente após duas horas de prova, o que ajudou meu desempenho a despencar. Atribuo minha fraca segunda metade de prova ao descaso com a alimentação. O isotônico virou meu estômago e aí já era tarde pra recuperar. Melhorei após comer meio pacote de Ruffles que comprei em um AmPm, afinal como animais que somos, faz todo sentido comer comida e não coisas pastosas e tecnológicas. Deu pra segurar as pontas, intercalar umas caminhadinhas quando batia a preguiça e filosofar sobre a validade de participar de um evento desses. E é falando disso que encerro abaixo.

* Sou um cara do mato, da natureza, das praias e das montanhas. Admiro os corredores dedicados de asfalto que metem tempos e performances respeitáveis. A maratona é para vocês. Meu lance é subir e descer morro, correr em areia fofa, levar picada de inseto e mordida de cachorro, observar nascer do sol por trás de montanhas enquanto corro, incentivar as pessoas a buscar uma vida mais natural e não muito mais que isso. Para a galera do cronômetro, das revistas e dos GPS o asfalto cai melhor que a mim. Confesso que curto bastante correr no pavimento. Mas me divirto mais na terra, na lama e na praia. E como agora eu corro "apenas" por diversão (vide post anterior) é essa a busca da vez.

Abraços e meu muito obrigado a todos que aqui passam e comentam. Vocês são essenciais!

Nota Oficial 01-2010

Buenas!

Sei que tem uma galera querendo saber o que eu achei da Maratona de Curitiba. Ainda não sei se escreverei um relato sobre ela, mas posso garantir que foi mais uma experiência bacana. Mas foi apenas mais uma maratona e com certeza, a última que faço no asfalto, pelo menos é o que penso hoje. Quem sabe num futuro distante eu volte a achar uma prova como essa novamente "divertida". A Maratona de Curitiba 2010 foi, para mim, apenas um bom lugar para tomar decisão. A nota oficial (achei bem interessante usar esse termo) que segue abaixo, tinha sido redigida e enviada dias atrás. Ou seja, a principal decisão de todos os tempos da minha carreira esportiva já estava tomada antes da prova. Percorrer as ruas de Curitiba com a força da minha família e de uns poucos amigos (e alguns malas também) foi apenas a redenção, o finale mesmo.

Enfim, quem sabe, até o final da semana eu trate novamente da prova em sim, da Maratona de Curitiba 2010, a qual completei 3 minutos mais rápido que em 2009.

Segue abaixo, a nota, que na verdade é a transcrição de um e-mail enviado ao depto de marketing da Território Online. Compartilho com meus leitores, apenas para deixar claro o meu poscionamento e evitar que algum possível mané fale merda sem saber o que, de fato acontece. Chuta que é macumba! Hohohoho.


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De: George Volpão [mailto:georgevolpao@gmail.com]
Enviada em: Thursday, November 18, 2010 2:06 PM
Para: Território


Buenas Senhores

Tudo sob controle?

Então... assunto chato a ser tratado mas vou tentar resumir. Na verdade estou marcando o almoço com o Toi justamente para tratar disso pessoalmente. Mas com os imprevistos que rolam, não tem sido possível, entao acho que posso tratar disso por aqui. Mas não pense que não vai rolar almoço na semana seguinte hein Toi?

Aproveitando o fechamento de 2010, final de temporada de corridas e atividades, onde o ano foi bastante produtivo e satisfatório para o atleta Volpão, sinalizo que é hora de mudar e, definitivamente, sentir-me mais vivo.

Indo direto. Não tenho intenção de renovar minhas cotas de patrocinio com a Território Online. Vejo que foi bem produtivo o ano de 2010 junto a vocês. Houve, a meu ver, bom resultado de mídia, com diversas inserções inclusive na mídia impressa. Publiquei com regularidade meus posts sobre equipamentos e provas que corri, bem como deixei claro meu pensamento a respeito de alguns assuntos, para alguns, polêmicos. Esse é o George Volpão, o cara que vive o que prega.

Mas, estando ligado a uma marca, representando uma filosofia que, sinceramente, eu não acredito, senti as coisas ficarem "pesadas" no meu emocional. Ressalto que jamais sofri nenhum tipo de pressão, de ninguém, nem de empresa, nem de pessoas da Território, pelas atitudes, competições, opiniões ou o que quer que seja que eu escolhesse fazer dentro daquilo que me foi oferecido, uma quantia razoável em espécie para levar o nome da Território ao Brasil e ao mundo :) A pressão na verdade, sou eu que coloco. Quero sempre dar o meu melhor, e fiz isso sempre de acordo com meus principios.

