Mostrando postagens com marcador Blog. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Blog. Mostrar todas as postagens

outubro 27, 2025

Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava.

Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito a um longão solitário de 21 quilômetros por Curitiba. E muita bicicleta — coisa de uns 700 km por mês, girando pensamentos junto com os pedais.

Troquei de bike, muitos de vocês já devem saber.

Não para “correr de bike”, mas para ter um equipamento que me acompanhe numa preparação física mais exigente, mais honesta comigo mesmo.

Até participei de uma prova de 35 km de gravel e de três etapas da Copa Evolue. Por um momento, cogitei levar o ciclismo a sério, treinar mesmo, pensar em provas de ultradistância — essas loucuras longas que sempre me atraem, seja correndo ou pedalando.

Mas, no fim, percebi que não é bem por aí.

A bicicleta e a corrida em trilha são, pra mim, expressões de liberdade.

Por mais que admire e estude métricas, que analise frequência cardíaca, pace, altimetria, gordura corporal, HRV — tudo isso me fascina — ainda assim, nada substitui a sensação simples de estar livre.

O vento, o barro, a poeira, o suor e o silêncio.

Então não, não dá pra pensar só em performance.

Até porque a terceira idade já acena de longe (e, sinceramente, não tenho pressa em chegar lá correndo).

Correr livre pelas trilhas e pedalar livre pelas estradas — esse é o meu caminho.

Somente o meu.

Não precisa ser o de mais ninguém.

Cada um tem o seu jeito de buscar sentido, ou pelo menos deveria ter.

Não quero ditar regras, não quero ensinar nada.

O que eu quero é só compartilhar vivências, dividir o que o corpo sente e o coração traduz.

Talvez espalhar um pouco de leveza digital nesse mundo saturado de gente fodona, de gente tentando correr mais rápido, pedalar a melhor bike, bater o próximo recorde, nem que seja de likes ou de views.

Eu sigo firme — ou melhor, sigo leve — criando esse conteúdo misto de trilhas e gravel bikes, onde o que vale é o movimento, não a medalha.

E, sim — em 2026 deverei voltar a correr algumas provas de trail running.

Pelo amor ao que sempre me moveu: a vontade de estar em meio à natureza, com o corpo cansado, alguns bons amigos e a alma desperta.

Uma boa semana a todos.

E que ela venha com vento no rosto e pés sujos de terra. 




outubro 20, 2025

Copa Evolue de MTB 2025 4.a Etapa Cat. Gravel - Almirante Tamandaré/PR

Hola, que tal?

Nunca fui muito afeito às competições de ciclismo. Sempre achei o ambiente um tanto testosterônico demais — e, confesso, tenho dificuldade em criar laços de amizade com homens. Essa coisa do “brother”, da parceria, da cumplicidade… sempre me escapou. Desde cedo, encontrei mais leveza na companhia feminina — e não falo de romance, nem de paquera. É outra sintonia.

Mas isso tem mudado.
Os pedais de sábado com os clientes da Bike4U, e os treinos das quartas-feiras com o Antony e o Paulo Boing, têm me mostrado um outro tipo de convivência. Neles encontro um companheirismo verdadeiro, sem competição disfarçada de amizade. Um vínculo que talvez sempre tenha me faltado.

O ciclismo competitivo — especialmente o MTB aqui no Brasil, onde o ciclismo de estrada respira por aparelhos — sempre me pareceu um território masculino demais.
Não apenas em números, mas em energia.
Enquanto a corrida de rua e o trail já se equilibram entre gêneros, o MTB ainda carrega esse ar de “ser o mais forte”, “o mais bruto”, “o invencível”. Uma bobagem egocêntrica que sempre me pareceu coisa de criança birrenta brincando de adulto.

Corri provas de MTB lá em 2005 e 2006 e a sensação era a mesma.
Mesmo depois, trabalhando no meio, essa impressão se manteve.

