Casa do Ipiranga Express

Gosto de correr na Trilha do Itupava. Lá é tudo muito, muito, muito liso. Pedras centenárias pavimentam o caminho que já foi por séculos uma das únicas ligações entre o primeiro planalto paranaense e o resto do mundo. Estar lá me faz bem e no sábado 29 de outubro resolvi encarar parte de seu trecho de forma rápida, leve e solitária.

Pack do dia: Mochila Deuter Hydro Lite 3.0, um litro e meio de isotônico preparado em casa, nove bisnaguinhas com nutella e queijo, lanterna para emergência (vai que me perco e tenho que passar a noite por lá né?), corta-vento minúsculo (nunca vou pra serra sem ele, não importa o tamanho do sol), celular, algum dinheiro, shortinho, camiseta, viseira e o super Salomon XT Wings S-Lab 3 (eita tênis porreta).

Parti do Trailer do IAP, na entrada do Parque Estadual da Serra da Baitaca às oito e meia. Pouco menos de meia hora passei pelo Boa Vista, local onde fica a bifurcação por onde se vai ao cume do Pão-de-Loth, onde estive semana passada. Até aqui as subidas predominavam, tudo por terra mesmo. Logo se começa a descer, em alguns pontos de maneira bem forte e o calçamento aparece. Pedras mais lisas que sabão e passinhos de bebê, impossível correr. Quando a piramba amenizava eu arrisquei uns passos mais largos, porém ainda vacilantes. Consegui me sair melhor do que esperava neste trecho, não escorreguei em momento algum, tampouco fui ao solo. Bebi água em alguns riachos, e em 53 minutos eu chegava na Casa do Ipiranga, tendo partido dos 1.000 metros de altitude, atingido os 1.100 e estando finalmente nos 800 da triste ruína. No time for lipstick, toca pra cima de volta. Cruzei todo um pessoal que fazia trekking na região, recebendo inclusive muito incentivo de uma galera bem simpática que descia escorregando muito. Muita gente fazendo a trilha no sábado, fiquei contente com isso. O que levei 53 minutos para descer, me consumiu 57 para subir de volta o trailer do IAP, até então com quase 15 quilômetros de corrida. 

Era pouco. O cansaço aparecia, mas sabia que era frescurinha. Toquei de volta na mesma trilha, para ir até o Boa Vista apenas: meia hora para lá, meia para cá. Desta vez não cruzei ninguém e em 25 minutos cheguei no ponto de retorno, um micro-riacho de água bem saborosa e gelada, no alto do Boa Vista. Back again, hora de voltar pelo mesmo caminho, com passadas firmes inclusive nas subidas, o que me surpreendeu para finalizar o treino de pouco mais de 22 quilômetros, 867 metros de subidas acumuladas (e descidas, consequentemente) em 2h45 min.

E semana que vem tem mais e mais longe!

Abraços e bons treinos!

 Os primeiros 20 minutos são light.


Corre, piá!


 Começa o calçamento morro abaixo, começa o inferno dos incautos.


 Pouco antes da Casa do Ipiranga, em uma ponte construída na última restauração do caminho.


 Mais uma propriedade da união arregaçada. Casa do Ipiranga. Agora... para que a placa nova e a casa fodida?


A vida é muito melhor quando apreciamos os pequenos prazeres. Uma só já está bom!

Week Summary - 17 a 23 de outubro

Segunda / 17-10-11
Noite: Corrida - 35min com 50 metros de ganho vertical, mix de asfalto, terra e grama.
Primeiro dia na mudança estrutural de microciclos. Curti demais correr na segunda à noite e ainda meti um 4:05 no último quilômetro sem desespero. Que vento gelado da porra!

Terça / 18-10-11
Noite: Corrida - 30min, asfalto.
Pegando leve pra soltar um tiquinho. Tudo plano.

Quarta / 19-10-11
Manhã: Corrida - 35min, asfalto.
Corridinha forte em Curitiba, horário de almoço. Paulada de 7 km em 34'30". Treino de ritmo mesmo.

Quinta / 20-10-11
Folga total.

Sexta / 21-10-11
Mais folga ainda =)

Sábado / 22-10-11
Tarde: Corrida - 1h20min com 252 metros de desnível positivo acumulado, terra.
Participei da Minimaratona Caminhos do Anhangava, na região do Parque Estadual da Serra da Baitaca. Corri em ritmo tranquilo, subidas bem puxadas, local onde treino com certa frequencia. Paisagens incríveis, companheiros de atividades e as delícias da corrida no campo.

