dezembro 26, 2014

Feliz 2015!

Feliz 2015, pessoal!

Com muita montanha, trilha, vida ao ar livre, realizações e fantasia. Clichês da vida real. Clichês que merecem esta manifestação.

E aproveito, inspirado por um post do colega de atividade Dakota Jones (informando sua saída do time Montrail e entrada no time Salomon), para anunciar mudanças no meu rumo "midiático-esponsorizado". Saiba mais aqui, em inglês: http://www.irunfar.com/2014/12/switching-sponsors.html

A partir de janeiro de 2015, não estarei vinculado a mais nenhuma marca esportiva, seja como patrocínio, seja como apoio. Meu contrato com a marca The North Face se encerra neste 31 de dezembro e o acordo verbal com o varejista Território Mountain também terá seu fim na mesma data. Isso para não falar na TRC Brasil, onde atuava apenas como contratado de marketing digital entre outubro de 2013 e março de 2014 e da Revista TRAILRUNNING, que nasceu, cresceu, viveu intensamente e faleceu entre dezembro de 2013 e setembro de 2014. Não tenho mais nada a ver com isso. Não sei de nada, como diria certo ex presidente. Somos todos amigos. Mas negócios a parte, certo e esclarecido?

Deixo apenas o último parágrafo de um livro que mudou a vida de muitas pessoas. Tive a felicidade de reler nestes tempos em que me afasto do mundo digital. Aliás já havia publicado algo semelhante em um post de 2010 aqui no blog, se não me engano.

“Não quero que ninguém faça nada a não ser correr, divertir-se, dançar, comer e comemorar conosco. A arte de correr não serve para fazer os outros comprarem produtos. É preciso liberdade, cara” – Micah True, mais conhecido como Caballo Blanco, no livro Nascido para Correr, de Cristhopher McDougall.

Assim, fica meu desejo de corridas, diversão, danças, comidas e comemorações para 2015. E, principalmente, liberdade.

Feliz 2015!

Sendo eu mesmo aos pés do Pico das Agulhas Negras (agosto 2014)

dezembro 22, 2014

Mais realizações, menos projetos

Hoje eu dou risada sobre as hashtags "projeto-isso-ou-aquilo". A única pela qual tenho verdadeira admiração é a #projetodefequeieandeiparaclichês do amigo Manuel Lago.

Justamente por fugir do clichê que é "projeto-isso-ou-aquilo".

Ainda não vi nenhuma necessidade de "projetos" para conseguir algo. Falo isso por mim, que sempre projetou um monte de coisa que nunca chegou a realizar. Seria a necessidade de cavocar uma motivação no like ou aplauso alheio? Bem provável.

Eu já bebi muito desse veneno e aqui mesmo no blog, se você for cavocar também, encontrará meus projetos, todos eles jamais realizados. 

Mais que projetar, prefiro realizar. Se, por um lado, eu nunca realizei e finalizei meus "projetos", minhas maiores realizações pessoais foram aquelas que nunca projetei, ou que não fiz publicidade prévia. Subi montanha de quase 6.000 metros, corri 12 maratonas, três ultramaratonas, fiz um filho, comprei casa própria com a esposa, casei, viajei de bike por uma semana com a casa nas costas, tomei um barril de Heineken, tirei foto pelado na montanha, recebi patrocínio para correr sem jamais ter mandado um "projeto" sequer para o marketing destas empresas e muito mais. Tudo isso sem "projeto".

Tudo isso porque, aprendi com a vida: realizar é muito mais interessante que projetar.

Assim, desejo aos meus leitores um 2015 de MUITAS realizações. Os projetos? Só servem para animar uma breve centelha sonhadora. Porque projeto sem mãos à obra e desejo puro é apenas mais uma hashtag.

Feliz 2015!


dezembro 10, 2014

Temporada 2014 de Trail Running

Época de balanços e retrospectivas.

Nunca fui muito analítico, me sinto mais atraído pelas impressões subjetivas das coisas. Para alguns isso é defeito, já tendo sido eu convidado a mostrar números precisos para querer provar o que falo, escrevo ou o que seja. Mas, porra: Eu uso letras e não números. Não gosto deles, por mais validade que eles tenham. Não nego os valores dos números (perdão do trocadilho). Mas desde os tempos de escola eu era assim: Nota 9 na redação e geralmente 5 na matemática.

Texto completo em minha coluna de despedida no portal Corrida no Ar, certamente o espaço mais bacana, completo e interessante sobre corridas produzido na língua portuguesa. A partir de janeiro, não escreverei nem usarei o computador com a mesma frequência. Acesse aqui:

http://corridanoar.com.br/index.php/colunas/aos-montes/item/1515-epoca-de-balancos-e-retrospectivas.html

Deixo abaixo uma declaração de Anton Krupicka na semana passada em uma entrevista:

"O mundo é um lugar gigante, selvagem e lindo. Me limitar a apenas correr por ele me parece tão bobo, triste e míope, já que a terra e o mundo natural sempre foi uma das minhas grandes inspirações".

E aqui uma declaração - que já teve patrulha na fan page do facebook como sempre- ,de Kilian Jornet, a respeito de redes sociais e afins, a qual apreciei muito e fez todo o sentido PARA MIM.

"En las redes sociales no hay que contar tu vida. Hay que intentar inspirar y mostrar paisajes que algunos días vemos, cosas que hemos aprendido...más que la vida privada, que eso solo le tiene que importar a uno mismo”.

Abraços!



dezembro 03, 2014

12/12 - Ou seja, mês 12 de 12

Mais um ano que se acaba, outro sonho que termina. São tempos nebulosos sem muita vitamina D. Ou seria sem muitos carboidratos?

Tempos de experimentação de planos alimentares (a palavra dieta me remete àquelas revistas com ex-gordas nas capas), equilibrando-me cautelosamente entre aquilo que julgo ser ético e justo (não causar mal ou dano à outros animais) e uma saúde que já não é mais a mesma dos meus vinte e poucos.

TODOS tem a razão consigo: low-carbs, paleos, vegans, frugívoros estritos e demais classes de chatos. Médicos que se acham mais sabichões que nutricionistas e vice-versa. O que eu faço com esses números?

Emputecidos porque o site de inscrição deu pau e tomados por uma chatice nunca antes vista na história da humanidade, somos hoje todos formadores de opinião do próprio nariz. E do nariz dos outros, é claro.

Os e-mails não retornados, as perguntas sem respostas, a cabeça dentro de um buraco quente e agradável, de onde não se quer sair.

Todos nós neste FEBEAPA* há tantas décadas.

Ah Stanislaw, se você fosse blogueiro... Seriam incontáveis edições. Mas não seria seu leitor não. Seria colaborador!

Bom dezembro a todos e até a próxima quarta, escrevendo as minhas impressões sobre a temporada 2014 no Trail Running.


*FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar já presente nos primeiros Atos Institucionais (que tinham a sugestiva sigla de AI). Um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião. Fonte: Wikipedia.





novembro 27, 2014

Eu e Bombinhas, Bombinhas e eu

Olá.

Conheci a cidade catarinense de Bombinhas tardiamente, Com 30 anos de idade passei um dia lá, em uma breve passagem suficiente para me encantar com o mar extremamente verde e uma hora de remo em um caiaque alugado na Praia da Sepultura. Desde então procurei recuperar o tempo perdido voltando para lá anualmente e participando de um evento mais do que especial.

Em agosto de 2009 (texto aqui) eu e pouco mais de 50 atletas alinhamos para a primeira maratona trail running do Brasil, a K42 Bombinhas, uma etapa da série K42 que rola em alguns países. O ambiente era extremamente amistoso entre todos: organizadores, atletas, familiares e população local.

Desde então retornei todos os anos para a prova, exceção de 2014, onde por motivos profissionais não pude estar presente (se arrependimento matasse...). Não deixei de ir à bela Bombinhas, pois trabalhei para a finada e efêmera Revista TRAILRUNNING na cobertura da INDOMIT Costa Esmeralda Ultra Trail (vídeo aqui).

Hoje já não é mais K42, é Indomit.

São definitivamente os mais belos 42 quilômetros em trilha do nosso Brasil: uma prova completa que mistura alguns trechos urbanos, trilhas na mata, trilhas próximas ao mar, costões, areia batida, subidas, descidas...enfim: um percurso completo e de beleza incomparável a tudo que conheço (que não é muito, confesso).

Por isso,no próximo ano lá estarei novamente: 15 de agosto de 2015 é a data. Será minha única prova de trail running que participarei na próxima temporada. Os meus interesses são outros e a modalidade hoje é para mim tão ou mais encantadora do que já era em 2009, na minha primeira participação em uma maratona em trilha. Encantadora a ponto de não precisar mais alinhar em uma linha de largada para curtir uma boa e divertida corrida em trilha. Uma modalidade encantadora a ponto de apenas uma competição ou outra ser merecedora da minha atenção no decorrer da temporada.

É o caso da INDOMIT Bombinhas 2015.

Venha você também, te garanto que vale a pena. As inscrições já estão abertas no site oficial e basta clicar aqui.

E no próximo post eu digo qual outra competição esportiva merecerá meu foco e dedicação em 2015 :)

Abaixo um vídeo que, orgulhosamente, participei, na edição de 2013.

Abraços, bons treinos


"ALGO MAIS" - 5ª Vila do Farol 42K Bombinhas Adventure Marathon 2013 (full version) from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

novembro 26, 2014

Cada um dá o que tem.

Não há como ser diferente, é fato.

Cada um dá o que tem para dar.

Não se pode esperar educação de quem não a tem. Não se pode esperar tolerância de quem é impaciente. Não se pode esperar coisas positivas de quem se cerca de negatividade.

Na verdade, acho que é melhor nem esperar nada. Criar expectativas... o Budismo fala muito disso, sobre a inutilidade de se criar expectativas, sobre o quanto de dor e sofrimento isso nos traz.

E o que tenho para dar é isso. Não há mais nada comigo. Não existem fórmulas mágicas tampouco receitas mirabolantes.

O que tenho, está comigo, levo comigo. E quando, no apagar das luzes e no piar da giripoca, tudo ficar mais evidente, nunca será tarde.

Assim, não espero (nem quero) nada de ninguém. Vou tocando o barco, vivendo meu mundo, colorindo os rabiscos que criei nestes 37 anos. 

Assim, de hoje em diante, somente cores alegres preenchendo o esboço que, no fim das contas, é necessário para dar forma àquilo que propomos como arte final.

E isso tudo em um mundo onde as pessoas postam no instagram e facebook fotos de seus machucados nas trilhas ou de seus filhos doentes.

Dia 01 de março de 2015: Mais Sobre Montanhas - (Re)buscar a trilha. Um curta-metragem mostrando um pouco do meu ano 2014 e a busca pela trilha certa, se é que ela existe.

Estou bem empolgado selecionando as imagens e trilha. A edição final me tomará um precioso tempo que espero ser recompensado com um produto de qualidade aos meus olhos e ouvidos, bem como de quem se dispuser a apreciar. Gratuitamente, é claro.

Bons ventos!


novembro 25, 2014

Ter menos para viver mais - Vídeo legal

Oi.

Nunca fui de querer possuir muitas coisas. Nunca fui muito ambicioso em TER. Nunca precisei de muito. Na adolescência, principalmente, passei por maus bocados e por um bom tempo eu vestia e calçava apenas o resultado de doações de amigos e familiares, tal era a dificuldade financeira que eu enfrentava junto com minha mãe. Eram outros tempos, não havia bolsa-isso, bolsa-aquilo. Faculdade? Só me restava a opção gratuita de uma UFPR ou CEFET. Mas eu era preguiçoso demais de estudar e preferia ir beber com os "amigos".

Quando comecei a trabalhar e batalhar pela vida aos 17 anos de idade, consegui um pouco mais de estabilidade e poder ajudar nas coisas da vida: contas de água, luz, reformas da casa, etc.

Defendo que cada um gaste o seu "hard earned cash" (dinheiro suado) como melhor lhe aprouver. Mas ao mesmo tempo, cada vez mais fui comprovando na prática que menos é mais.

Que não preciso de 6 pares de tênis, 2 já está bom. Que não preciso de 8 pares de camisetas, mas de 3. Um par de sapatos para uso social está ótimo, afinal detesto convívios sociais, festeeeenhas e coisas do gênero.

Velho e jacu do mato, é o que me tornei em 2014.

Justamente agora que mais estive envolvido com o doce sabor da mídia e da super exposição. Coisa do mercado. Já gostei bastante dos holofotes, mas já tinha alguns meses que eles estavam me cegando. Então, se não posso apagá-los, resta a retirada da qual falei no post anterior.

O motivo basicamente é esse: a hipocrisia.

Sinto-me hipócrita quando não resisto a um cachorro quente, vegetariano que sou há tanto tempo.
Sinto-me hipócrita quando alimento o desejo de comprar o "lançamento", "o produto que rende mais", o "mais cool", o "mais style" ou o que quer que seja.

Comprar coisas é parte da vida. Certos produtos são realmente necessários para uma vida mais confortável e segura. É preciso diferenciar conforto de luxo. Gosto de trabalhar com vendas e oferecer produtos que trazem qualidade de vida. Sinto-me útil.

Mas tem um limite, que agradavelmente a empresa onde trabalho entende e respeita. Vender mais não significa ser mais feliz. Ganhar mais dinheiro não significa ser mais feliz. Para mim.

