novembro 27, 2014

Eu e Bombinhas, Bombinhas e eu

Olá.

Conheci a cidade catarinense de Bombinhas tardiamente, Com 30 anos de idade passei um dia lá, em uma breve passagem suficiente para me encantar com o mar extremamente verde e uma hora de remo em um caiaque alugado na Praia da Sepultura. Desde então procurei recuperar o tempo perdido voltando para lá anualmente e participando de um evento mais do que especial.

Em agosto de 2009 (texto aqui) eu e pouco mais de 50 atletas alinhamos para a primeira maratona trail running do Brasil, a K42 Bombinhas, uma etapa da série K42 que rola em alguns países. O ambiente era extremamente amistoso entre todos: organizadores, atletas, familiares e população local.

Desde então retornei todos os anos para a prova, exceção de 2014, onde por motivos profissionais não pude estar presente (se arrependimento matasse...). Não deixei de ir à bela Bombinhas, pois trabalhei para a finada e efêmera Revista TRAILRUNNING na cobertura da INDOMIT Costa Esmeralda Ultra Trail (vídeo aqui).

Hoje já não é mais K42, é Indomit.

São definitivamente os mais belos 42 quilômetros em trilha do nosso Brasil: uma prova completa que mistura alguns trechos urbanos, trilhas na mata, trilhas próximas ao mar, costões, areia batida, subidas, descidas...enfim: um percurso completo e de beleza incomparável a tudo que conheço (que não é muito, confesso).

Por isso,no próximo ano lá estarei novamente: 15 de agosto de 2015 é a data. Será minha única prova de trail running que participarei na próxima temporada. Os meus interesses são outros e a modalidade hoje é para mim tão ou mais encantadora do que já era em 2009, na minha primeira participação em uma maratona em trilha. Encantadora a ponto de não precisar mais alinhar em uma linha de largada para curtir uma boa e divertida corrida em trilha. Uma modalidade encantadora a ponto de apenas uma competição ou outra ser merecedora da minha atenção no decorrer da temporada.

É o caso da INDOMIT Bombinhas 2015.

Venha você também, te garanto que vale a pena. As inscrições já estão abertas no site oficial e basta clicar aqui.

E no próximo post eu digo qual outra competição esportiva merecerá meu foco e dedicação em 2015 :)

Abaixo um vídeo que, orgulhosamente, participei, na edição de 2013.

Abraços, bons treinos


"ALGO MAIS" - 5ª Vila do Farol 42K Bombinhas Adventure Marathon 2013 (full version) from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

novembro 26, 2014

Cada um dá o que tem.

Não há como ser diferente, é fato.

Cada um dá o que tem para dar.

Não se pode esperar educação de quem não a tem. Não se pode esperar tolerância de quem é impaciente. Não se pode esperar coisas positivas de quem se cerca de negatividade.

Na verdade, acho que é melhor nem esperar nada. Criar expectativas... o Budismo fala muito disso, sobre a inutilidade de se criar expectativas, sobre o quanto de dor e sofrimento isso nos traz.

E o que tenho para dar é isso. Não há mais nada comigo. Não existem fórmulas mágicas tampouco receitas mirabolantes.

O que tenho, está comigo, levo comigo. E quando, no apagar das luzes e no piar da giripoca, tudo ficar mais evidente, nunca será tarde.

Assim, não espero (nem quero) nada de ninguém. Vou tocando o barco, vivendo meu mundo, colorindo os rabiscos que criei nestes 37 anos. 

Assim, de hoje em diante, somente cores alegres preenchendo o esboço que, no fim das contas, é necessário para dar forma àquilo que propomos como arte final.

E isso tudo em um mundo onde as pessoas postam no instagram e facebook fotos de seus machucados nas trilhas ou de seus filhos doentes.

Dia 01 de março de 2015: Mais Sobre Montanhas - (Re)buscar a trilha. Um curta-metragem mostrando um pouco do meu ano 2014 e a busca pela trilha certa, se é que ela existe.

Estou bem empolgado selecionando as imagens e trilha. A edição final me tomará um precioso tempo que espero ser recompensado com um produto de qualidade aos meus olhos e ouvidos, bem como de quem se dispuser a apreciar. Gratuitamente, é claro.