Após longas e solitarias horas fazendo oq mais gosto, correndo, entendi que preciso estar veraddeiramente livre e que não estava sendo merecedor do apoio dado por vocês. Quero sempre dar o máximo e meu melhor. Mas tb quero estar livre, falar o que quiser, correr quando quiser, enfim, ser autentico. Não acredito mais que a corrida deva servir para vender equipamentos e começo a me sentir desconfortável levando uma marca no peito.

Essa é minha motivação básica. Quero entrar em 2011 correndo just for fun, por prazer, da forma como deve ser. São diferenças de pensamento, respeito a posição da Território como empresa e tudo bem :)

Percebo que o desgaste de representar bem uma marca ou empresa é maior que os treinos e as viagens. Quero correr para mim e não para os outros. Quase fui atleta profissional com vocês, mas hoje o que eu quero é o anonimato e menos gente me enchendo o saco. Quero correr por prazer e só por isso.

Para isso farei um breve anuncio no meu blog. Peço também a gentileza de atualizar minha situação junto aos demais meios de midia da territorio, tais como blog, territorio mountain team, facebook e outros.

Mais uma vez agradeço demais tudo que me foi oferecido. Mas, tudo tem uma fase. Prefiro lembrar dos bons momentos que vivemos juntos, George e Território. As diferenças, faço questão de deixar para trás.

E sigo em busca da montanha perfeita, que para mim nada tem a ver com bandeiras, crenças, raças ou marcas.

Grande abraço.


George José Volpão
Curitiba - PR
www.georgevolpao.blogspot.com

Maratona de Curitiba 2010

Pouco a escrever sobre esta prova. Ela mora em meu coração, pois atravessa lugares e encontra pessoas que também estão em meu coração. Minha terra que tanto amo. Aquela que me apresenta uma manhã gelada, um meio dia tórrido, um final de tarde cinzento e um início de noite estrelado.

Sem previsoes de tempo para essa maratona. Nem a minha, em quanto tempo irei correr; nem a climática. Curitiba é bela como só ela. E aqui eu tenho prazer em amassar o asfalto como em nenhum outro lugar.

Dois dias me separam da minha oitava maratona, apenas a terceira este ano. Ok, esse ano foi fraco de quantidade mas fortíssimo em qualidade. Tanto nas corridas, como no amor, no dinheiro, na família e nos amigos. Mas forte mesmo foi no profissional. Pois quando recebi um limão, joguei um tanto de açúcar e fiz uma boa e refrescante limonada. Aquela que você bebe sem culpa, aquela que desce suave.

E é assim que estou hoje. Super leve, com ótimas escolhas e cercado de gente amiga.

Caminho definido, sinto-me tranquilo. 2010 se encerrando e com o olho e as pernas em 2011, para realizar outros objetivos, desta vez, da maneira que considero a mais pura possível: by-myself, por mim mesmo. Mas com a little help from my friends.

Grande abraço!




Para pensar neste final de semana (mais do mesmo)

Post totalmente fora desse lance de corridas. Antes de existir o George Corredor e Montanhista, existe o George Humano. Aquele que sorri, chora, crê, luta, cai, levanta, briga, ama, confia e, principalmente, existe.

Então, em um momento de recolhimento no meu final de semana sem internet (com quem travo uma relação tempestuosa de amor e ódio) eu deixo umas palavras da história-livro-filme Na Natureza Selvagem.

São palavras do próprio Alexander Supertramp, personagem principal:

"Você sabe, falo de livrar-se desta sociedade doente... Sabe o que eu não entendo? Porque as pessoas, todas as pessoas, são sempre tão más umas com as outras. Não faz sentido. Julgamento. Controle. Todas estas coisas... De que pessoas estamos falando? Você sabe, pais, hipócritas, políticos, canalhas."

Leia mais em http://www.iruntrails.net/2010/02/na-natureza-selvagem.html

Pensemos.

Beijos e abraços (semana que vem eu falo de corridas, bléh!).

Só o CUme Interessa - Piada Escrota

Bah, nem é piada. Acho que isso se chama cacofonia, que é quando alguma coisa dita de um jeito dá a entender que é outra coisa. Entendeu? Ah, eu também não, hehe. Enfim, não é o que importa.

To escrevendo essa parada, porque li um post no blog que os colegas Bonga e Tonto montaram para divulgar sua expedição no Ama Dablam, uma das mais belas e cobiçadas montanhas do Himalaia. Este cume não é dos mais elevados nem dos mais tecnicamente exigente. Mas o Ama Dablam é lindo! Quem não gostaria de pisar em um cume assim? Lindo, majestoso, imenso... Confira abaixo:


Pois é... com seus quase sete mil metros trata-se de uma cobiçada montanha, objeto de desejo de muitos. Porém, o que rola desde princípio dos anos noventa são os turistas de montanha. Nada contra eles, pelo contrário. Servem para impulsionar uma atividade ecologicamente correta, movimentar economia, transferir renda e trazer qualidade de vida para quem pratica e/ou depende dela.

