Corrida: Modinha ou Estilo de Vida?

março 09, 2009

Foi publicado nesta semana com direito a capa e tudo na Revista Isto É uma matéria sobre a ascensão da corrida ao posto de segundo esporte mais praticado do país.
Comprei a revista e a li (sem imaginar que poderia encontrar o conteúdo completo da reportagem junto ao site da revista e que disponibilizo aqui: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2052/nascidos-para-correr-milhares-de-atletas-amadores-estao-aproveitando-os-127722-1.htm)
Tratando-se uma revista de assuntos gerais não me surpreendi com a abordagem superficial sobre o tema. Nós, corredores, já sabemos há tempos todos os benefícios que a corrida proporciona, bem como suas desvantagens se comparada a alguns outros esportes, principalmente no que se refere ao impacto nas articulações, lesões musculares, entre outros problemas. As revistas especializadas dedicadas a corrida abordam todas essas questões com muito mais profundidade e é uma leitura que recomendo fortemente.
No entanto, o que me causa uma pausa para a reflexão é o fato deste “fenômeno” estar ocorrendo agora em nosso país. Como cita a revista na página 83, “Em menos de quatro anos, o Brasil dobrou o número de corredores amadores”.
Como tudo na vida, isso tem seus prós e contras. É ótimo ter uma população cada vez mais consciente que praticar esportes com regularidade é fundamental para ter uma melhoria na qualidade de vida. Por outro lado, nós corredores (mesmo os mais recentes como eu) temos um outro lado a ser levado em consideração.
Aqui em Belo Horizonte por exemplo, as inscrições para a primeira etapa de um conhecido circuito de corridas da cidade já se esgotaram, o Circuito das Estações, com aproximadamente um mês de antecedência, o que gerou protestos na comunidade dos corredores de rua do orkut, por exemplo. Muita gente ficou de fora. Inscrição saindo a 55 reais. Em torno de dois a tres mil atletas inscritos. Em contrapartida, neste dia 08 de março rolou uma corrida organizada pela Liga de Atletismo de Minas Gerais, a Corrida Rústica do Sírio-Libanês. Ideal para iniciantes, essa galera que tá começando agora: apenas 5 quilômetros. Inscrição? Menos da metade do valor do Circuito das Estações, apenas 25 reais. E isso tudo com os mesmos benefícios: camiseta, medalha para os concluintes, hidratação durante o percurso, chip de cronometragem. Inscritos? Pouco mais de cem pessoas.
O que acontece? Houve divulgação nas listas de internet, no orkut da mesma forma. Fica a pergunta. Será que não tem gente demais correndo apenas para aparecer? Será que, para muita gente, correr na Pampulha uma prova patrocinada pela Adidas, receber na inscrição uma camiseta com a marca Adidas não é mais importante do que apenas correr???
Vamos correr galera! 95% por cento das pessoas no planeta não correm atrás de prêmios. Participam de competições pelo prazer de se superar, de encontrar amigos. Mas só pode encontrar amigos em provas mais caras? Só pode fazer amigos se for com roupa de marcas famosas?
Outro ponto chave: a existência de poucos lugares adequados à prática do esporte. Milhões de brasileiros correndo. Milhares de belohorizontinos. Onde correr? Nas ruas é praticamente impossível, dado o trânsito caótico da capital mineira e a conhecida falta de educação da imensa maioria dos motoristas, que ao ver algum pedestre atravessando a rua aceleram, em vez de frear (e ainda xingam).
Restam poucos parques, algumas áreas mais “inofensivas” (como a Pista da Av. Andradas, onde treino), orla da Pampulha, praças e afins. Conclusão: locais superlotados de gente. A Praça da Liberdade já está impraticável no final da tarde. Só um adendo: o mais curioso é notar que muitas pessoas enfrentam um puta trânsito para chegar neste local para correr ou caminhar, e lá dão de cara com “muralhas humanas” passeando descontraidamente (ou as vezes correndo). Trânsito no carro, trânsito no esporte.
Falta sossego para quem aprecia uma corridinha tranquila, sem desfiles de moda, sem barraquinhas de assessorias esportivas no caminho, sem muralhas humanas tricotando sobre o último BigBrotherBrasil.
Até onde é bom, até onde dá orgulho ser praticante do segundo esporte mais popular do país? Eis o debate.
Hasta Luego!!

Vale uma leitura!

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