Bons ventos!


novembro 25, 2014

Ter menos para viver mais - Vídeo legal

Oi.

Nunca fui de querer possuir muitas coisas. Nunca fui muito ambicioso em TER. Nunca precisei de muito. Na adolescência, principalmente, passei por maus bocados e por um bom tempo eu vestia e calçava apenas o resultado de doações de amigos e familiares, tal era a dificuldade financeira que eu enfrentava junto com minha mãe. Eram outros tempos, não havia bolsa-isso, bolsa-aquilo. Faculdade? Só me restava a opção gratuita de uma UFPR ou CEFET. Mas eu era preguiçoso demais de estudar e preferia ir beber com os "amigos".

Quando comecei a trabalhar e batalhar pela vida aos 17 anos de idade, consegui um pouco mais de estabilidade e poder ajudar nas coisas da vida: contas de água, luz, reformas da casa, etc.

Defendo que cada um gaste o seu "hard earned cash" (dinheiro suado) como melhor lhe aprouver. Mas ao mesmo tempo, cada vez mais fui comprovando na prática que menos é mais.

Que não preciso de 6 pares de tênis, 2 já está bom. Que não preciso de 8 pares de camisetas, mas de 3. Um par de sapatos para uso social está ótimo, afinal detesto convívios sociais, festeeeenhas e coisas do gênero.

Velho e jacu do mato, é o que me tornei em 2014.

Justamente agora que mais estive envolvido com o doce sabor da mídia e da super exposição. Coisa do mercado. Já gostei bastante dos holofotes, mas já tinha alguns meses que eles estavam me cegando. Então, se não posso apagá-los, resta a retirada da qual falei no post anterior.

O motivo basicamente é esse: a hipocrisia.

Sinto-me hipócrita quando não resisto a um cachorro quente, vegetariano que sou há tanto tempo.
Sinto-me hipócrita quando alimento o desejo de comprar o "lançamento", "o produto que rende mais", o "mais cool", o "mais style" ou o que quer que seja.

Comprar coisas é parte da vida. Certos produtos são realmente necessários para uma vida mais confortável e segura. É preciso diferenciar conforto de luxo. Gosto de trabalhar com vendas e oferecer produtos que trazem qualidade de vida. Sinto-me útil.

Mas tem um limite, que agradavelmente a empresa onde trabalho entende e respeita. Vender mais não significa ser mais feliz. Ganhar mais dinheiro não significa ser mais feliz. Para mim.

Abaixo, um vídeo que apreciei, sobre minimalismo na vida.

Bons ventos!




novembro 21, 2014

Do porquê gradativamente me ausento da vida virtual-social

Sim, já havia anunciado uma data. Da mesma forma, já abordei um tema parecido com o que escrevo hoje:


Aqui também:


Um post assim até faz parecer que to querendo atenção. Vai que é isso né? De repente... Mas, na verdade está direcionado em rumo certo àqueles que me acompanham nessa trajetória. Por respeito e estima, ainda escrevo para os que me leem. É gratificante receber e-mails e comentários no blog de quem aprecia o que escrevo, então, nada melhor que ser justo com estas pessoas, aclarando o que passa na cabeça. Para estes, acho válido um "porque gradativamente me afasto da vida "virtual-social".

Um primeiro passo foi ter excluído a conta pessoal do facebook dois meses atrás, permanecendo apenas com a fan page por questões comerciais. O mesmo vale para o perfil de Instagram, que está lá, presente e ativo pelo mesmo motivo.

A questão é que decidi fazer uma "limpa" no meu rol de contatos e criar um novo perfil para me relacionar com as pessoas que efetivamente estão presentes e que conheço pessoalmente. Confesso que não gosto de ver tanta fotinho ou tanto comentário/postagem do tipo "fiz isso, fiz aquilo, fiz tal coisa", apesar de eu mesmo já ter me comportado assim por longos 10 anos de redes sociais. Tudo começou com o Orkut em 2004 e nada melhor que finalizar uma década de convívio em redes sociais de maneira correta.

O Facebook me consumia muito tempo e as pessoas ficavam magoadas se eu não clicava no botão "curtir" ou se simplesmente não "via as postagens" delas. Carência? Pode ser, não me cabe julgar. Não nego os valores positivos de ferramenta assim: conheci pessoas incríveis e inclusive o amor da minha vida com quem estou casado graças ao Facebook e seus grupos.