Porém, tudo em exagero tem um porém - to meio engraçadinho nos textos hoje...- O que rola é que estas montanha mais cobiçadas estão sendo verdadeiramente exploradas pelas empresas que levam esse tipo de gente para seus cumes. O que rolou no Ama Dablam esse ano foi o que o o Tonto classificou de "corrimão de plástico". Simplesmente equiparam toda a montanha com cordas fixas! Ou seja, se você quisere realmente escalar a montanha por sua rota normal, isso não seria possível, pois toda o caminho estava com cordas previamente fixadas pelos guias das expedições comerciais. Bastaria você clipar o seu ascensor e ir subindo, como em um corrimão. E aí fica a pergunta: Só o cume interessa? A maneira como se atinge esse cume não mais importa? E se eu busco a real experiência de subir uma montanha eu devo procurar outro lugar? Para quem vive a montanha de verdade e busca experiências verdadeiras isso é mais ou menos como colocar escadas rolantes. Qual o mérito de se tirar uma foto em um cume dessa forma e mostrar pros amigos dizendo: "Sabe o Ama Dablam, aquela montanha linda? Escalei!" Escalou bosta alguma!

Reproduzo abaixo um e-mail que o montanhista Davi Marski enviou na Hangon, a maior e mais importante lista de discussão de internet do montanhismo nacional a respeito do que realmente acontece na cabeça de gente como eu e como você que busca experiencias verdadeiras:

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Colegas,

Como muitos sabem, o Maurício 'Tonto' Clauzet está no Himalaia tentando
escalar o Ama Dablan em estilo alpino (sem uso de cordas fixas fixadas
por outros), junto do Mute e o Bonga. Eles não conseguiram fazer cume,
mas fizeram várias tentativas, inclusive pela rota noroeste. Sem uso de
sherpas, sem uso de cordas fixas.

O que me leva e escrever aqui pra lista do HangOn é que acabei de ler os
dois últimos posts no blog deles : http://amadablam2010.blogspot.com/
e é uma coisa que cada vez mais tem tomado vulto no mundo da escalada:
até que ponto vale a pena chegar ao cume ? é o cume o objetivo máximo do
escalador ?

Certamente é uma coisa para se refletir (o jeito que se sobe ou se chega
ao cume de uma montanha).

Lendo os posts deles, enviado através de SMS, é realmente decepcionante
saber do lixo, tanto no campo base quanto nos campos de altitude, do
descaso e exploração no uso de sherpas, isso sem contar com as pessoas
que contratam uma expedição comercial, e vão umareando , como o próprio
Tonto escreveu, em uma via ferrata de plástico (as cordas fixas) desde o
'acampamento base' até o cume. Só para depois poder sair alardeando que
fez cume. Essa questão da "muvuca" ou "farofa" nos acampamentos base não
é uma coisa recente, pelo contrário, apenas vem aumentando ano após ano.
A última vez que estive no Aconcágua, por exemplo, foi em 1999 - e a
situação em Plaza de Mulas já me parecia insuportável (e olha que nem
tinha acesso a internet naquela época!). A questão do lixo é realmente
assustadora, sem contar nas 'n' pessoas cagando em tudo quanto é lugar.
Nem precisa ser uma escalada de alta montanha. Recentemente rolou aqui
na lista do HangOn vários posts sobre as escadas no Pico Paraná. É a
mesma situação das cordas fixas... até que ponto vale chegar ao cume
usando destes artifícios ? Cogitei seriamente em estar nessa trip com
eles, e por vários motivos não deu certo. Acho que se estivesse na mesma
situação da descrita pelo Tonto não teria assumido decisões muito
distintas das que eles tomaram. Não tenho a menor idéia de quantos
"independentes" haviam no Ama Dablan, mas desconfio que apenas o russo
que veio do Lhotse fez cume em estilo alpino.

Vale dizer ainda que o Maximo Kausch fez cume pela 2a. vez no Ama
Dablan, a primeira foi em 2004, em estilo alpino, e agora, em 2010, a
trabalho, guiando mais de 10 clientes pela empresa do Dan Mazur. A
Emilia Takahashi e o Roman Romancini também já estiverem no cume do Ama
Dablan.

abraços e boas escaladas,

davi marski

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Compartilho aqui, com autorização do Davi (visite o site dele e, se curte mesmo montanhismo compre o livro, que já li e é completíssimo), um pensamento comum à maior parte da comunidade montanhista. O troço tá foda... Há pouco sossego na montanha...