Domingo / 23-10-11
Tarde: Corrida em trilha e hiking - 2h25min com 560 metros de desnível positivo acumulado. 
Parti para um treino leve nas trilhas da Serra da Baitaca. Peguei a Trilha do Itupava com intenção de subir o Pão-de-Loth (1280 m). Lá cheguei com pouco mais de uma hora, com trechos de subida bem dura, com escalaminhada, pernas rasgadas no mato e visual aberto para as bandas do planalto. Foi muito bom também ter encontrado companheiros de montanha por lá. A descida foi tranquila e ainda meti a trilha da cachoeira do Anhangava na volta.

Semana produtiva! Ainda não cheguei sequer nos mil metros de desnível positivo na semana. Na verdade, ainda não tenho nenhuma prova-alvo nos próximos 10 meses. Ainda estou buscando algo que me chame a atenção. Se nada acontecer até 31 de dezembro, vou bolar eu mesmo um challenge por aqui na Serra, no padrão Kilian's Quest. Abaixo fotos do domingo!

Bons treinos a todos

Abraços!













Week Summary 10 a 16 de Outubro / Semana 03

Segunda / 10-10-11
Day Off,  
Descansando de quê já que o final de semana foi tranquilo?

Terça / 11-10-11
Manhã: Corrida - 30min, mix de asfalto, terra e grama.
Continuando a pegar leve no começo da preparação. No dia anterior ainda rolavam umas dorzinhas do treinão de sábado, mas nesta terça foi tranquilo soltar estes 30 minutos.

Quarta / 12-10-11
Tarde: Corrida em trilha - 42min com 100 metros de desnível positivo acumulado em um pouco de asfalto e maioria de terra e grama.
Nem tinha me programado para correr. Fiquei na preguiça mas por volta das cinco da tarde resolvi sair para um treino sem compromisso na região do Olhos d'Água. Algumas trilhazinhas técnicas e estrada de terra com subidas e descidas fortes.

Quinta / 13-10-11
Noite: Corrida - 34min com 98 metros de ganho vertical, asfalto, terreno com subidas e descidas.
Pegada mais forte nesta noite, com direito a correr alguns quilômetros abaixo do meu pace (pavor dessa palavra) normal. Queria era forçar mesmo. Foi bem bom.

Sexta / 14-10-11
Day-Off, sem treinos.
Sexta-feira é dia de relaxar.

Sábado / 15-10-11
Day-Off.

Domingo / 16-10-11
Manhã: Corrida em estrada de chão - 2h05min com 360 metros de desnível positivo acumulado.  
Treino era pra ser de uns 24 km mas só rolou 20. Quebrei no final e caminhei tranquilamente o resto. Acho que forcei demais e me alimentei de menos. O teste com uma barra de cereal orgânica não deu o resultado que eu esperava. Na pancadaria acho que vou ter que voltar pro bom, caro e velho GU. Corri em um bom ritmo, dada a altimetria do percurso. Tempo tava cagado, choveu um montão nos dias anteriores. Levei apenas mochilinha com um litro de isotônico em pó de mercado (Golly), que foi aprovado. Saboroso e barato. Ah, e a tal barra orgânica, uma super barra de quase 300 calorias. Não deu certo, acho que preciso de algo mais punk. E preciso também repensar a estrutura semanal de treinos.

A foto do post foi feita neste treino do domingo, no meio do mato, numa ponte capenga que tava quase sendo arrastada pelas águas, já que choveu horrores nestes últimos dias. O que normalmente rola por ali normalmente é um filete de água, que, como se pode ver na foto, era uma torrente barrenta e forte. Semana de poucos treinos, sendo que o do sábado foi transferido pro domingo que, ainda assim, foi incompleto. Sei a causa e na semana que vem a gente conversa =)

Abraços!

Week Summary 03 a 09 de Outubro / Semana 02 de 29

Segue o resumão!

Segunda / 03-10-11
Day Off, sem treinos e sem dores pós-Corrida da Graciosa.

Terça / 04-10-11
Manhã: Corrida - 30min, mix de asfalto, terra e grama.
Continuando a pegar leve no começo da preparação. Pernas intactas, neblina forte, percurso batido, 100% plano. Como ando com uma leve bronquite, rodei devagar mas com sensação de pulso alto, típico de infecção. Melhor que ficar em casa.

Quarta / 05-10-11
Day Off, sem treinos, já apresentando melhoras respiratórias.

Quinta / 06-10-11
Noite: Corrida - 42min com 98 metros de ganho vertical, mix de asfalto, terra e grama, terreno com subidas e descidas.
Hoje estava bem melhor. Corrida super descansada, pernas frescas e prontas para o primeiro teste do novo ciclo, a Corrida da Graciosa a ser realizada no domingo.

