Saída 01 - Morro Tucum

Um montanhista preguiçoso ou, talvez, mal preparado fisicamente. Um clima instável. Um cenário ideal para menos heroísmos e mais desfrute.

Poderia achar inúmeras "desculpas" para não me ater ao plano original de ir até o Pico Ciririca (1.700m) na trilha "de cima" e voltar pela trilha "de baixo" em uma empreitada de três dias junto com a Ana Barbara e os fieis amigos Aliny e Arce.

Não posso dizer que eu seja especialista em desculpas, apesar de alguns dizerem o contrário. Nunca fui de contar histórias para boi dormir em meus muitos fracassos. Fracassava, sem pudor nem vergonha alguma.

Por isso não chamo de fracasso a não realização do intento, mas sim um baita sucesso de sensações, como se pode ver na imagem abaixo.



Assim sendo, pura realização pessoal este primeiro acampamento do inverno 2014 nas montanhas. Em abril estive nas montanhas ao sul da Serra do Mar, perfazendo uma travessia de três dias pelos Campos do Quiriri que sequer relatei aqui pelo mesmo motivo de sempre: será que alguém lê?

De toda forma, aqui fica o registro: três dias de caminhada, acampamentos no Tucum e no Camapuan, dias de muitas nuvens brincalhonas que a cada segundo davam uma nova cor, um novo visual ao magnífico cenário. Assim, foi melhor ter tempo suficiente sentado e deitado nas moitas para observar isso tudo, em vez de carregar uma mochila pesada rumo à "linha de chegada" que certas metas representam.

Como é o caso do time lapse em vídeo aqui e abaixo:




Enfim, valeu. MUITO!

Algumas imagens aqui: https://www.flickr.com/photos/volpao/sets/72157645371170711/

Ate breve.







Volpão - O Deus da Montanha

Foto: http://goo.gl/Dsp74F
Hehehehe.

Quem aí consegue rir de si mesmo? Quem consegue achar graça nas bobagens que por vezes escrevo, como essa: Volpão - O Deus da Montanha?

Surpreendo-me sempre que vejo alguém levando a sério demais aquilo que escrevo. Como se eu fosse um cagador de regras, como se eu soubesse o que é certo, ou o que é melhor, o que faz emagrecer, qual camisa de seleção é a mais bonita ou que faz bem pro coração. 

Acredito, sinceramente, que quando escrevemos algo ou emitimos uma opinião, é apenas isso: uma opinião. Não é um manual, não é ideologia, não é verdade absoluta. É opinião e que está sujeita a ser rebatida e discordada. Mas somente para quem olha nos seus olhos e rebate com argumentos válidos e sólidos. Fora destas condições, não passa de atitude de moleque chorão. De imaturidade emocional e, principalmente, hombridade. Opa, atenção: isso é apenas uma opinião ;)

Assim: não sou eu que digo o que é certo a ser feito na montanha, como se comportar, o que seja. Existem MILHÕES de pessoas que apreciam estar nas montanhas e muitas delas TRABALHAM para que uma série de preceitos e recomendações sejam seguidas. Respeito à montanha. Mais uma vez recomendo que acessem este link, com a Declaração do Tirol:

http://www.femerj.org/sobre-a-femerj/etica/144

Eu me baseio nisso, porque este documento é uma tradução em palavras do sentimento que nós apaixonados pela montanha temos conosco. Conhecer antes de criticar. Não, não gostamos de quem vai à montanha SOMENTE por louros, troféus ou fotos. Não, não gostamos de quem deixa seu lixo por lá. Estamos na montanha e cuidando dela por tempo suficiente para ter esta posição. E em vez de proibir, podemos EDUCAR. Olha que legal, né?

Tenho o maior prazer de apresentar as corridas de montanha as pessoas e quero, de verdade, mais e mais pessoas conhecendo este esporte. Mas que saibam que, mais que regras, as montanhas exigem respeito e possuem VALORES.

