Circuito Paranaense de Corridas em Montanha 1ª Etapa 2011 (Rodada Dupla)

Eita final de semana dos bons!

No sábado, dia 26 de março, corri a 3ª Etapa do Circuito Amigos da Natureza, que foi realizada em Quatro Barras, pertinho de casa. prova com inscrição de preço acessível, apenas 30 reais. Menos de 200 atletas partyicipando, talvez porque no dia seguinte haveria a Corrida do Carteiro, que tem tradição em boa organização e premiação. Corri pra me divertir, afinal tinha analisado o mapa com o percurso da prova e me animado a correr nas estradinhas de chão que constavam do dito mapa.

Não me arrependi, apesar de ter feito um tempo fraco para os meus padrões: 53’02”. Não havia muita subida, estava quente pero no mucho e o que valeu mesmo foi correr uma prova simples, sem frescura e sem oba-oba das Track&Field e Adidas que proliferam por aqui. Paisagem das mais bonitas, com a Serra do Mar sempre aparecendo ao fundo. No fim das contas: divertido. Ainda rolou um terceiro lugar na categoria 30-34 anos. Claro que a gente gosta dessas coisas, mas o nível dos atletas era mesmo fraquíssimo. Não importa, foi divertido.

Chegada da corrida em Quatro Barras.

Já no domingo, 27 de março, o bicho pegou. 1ª Etapa do Circuito Paranaense de Corridas em Montanha, na cidade de Colombo, região metropolitana de Curitiba. Fácil acesso, bastou pegar um bus bem cedinho e descer quase em frente à largada-chegada, no Bosque da Uva, sede do município.

Olha o dedinho estragando a foto do resto da galera =)


Largada prevista para as nove da manha, tinha bastante gente, comparado com estas provas que eu fazia em 2007 e 2008. No total, 84 atletas completaram a prova, onde fiquei em 28° geral, 24° masculino e 5° entre os 10 que largaram na minha categoria. Nada além do esperado.

Circuito duro, muito enlameado, com duas subidas fortes, uma na lama e outra em estrada muito íngreme e rochosa, aquela que dá acesso ao Morro da Cruz, com seus quase 1200 metros de altitude. As descidas, consequentemente, muito duras também. O sol pegou forte e não teve refresco.

Cabelos ao vento!



No fundo do pelote...500 metros após a largada.



No topo do Morro da Cruz.




Saca só a menina de olho no meu background. Foto artística =)


Fechei com pouco mais de 1h18’ os 12 Km, muitos deles caminhando morro acima, se segurando no mato e enfiando a cara na lama.

Ta aí algo que gosto muito: correr na natureza, com lama, com sol, com chuva, o que for. Torço muito para o crescimento do esporte e que os organizadores não aliviem nas dificuldades apenas para ganhar “clientes”. Isso é algo que o Kléber da Naventura jamais fez, sempre nos brindando com verdadeiras provas de corrida em montanha, onde vale o “quanto pio, mió”.


Quem se habilita a lavar o calçado?






Confesso que estava meio de saco cheio só de correr, correr e correr. No próximo fds pretendo subir montanha com minha mochila pesadona...acampar, comer e tomar um vinho. Mas, com minha participação nesta prova, rolou uma motivação a mais pra encarar umas pirambeiras correndo novamente, buscando se divertir sempre, pois esta é a minha maior motivação. E como me diverti nesta prova...

Beijos e abraços.

A Carapuça Serviu! Curitibano!

Buenas!

Estou lendo um livro chamado Uma Crônica, Curitiba e Sua História faz uns dias. Livro bem escrito, do jornalista Eddy Franciosi (1930-1990). Deparei-me com uma passagem muito interessante, ao abordar a miscigenação resultante da vinda de diversos povos ao meu Paraná, principalmente à sua capital, Curitiba. Identificação total. Reproduzo abaixo.

