E para nós dois, sair de casa já é se aventurar!

Sair de casa e estar fora é, certamente um dos meus maiores prazeres. Seja montanha, seja praia, ou mesmo dentro da cidade. Nesses momentos éque a mente se aquieta. O verão não é a melhor fase, certamente, para se estar na montanha, pelo menos não aqui no Brasil. Chove muito, os insetos abundam e o clima se torna ainda mais instável.

Mesmo assim, a ideia de passar a virada de ano no alto de uma montanha não me desagrada nem um pouco. Seria a vibe "quanto-pió-mió"? Pode ser. Na verdade acho que é algo como : "quanto-mais-loko-mió"!

Vamos amadurendo a "louca" ideia.

Abraços.


Sobre o Rumo das Coisas

Tudo muda, o tempo todo... E 2012 foi disparado o ano que mudou tudo, de todas as maneiras. Mudanças buscadas e desejadas, visando equilibrar meu modo de vida. Ou então visando me "adequar" ao corrente, ainda não sei bem ao certo. Não que eu me sentisse estranho no mundo. Não que estivesse infeliz. Mas também não acho que essas mudanças significaram evolução. Do ponto-de-vista que sempre defendi, acho que acabei andando para trás. De repente um passo atrás ajuda a fornecer espaço para um impulso mais à frente. É com esse pensamento que encaro a situação.

Em 2012 eu cortei o cabelo, voltei a correr provas de 10K e maratona em asfalto, abri conta bancária (sim, me vendi), chegaram cartões de crédito, casei de verdade (de papel passado), aluguei apartamento em bairro nobre, entrei em um financiamento de casa própria, comi carne como a grande maioria das pessoas fazem, consolidei minha posição profissional, fui em eventos sociais de familiares, enfim, realizei uma infinidade de coisas que jamais passariam pela minha cabeça em toda a minha vida anterior. Com os eventos citados, passei a ser, até certo ponto, um bunda-mole como aqueles que sempre desdenhei. Para completar o estereótipo só faltou comprar um carro, ir trabalhar de terno, ser aprovado em vestibular de direito e tirar férias com pacote CVC. Eis um George Volpão absolutamente diferente daquele dos 34 anos anteriores de existência. Seria uma mudança inerente à passagem dos anos? Seria a "meia-idade" chegando?

De todas as mudanças, a única convicta e irreversível é meu casamento, pois ter conhecido a Ana Barbara e reconhecer imediatamente o desejo que ela fosse minha mulher, parceira, esposa, amante e amiga para o resto dos meus dias; certamente é a mais inesperada das surpresas. Uma bem vinda surpresa!

Nos 34 anos anteriores (completei 35 anos em fevereiro de 2012) eu vivi uma vida egoísta, voltada para mim, para o eu. Pouco precisava me preocupar com a sequência dos fatos, dos anos. Estava seguro, casa da família, situação profissional estável, metas pouco ousadas e um profundo sentimento de "um dia de cada vez". Não posso dizer que o casamento seja o responsável por me tornar o "bunda-mole-another-brick-in-the-wall" que passei a ser. A Ana Barbara tem o mesmo espírito de liberdade e desapego que eu. A mudança veio mesmo de dentro, de querer provar o outro lado.

Ter provado este lado, confesso, não me fez mais feliz. Acho que eu tinha mesmo razão em encarar o mundo de maneira menos séria, de não ter compromissos bancários, contratos assinados, eventos sociais em lugares da moda, etc. E ter provado esse lado me mostrou que algo que já havia lido à exaustão em livros, de fato é o melhor caminho: o caminho do meio.