Já disse anteriormente e repito, em destaque abaixo:

"Atenção: correr na trilhas é apenas uma parte do que é uma vida nas montanhas. Tudo tem seu tempo, respeite os colegas e o ambiente e, principalmente, seja humilde. Se o seu maior orgulho é a chegada e não o caminho, se é o pódio/medalha e não o que viveu enquanto esteve na montanha, por favor, procure outro lugar pra querer impressionar alguém."

Valorizo bons debates e acredito que aprende-se muito com pessoas que não querem impor suas verdades, mas sim apresentar sua visão das coisas, respeitosamente. Tenho ótimos amigos com quem "me enfrento" eventualmente. Há um profundo respeito mútuo entre nós por este comportamento íntegro.

E é tudo profundamente muito, mas muito engraçado. Agora bora cuidar da minha vida, porque quem está cuidando não está fazendo direito, pois não entende NADA do que digo/faço. 

E claro, Volpão não é o Deus da Montanha. Mas quando está na montanha, Volpão conversa muito com Deus. Oremos, respeitosamente:

Desde o alto da montanha,


invoco ao Deus Sol e chamo-o com humildade.
Meus pés tocam a Mãe Terra, que nutre a minha tribo.
Deus Sol, Mãe Terra, salva a meu povo,


salva aos meninos, idosos e mulheres.
Que o Deus Sol te cubra,


para que as sementes plantadas,


cresçam em árvores com frutos sagrados,


para a evolução de meu povo.
Juntos, Deus sol e Mãe Terra


caminham para enfeitar a meu povo


com sua Luz e Prosperidade.
Hoje e sempre.



Índio Tunipaé. (Maio 2004).


Canalização Mónica Urzúa Ytier

A vida lá fora

Oi!

"Se você quer
Que eu feche os olhos
Pra alguém que foi viver
Algum dia lá fora
E nesse dia
Se o mundo acabar
Não vou ligar
Pra aquilo que eu não fiz"

Eu vivo escrevendo isso: a vida lá fora, a vida lá fora, a vida lá fora.

Desde muito jovem gostei disso. Com menos de dez anos de idade eu já tinha "acumulado" dezenas de noites acampado com meu pai ou com minha irmã. As ilhas do litoral paranaense ou os sítios de amigos da família em Morretes-PR eram os destinos preferidos. Lembro muito bem do meu aniversário de 10 anos de idade passado em um final de semana incrível na Ilha da Cotinga, para onde fui com meu pai em um barco a remo e uma forte correnteza contra. O velho (na época ele tinha a mesma idade que eu tenho hoje, hehe) passou um perrengue comigo, quase batemos nas pedras, foi uma beleza... Mas foi a AVENTURA que eu sempre buscava.

A vida lá fora! É inesquecível também uma oportunidade que fui à Morretes, que fica a 40 km de Paraaguá, onde eu então morava. Eu devia ter 11 ou 12 anos e minha irmã 17 anos a mais. Fomos de moto, uma Yamaha TT-125 (só os antigos saberão o que é isso). Na ida, só alegria. Vento no rosto, on the road. Acampamos onde hoje é o Refúgio Cascatinha. Em 2008 corri uma prova de montanha por lá, mas naquela época era algo bem selvagem mesmo. Acampamos à beira do rio, não foi fácil achar lenha seca para esquentar o jantar. Caiu muita água naquela noite. Acordamos de madrugada com o rio passando a menos de um metro da barraca e tratamos de dar no pé tão logo amanheceu. Chuva torrencial na volta, BR 277, sem roupa apropriada... Do jeito que sempre gostei. 

Costas quentes, frente fria... Vai chover! #nofilter Quatro Barras, junho de 2014.

Teria centenas de histórias para falar da "vida lá fora" na minha infância e adolescência. Talvez isso tenha moldado essa pessoa aqui. Sou a soma de tudo que vivi. Minha vida hoje é muito mais "lá fora" do que foi nos últimos anos, principalmente se falarmos dos dias "comuns". Minha rotina não contempla trânsito pesado, escritório fechado, sapatos, trajes convencionais ou o que valha.