"Poder-se-ia dizer que o curitibano herdou a astúcia do português, a indolência do índio, o espírito arredio do caboclo, o charme do francês, a determinação do alemão, a presunção do italiano, o esnobismo do inglês, a alegria dos eslavos, e tudo isso emoldurado por uma figura alta e esguia na qual a natureza se compraz em distribuir harmonicamente todas as nuances coloríficas de peles, olhos e cabelos. Fisicamente privilegiado é, contudo, de uma timidez e de um orgulho a toda prova, como se, inconscientemente, tivesse consciência de seu fascínio. Tanto é capaz de abrir as portas de sua casa ou de franquear suas terras - como de resto já o fez tantas vezes - quanto se isolar em seu próprio mundo. Caseiro por excelência, adora no entanto frequentar clubes para uma 'chacrinha' com os amigos, o que não deixa de ser também uma 'herança' ou pelo menos uma imitação de um hábito genuinamente germânico."

Repito: identificação total.

Já fui adjetivado de tudo isso por diversas pessoas e me vejo também, exibindo características de um cara astuto, indolente, de espírito arredio, charmoso, determinado, presunçoso, esnobe, alegre, alto, esguio, privilegiado fisicamente, tímido, orgulhoso, caseiro e comunicativo.

Meu nome é George José Volpão, nascido às três horas da tarde do dia 05 de fevereiro de 1977, na Casa de Saúde São Vicente, em Curitiba, Estado do Paraná.



Panorama de Curitiba em aquarela do pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), datada de 1827, o primeiro registro visual de Curitiba. A vila vista da área da Igreja do Rosário, hoje centro histórico.

A sensação de ser um ex-corredor é a melhor de todas

Este texto aqui é um apanhado do que publiquei hoje em meu Facebook, dialogando e conversando com bons amigos. Adaptei as falas para que eu me tornasse um pouco mais explícito, numa linguagem ideal para um blog e não para o Boteco Facebook.

A leveza de uma pessoa sem cobranças é sensação das melhores. Essas merdas de rótulos "sou corredor", sou maratonista", "sou ciclista", "sou triatleta", "sou montanhista" só servem para quem precisa se adequar a um grupo, gueto, estilo ou algo assim. Faça o que tu queres pois é tudo da lei e viva a sociedade alternativa. O mundo é muito maior do que fazer corridinhas, marcar tempo, publicar fotos de medalhas, mostrar que esteve na torre eiffel. Mais que adeus às corridas como tenho visto sendo expostas nos dias de hoje, digo adeus aos pulhas, hipócritas e bananas.

E vou além: a sensação assim tão libertadora é aquela de ter cumprido meus objetivos, de ter corrido, literalmente, atrás daquilo que eu queria. Agora é hora de partir pra outra. Tirar a cabeça do buraco =)

Antes que se tirem conclusões precipitadas, informo que quando digo "ex-corredor", quero dizer que se trata do fato do meu estado do espírito não ser mais este. Nós, seres humanos, nascemos para atividade física. Correr é algo natural, nascemos para correr, literalmente, como diz aquele livro. Então para quê os rótulos, para que se dizer corredor? Sou corredor porra nenhuma, sou um ser humano normal, comum. Um exemplar da espécie humana deve nada, remar, pedalar, escalar, correr, andar, trilhar... Ah, e fazer sexo, tomar cerveja, rir muito, ler bons livros e ver futebol na teve de vez em quando, entre muitas outras coisas.

Sou um cara que também corre, só quando quer, porque acha que apenas correr atrás de tempos e quilômetros andava impedindo de fazer outras coisas que gosto muito...

Aí é que tá. A idéia é aproveitar TUDO que o mundo oferece, e não apenas as corridas nas trilhas que eu gosto (também).

Agora é hora de cair na estrada e voltar na semana seguinte com boas imagens e compartilhando boas experiências que somente um espírito livre pode tirar proveito, sem medinho de fazer um rafting porque posso me machucar e me atrapalhar a tal “corrida”...

Bom carnaval a todos!