Sexta / 07-10-11
Day-Off, sem treinos.
Sexta-feira é, naturalmente o dia em que dou um descanso. Então não tem porque ficar aqui justificando, hehe (texto tipo ctrl+c, ctrl+v).

Sábado / 08-10-11
Manhã: Corrida em trilha - 1h50min com 852 metros de desnível positivo acumulado. Primeiro treino em montanha de verdade na preparação para a Patagonia Run. Subida do Morro do Anhangava pela rota frontal. Basicamente um bate e volta desde a base do IAP na trailhead do Itupava. De bônus, rolou ainda uma passada na cachoeira e um retorno à mesma trilha subindo até a cota 1250, retornando à base. Era tudo que eu precisava. Alta motivação antes, durante e depois. Tempo meio fechado, meio aberto, temperatura na casa dos 18 graus e belíssimas cores de primavera. Pela primeira vez na montanha usei a fórmula do menos é mais. Pochetinha de cintura contendo uma garrafa com 500 ml de água (recarreguei na cachoeira), duas bananinhas, corta-vento, câmera digital e celular. Após alguns minutos tirei a camiseta e entendi porque Anton Krupicka prefere correr assim: liberdade! Confira o treino aqui: http://georgevolpao.blogspot.com/2011/10/duas-horas-no-morro-do-anhangava.html

Domingo / 09-10-11
Manhã: Trekking - 30 minutos com 280 metros de desnível positivo acumulado. Estive na Fazenda Pico Paraná. A idéia era subirmos até o Caratuva, mas a chuvarada e minha admitida antipatia por atacar cumes com tempo chuvoso me deteve na Pedra do Grito, algumas centenas de metro mais acima da sede da fazenda. Sem culpas!

Rodo, assim, minha primeira primeira semana de treinos colocando trilhas técnicas na brincadeira. Um pouco dolorido nesta segunda-feira, parto para a terceira semana cheio de disposição para mais trilhas, já que na quarta-feira, 12 de outubro, é feriado nacional.

Abraços!

Duas horas no Morro do Anhangava

Belo dia para meter o pé na trilha! Parti no sábado cedo para o Morro do Anhangava. Desta vez, escolhi ir até o ponto final da linha Borda do Campo e pegar um trecho mais extenso de trilha, diferentemente do que fazia antes, quando entrava na montanha por uma trilha alternativa e mais curta. 

Com mais tempo correndo no mato, a diversão também é maior. Registrei minha passagem no Posto do I.A.P (Instituto Ambiental do Paraná), toquei pra cima rumo ao cume. Pouco mais de 35 minutos até lá em cima, tempo que não conseguia fazer havia muitos anos. Lá encontrei o camarada de montanha Helder e despenquei de volta.

A idéia do dia era correr pelo menos uma hora e meia e ganhar pelo menos uns 700 metros de elevação. Com esta subida ao cume, já tinha mandado bem na primeira parte. Durante a descida resolvi por ir me abastecer na cachoeira que tem na base do Morro. Que acerto! Tudo perfeito na trilha, de uma paz absoluta. Lá encontrei um casal que, gentilmente, fez as fotos abaixo. Abasteci de água e energia vital e toquei pra cima de novo, mesma rota. A trilha já estava movimentada, com muita gente aproveitando o sábado agradável -não havia sol mas não estava frio como de costume. Nesta segunda volta subi apenas até os 1250 metros (dos 1430 que possui a montanha) e despenquei novamente, preocupado em não perder o horário do bus. 


Concentração máxima e foco total. Qualquer vacilo haveria uns dentes quebrados, pois alguns trechos são bem técnicos e pedregosos.

Hoje foi tudo muito diferente. Senti uma conexão com a montanha, com o ambiente, que havia anos não rolava. A impressão era que eu flutuava, tanto subindo como descendo. Senti-me forte, correndo inclusive em algumas subidas onde normalmente eu iria pipocar. As decidas técnicas se pareciam com uma dança: pezinho para cá, pezinho para lá. No lugar certo e no momento certo. Rolou, como nunca antes, uma conexão incrível. 

Eu respeito muito as montanhas e seus guardiães. E admiro cada vez mais aqueles que se dispõe a sair do conforto de suas vidas urbanas e se animam a encarar 10 minutos, que seja,  de trilha na mata.