Em 2018, participei da primeira prova com categoria Gravel Bike aqui no Paraná — a pioneira Milk Race.
Depois, em 2022, encarei uma etapa da antiga Copa Soul.
E agora, em 2025, decidi voltar a competir — mais por estratégia de marketing da Bike4U do que por ambição pessoal.

Pra minha surpresa, encontrei um ambiente diferente.
Mais leve.
Talvez eu tenha amadurecido, talvez o público também.
Talvez um pouco dos dois.

Domingo, 19 de outubro, foi a quarta e última etapa do campeonato.
Três atletas na categoria gravel masculina. Nenhuma mulher.
Zero surpresa.

Decidi ir pedalando até a largada: 15 quilômetros sob uma manhã estranhamente gelada, rumo a Almirante Tamandaré. Nove graus, o sol ainda tímido, duas longas subidas que me acordaram o corpo e o espírito.

Lá encontrei o Boing. Montamos juntos nosso pequeno “circo” da Bike4U — tenda, risadas, café quente e aquela camaradagem que vai aquecendo o dia devagarinho.

O frio e o vento teimavam, mas eu estava tranquilo.
Zero expectativa de desempenho.
Só queria estar ali — inteiro — entre amigos.

O percurso: 35 quilômetros e cerca de 750 metros de ganho. Um sobe e desce constante, trechos ainda úmidos das chuvas, mas sem maiores perrengues.
Dessa vez, pude aproveitar tudo o que uma gravel oferece: conforto, controle, prazer.
A recém-adquirida Caloi Arenita se comportou lindamente — talvez um pouco pesada, mas perfeita pra o que realmente busco: viagens, estradas de terra, horizontes longos.

Saí da prova com o coração leve.
Não sei se seguirei competindo — há sempre uma cobrança interna, um sussurro que pede mais.
Mas sei, com certeza, que amo pedalar.
E que ainda há muitos quilômetros de terra e silêncio me esperando por aí.

Ah, e voltei pedalando — do melhor jeito possível.
A Pati Fontana foi me encontrar depois da prova, e fizemos juntos os 20 quilômetros de volta, sem pressa, só deixando o domingo passar por nós.

Um relato mais emocional do que técnico, do meu jeito — talvez o único jeito que eu saiba escrever: com o coração pedalando junto.

Nos vemos no próximo texto.
Bons pedais e boas corridas.












setembro 19, 2025

Recolhimento

Hola, que tal?

No fim das contas, setembro não trouxe grandes mudanças.
Acabei gravando uns vídeos pro YouTube, arrisquei até uma postagem no Instagram sobre a minha ida à MONS Ultra Trail, prova que acontece em novembro e para a qual, mais uma vez, fui convidado pelo organizador. Quase como nos velhos tempos.

Relutei em aceitar. Mas, bah… eu gosto demais de uma prova de trail.
Mais ainda: gosto de reencontrar os amigos que o trail me deu.
Só que, porém, todavia, contudo…

A verdade é que tenho corrido pouco.
E lembrar de 2013, quando encarei os 25 km da MONS sob um calor escaldante, mais treinado do que estou hoje, me força a ouvir a razão antes do coração.
A razão grita: “não estás preparado”.
O coração sussurra: “agradece o convite, valoriza o carinho, mas talvez seja hora de recolhimento”.

Ainda não decidi se vou ou não.
Enquanto escrevo, sinto-me mais inclinado ao silêncio do que a alinhar nos 25 km — ou até mesmo nos 12 km.

O brilho no olhar parece ter se apagado.
As provas de trail que encarei no fim de 2023 e começo de 2024 soaram como um “último respiro” daquele corredor de montanha das antigas, que se aventurava desde 2007.

Secou a veia competitiva?
Provavelmente.
Depois de muito pensar, entendi: melhor é ouvir a intuição.

Sigo em silêncio.
Ouvir mais. Falar menos.

Até a próxima crise.

Abraços!