Abaixo, um vídeo que apreciei, sobre minimalismo na vida.

Bons ventos!




novembro 21, 2014

Do porquê gradativamente me ausento da vida virtual-social

Sim, já havia anunciado uma data. Da mesma forma, já abordei um tema parecido com o que escrevo hoje:


Aqui também:


Um post assim até faz parecer que to querendo atenção. Vai que é isso né? De repente... Mas, na verdade está direcionado em rumo certo àqueles que me acompanham nessa trajetória. Por respeito e estima, ainda escrevo para os que me leem. É gratificante receber e-mails e comentários no blog de quem aprecia o que escrevo, então, nada melhor que ser justo com estas pessoas, aclarando o que passa na cabeça. Para estes, acho válido um "porque gradativamente me afasto da vida "virtual-social".

Um primeiro passo foi ter excluído a conta pessoal do facebook dois meses atrás, permanecendo apenas com a fan page por questões comerciais. O mesmo vale para o perfil de Instagram, que está lá, presente e ativo pelo mesmo motivo.

A questão é que decidi fazer uma "limpa" no meu rol de contatos e criar um novo perfil para me relacionar com as pessoas que efetivamente estão presentes e que conheço pessoalmente. Confesso que não gosto de ver tanta fotinho ou tanto comentário/postagem do tipo "fiz isso, fiz aquilo, fiz tal coisa", apesar de eu mesmo já ter me comportado assim por longos 10 anos de redes sociais. Tudo começou com o Orkut em 2004 e nada melhor que finalizar uma década de convívio em redes sociais de maneira correta.

O Facebook me consumia muito tempo e as pessoas ficavam magoadas se eu não clicava no botão "curtir" ou se simplesmente não "via as postagens" delas. Carência? Pode ser, não me cabe julgar. Não nego os valores positivos de ferramenta assim: conheci pessoas incríveis e inclusive o amor da minha vida com quem estou casado graças ao Facebook e seus grupos.

Hoje, me parece que virou um pandemônio de comentários (e comentaristas) vazios e postagens egocêntricas, sendo as mais infames aquelas que alguém simula estar meditando e pede para alguém fazer uma foto (vale para o instagram). Ou a pessoa medita e se concentra ou ela se preocupa com os likes que receberá, é o que acho. Mas, cada um faz o que quer e cada entende como quiser.

No exemplo abaixo fica claro o interesse daqueles que, como eu, se agarram ao feed de notícias e à contagem de likes:

Alcançou 605 pessoas, teve 2 likes.


Alcançou 370 pessoas e teve 20 likes.

O robô do Facebook entregou para mais "fãs" da página um assunto muito mais relevante, pelo menos para mim, do que uma bela flor da Serra do Mar. A análise dos números de visualizações e dos likes (quase inexistentes em um tema seríssimo como exploração de trabalhadores) só confirma: estamos em um mundo onde parecer é mais importante do que ser. Onde fotos de flores despertam mais simpatia a uma causa do que o churrasco consumido sem culpa no domingo (sou vegetariano).

Enfim, para muitos, é mais fácil fechar os olhos. Abri os meus e vejo que não faz mais sentido gerar ruído. Mesmo que seja um ruído de flores ao vento.

Sim, nessa postagem estou cuspindo e vomitando em um prato que comi. Mas é hora de provar outros sabores. As citadas relações comerciais se encerrarão no dia 31 de dezembro e, até lá, decidirei se ainda escreverei no blog - como faço desde 2006 aqui - ou se tudo acaba. A fan page certamente será desativada, bem como o instagram e até mesmo o whatsapp.

Nestes últimos meses de 2014 tenho vivido cada vez mais a vida lá fora e enxergado as coisas e as pessoas com uma cor mais viva. Antes, super conectado, ficava tudo meio embaçado, sabe?

Já são 5 anos que trabalho exclusivamente com internet, mídias sociais e marketing digital. É com estas atividades que pago minhas contas, que viajo sempre que posso, que vou pro mato nas minhas horas livres. Sempre recebi o justo pagamento pelo que dei de retorno e assim espero continuar. São excelentes ferramentas não de incentivo ao consumo, mas para proporcionar experiências e qualidade de vida às pessoas. Tenho orgulho de trabalhar desta maneira digital.

Mas as demais horas, dias e semanas da vida, amigos. Ah, é lá fora e desconectado.

Abraços e desconectando em 41 dias...

novembro 16, 2014

A Tríplice Coroa (ou O Trio Parada Dura)

Neste feriado de Proclamação da República (um sábado, para desespero daqueles que trabalham de segunda à sexta como eu), estive junto com a Ana Barbara percorrendo três das mais relevantes trilhas e cumes da Serra do Mar paranaense.

Certamente são os mais visitados: Pico Paraná (1.877m), Caratuva (1.850m) e Itapiroca (1.805m). Respectivamente o primeiro, segundo e quarto cumes mais altos do território estadual. 

Partimos sob chuva fina e persistente desde nossa casa, em Quatro Barras, já no pé da serra. Iniciamos a empreitada as oito da manhã, ainda com chuviscos e vento gelado. A meta era subir o Pico Paraná com qualquer condição climática. Assim fizemos, com muita lama e terreno escorregadio, perigoso até. No retorno mais chuva, porém ao chegarmos no acesso à trilha do Itapiroca, por volta de meio caminho do retorno, decidimos subir até esta agradável montanha. Caminhada curta, coisa de 20 minutos e 200 metros verticais e lá estávamos, sendo recebidos com sol tímido mas aconchegante. Uma breve pausa e toca para baixo, não antes sem considerar mais uma ascensão de 400 metros verticais rumo ao Caratuva, para fechar com chave de ouro um belo sábado de montanha.

Equipamento usado:

- Tênis The North Face Ultra Trail;
- Meia de Compressão Louis Garneau;
- Calça Legging Barateza;
- Camiseta manga longa Solo X-Thermo;
- Jaqueta Corta Vento The North FaceVerto;
- Buff Ultra Maraton de Los Andes;
- Óculos Julbo Junior;
- Mochila The North Face Torrent contendo:
  - Kit Primeiros Socorros;
  - 4 Kit Kat;
  - 2 pacotes Suco Tang;
  - 1 pacote Salgadinho Elma Chips Sticks;
  - 1 sanduíche de pão integral  queijo + tomate + alface;
  - 1 Suco Ades caixinha 200ml;
  - 1 pacote Biscoito Recheado Trakinas
  - Refil Hydrapack The North Face com capacidade para 2 litros.

Foram 12 horas de atividade e os números de quilometragem e desnível podem ser vistos aqui:


Algumas imagens abaixo e aqui no Flickr:


Bons ventos!








novembro 11, 2014

Alpinrunning - Uma nova modalidade? E eu com isso?