 
Hoje pude realmente sentir que correr é simples demais. Pude realmente viver na prática que não precisamos de marcações a cada 100 metros para ser feliz na corrida. Que não precisamos também de tecidos tecnológicos ou mochilas de hidratação top de linha os quais tanto usei e ainda uso. Hoje, vesti meu calção de 30 pila, um boné, arranquei a camiseta, me equipei apenas com dois pequenos doces de goiaba, uma pochete com garrafa d'água, câmera fotográfica e algum dinheiro para o bus, além do celular para alguma emergência. Para finalizar um corta-vento super leve no bolso e o relógio com altímetro, meu gadget favorito e indispensável para me orientar.

Fechei o lance todo com 1h50 minutos e 852 metros de desnível positivo acumulado. Em quilômetros deve ter dado uns 10, no máximo. Perfeito.
Estou pronto!

Week Summary - 26 de setembro a 02 de outubro / Semana 01 de 29

Segue o resumão!

Segunda / 26-09-11
Day Off, sem treinos, para os que preferem em português.

Terça / 27-09-11
Noite: 5K em 30min, mix de asfalto, terra e grama.
Começar de novo nem sempre é fácil. Mas tá valendo. Após tanto tempo parado, sentir as pernas pesadas nem sempre é fácil. Um dia eu chego lá...

Quarta / 28-09-11
Day Off, sem treinos, para os que preferem em português[2].

Quinta / 29-09-11
Noite: 5K em 29min, mix de asfalto, terra e grama, 100% plano.
Hoje estava bem melhor. Corrida super descansada, pernas frescas e prontas para o primeiro teste do novo ciclo, a Corrida da Graciosa a ser realizada no domingo.

Sexta / 30-09-11
Day-Off, sem treinos.
Sexta-feira é, naturalmente o dia em que dou um descanso. Então não tem porque ficar aqui justificando, hehe (texto tipo ctrl+c, ctrl+v).

Sábado / 01-10-11
Manhã: Mountain Bike 18K em 1h09min, normalmente é dia de treinos longos, fortes, suicidas ou coisa do gênero. Porém, com corrida no dia seguinte o bom senso manda descansar. Não me aguentei e fui dar um pedal bem leve de pouco mais de uma hora, com muita diversão nos downhills.

Domingo / 02-10-11
Manhã: 20K em 1h54'42" e 980 metros de desnível positivo acumulado, Competição Corrida da Graciosa, com a maior parte em paralelepípedo e um tanto de asfalto. Desnível positivo de quase mil metros, sendo 14 quilômetros de subida constante, sem refresco..
Melhor competição da minha existência. Leia mais aqui: http://georgevolpao.blogspot.com/2011/10/corrida-da-graciosa-2011-como-foi.html

Fecho, assim, a primeira semana de treinos específicos para a Patagonia Run 2012 com 30 quilômetros de corrida e com desnível acumulado somente no domingo, na Graciosa. ótimo para ter parâmetros de como estou. Repito o que disse em post anterior: Estou pronto!

Corrida da Graciosa 2011 - Como Foi

Foi bom.

Não...bom é sacanagem... Foi a melhor corrida da minha vida. melhor que as K42, melhor que Praias e Trilhas, melhor que qualquer outra coisa que eu já havia feito.

Chovia um tanto na largada. Os momentos anteriores foram passado sob a proteção de um telhadinho, conversando com companheiros de roubada. Largamos às nove, já com a sensação de que seria "o dia". Pernas leves, segurando pra não forçar demais. Começamos a subir de verdade no quilômetro dois e a as pernas estavam ótimas. Corri apreciando o visual enevoado, muitas vezes com visibilidade menor que 20 metros. O paralelepípedo estava liso, mantendo-me concentrado e focado. Quando percebi já estava no quilômetro 5. Pouco mais, já estava no 10.

Pouco adiante começa o asfalto, a pirambeira se inclina ainda mais e encontro o Super Marcelo Moraes. A partir de então corremos acompanhados e tagarelando feito duas lavadeiras, para incredulidade daqueles corredores que ultrapassávamos e que imploravam por um pouco de ar no final da subida.

Fim da subida lá pelo quilômetro 15, era hora de soltar numa sucessão de sobes e desces bem agradável. Cruzamos juntos o portal da Graciosa com 1h55min00. Prova perfeita em todos os sentidos. Organização nota dez, super simpatia dos staffs, enfim, tudo funcionando e sem frescuras. As fotos do post mostram momentos incríveis: cruzar a linha de chegada com o Marcelo e depois confraternizar com bons e novos amigos, entre eles o Hugo Magalhães, parceiro de muitas praias e trilhas.





Acredite em você! Não confie cegamente no que lhe dizem antes de experimentar se funciona. Ninguém pode lhe conhecer melhor que você mesmo. Mas se você tem dúvida disso...procure ajuda psicológica urgente =)

Conclusão do final de semana esportivo: Estou pronto!