Botas Nômade

(texto publicado originalmente em dezembro de 2006. Após revisão mantenho válidas as palavras dele)

Botas de montanha são sempre motivo de discussões apaixonadas no meio montanhístico. Alguns defendem até o túmulo suas opinões sobre as qualidades da marca ou modelo favorito. Em geral não há meio-termo. Ou ama-se ou odeia-se um modelo. Raros os que têm o bom senso de analisar friamente um equipamento como esse que desperta tantas paixões. Tentarei manter meu óbvio entusiasmo com este modelo específico de botas e fazer uma análise crítica do produto, tentando ajudar o interessado em adquirir este item. Eu mesmo já odiei a Snake Trilogia e depois de usá-la, quando comprei meio contra vontade só para aproveitar o preço promocional, passei a amá-la.


Da mesma forma que as pessoas tem rostos, braços, pernas e outros componentes do corpo diferentes uns dos outros o mesmo acontece com nossos pés. Talvez seja essa a explicação por eu e a Bota Nômade Titã termos nos entendido tão bem! Mas dizer que somos par perfeito não é explicação convincente. Portanto enumerarei meus motivos para o já citado entusiasmo que me levou a adquirir não apenas um, mas dois pares do calçado.

A bota funciona! Mas o que é uma bota que “funciona”? É a bota que faz com que quando você chega ao seu destino não sinta a desesperada necessidade de retirá-la dos pés. Ou seja, você sente que mesmo caminhando horas e horas por terreno acidentado a bota protegeu muito bem seus pés. Seja da dureza do piso, seja da lama daquela trilha mal conservada ou mesmo do calor sufocante dos trópicos. Todas as botas deveriam ser pensadas nesse sentido: CONFORTO!!!! É o que faz a Botas Nômade, sediada em Curitiba.

Conversando com o Fábio, “pai” da criança e proprietário da empresa, fui apresentado a este conceito de que a bota deve antes de ser impermeável ou bonita, ser confortável. Com conforto você vai mais longe ou, pelo menos, não chega tão cansado ao destino. Por isso o investimento em materiais mais leves, evitando o uso de couro hidrofugado e outros materiais mais apropriados às latitudes mais elevadas, com clima menos quente e mais seco. Conclusão: cliente contente!

Preço honesto!Isso é muito importante! Porque pagar quinhentos ou mais reais em uma bota importada, adaptada a realidades diferentes da nossa, que, claro, também funcionam por aqui, mas que custam os olhos, os ouvidos e o nariz da cara? Dispenda apenas uns trezentos mangos e você terá uma bota honesta! Claro, talvez ela não tenha a mesma durabilidade de uma bota construída em couro, nobuck ou qualquer um desses materias mais “rígidos”. Principalmente se você for daqueles que encaram caminhadas com qualquer condição climática. Aliás, é bom saber que você deve sempre lavar sua bota (qualquer que seja o modelo) ao chegar em casa com ela enlameada. Quando as partículas de barro secam em sua bota o trabalho que a escova da sua mãe (ou esposa, ou você mesmo, porque não?) faz ao esfregar as fibras literalmente detona o material. Claro que é legal largar tudo num canto e se preocupar com a manutenção do equipo em momentos mais propícios. Mas deixe de porquice e cuide do que é seu. Afinal o material terá sua durabilidade aumentada e dinheiro não se acha no lixo.


Tudo bem que esta bota não custa tanto, mas tente dar uma caprichada assim que chegar em casa de volta daquela trilha nojenta…Visual agradável!Como diria o cantor Falcão: “As feias que me perdoem mas a feiúra é de lascar!” A Nômade Titá é uma bota bonita. Ok, ok…é uma posição pessoal.






