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Sobre o Rumo das Coisas

Tudo muda, o tempo todo... E 2012 foi disparado o ano que mudou tudo, de todas as maneiras. Mudanças buscadas e desejadas, visando equilibrar meu modo de vida. Ou então visando me "adequar" ao corrente, ainda não sei bem ao certo. Não que eu me sentisse estranho no mundo. Não que estivesse infeliz. Mas também não acho que essas mudanças significaram evolução. Do ponto-de-vista que sempre defendi, acho que acabei andando para trás. De repente um passo atrás ajuda a fornecer espaço para um impulso mais à frente. É com esse pensamento que encaro a situação.

Em 2012 eu cortei o cabelo, voltei a correr provas de 10K e maratona em asfalto, abri conta bancária (sim, me vendi), chegaram cartões de crédito, casei de verdade (de papel passado), aluguei apartamento em bairro nobre, entrei em um financiamento de casa própria, comi carne como a grande maioria das pessoas fazem, consolidei minha posição profissional, fui em eventos sociais de familiares, enfim, realizei uma infinidade de coisas que jamais passariam pela minha cabeça em toda a minha vida anterior. Com os eventos citados, passei a ser, até certo ponto, um bunda-mole como aqueles que sempre desdenhei. Para completar o estereótipo só faltou comprar um carro, ir trabalhar de terno, ser aprovado em vestibular de direito e tirar férias com pacote CVC. Eis um George Volpão absolutamente diferente daquele dos 34 anos anteriores de existência. Seria uma mudança inerente à passagem dos anos? Seria a "meia-idade" chegando?

De todas as mudanças, a única convicta e irreversível é meu casamento, pois ter conhecido a Ana Barbara e reconhecer imediatamente o desejo que ela fosse minha mulher, parceira, esposa, amante e amiga para o resto dos meus dias; certamente é a mais inesperada das surpresas. Uma bem vinda surpresa!

Nos 34 anos anteriores (completei 35 anos em fevereiro de 2012) eu vivi uma vida egoísta, voltada para mim, para o eu. Pouco precisava me preocupar com a sequência dos fatos, dos anos. Estava seguro, casa da família, situação profissional estável, metas pouco ousadas e um profundo sentimento de "um dia de cada vez". Não posso dizer que o casamento seja o responsável por me tornar o "bunda-mole-another-brick-in-the-wall" que passei a ser. A Ana Barbara tem o mesmo espírito de liberdade e desapego que eu. A mudança veio mesmo de dentro, de querer provar o outro lado.

Ter provado este lado, confesso, não me fez mais feliz. Acho que eu tinha mesmo razão em encarar o mundo de maneira menos séria, de não ter compromissos bancários, contratos assinados, eventos sociais em lugares da moda, etc. E ter provado esse lado me mostrou que algo que já havia lido à exaustão em livros, de fato é o melhor caminho: o caminho do meio.

Eis o desafio para o ano que se avizinha: encontrar esse caminho. O apartamento próprio do casal será entregue e voltaremos a morar perto do mato - mesmo sendo um apartamento, deixando o bairro chique onde moramos para quem é, de fato e direito, chique. Nós somos capiaus na essência. A meta principal é cuidar da nossa casinha, que estará a meros cinco quilômetros da nossa apaixonante Serra do Mar. Ter o mato assim tão perto de casa será fundamental nessa nossa busca por qualidade de vida. Manter a vida financeira dentro do saudável também é sonho bom de nutrir. Poder viajar para os lugares que queremos, correr uma poucas provas de montanha e preparar uma polenta após o pôr-do-sol no alto de algum cume serão nosso oxigênio.

Para equilibrar, para equilibrar.

Vai, bunda-mole, acabou a festa do caminho mais fácil. Segue por ali, pelo meio, ta vendo?

Abraços!


Ana Barbara e George Volpão no Morro Itapiroca (1805 m) em julho de 2012. Chuva e 5 graus, do jeito que a gente gosta!

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