Estudioso e curioso do Budismo que sou, lidar e entender a transitoriedade das coisas nunca foi meu problema. Mais do que "estar na moda" ou "pegar a última onda", vivi sempre motivado em buscar o que me faz bem e àqueles que estão comigo.

Não sei se admiro e se alimento repugnância àqueles que por décadas e mais décadas se atém a um tema apenas, um hobby, uma profissão, uma modalidade...

Minha cabeça sempre entendeu que a vida (esta aqui) é muito curta para ser vivida em apenas um ou dois pontos de todas as possibilidades que nos são oferecidas. Mesmo que nos custe nunca sermos "experts" em algo (não acredito nisso, acho que por mais mestres que sejamos, estamos sempre aprendendo), abrindo o leque temos maiores oportunidade de experimentar sensações.

Eu jamais conseguiria falar ou viver 30 anos de corrida ou 40 anos de montanhismo, deixando de aproveitar o que uma bike oferece, um bar com amigos proporciona ou a cozinha da minha casa permite em experiências.

Mesmo tendo me dedicado com maior afinco e força a uma modalidade ou interesse, nunca deixei de ter os olhos voltados para outras áreas de meu interesse, sempre tentando absorver os melhores valores que lhes fossem inerentes.

De 1993 a 2000 eu vivi o triathlon e o mountain biking. De 2001 a 2009 eu vivi o montanhismo. De 2009 a 2014 vivi o Trail Running. De 2015 em diante, que venha o Alpinrunning, movendo-se livre nas montanhas, longe do espírito competitivo como o conhecemos. Porque é MAIS SOBRE MONTANHAS. Já rolaram algumas atividades de montanha com este conceito nos últimos 20 anos. Mas agora é hora de levar a "brincadeira" a um outro nível.

Saiba mais aqui (em inglês):

http://www.alpinrunning.org/

Ou aqui, em tradução livre (não sou fluente e nem tradutor da língua inglesa):

Desde que o montanhismo é montanhismo, a velocidade tem sido associada a ele. A leveza e o menor impacto nas montanhas fez as regras do "estilo alpino".

Pierre de Coubertin já havia dito "O mais importante dos Jogos não é vencer, mas participar, e a coisa mais importante na vida não é o triunfo, mas a luta. O essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem. "

Seja leve o tanto que você pode aceitar, o tanto que sua capacidade e sua confiança dizem ser possível. Mover-se rapidamente para aproveitar o "movimento", para desfrutar da montanha em toda a sua amplitude. Leve significa rápido, rápido significa mais longe. Alpinrunning é uma forma de ir para as montanhas de uma forma leve e rápida para se manter em movimento e mais tempo para descobrir mais.

É, realmente, uma nova disciplina? Claro que não (leia aqui, em inglês), há uma recalibração das capacidades humanas para realizar escaladas de forma mais limpa, rápida e leve.

As redes sociais começam a mostrar imagens que rompem com a lógica de qualquer segurança em montanha. Evolução esportiva, social e técnica da elite do esporte deve ser entendida no seu devido contexto. Devemos tomar o contexto específico dessas imagens: ética e segurança.

A liberdade de escolher uma forma particular de escalada está relacionada com a responsabilidade de saber exatamente o risco de fazê-lo dessa maneira.


Abraços, bons ventos!

#maissobremontanhas
#alpinrunning
#neverstopexploring

outubro 28, 2014

Fim de festa

Ilustração: Google Imagens.
Não sei (eu sei que tem, mas uso essa figura de linguagem comum) se tem a ver com a desaceleração da economia nacional, mas tem muito mais a ver com a sede no pote e a putaria generalizada que se transformou a modalidade trail running no Brasil.

Já estamos nitidamente do outro lado da onda acima, e para isso apresento uns poucos dados que confirmam:

a) Aumento exagerado na oferta de competições de trail running, principalmente aquelas de longa distância. Hoje no Brasil temos mais maratonas em trilha do que de asfalto. E isso em um mercado consumidor muito menor que o da corrida de rua. Ou seja, corridas de mais para atletas de menos, o que leva algumas provas a contar com menos de 100 atletas. Eu acho super bonitinho o esquema roots, com pouca gente e nada mais que uma linha de largada e chegada. Mas a massa não é assim. A massa gosta de pódio bonito, medalha bonita, troféu bonito, fotógrafo de qualidade, de camiseta bonita e kit bonito. Isso gera um custo ao organizador que se faz necessário repassar aos atletas.

b) De fato em sua grande maioria, os preços das inscrições em corridas de montanha estão elevados. Mas não em todas. Alguns organizadores oferecem valores próximos ao das corridas de rua e certamente dispensam uma boa grana para montar uma estrutura já que o esporte praticamente não conta com patrocinadores. Em 2013 eu corri uma maratona em trilha cuja inscrição custou menos de 100 reais.As marcas do ramo, em geral, não dispõe de tanta verba assim para o marketing. Empresas que são do ramo não veem nenhum atrativo em exibir sua marca e fazer ações de marketing para meia dúzia de gatos pingados no meio do mato. Agora, se você acha que tal prova tem sua inscrição muito cara, faça como eu: fique quieto e não corra. Mesmo que sua intenção seja espernear e "alertar", indignar-se atrás do monitor, você está gerando mídia gratuita para o organizador. Certamente vai despertar a atenção de alguém que não pensa que é tão caro assim e vai lá se inscrever. Ou seja, você foi mané duas vezes.

c) Com esse enorme número de provas, um público consumidor que já é pequeno acaba se pulverizando entre as opções disponíveis. Assim, menor retorno financeiro para organizadores, maior valor de inscrição e está feita a bola de neve. No mês de outubro teve K21 Curitiba. Um ano e meio antes, na primeira edição onde estive presente correndo tivemos algo em torno de 300 atletas. Para 2014, percurso similar (se não igual), o marketing pesado das redes sociais e o expertise da edição anterior. O que rolou? Menos de 150 atletas no total, com apenas 34 atletas concluindo os 10K e chegando a incrível marca de 2 concluintes na distância de 5 quilômetros. Assombroso.

d) Já começo a observar que algumas competições anunciadas estão sendo canceladas. Seria devido ao baixo número de inscritos que acaba inviabilizando eventos? Provável.

e) Redes sociais podem servir ao bem ou ao mal. O trabalho duro de muita gente pode acabar sendo minado e enfraquecido por meia dúzia de desocupados que, infelizmente, não conseguem enxergar além do próprio umbigo. Já vivenciei algumas experiências do gênero, não somente na cena trail runner, mas em diversos segmentos da vida. Aliás, quem não tem aquele colega de sala, de escritório ou de boteco que dissimuladamente tenta de tudo para lhe derrubar? Sucesso é foda... Portanto pensar fora da casinha faz bem. Não se meter na vida dos outros, melhor ainda. Ser Robin Hood de rede social é, mais que patético, profundamente desnecessário, pois não melhora em nada a vida das pessoas.