Bem, teria muito para falar da bota, mas antes que chegue-se a inevitável conclusão que estou sendo parcial citarei alguns defeitos, que no meu entender fazem parte do processo, pois é impossível atender à todas as exigências. Seria como querer que uma Ferrari tivesse bom desempenho em rallies fora de estrada. Como a bota privilegia o conforto é possível sentir falta de uma certa “estrutura”. Com cargueira pesadas você sente-se como se estivesse calçando tênis, ou seja, a bota é pouco robusta. Outro ponto fica por conta do sistema de impermeabilização, que não senti funcionar como promete a propaganda… Por mim não tem importância, afinal se você quer ter os pés secos vá caminhar no deserto e não na mata atlântica… E nisso o fato de a bota ser construída em tecido é um ponto a favor, pois seca muito mais rápido, nos pés mesmo, sem causar problemas de bolhas, assaduras e coisas parecidas. Quanto ao cheirinho de queijo parmesão fica por conta da individualidade biológica de cada um…


Poderia escrever mais umas dúzias de linhas sobre o produto e blá-blá-blá-blá. Não vou cansar o leitor. No entanto reforço: a bota funciona, tem preço honesto e é bonita. Minha próxima ocasião, quando do falecimento por exaustão dos meus dois pares que disponho será uma Titã Nômade. Se minha opinião ajuda aí está!


Um forte abraço!



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Itupava Noturno

(publicado originalmente no início de outubro de 2006)

Na semana passada eu, Pereira e Alisson resolvemos fazer um Itupava noturno para, além de conferir a quantas anda a revitalização do caminho, aproveitar a noite chuvosa pra varar a madrugada caminhando. Iniciamos a caminada por volta da meia noite do domingo, 01 de outubro e fechamos pouco antes das seis da manhã. Nesta foto estamos em uma das obras do caminho, uma pequena ponte de madeira. Pode-se perceber na imagem alguns pingos de chuva, inclusive.




Lá no Porto de Cima todas as novas construções destinadas a abrigar a infra-estrutura que serão dedicadas aos visitantes estavam escritas em carvão com os dizeres vistos na foto abaixo. Achei curioso e resolvi publicar, apesar de talvez agredir os mais conservadores, eheh.





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Ser Montanhista

(publicado originalmente em setembro de 2006)

Acho que todo montanhista adora quando lhe fazem perguntas sobre suas vidas nas montanhas. E é sobre isso que eu gostaria de falar agora.

O que significa “ser montanhista”? Isso depende do ponto de vista de cada um, de onde vêm essa impressão. Alguns amigos meus que não freqüentam montanha acham que é coisa para loucos. Onde já se viu sair do conforto do lar para passar frio e dormir mal em uma barraca com um marmanjo, que assim como você, ficará alguns dias sem tomar banho? Outros acham que é preciso ser corajoso e valente para enfrentar as “feras” da mata… Na verdade o “ser montanhista” é muito mais do que eu poderia explicar em poucas linhas. É algo que somente nós que estamos na montanha com qualquer tempo, em qualquer época, sabemos como é. É um tanto difícil para alguém que não esteja ambientado com as particularidades da vida ao ar livre compreender o que acontece com essa gente que ama as montanhas.

Fazemos delas nossa vida! Corremos atrás de informações, gastamos nossas economias comprando equipamentos, pensamos nelas a semana toda, consultamos diariamente os sites de previsão do tempo para saber se rolará montanha no fim de semana seguinte, buscamos informações junto a clubes e associações, enfim uma série de atitudes que tornam a nossa vida aqui na cidade mesmo, diferente da média da população. E quando na montanha, “ser montanhista” é esperar o menos preparado, é dividir a última garrafa de água, é imediatamente tornar-se amigo de quem você nunca tinha visto antes na vida. É reconhecer que somos uma mínima parte diante daquela imensidão de matas, campos e rochas

Costumo colocar os montanhistas como integrantes de uma “tribo” diferenciada. Existem as mais diversas por aí. Existem os skatistas e suas calças larguíssimas. Existem os surfistas e seus inconfundíveis cabelos parafinados e óculos HB… Nós montanhistas formamos também uma espécie de tribo, porém com menos ostentação. É verdade, não somos tão vistosos assim e por favor não nos confundam com aqueles mochileiros com panelas penduradas e garrafões de vinho na mão. O “ser montanhista” não é apenas jogar uma mochilas às costas e sair sem destino rumo a algum lugar que permita montar uma barraca, fazer uma fogueira (montanhistas JAMAIS acendem fogueira) beber até cair.