Aqui, feliz na MONS Ultra Trail. Passado.


agosto 29, 2025

Um Quase Adeus

Hola, que tal?

Faz dias que uma ideia insiste em bater à porta: abandonar o cascalho.cc.
Não é só uma crise criativa — é um cansaço diante da selva digital em que a internet se transformou.
Quero ser mais George Volpão do que uma logomarca estampada na tela.

O YouTube, que já foi um oásis em meio à secura do Instagram e do TikTok, agora também cobra seu pedágio.
Fique uma semana sem postar e verá: seus vídeos novos murcham, e até os antigos são engolidos pela sombra do algoritmo. Meus views e minutos assistidos dos reviews de tênis, outrora a engrenagem do canal, caíram 1/4 só porque desacelerei.

É cruel. E o que me incomoda não é só o número — é a sensação de estar sendo domado por uma máquina. Eu não quero gravar para agradar ao código oculto de uma plataforma. Quero gravar quando houver tesão nas palavras, quando a ideia pedir para nascer em roteiro, câmera e edição.

E quanto ao dinheiro… sete reais a cada mil visualizações. Dois reais por um vídeo de 300 views. Um trampo imenso que mal paga o café e o lanche no pedal que foi registrado nas dispendiosas câmeras de ação. Não é pelo retorno, nunca foi — mas seria justo se ao menos sustentasse o lanche da jornada.

A isso se soma a enxurrada de conteúdos vazios, que arrastam multidões pelo brilho raso, enquanto criadores que admiro constroem obras de altíssimo nível. Vejo neles uma régua inalcançável — respeito, mas sei que essa corrida custa mais energia do que tenho.

Talvez seja hora de silenciar um pouco a câmera e deixar a escrita falar. Aqui, ao menos, as ideias encontram terreno fértil.

Nos vemos no próximo texto. Que ele não tarde.


"Competindo" e filmando (detalhe para a GoPro instalada sob o guidão da bike). Pra que, Senhor?



maio 30, 2025

Bike no Youtube


Senhoras e senhores, tudo bem com vocês?  No vlog 317, mostro de perto a Oggi Velloce Disc cinza que um inscrito do canal adquiriu na Bike4U! 🚀 Essa bike speed iniciante também faz bonito como bicicleta gravel, e compartilho minhas impressões de quem já usou muito esse modelo. Será que ela vale a pena? 🤔

Neste vídeo, exploro cada detalhe da Oggi Velloce Disc, uma escolha popular para quem busca uma bicicleta speed para começar no ciclismo, mas que também se aventura em terrenos de gravel. Acompanhe a análise completa, desde os componentes até o conforto e desempenho. Descubra por que essa bike se tornou uma queridinha entre os ciclistas iniciantes e veja se ela é a escolha certa para você!

Compartilho minhas experiências e opiniões sinceras sobre a Oggi Velloce Disc, destacando seus pontos fortes e fracos. Se você está pensando em adquirir uma bicicleta gravel ou uma bicicleta speed iniciante, este vídeo é para você! 😉

Increva-se no canal para acompanhar os próximos vídeos e não perder nenhuma novidade do mundo do ciclismo!


🔗 Links Importantes:

- Amazon: https://amzn.to/45Om6eR

- AliExpress: https://s.click.aliexpress.com/e/_DnbdGV3

- Nike: https://compre.vc/v2/16304956b27

- Instagram George Volpão: https://www.instagram.com/georgevolpao/

- Strava George Volpão: http://www.strava.com/athletes/georgevolpao 



maio 16, 2025

Abandono

 Bom dia, boa tarde e boa noite senhoras e senhores, tudo bem com vocês?

Em um breve texto/ensaio de sexta-feira quero falar sobre o abandono.

Falar que em tempos de bonequinhos feitos por Inteligência Artificial como o que ilustra esse texto, de positividade tóxica e de cursos de coaching para coaches de coaching não tenho problema algum em mudar de ideia sobre rumos ou sobre abandonar o que eu previamente me propusera realizar. Quem me acompanha há algum tempo conhece essa minha característica.