f) Crise é oportunidade, diziam os chineses. Mas, como ouvi de alguns amigos, assim que a putaria passar, não permanecerão os melhores, mas sim que teve mais juízo financeiro.

g) O ser humano, em geral, aprecia uma tragédia. Dias atrás postei esta foto abaixo, chamando para um post aqui do blog, o anterior:


Um simples nariz ressecado em uma das minhas viagens aos Andes. Foi o dia que o blog teve MAIS VISITAS sendo o post MAIS VISITADO do mês em apenas um dia. Anterior a ele publiquei um assunto bacana, sobre PRINCÍPIOS, sobre ÉTICA, sobre AJUDAR, sobre ser POSITIVO, sobre ser leal. Isso passou batido, não mereceu a mesma atenção que o meu nariz quebrado. Foi apenas um "teste" para que eu confirmasse minhas suspeitas sobre a índole da raça humana (sim, estou generalizando). Assim são as manchetes de jornais e a da televisão. Tragédia e notícia ruim vende mais.

Não quero isso para mim.

Sim, o tempo é de descrença. Não só no mundo virtual, mas também dos relacionamentos humanos no mundo real. Descobrir que podemos contar somente com aquelas pessoas mais próximas não poderia ser assim tão surpreendente.

Mas nunca precisei crer em nada. Prefiro viver.

Retribuir gentilezas, dizer um bom dia, retribuir um favor, ser grato, ter paciência com aqueles que tem dificuldade na execução de tarefas, respeitar opiniões alheias sem atacar as pessoas... tudo isso faria parte do meu mundo ideal. Assim, deixo do lado de fora o mundo que vejo e crio o ideal para dentro da porta de casa, com o lar que ajudo a manter e construir com minha esposa e nossas gatas Biotita e Onça.

Cenário trágico? Traga uma boa notícia, disponha de meia hora para um café e um ofereça sincero aperto de mãos que a gente conversa pessoalmente (que é bem melhor).

Bons treinos!

outubro 27, 2014

Sobre Homens e Montanhas


Literatura de montanha me encanta. Eis um trecho que aprecio muito!

Cada passo mais para cima é uma escolha pessoal e uma responsabilidade pessoal. Precisamos ter muita clareza sobre isso antes de começar a nos aventurar. À medida que o montanhismo vai se tornando um esporte cada vez mais para os espectadores, devido aos sites e telefones por satélite, cada vez mais precisamos responder a questões sobre escolhas e responsabilidades para um público curioso, mas predominantemente desinformado.

De quem é a escolha que representa risco no final? Não é da pessoa que resolve ir até lá? Vivemos em uma sociedade voltada para a culpa, que exige explicações e prestação de contas, indo atrás de bodes expiatórios, se necessário. Se caminho pelas vias estreitas da vida, faço isso porque eu quero. Se essa beirada se rompe sob mim, aceito isso como consequência da minha escolha. Não posso culpar os outros pelo que aconteceu. Tampouco espero que aqueles que me acompanham por aquela passagem, caso me acompanhem, carreguem a culpa pelas minhas decisões. Eu faço uma escolha e vivo por ela, ou morro. A morte não é uma intenção, mas é aceita como uma possibilidade em vista do risco da atividade. Não crucifiquem meus companheiros por minhas escolhas. Simplesmente, sinto-me feliz por terem me acompanhado pelo máximo de tempo que lhes foi possível.

Cathy O'Dowd - Alpinista sul africana em seu livro Just for the Love of It (sem edição no Brasil)

O autor e amigos descendo o Cerro Plata (6.050m) com o tempo virando após tentativa frustrada de cume. Janeiro 2009.

outubro 21, 2014

Questão de Princípios - Por Chuckie V

Salve senhores!

Segue tradução livre de post publicado originalmente em 2011 no blog do triatleta Chuckie V, autor do texto. Quem me mandou essa bagaça foi o Xampa, que, sabe porque cargas d'água, lembrou de mim ao ler o post do atleta ianque. Parece que hoje o blog está com acesso restrito. Aliás, Chuckie V é um cara sensacional, recomendo fortemente visitas frequentes ao seu blog (em inglês). O cara é um inspiração, pelo seu bom humor, simplismo e caráter.

Quem se interessar, for até o fim e me conhecer um pouco sabe como eu gostaria que essas palavras tivessem brotado originalmente de mim. Mas... o figura me poupou o trabalho de criar, deixando-me apenas com o desejo de traduzir e compartilhar quem, como eu, tem certa preguiça de ler em inglês, ou mesmo quem não domina a língua.

Vambora:

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Questão de Princípos

A seguir alguns princípios que os cientistas esportivos nem sempre mencionam (ou não conhecem)...

O princípio de manter-se simples: este princípio estabelece que se algo pode ser feito, ele pode ser realizado de maneira mais simples. A simplicidade não é o objetivo final, mas um meio para que se atinja sua meta. Lembre-se: para cada atleta detalhista e CDF sentado em frente a um computador olhando gráficos e planilhas sem fim, existe outro atleta desfrutando seu esporte em sua raiz, bebendo na fonte, lá fora. Como este pensamento está no auge do nosso esporte (N.d.T: Triathlon), poucos atletas top utilizam monitores cardíacos ou medidores de potência. Chris McCormack não usa, tampouco Chrissie Wellington nem Mirinda Carfae, entre outros. Se assim funciona para eles, também pode funcionar para você. Mas faça sua parte nos treinos.

O príncipio de que seja divertido: O esporte competitivo é apenas um emprego para alguns poucos eleitos. E mesmo esses poucos que o esporte é apenas um jogo, não é questão de vida-ou-morte. Você pode ser sério no que faz, mas não estrague a minha diversão ou a dos outros.

O princípio da diversificação: Este é, essencialmente, um corolário do princípio acima. Apimentar as coisas! Para o atleta isso é especialmente vital, uma vez que temos a tendência de atingir um determinado patamar e rolar uma acomodação (isso rola na vida nossa de cada dia também). Varie a carga e o modo de treino.

O princípio de ignorar os seus críticos, mesmo que, muitas vezes, o maior crítico seja você mesmo: Concentre-se em sua progressão, não apenas onde você sofre ou faz cagada. Ignore aqueles que dizem que algo é impossível ou meta o pé na bunda desses malas. Isso tem a ver com o princípio a seguir. Vencedores sabem mais que os perdedores. Tempo.

O princípio a seguir tem a ver com o acima: O princípio de ignorar aqueles que, em teoria, sabem mais. (Você se conhece melhor que ninguém ou, pelo menos, deveria se conhecer. Se esse não é o seu caso, bem, que seja esta a maior lição que o esporte pode ensinar em sua vida. Toca o barco. O tempo é curto e estamos sempre aprendendo.)