Amanhã embarco para Ilhabela, para a cobertura da etapa mundial do Circuito Xterra. Baita oportunidade de "estar lá fora".

Hoje vivo pela montanha e para as montanhas, mais especificamente para o trail running. No Projeto TrailRunningBRASIL, onde dou consultoria para a Revista TRAILRUNNING e ainda dou consultoria para alguns organizadores de provas. Com isso, faço muito mais que ganhar dinheiro para pagar as contas. Faço o que gosto, porque boa parte da atividade é "lá fora". "Go Outside" é o título de uma publicação trata eventualmente da modalidade e da montanha. Não é uma concorrente da Revista TRAILRUNNING, ela é mais abrangente e manda bem no espírito que sempre vivi: Vá lá fora! Seja andando, seja correndo, remando, nadando, velejando, pedalando... Mas vá lá fora! Assim, nunca lidei bem com termos como "corredor de montanha" ou "montanhista" ou "corredor". Eu simplesmente "vou lá fora. 

Porque a vida É lá fora. E isso me fez lembrar uma musiquinha do Capital Inicial (ok, é pop, já sei, rs). Aqui, em vídeo.

Bons ventos!

"Faz muito pouco tempo
Aprendi a aceitar
Quem é dono da verdade
Não é dono de ninguém
Só não se esqueça que atrás
Do veneno das palavras
Sobra só o desespero
De ver tudo mudar
Talvez até porque
Ninguém mude por você"




No Inverno Fica Tarde Mais Cedo

Bah,

Puta confusão! O caos me faz tão bem. Eu nunca posso ter as coisas "certas" na cabeça. É necessário ter sempre a dúvida e a indecisão. Elas me permitem escolhas, e adoro fazer escolhas! Já fiz inúmeras escolhas erradas e estes foram, na real, meus maiores acertos. Que me levaram aos momentos mais valiosos da minha vida até agora.

Uma dessas escolhas foi largar o "padrão" e a pretensa "segurança" das 9 horas por dia em um escritório e carteira assinada. Viver o próprio sonho é melhor que o dos outros. Acreditei no meu e hoje vivo. Ainda assim, a inquietação é grande.

Estou feliz de ver o inverno finalmente chegar na janela da nova casinha. No inverno fica tarde mais cedo, diz a música. Outro sonho sendo realizado a cada dia na janela de frente para as montanhas. Ver as montanhas da janela me faz tão bem quanto estar nelas. O tempo tem passado, os interesses mudam um pouco.

Ainda vivo a vida nas montanhas, agora sem correria. Participei da INDOMIT Costa Esmeralda (relato aqui) e, em definitivo (o definitivo do Volpão, que fique claro), abandonei as competições de trail running como atleta. Será a única medalha a decorar o escritório, já que as outras já foram pro lixo faz tempo. Hoje o prazer está em estar do lado de fora trabalhando e ajudando na promoção do esporte. Mas, principalmente, a meta é mostrar que o mundo das corridas e montanhas é mais que troféus, desempenho ou performances, mas principalmente camaradagem, desfrute e respeito aos colegas e natureza.

Ainda gosto muito de correr, e lamento que meu joelho ainda não esteja 100% para isso. Na verdade, ter corrido a INDOMIT retardou a recuperação total e me trouxe dores que não mais sentia. Havia muitos trechos em calçamento e asfalto que machucaram, como já desconfiava. Consigo correr algumas horinhas na montanha, naquele meu ritmo-festa que tanto aprecio, parando para fotos, videos e, principalmente, apreciar o visual com os amigos presentes.

Que venham, finalmente, as montanhas da Serra do Mar no inverno e os Andes no verão.

Bons ventos, rumo ao hexa ;)


No montanhismo o primeiro lugar é sempre das montanhas. O todo é mais importante que a chegada. Foto de Diocir Lopes, durante a Travessia Matulão-Postinho que realizei com a Ana Barbara em abril de 2014.