Neste espaço aqui que cuido (meio mal ultimamente) desde 2007 ou 2006 eu já apresentei diversas vezes as mais estapafúrdias justificativas para abandonar certas ideias.

Por aqui eu já dei início à uma preparação para montanhas de 6.000 metros nos Andes várias vezes. Já comecei a treinar para ultramaratonas em trilha, já casei, separei, divorciei, namorei, juntei, separei de novo, enganei e fui enganado, traí e fui traído (e não falo de relacionamentos românticos apenas).

Esse espaço é quase que uma história escrita da minha vida nos últimos 20 anos praticamente. 

Teve até um certo abandono - utilizando-me do título deste texto, visto que teve fase em que publicava textos quase diariamente e que, nos últimos tempos, se conseguia botar em texto os pensamentos uma vez por mês já seria motivo para raios e trovões.

Um abandono que por vezes reflete na maneira como eu tento cuidar de mim mesmo. Abandonando-me. Intoxicando-me violentamente com álcool, pedalando três dígitos como se isso me fosse natural, entupindo-me de porcarias industrializadas como se desejasse morte breve e valiosa.

Quase um movimento de sabotagem. Ou nem tão quase assim. Mas que o mais profundo instinto de sobrevivência insiste em retornar à superfície e me fazer seguir remando.

Não, não sou tão obscuro e entrevado assim. Eu consigo rir das coisas ditas bobas da vida, há um feixe de esperança e luz nesse túnel sem fim.

O abandono de mim mesmo parece estar perto do fim e mais uma vez cheio de ganas de espalhar aquilo que há de bom em mim (e todos nós temos algo bom a espalhar).

Decisões tomadas, hora de brilhar. Em outros universos.

Shine on!


março 18, 2025

A vida devagar

 Hola, que tal?

Levando a vida devagar. Para não faltar amor, como diz aquela antiga canção do Los Hermanos.

Uma sucessão de dias que estranhamente se encaixam uns sobre os outros. Em uma equação confusa mas que misteriosamente traz um resultado bem positivo.

Quando acho que vai faltar grana certo mês, aparece um abono salarial. Quando engato uma pequena lesão no músculo adutor da coxa dreita, redescubro um prazer incrível em pedalar. Quando acho que meus dias de CLT podem estar chegando ao fim, reencontro a motivação no trabalho digiatl relacionado a bicicletas na empresa que me acolheu 18 meses atrás.

Tudo se encaixa então por que a pressa, cara pálida? Por que insistir na bsca por likes, seguidores, por monetizar o hobbie? Afinal se teu hobbie se torna monetizado ele não mais pode ser chamado assim, ele será trabalho também.

A proximidade dos cinquenta me traz algumas preocupações e decisões que merecem um texto somente para elas. Certamente é isso que anda permeando mais a minha cabeça nestes dias e que tem me tornado um pouco mais recluso.

E como já me conheço bem, deixo a vida me levar devagar. O mundo já está muito acelerado.

Volto em breve com a histórias preocupações e decisões.

Bons ventos!





janeiro 10, 2025

Feliz Ano Novo!

 

Hola, que tal?

Olha quem apareceu com promessas e propostas de ano novo?

Ah, quem não faz promessas e brada aos quatro ventos que "esse ano vai ser diferente"?

Sim, sempre vai ter aquele estraga-prazeres que vai dizer que a passagem do 31 de dezembro para o 01 de janeiro é apenas uma convenção social. Os mais lunáticos dizem até que é invenção do capitalismo buscando nos explorar e nos exaurir por 12 meses para depois criar a falsa ilusão do merecido descanso correspondente às festas de final de ano.

Que seja assim então, não me importa a linha de pensamento de outrem.