O princípio do botar pra foder. Este princípio estabelece que você deve sempre dar o seu melhor quando necessário.



outubro 12, 2014

Mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Eu sei que, às vezes, uso palavras repetidas, cantou Renato Russo em 1986.

Ontem, 11 de outubro, completaram-se 18 anos desde sua morte. Cresci ouvindo sua voz marcante, sempre muito bem acompanhada do instrumental de Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha (este, até 1989 com a banda).

Repetir-se sem cansar-se não é tarefa fácil. Não canso-me com facilidade. Este último trimestre, no entanto, parece destinado ao "cansaço social".

Será que antes eu andava com um véu que me encobria a visão plena? Penso que sim. Mas também não posso dizer que dispensei o véu.

Em tempos em que parecer é mais importante que ser, (me included), estas última semanas do ano já servem para tomar o rumo definitivo de 2015, este número aleatório previsto séculos atrás por um Gregório qualquer. Prefiro marcar a passagem do tempo pela passagem das estações e pela mudança da vegetação, da temperatura e das cores.

Por quatro estações eu viajei muito pelo Brasil. Promovi, difundi e dei minha contribuição ao Trail Running nacional.

Começa a primavera e começo a viagem para dentro de mim.

É cedo para um adeus, mas já é tempo de um até mais!

Beijos e abraços!


outubro 04, 2014

George Volpão e Jamur Bikes

Equilibrado e em movimento.
Lembro bem quando, perdido profissionalmente, trabalhando por 8 anos em uma mesma empresa e responsável pelo controle de qualidade de uma pequena indústria de alarmes automotivos, eu fui levar minha bike para uma revisão em uma loja num bairro nobre de Curitiba, a Jamur Bikes. Abril de 2005. Havia um cartaz singelo anunciando que contratavam vendedores e mecânicos. Minha única experiência com vendas tinha sido uma temporada no litoral paranaense em 1993 vendendo picolé Kibon naqueles carrinhos, com direito a apito e chapéu de palha.

Conversei com o proprietário, Paulo Jamur, ciclista de duas olimpíadas e uma das figuras mais humanas que eu conheço e ele topou um teste com aquele cabeludo tímido que entendia um pouquinho de bicicleta e quase nada de vendas.

Acho que tive um pouco de sorte, porque poucos meses depois o então gerente da loja saiu de lá, e eu fui ficando e conquistando meu espaço, meus clientes e minha paixão por trabalhar com o público. Após dois anos, a rotina me cansou e a necessidade de vôos maiores deram seu sinal. Eu já estava ganhando um extra guiando pessoas em trilhas da Serra do Mar. Pedi a conta.

Alguns meses nesse bico, surgiu a proposta de trabalhar com vendas também na Território OnLine e segui minha trilha. Muita água passou pela ponte e encurto a história: desliguei-me desta loja de montanhismo e assumi o site da Jamur Bikes em agosto de 2010, iniciando minha segunda passagem por lá.

Muitas novidades, ajudei e fui muito ajudado a criar um ambiente de trabalho positivo, a vender saúde e qualidade de vida às pessoas e a inovar muita coisa.

Porém, meu envolvimento com as questões do trail running como atleta e "ambassador" de marcas e organizadores me ocupava demais a cabeça e vislumbrei a oportunidade do "dream come true".

Sim, seria possível viver do esporte que eu tanto amo.

Saí da empresa em setembro de 2013 para prestar consultoria primeiro para a TRC Brasil e depois ser editor da Revista TRAILRUNNING.

Tudo na vida tem seus pró e contras. Por motivos que prefiro guardar comigo, a revista teve fim, sendo lançadas somente 4 edições e deixando um buraco no peito que eu ainda não havia experimentado. Aliado a isso, teve o cansaço da exposição vazia - porém recheada de futilidades - de conhecidos e praticantes do esporte que ajudei a tornar mais visível cada vez mais me enojava. A simples falta de noção e de respeito que observava em comentários e postagens de redes sociais sobre a vida alheia (me included) era algo além da minha compreensão. Solução: perfil excluído no facebook, restando a fan page para divulgar o blog.

O "black dog" chegou com força e devo muito à minha esposa Ana Barbara pelo suporte no terrível setembro que vivi.

Mas, de tudo isso, tirei coisas boas. Os verdadeiros amigos (bem, a maioria eu trouxe de outros tempos). A oportunidade de ser parceiro da The North Face Brasil, com quem tenho contrato até o final do ano e que muito me motiva com sua energia e proposta principal de ser mais que uma marca, mas também um lifestyle e uma inspiradora de pessoas. A (re) descoberta que, mais que a chegada, o caminho é que me encanta. Os dias passados conhecendo gente e conhecendo parte do Brasil que eu desconhecia, com uma mochila nas costas e um trabalho a ser feito e respeitado. Sim, teve muita coisa boa.

E a parte boa de chegar ao fundo do poço é que só resta uma saída. Para cima. Pude entender que era hora de mudança.

Uma mudança de rumos mais que bem vinda. Não mais um profissional do Trail Running. Agora, mais do que nunca, estar nas montanhas será SOMENTE por prazer. Agora é só com amor, benzinho. Porque na vida, é necessário equilíbrio, como ilustra a imagem. Pela terceira vez em minha carreira profissional, sou parte do time Jamur Bikes em tempo integral, coordenando o marketing e o e-commerce da empresa.

Tempo de aplicar o conhecimento adquirido para continuar acrescentando qualidade de vida às pessoas. Bike é qualidade de vida. Mesmo com a meia dúzia de imbecis que insistiam com choradeiras descabidas, quando trabalhei com organização de eventos de corrida de montanha eu me orgulhava de entregar experiências que proporcionavam qualidade de vida. Sabia que eu fazia meu melhor trabalho e que ele era de ótima qualidade. 

Para este restinho de ano, sem competições nas montanhas. Farei um 5K de asfalto em dezembro e só. Vejo vocês nas montanhas, como sempre. Em 2015 farei uma ou duas ultra-trails, a definir. Sem alardes. Não me orgulho nem um pouco das corridas e montanhas que completei. As medalhas já foram para o lixo há tempos, as fotos pós prova hoje me soam tolas e o que me importa mais é viver cada instante de maneira preciosa. Não correr para fazer a foto. Tentar ser ridículo de maneira autêntica evitando a boiada. Rir ainda mais de mim mesmo e me levar cada vez menos a sério. 

Voltei a sorrir :)

Beijos e abraços.



outubro 02, 2014

Ultramaratonas, Rob Krar e Depressão

Assisti hoje um curtametragem muito bom, produzido integralmente por Joel Wolpert (o mesmo de "In The High Country", com Anton Krupicka), onde o "corredor da vez" é o canadense Rob Krar. 