Eis o desafio para o ano que se avizinha: encontrar esse caminho. O apartamento próprio do casal será entregue e voltaremos a morar perto do mato - mesmo sendo um apartamento, deixando o bairro chique onde moramos para quem é, de fato e direito, chique. Nós somos capiaus na essência. A meta principal é cuidar da nossa casinha, que estará a meros cinco quilômetros da nossa apaixonante Serra do Mar. Ter o mato assim tão perto de casa será fundamental nessa nossa busca por qualidade de vida. Manter a vida financeira dentro do saudável também é sonho bom de nutrir. Poder viajar para os lugares que queremos, correr uma poucas provas de montanha e preparar uma polenta após o pôr-do-sol no alto de algum cume serão nosso oxigênio.

Para equilibrar, para equilibrar.

Vai, bunda-mole, acabou a festa do caminho mais fácil. Segue por ali, pelo meio, ta vendo?

Abraços!


Ana Barbara e George Volpão no Morro Itapiroca (1805 m) em julho de 2012. Chuva e 5 graus, do jeito que a gente gosta!

Calendário 2013

Hola, que tal?!

Para 2013 a idéia é estar ainda mais nas montanhas. Tenho ainda muito tesão em correr alguma coisa realmente longa em montanhas. Certamente minha quinta participação consecutiva na K42 Bombinhas é algo que desejo muito e espero que tudo corra bem no decorrer do novo ano para que eu esteja uma vez mais alinhado na largada. Quem sabe até mesmo alguma outra maratona em trilhas apareça na minha ideia. Afinal, um calendário prévio para 2013 já mostra que teremos certamente mais de 10 competições de montanha com distância igual ou superior aos clássicos 42 quilômetros.

Mas o montanhista que há em mim está sedento por experiências mais duradouras do que algumas horas nas trilhas. Quero isso também, mas quero mesmo é o vento que racha o beiço e a sopa quente que conforta o estômago. Sendo assim, as corridas em trilha continuarão a existir, pois são uma grande paixão. Porém pretendo, finalmente, voltar a passar boa parte dos meus finais de semana nas cumeadas paranaenses, como eu fazia entre 2001 e 2007. A ideia é ir preparando o espírito e o corpinho para ambições maiores: estar no ar rarefeito e gelado do Cordón del Plata no inverno de 2014, ou escalar duas montanhas de 6.000 metros na Bolívia, também em 2014. Na foto acima, eu apareço no cume do Cerro Franke (5.000m), nos Andes argentinos em janeiro de 2009.

Após minha participação na Maratona de Curitiba, dia 18 de novembro de 2012, tirei uma semana de merecido descanso. Os treinos recomeçaram no final do mesmo mês tendo como foco principal estar mais forte, feliz e decidido nas montanhas.
Uma vez mais, contarei com o apoio da marca alemã Deuter, fornecendo equipamentos da mais alta qualidade. Esta parceria que iniciou em  2008, continua mais forte do que nunca, também dando suporte e apoio a atletas que, como eu, acreditam que a vida nas montanhas é mais "vida".


Abraços e beijos!

Maratona de Curitiba 2012

No domingo dia 18 de novembro rolou a Maratona de Curitiba. Havia corrido pela última vez em 2010, inclusive anunciando que não mais faria provas como essas. Naquela oportunidade, havia sofrido um bocado para concluir. Não tanto fisicamente, mas sim no espírito. O famoso saco cheio com o asfalto, já que naquele ano eu havia corrido também a Maratona de Foz do Iguaçu.

Para 2012 eu não havia me programado para correr maratonas em asfalto. Aliás, em meu calendário aqui no site até constava como provável a minha presença na maratona da minha terra. Mas o tempo passou e decidi não corrê-la.

Acontece que, poucos dias antes, meu amigo Xampa, do Rio de Janeiro, teve contratempos e não pôde comparecer aqui na terrinha, cedendo-me a inscrição e o kit. Aí pensei, por que não ir buscar a linha de chegada também? Aproveitando também o fato que minha esposa estava inscrita e motivada para a prova, decidi largar, com a mentalidade simples de concluir a prova, se desse.

Deu, e com sobra. Pouco mais de 4h17min, minha melhor marca na distância mas longe de ser merecedora dos parabéns tão comuns hoje em dia para os "guerreiros" maratonistas.