Hoje, me parece que virou um pandemônio de comentários (e comentaristas) vazios e postagens egocêntricas, sendo as mais infames aquelas que alguém simula estar meditando e pede para alguém fazer uma foto (vale para o instagram). Ou a pessoa medita e se concentra ou ela se preocupa com os likes que receberá, é o que acho. Mas, cada um faz o que quer e cada entende como quiser.

No exemplo abaixo fica claro o interesse daqueles que, como eu, se agarram ao feed de notícias e à contagem de likes:

Alcançou 605 pessoas, teve 2 likes.


Alcançou 370 pessoas e teve 20 likes.

O robô do Facebook entregou para mais "fãs" da página um assunto muito mais relevante, pelo menos para mim, do que uma bela flor da Serra do Mar. A análise dos números de visualizações e dos likes (quase inexistentes em um tema seríssimo como exploração de trabalhadores) só confirma: estamos em um mundo onde parecer é mais importante do que ser. Onde fotos de flores despertam mais simpatia a uma causa do que o churrasco consumido sem culpa no domingo (sou vegetariano).

Enfim, para muitos, é mais fácil fechar os olhos. Abri os meus e vejo que não faz mais sentido gerar ruído. Mesmo que seja um ruído de flores ao vento.

Sim, nessa postagem estou cuspindo e vomitando em um prato que comi. Mas é hora de provar outros sabores. As citadas relações comerciais se encerrarão no dia 31 de dezembro e, até lá, decidirei se ainda escreverei no blog - como faço desde 2006 aqui - ou se tudo acaba. A fan page certamente será desativada, bem como o instagram e até mesmo o whatsapp.

Nestes últimos meses de 2014 tenho vivido cada vez mais a vida lá fora e enxergado as coisas e as pessoas com uma cor mais viva. Antes, super conectado, ficava tudo meio embaçado, sabe?

Já são 5 anos que trabalho exclusivamente com internet, mídias sociais e marketing digital. É com estas atividades que pago minhas contas, que viajo sempre que posso, que vou pro mato nas minhas horas livres. Sempre recebi o justo pagamento pelo que dei de retorno e assim espero continuar. São excelentes ferramentas não de incentivo ao consumo, mas para proporcionar experiências e qualidade de vida às pessoas. Tenho orgulho de trabalhar desta maneira digital.

Mas as demais horas, dias e semanas da vida, amigos. Ah, é lá fora e desconectado.

Abraços e desconectando em 41 dias...

novembro 16, 2014

A Tríplice Coroa (ou O Trio Parada Dura)

Neste feriado de Proclamação da República (um sábado, para desespero daqueles que trabalham de segunda à sexta como eu), estive junto com a Ana Barbara percorrendo três das mais relevantes trilhas e cumes da Serra do Mar paranaense.

Certamente são os mais visitados: Pico Paraná (1.877m), Caratuva (1.850m) e Itapiroca (1.805m). Respectivamente o primeiro, segundo e quarto cumes mais altos do território estadual. 

Partimos sob chuva fina e persistente desde nossa casa, em Quatro Barras, já no pé da serra. Iniciamos a empreitada as oito da manhã, ainda com chuviscos e vento gelado. A meta era subir o Pico Paraná com qualquer condição climática. Assim fizemos, com muita lama e terreno escorregadio, perigoso até. No retorno mais chuva, porém ao chegarmos no acesso à trilha do Itapiroca, por volta de meio caminho do retorno, decidimos subir até esta agradável montanha. Caminhada curta, coisa de 20 minutos e 200 metros verticais e lá estávamos, sendo recebidos com sol tímido mas aconchegante. Uma breve pausa e toca para baixo, não antes sem considerar mais uma ascensão de 400 metros verticais rumo ao Caratuva, para fechar com chave de ouro um belo sábado de montanha.