Infelizmente, está disponível somente em inglês. O barbudo surgiu forte na cena ultra trail runner em 2013, quando meteu um vice-campeonato em sua primeira prova de 100 milhas, a concorridíssima Western States 100. Desde então tem faturado títulos e mais títulos, como a UROC 2013, e para 2014 uma inédita e incrível "Triple Crown": campeão da Western States 100, Leadville 100 e Run Rabbit Run 100 em uma mesma temporada.

No filme, ele discorre sobre sua relação com a ultramaratona, sobre os episódios de depressão, sobre o total apoio de sua esposa Christina e tudo isso no belíssimo cenário de uma de suas conquistas, o FKT (Fastest Known Time - Melhor marca conhecida) no trecho chamado R2R2R, ou melhor, Rim to Rim to Rim. Trata-se de correr a trilha que desce de uma das bordas do Grand Canyon (EUA), subir do outro lado até a borda e voltar tudo. Algo em torno de 42 milhas. Quem leu um pouco sobre a história deste cabra, sabe: um dos melhores do mundo.

E que possa, de alguma forma, ajudar a inspirar quem atravessa a mesma condição, a depressão. Um dia escreverei sobre...

Trago então este vídeo, ajudando a mostrar que os personagens incríveis do trail running mundial vão bem além de Kilian Jornet e Anton Krupicka.


Beijos e abraços.


outubro 01, 2014

El Outsider - Por George Volpão

Sempre gostei de fotografar. Lembro de ter "roubado" da mochila de meu pai uma câmera fotográfica Kodak quando fomos em uma chácara de um amigo quando eu tinha uns 4 ou 5 anos e sair disparando fotos dos matos todos, torrando um filme de 36 poses. Quem lembra do que era isso?

O mundo digital de hoje trouxe essa facilidade de sairmos apontando para qualquer coisa que nos chame a atenção e registrar o momento. Claro que muita porcaria e ruído digital é gerado junto. De cada 10 disparos que faço, se eu aproveitar e gostar de apenas um, já será um bom número.

E, para organizar e expor meus registros, criei o El Outsider, um blog de fotos com postagens diárias com a temática da vida nas montanhas. Os aspectos geográficos, meteorológicos, personagens, competições, passeios... enfim, o que se refere ao universo que aprecio registrar.

Segue lá ;)


Beijos, abraço e ótimo outubro a todos nós, com mais esperança.




setembro 30, 2014

Aaaaaaaaaai a UTMBBBBBB!!!!

Tipo chilique mesmo.

A UTMB - Ultra Trail du Mont Blanc (168 Km / 9.600 D+) é umas das mais representativas competições ultra-trail do mundo, apesar da minha preferência pela também mítica Western States 100 (161 Km / 5.500 D+ / 7.000 D-).

Gosto é que nem cu, claro. E sim, a UTMB é a corrida dos sonhos de 99 entre 100 ultramaratonistas de montanha. Mas não é a minha, não para corrê-la. Para assistir eu tenho imensa vontade... Ver os amigos, os ídolos, conhecer as montanhas e estar no cume do ponto mais alto da Europa ocidental e que dá nome à competição (por onde a prova obviamente não passa, apenas contorna).

Interessei-me hoje por esta aqui, mais "roots", em um país totalmente fora dos roteiros turísticos convencionais e que duvido algum brasileiro tenha ouvido falar antes de saber dela no site iRunFar, que foi onde a descobri hoje. 

Apreciem o vídeo da Persenk Ultra (132 Km / 5.000 D+), no montanhoso interior da Bulgária. E se completar a prova, leva três pontinhos pra desejada UTMB ;)

A Persenk Ultra ocorre no final de semana anterior ao UTMB e tem inscrições a partir de 30 Euros. Barateza! Ah, e não tem classificação por faixa etária de 10 em 10 ou de 5 em cinco anos. Essa bobagem que faz sentido nas corridas de rua mas que não tem porque aplicar em provas de Ultra Trail, onde o que vale é o desafio. A separação existe somente entre Sênior (atletas entre 18 e 39 anos) e Veteranos (ou acima).

Beijos!


setembro 28, 2014

Wake me up when September ends

Acorde-me quando setembro acabar. Wake me Up When September Ends. Vídeo aqui.

Mês do djanho...

Muito me aconteceu em setembro de 2014. Certamente foi o período da minha vida que melhor consegui extrair coisas boas das merdas que as pessoas e o mundo me destinaram.

O capitalismo (geralmente)  malvado, que vive de vender, consumir e produzir, me trouxe pessoas e propostas legais na convenção da The North Face aqui no Paraná. Observei que mesmo em uma marca de nome internacional muito forte o que importa mais é o ser humano. Que grana e resultados são consequência de um trabalho apaixonado e correto. Saí feliz de lá.

Que o mercado trail runner está tomando o rumo da putaria mais louca mesmo. Excesso de provas, de exibição e de super-valorização. É só mais uma forma de praticar esporte, pessoal. Não é a coisa mais importante do mundo. Correr em trilha é divertido e prazeroso mas pode ser ruim se você faz disso sua razão de viver, se busca a vitória (seja ela o que e como for) a qualquer preço, na rasteirada, no egoísmo e na presunção. Levar-se muito a sério é caminho certo para uma vida infeliz. 

Que no mutirão do Dia da Montanha Limpa no Morro do Anhangava, quem adora discursos de facebook sobre preços de inscrições de provas ou sobre posturas pessoais minhas a respeito do que é ser um verdadeiro trail runner (nunca pedi opinião, a propósito) sequer deu as caras. Esconder-se atrás do monitor é mais cômodo. Covardia realmente é um termo que lhes cai bem. Escrevo e penso assim: Acha legal correr em trilha? Vai cuidar delas também.

Que mesmo um dos meus sonhos ter durado somente 9 meses (ser pago para escrever para uma revista), serviu para me aprimorar e valorizar melhor empresas, marcas, pessoas e amigos. 

A redescoberta da depressão que estava quietinha comigo havia alguns anos e que voltou com força nestes dias trouxe também a cura: foco no que importa.

Neste setembro, toda a merda que eu recebi de algumas pessoas teve destino certo: adubo. Adubo orgânico humano.

Outubro começa com novas metas profissionais e pessoais. Entre elas escrever e filmar cada vez mais. E ainda mais, acima de tudo, ser George Volpão. Eu estava com saudade dele. 

Abaixo um vídeo deste sábado, no Morro do Anhangava, com a bela Ana Barbara, que me manteve vivo neste período.

Saludos.


setembro 25, 2014

Comida de verdade e Handheld

Hola!