Agora se você estiver andando nas ruas em uma sexta-feira e encontrar um cara introspectivo olhando para o céu em busca de nuvens ou algo mais que lhe faça prever o tempo para o fim-de-semana, tenha certeza que estará diante de um amante das montanhas. Um forte abraço.

Himalayan Quest – Ed Viesturs

(publicado originalmente em agosto de 2006)

Reproduzo abaixo post que publiquei cerca de três anos atrás. sim, sou blogueiro há tempos e aos poucos vou "ressucitando" material antigo que eu julgar de qualidade para tanto. Buenas!

Este é o cara!!! Ed Viesturs, um norte americano capaz de realizar a quase humanamente impossível tarefa de ver o mundo do alto das quatorze maiores montanhas do planeta, as únicas acima dá mágica linha dos 8.000 metros de altitude. Recebi recentemente, comprado na www.submarino.com.br um exemplar de seu livro Himalayan Quest, ainda não editado em português, onde Ed Viesturs relata em belas imagens e tocantes textos explicativos sua busca pelos “14 oito mil”. Quando da publicação do livro em 2002 ele havia escalado doze montanhas. As duas restantes vieram no ano passado, fechando a série e tornando-se o primeiro norte-americano a realizar o feito e, mais fantástico ainda, sem utilizar-se de oxigênio artificial em nenhuma de suas investidas.




O livro conta também as suas venturas e desventuras em outras expedições himalaianas também, como suas quatro ascensões ao Everest, por exemplo, inclusive como guia comercial. Um livro que todo amante da fotografia de montanha deveria possuir e literatura altamente recomendável para aqueles que curtem alta montanha e seus heróis.



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Corridas


(Apenas Corridas de Montanha e Maratonas)


Novembro 2010
21 – Maratona de Curitiba 42 km - Curitiba - PR
4h34’29” - 166/219 na categoria 30-34 anos.



Outubro 2010
16 – Ultramaraton de Los Andes 50 km - Santiago - Chile
8h35’28” - 59/89 na categoria geral (única).



Setembro 2010
26 – Maratona Internacional de Foz do Iguaçu 42 km - Foz do Iguaçu - PR
4h35’43” - 39/41 na categoria 30-34 anos.


Maio 2010
22 – K42 Bombinhas Adventure Marathon 42 km - Bombinhas - SC
6h12’59” - 8/10 na categoria 30-34 anos.



Março 2010


27 - Copa Paulista de Corridas de Montanha, 1ª Etapa 12 km - Paranapiacaba - SP

1h21'36" - 9/27 na categoria 30-34 anos.







RESUMO 2009


*Primeira vez que corri a distância da maratona.


*Cinco maratonas em cinco meses, sendo três delas no intervalo de 29 dias.


*Três maratonas foram em trilhas e duas no asfalto.


*Duas maratonas em dois dias consecutivos, o Desafio Praias e Trilhas.


*Considerada pelos atletas como mais difícil que a Comrades, tradicional prova de 87 Km em asfalto na África do Sul.








Novembro 2009


22 - Maratona de Curitiba 42 km - Curitiba - PR


4h37'11" - 187 na categoria 30-34 anos.

Outubro 2009
24 e 25 – Desafio Praias e Trilhas 84 km - Florianópolis - SC
15h59’25” - 6º na categoria 30-34 anos.




Agosto 2009
15 – K42 Bombinhas Adventure Marathon 42 km - Bombinhas - SC
5h48’43” - 12/16 na categoria 30-34 anos.



Junho 2009
28 – Maratona do Rio 42 km - Rio de Janeiro - RJ
4h46’22” - 199º na categoria 30-34 anos.