Equipamento usado:

- Tênis The North Face Ultra Trail;
- Meia de Compressão Louis Garneau;
- Calça Legging Barateza;
- Camiseta manga longa Solo X-Thermo;
- Jaqueta Corta Vento The North FaceVerto;
- Buff Ultra Maraton de Los Andes;
- Óculos Julbo Junior;
- Mochila The North Face Torrent contendo:
  - Kit Primeiros Socorros;
  - 4 Kit Kat;
  - 2 pacotes Suco Tang;
  - 1 pacote Salgadinho Elma Chips Sticks;
  - 1 sanduíche de pão integral  queijo + tomate + alface;
  - 1 Suco Ades caixinha 200ml;
  - 1 pacote Biscoito Recheado Trakinas
  - Refil Hydrapack The North Face com capacidade para 2 litros.

Foram 12 horas de atividade e os números de quilometragem e desnível podem ser vistos aqui:


Algumas imagens abaixo e aqui no Flickr:


Bons ventos!








novembro 11, 2014

Alpinrunning - Uma nova modalidade? E eu com isso?

Estudioso e curioso do Budismo que sou, lidar e entender a transitoriedade das coisas nunca foi meu problema. Mais do que "estar na moda" ou "pegar a última onda", vivi sempre motivado em buscar o que me faz bem e àqueles que estão comigo.

Não sei se admiro e se alimento repugnância àqueles que por décadas e mais décadas se atém a um tema apenas, um hobby, uma profissão, uma modalidade...

Minha cabeça sempre entendeu que a vida (esta aqui) é muito curta para ser vivida em apenas um ou dois pontos de todas as possibilidades que nos são oferecidas. Mesmo que nos custe nunca sermos "experts" em algo (não acredito nisso, acho que por mais mestres que sejamos, estamos sempre aprendendo), abrindo o leque temos maiores oportunidade de experimentar sensações.

Eu jamais conseguiria falar ou viver 30 anos de corrida ou 40 anos de montanhismo, deixando de aproveitar o que uma bike oferece, um bar com amigos proporciona ou a cozinha da minha casa permite em experiências.

Mesmo tendo me dedicado com maior afinco e força a uma modalidade ou interesse, nunca deixei de ter os olhos voltados para outras áreas de meu interesse, sempre tentando absorver os melhores valores que lhes fossem inerentes.

De 1993 a 2000 eu vivi o triathlon e o mountain biking. De 2001 a 2009 eu vivi o montanhismo. De 2009 a 2014 vivi o Trail Running. De 2015 em diante, que venha o Alpinrunning, movendo-se livre nas montanhas, longe do espírito competitivo como o conhecemos. Porque é MAIS SOBRE MONTANHAS. Já rolaram algumas atividades de montanha com este conceito nos últimos 20 anos. Mas agora é hora de levar a "brincadeira" a um outro nível.

Saiba mais aqui (em inglês):

http://www.alpinrunning.org/

Ou aqui, em tradução livre (não sou fluente e nem tradutor da língua inglesa):

Desde que o montanhismo é montanhismo, a velocidade tem sido associada a ele. A leveza e o menor impacto nas montanhas fez as regras do "estilo alpino".

Pierre de Coubertin já havia dito "O mais importante dos Jogos não é vencer, mas participar, e a coisa mais importante na vida não é o triunfo, mas a luta. O essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem. "

Seja leve o tanto que você pode aceitar, o tanto que sua capacidade e sua confiança dizem ser possível. Mover-se rapidamente para aproveitar o "movimento", para desfrutar da montanha em toda a sua amplitude. Leve significa rápido, rápido significa mais longe. Alpinrunning é uma forma de ir para as montanhas de uma forma leve e rápida para se manter em movimento e mais tempo para descobrir mais.

É, realmente, uma nova disciplina? Claro que não (leia aqui, em inglês), há uma recalibração das capacidades humanas para realizar escaladas de forma mais limpa, rápida e leve.

As redes sociais começam a mostrar imagens que rompem com a lógica de qualquer segurança em montanha. Evolução esportiva, social e técnica da elite do esporte deve ser entendida no seu devido contexto. Devemos tomar o contexto específico dessas imagens: ética e segurança.

A liberdade de escolher uma forma particular de escalada está relacionada com a responsabilidade de saber exatamente o risco de fazê-lo dessa maneira.


Abraços, bons ventos!

#maissobremontanhas
#alpinrunning
#neverstopexploring

Trail Running Culture

 Queridos e Queridas, como estão? Trail Running Culture. Cultura Trail Runner. Não temos no Brasil. Não temos apoio, incentivo e divulgação,...