Abaixo um vídeo rápido sobre comida e handheld. Não aprecio géis e outras gororobas tecnológicas. Meus leitores sabem disso. Como, geralmente, paçoquita ou paçoca comum mesmo, em treinos mais longos, acima de 4 horas. Nos mais curtos estou testando agora. Vamos ver se "pega".

Bom que posso levar nos handhelds, produto que uso há uns dois anos e me atende nas necessidades de hidratação e de carregar alguma comida. São, basicamente, garrafas de mão para corrida. A galera dos EUA usa com maior frequência. Já tive oportunidade de usar alguns modelos e este The North Face se adaptou perfeitamente ao meu estilo. Uma pena não ter achado no site local, mas deixo aqui o link para que visualizem no site gringo. Em algumas das lojas você ainda pode encontrar: São Paulo, Rio ou Curitiba, onde adquiri o meu.

Vamos lá, assistam, mandem um joinha e inscreva-se no canal ;)

Beijos e abraços!

Link Youtube.




setembro 17, 2014

I Training Camp Trail Labs - Inverno 2013 - Como Foi - Parte I

Uma ideia na cabeça e muita vontade de fazer dar certo. Bons amigos, ótimas parcerias e a natureza "conspirando" a favor. Não teria como dar errado.

O primeiro Training Camp que organizei junto com minha esposa Ana Barbara Volpão foi um verdadeiro sucesso. E não somos nós que frisamos isso. Quem se dispôs a acreditar em nosso projeto pôde provar que estávamos no caminho certo ao fazer a nossa escolha: Uma casa simples, no meio da mata, de acesso restrito, com trilhas de todas as dificuldades, serras, rios de águas cristalinas. Tinha também uma térmica com mate, um vinho para curtir assistindo um filme de montanha, comida típica de roça, temperaturas típicas de inverno paranaense (em torno de 6 graus ao amanhecer) e muita, disposição dos integrantes. Foram eles que fizeram a diferença.  Mais do que uma clínica de corrida de montanha, uma verdadeira imersão no universo trail runner, com foco principal no aspecto lúdico, na camaradagem e nos valores éticos e morais, bem como na integração com o meio ambiente e com os participantes.



Nove pessoas lá estavam, chegaram animados e com os olhos brilhando. A parte teórica que havíamos preparado para o sábado a tarde não animou muito (risos). Também pudera: um lindíssimo céu azul invernal convidava para um primeiro contato com a terra e com as trilhas da região. No Training Camp Trail Labs é assim: rasgamos o script se necessário e aceitamos o chamado da galera e da montanha. Saímos para um trote descontraído pirambeira acima, depois morro abaixo. Ótimo para quem ainda não se conhecia estreitar os laços e se entrosar. 

Após um pôr do sol daqueles, hora do rango: quase 3 quilômetros de caminhada até o local escolhido, na mais perfeita escuridão e sob céu estreladíssimo. Mais blá-blá-bla. Ali, o assunto dominante foi a temática do camp, obviamente: trail running. Com isso, captamos a mensagem: para quê salas fechadas, caminho de uma via (palestrante para ouvinte), cadeiras confortáveis? Na caminhada tratamos de diversos temas. Das bolhas do Daniel Júnior ao entusiasmo da Cris Wickert com seus relatos de provas em outras regiões do país.



Bem alimentados e retornando em uma escuridão ainda mais intensa, chegou a hora de curtir um documentário com o Carlos Sá, grande ultramaratonista português, especialista em montanha. A programação era dormir cedo, pois parte do grupo sairia antes do amanhecer para um rolê de duas horas nos matos da região de São Luiz do Purunã. Colchões espalhados por todos os cantos, naquilo que chamamos de caos organizado. Pura ansiedade pelo domingo que anunciava tempo aberto e trilhas ainda mais interessantes. Abaixo, imagens do sábado, primeiro dia.











I Training Camp Trail Labs - Inverno 2013 - Como Foi - Parte II




5:30 começa a profusão de despertadores... Os integrantes mais dispostos levantaram neste horário para uma saída de duas horas com aproximadamente 400 metros de desnível positivo. Em torno de 14 quilômetros, sendo 5 de trilhas técnicas. Fazia um frio de 6 graus e o céu ainda estava estrelado quando saímos. Nesta rodagem, éramos seis. Começou a clarear na subida da Serra da Faxina, trecho em estrada de terra com subida suave. Pouco adiante chegamos no vilarejo de São Luiz do Purunã, onde tomamos o rumo dos campos gerais. Ali o sol nos brindou com espetáculo de cores incríveis. Com pouco menos de uma hora e meia, chegamos ao mirante da Faxina, ponto alto do "passeio" com 1.150 metros de altitude e ampla visão. Breve relax e toca para baixo: 5 quilômetros de descida técnica com trilhas de todos os tipos. Pura diversão!

Assim que chegamos na sede da chácara, o restante do grupo se animava para um trote leve de seis quilômetros. Quem tinha feito a rodagem anterior aproveitou para tomar um bom café da manhã que preparamos e aguardar o retorno do grupo, para encarar novamente a subida da serra, desta vez por trilha. Liberdade de ação, essa foi a tônica. Assim, é possível cada um correr trechos dentro de suas condições físicas. Partimos então novamente para o Mirante da Faxina, desta vez com quem ainda não conhecia o trecho. Um total de 9 quilômetros 100% trilhas técnicas.

Retorno para almoço na Estância Águas da Serra e mais uns poucos slides e vídeos no meio da tarde, já em clima de "quero mais". Deixamos o local do camp pontualmente às 17 horas, levando conosco a certeza de termos dado o melhor do nosso conhecimento técnico e também de ter aprendido muito com as experiências compartilhadas por nossos amigos..


O Training Camp Trail Labs é assim e sempre será: troca de experiências, cada um contribuindo de sua forma, em um processo de aprendizado e compartilhamento de informações único. Porque, no fim das contas, somos todos encantados por montanha e por desafios.

Mais que uma clínica de trail running, o Training Camp é oportunidade de viver a corrida de montanha na sua essência: companheirismo, liberdade de ação, desafio e incentivo à autossuficiência.

Meu muito obrigado a todos aqueles que confiaram na proposta e no processo como um todo. Sem vocês, essa parada não teria sido possível.

Agradeço agradece especialmente à Território Mountain e à TRC Brasil pelo suporte oferecido, desde a concepção da ideia até sua execução.

E minha mais profunda admiração, carinho e respeito por quem lá esteve e conviveu comigo neste um dia e meio. Vocês fizeram a diferença e trouxeram os ingredientes necessários para o sucesso. Valeu!

Foto: Marcelo Santos

Foto: Fred Campos

Foto: Fred Campos



















Trail Running Culture

 Queridos e Queridas, como estão? Trail Running Culture. Cultura Trail Runner. Não temos no Brasil. Não temos apoio, incentivo e divulgação,...