Março 2009
22 – 1º Trail Run Movimenta Minas 7 km - Lagoa dos Ingleses - Nova Lima - MG
38’28” - 21º na categoria 30-39 anos.

Julho 2008
17 - 2ª Etapa do Circuito Paranaense de Corridas em Montanha 2008 - Morretes - PR 10 km
1h08’32” - 3º na categoria 30-34 anos.

Setembro 2007
23 - 5ª Etapa do Circuito Paranaense de Corridas em Montanha 2007 - Rio Bco. do Sul - PR 21 km
2h37’46” - 1º na categoria 30-34 anos.

Julho 2007
29 - 4ª Etapa do Circuito Paranaense de Corridas em Montanha 2007 - Campo Magro - PR 21 km
3h30’23” - 3º na categoria 30-34 anos.

Fevereiro 2007
10 - 1ª Etapa do Circuito Paranaense de Corridas em Montanha 2007 - Colombo - PR 10 km
1h07’29” - 8º na categoria 30-39 anos.

Quem Sou


Montanhista e maratonista, George José Volpão nasceu em Curitiba - PR há 33 anos. Reside atualmente em Campina Grande do Sul, a apenas 30 quilômetros da capital paranaenses, junto às encostas da Serra do Mar. Além do Paraná, já correu em trilhas por Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Argentina e Chile. Oriundo do montanhismo, George busca correr em trilhas pelo mundo todo, unindo a paixão pelas montanhas com o prazer proporcionado pelas corridas de longa distância. Por dois anos contou com patrocínio para suas viagens e competições, bem como apoio com produtos e equipamentos. Porém, em outubro de 2010 decidiu ser livre, pois acredita que correr ou subir montanhas nada tem a ver com bandeiras, raças, nações e, principalmente, marcas. Essas atividades não devem servir ao propósito de vender mais produtos.



Percorreu diversas montanhas brasileiras desde 1995, tendo participado ativamente do cenário paranaense no início da década. Neste tempo contou com centenas de incursões pelas montanhas brasileiras, fazendo do montanhismo não só um estilo de vida mas também uma maneira de encarar o mundo.

Além da vida nas montanhas e nas estradas, George se dedica a escrever bastante também, tendo uma grande coleção de textos já publicados em sites e revistas.

Em 2009 e 2010 participou de algumas provas longas de corridas, sendo no total oito maratonas e duas ultras, sempre em trilhas. Para 2011 espera concretizar, como tem sido hábito, seus objetivos esportivos e pessoais com a empolgação que lhe é peculiar.



Algumas Ascensões em Montanha




Cerro Franke - 5.100m - Cordilheira dos Andes - Argentina.
Cerro Plata - 6.300m - Cordilheira dos Andes - Argentina (até a cota 6.000 metros).
Cerro La Parva - 4.057m - Cordilheira dos Andes - Chile.
Pedra da Mina - 2.797m - 4º mais alto do Brasil - Serra da Mantiqueira - MG/SP - 02 vezes.
Pico Paraná - 1877m - Mais alto do sul do Brasil - Serra do Mar - PR - 18 vezes (subida mais rápida em 2h19min).
Pico da Bandeira - 2.893m - 3º mais alto do Brasil - Serra do Caparaó - MG/ES.
Pico do Calçado - 2.849m - 5º mais alto do Brasil - Serra do Caparaó - MG/ES.
Pico dos Marins - 2.420m - Serra da Mantiqueira - SP - 02 vezes.
Pico Itaguaré - 2.308m - Serra da Mantiqueira - SP/MG - 02 vezes.
Pico Itapiroca - 1.805m - Serra do Mar - PR - 34 vezes (subida mais rápida em 1h13min).
Pico Caratuva - 1.850m - 2º mais alto do sul do Brasil. Serra do Mar - PR - 21 vezes (subida mais rápida em 1h13min).
Pico Ciririca - 1.700m - Serra do Mar - PR - 08 vezes (subida mais rápida em 4h19min).

E mais de 34 outros cumes na Serra do Mar paranaense.