Estive na região do Cordón del Plata em 2009. Carreguei eu mesmo minhas coisas. Barraca, tralhas de acampamento, roupas, comida para dez dias... Lembro bem que no dia anterior ao meu ataque para o cume outro brasileiro fez sua tentativa, sendo praticamente rebocado montanha acima pelo seu guia particular (o cara contratou um guia só pra ele!). Ele fez cume, chegou morto de cansaço novamente ao seu acampamento e teve seus méritos. Conseguiu seu troféu. Durante momento algum, em todos esses dias na montanha ele carregou algo mais que sua roupa e uma mochilinha com lanches... E o Volpão? Acredito nos meios e não no fim. Carreguei tudo que era meu, subi ao cume, faltou 50 metros, naõ consegui e desci. Sem questionamentos. Cada um sabe o que faz e dorme com sua consciência.

Com isso não é intenção minha dizer que sou melhor ou diferente que os "clientes" de tais expedições. Da mesma forma, jamais disse que por correr livre e solto, sem o GPS Garmim para corrida, sem os tênis da moda, sem assessoria, sem planilha eu sou melhor ou quero fazer graça. Cada um tem seu estilo.

Deixo apenas esse post e seus direcionamentos para links para que cada um reflita sobre se realmente só o cume interessa...

A verdade é que o Volpão está cansado dos posers... Dos corredores sub-alguma coisa querendo impor suas verdades, de especialistas com diplomas que brincam de donos da verdade, de jornalistas sensacionalistas e de empresas onde o dinheiro é mais importante que o ser humano . Lembrando, claro, que empresas são geridas por humanos.

E sigo correndo e me divertindo, rumo à libertação.

Post nada a ver... Se quiser pode pular este (estritamente pessoal)

Só pra mostrar que estou vivo, que já posso correr normalmente, apoesar do pouco tesão em fazer isso nestes dias.

No final do mês, correrei mais uma vez a Maratona de Curitiba, a única corrida em asfalto que pretendo correr mais de uma vez na vida e provavelmente a única maratona em asfalto que eu devo fazer daqui para frente. Ainda nutro interesse por algumas provas diferentes, tais como as maratonas Big Sur (EUA), Santiago (Chile), Mendoza (Argentina), Sol Poente (Ceará) e Honolulu (Havaí). Mas estou pouco disposto a investir minhas paracs economias em corridas assim. Prefiro queimar a grana subindo um Aconcágua, fazendo um trekking no Nepal, curtindo mochilão no sertão do Piauí... Falando nisso, não me sai da cabeça a idéia de fazer um mochilão pelo interior do Brasil. Rodar o sertão nordestino e a amazônia, principalmente, com direito a viajar em ônibus velho e navegar nas barcas da maior floresta equatorial do planeta.

Estive por um dia (31 de outubro) no sertão de Goiás, mais precisamente em Pirenópolis. Apesar do programa ter sido ultra-rápido, com direito a poucas paradas e pouca imersão na vida local, senti-me renovado com a força presente no cerrado brasileiro. As nuvens carregadas de chuva, a mata se recuperando da seca, o verde ressurgindo após meses de estiagem... Passar 4 dias no planalto central me ajudou muito a encontrar meu bom caminho, aquele onde minha vida que prego é a vida que vivo. Metas 2011 definidas.

E assim seja, assim será. Rumo a Maratona de Curitiba, somente por amor à minha terra natal e pelas pessoas que amo, que já confirmaram presença na linha de chegada. Pela primeira vez meu filho, minha irmã e minha mãe estarão me esperando no final da prova clássica do atletismo mundial. Sei isso terá uma importância tão grande para eles como para mim. E dane-se os tempos, os recordes e a distância. Isso é para os bitolados, para quem corre atrás de números. Quero apenas flutuar pela minha terra amada. Terra de motoristas mal-educados mas que tem o que merecem ao ficarem "presos" em suas latas velhas por alguns minutos, esperando o desfile de gente de todo o Brasil que ama viver ao ar livre, correndo.

E pela saudade de viver ao ar livre - livre mesmo, inclusive do concreto e do asfalto - é que acredito cegamente que meu sonho desta noite aponta meu novo caminho. Nunca fui de curtir essas bobagens de interpretar sonhos, horóscopo e tudo mais. Mas sei entender quando meu coração aponta um caminho, mesmo quando é apontado através das imagens de um sonho.

Bora lá, portanto, para os Andes!

Beijos!