Em 2010, escrevi que correr maratonas sem treino adequado dói. Não sei, então, o que é treino adequado, pois não treinei para este evento, nada doeu e ainda baixei meu tempo. Talvez eu esteja ficando não somente mais rabugento, mas também mais "cascudo".

A rabugice fica por conta de terminar a prova com a clara sensação de que, para mim, correr uma maratona no asfalto é uma merda. Que só tem a função de massagear meu ego, que estava frágil com repetidos "fracassos" nas minhas metas esportivas de 2012. Veja como é a vida: de onde eu menos esperava (do asfalto) e de onde eu mais ridicularizava (o mundo "maratonista" cheio de rótulos), veio uma boa novidade: posso correr o quanto eu quiser, com o mínimo de treino que eu quiser, comendo o que eu quiser, vestindo o que eu quiser e falando o que eu quiser. É uma verdadeira redenção para o ego não? Ótimo para acabar o ano, mais feliz, mais coerente, mais humilde (coisa que ainda me falta muito).

Sempre me inspirei nos exemplos negativos, muito mais do que nos positivos. Quando nego vinha e falava: "a dor é passageira, desistir é para sempre", eu ria, porque achava de uma babaquice sem tamanho, uma coisa de gente frustrada que não admite perder. Hoje, todos sabemos que o autor da célebre frase é um dos maiores mentirosos da história do esporte. Tem aquela também do "no pain, no gain". Mais hilária ainda, já que é preciso ter discernimento da dor saudável e da dor que é lesão, como aquelas que a gente vê aos montes no mundo dos corredores amadores. Muitas vezes o ego faz o cara exagerar, treinar demais, não se recuperar, correr uma prova atrás da outra porque confunde amor ao esporte com aplausos dos pseudo-amigos e aí a casa cai.  Claro, não dá pra generalizar.

Mas são estes os exemplos que mais admiro. Para que não me comporte e nem me contamine com esta vibe negativamente competitiva. Gosto da competição saudável e de me desafiar. Preciso disso e me sinto incapaz de me manter motivado para levantar cedo em uma manhã chuvosa e calçar os tênis para um treino se não tiver na mente um objetivo claro e definido, de preferência de médio prazo.

Esta é a busca do momento. Que rumo tomar em 2013?

Farei as considerações no post seguinte.

Abaixo algumas imagens da minha participação na Maratona de Curitiba 2012, aquela que só corri bem e leve porque não tinha compromisso algum =D

Abraços.










Manifesto pela Vida nas Montanhas

Boa noite, bom dia, boa tarde.

Lanço esse manifesto, inspirado por um debate levantado no facebook, a respeito de possíveis impactos ambientais causados por corredores de montanha em ambientes naturais.

Quem participa de uma prova na montanha, não corre contra ela ou contra o oponente. Corremos por nós, por nossa liberdade. Fazemos o que amamos. É o nosso direito de ir e vir. A montanha não tem dono. Ela está lá, simplesmente, como disse meu homônimo Mallory. Desculpem-nos se lhes ofendemos com nosso esporte. Da mesma forma, somos acusados injustamente de causar impacto. O que queremos é paz e convivência;  não segregação, nem olhos tortos. Saibam todos que na Espanha, por exemplo, a mesma federação que cuida dos assuntos de escalada e montanhismo cuida também das corridas de montanha? Vivem em paz, sem ninguém acusar ninguém, e sem ninguém achar que a montanha é apenas um templo e deve estar lá somente para contemplar ou somente para campistas, ou somente para escaladores, ou somente para trekkeiros. Lá corredores escalam e escaladores correm na montanha. Que maldita mania é essa de acharmos que o NOSSO ponto-de-vista é o certo e o do colega é errado? Desfrutemos com consciência. E esse é meu trabalho na promoção deste esporte no país! 

Abraços.