Da minha parte, gosto de pensar nos ciclos, nas propostas e nas metas, sejam anuais, mensais semanais ou "encarnacionais".

Mesmo que seja para que no dia 10 de janeiro, quando escrevo este texto, algumas delas já tenham sido adiadas para o ano seguinte. Uma delas era começar a escrever todas as terças-feiras por aqui. Falhei, escrevo na sexta-feira seguinte. E ok, está sendo escrito.

Não importa, eu valorizo o sonhar. O saco meio cheio da ideia do "desafio 21 dias". O copo meio vazio das propostas igualmente vazias de um ano com "saúde, paz e esperança". Nem tudo que sonhamos realizamos.

E também não vejo a necessidade de menosprezar o sonhar e valorizar o "planejar". Deixem as pessoas sonharem. 

O mundo é feito da diversidade. Dos que sonharam e dos que planejaram. Um completa o outro.

Seria um mundo muito chato se fosse somente dos "planejadores". Eu me identifico muito mais com os sonhadores. Sonhar é gostoso, é pacífico, é empolgante, é entusiasmado.

Eu não me decepciono com sonhos não realizados. Eu me decepociono com expectativas e, para mim, sonhar nada tem a ver com criar expectativas. é apenas isso: sonhar.

Que 2025 seja o ano dos sonhos. Para mim, para você que me lê, para todos nós. 

Sonhemos!


Gato Dico é um sonho de gato!



novembro 19, 2024

Eu não corri

De fato, não corri a Meia Maratona de Curitiba neste 2024. Eu estava na verdade inscrito na Maratona, nos 42Km. Mas fiz a mudança para a Meia no mês de agosto, quando vi que não estava dando conta de correr o tanto de volume e com a seriedade que uma preparação para maratona exige.

E aí nesse início de novembro rolou uma gripe DE VERDADE. Daquelas que trazem febre, tosse, dores incríveis e até uns delírios. 

Isso foi no começo do mês e no dia da prova não me senti apto ainda a encarar os pouco mais de 21 quilômetros da prova. Tinha receio de que fosse um esforço muito grande, que poderia baixar ainda mais a imunidade desse corpinho que ainda se recupera e acabar transformando essa tosse com catarro e a leve falta de ar que sinto em algo pior, como uma pneumonia, por exemplo.

Mas pelo menos pude ir acompanhar a prova que passava pertinho de casa (por volta do Km 40 da Maratona) e ver amigos. E inclusive trotar um pouquinho com a Vera Lucia e a Andreia, parceiras de tantas trilhas na Serra do Mar.

A Maratona de Curitiba é um evento contagiante e me arrependo hoje de não registrar esses momentos. Estava em uma fase um pouco mais escura, deprimido mesmo, posso dizer.

Acompanhar a Maratona me fez um bem danado, me trouxe uma alegria genuína em ver tanta gente superando adversidades e cumprindo metas e objetivos. Muita energia positiva e que me fez bem. Abaixo alguns registros.

Retomando! Obrigado pela força de todos!





novembro 13, 2024

Uns dias afastado

14 dias após minha última sessão de corrida, de volta. A segunda gripe mais intensa da minha curta história (tive H1N1 em 2018 e foi o bicho!). Na pandemia de Covid passei batido, não tive nada. Em 2022 tive uma gripe um pouco mais forte e no começo deste 2024 também. Observei agora que esses episódios sempre estão ligados a um abrupto aumento de carga de treino, mesmo com uma boa alimentação, bom gerenciamento de estresse e bom descanso (sono).

Ou seja uma balança que desequilibra, o tripé treino-descanso-alimentação que desregula.

Nesta quarta-feira 13 de novembro consegui fazer pouco mais de 40 minutos de corrida no Passeio Público, onde consigo praticamente eliminar o asfalto correndo pelas trilhazinhas e é bastante verde, lugar muito aprazível de correr. Ainda alguma tosse e alguma falta de ar, mas dentro do normal e aceitável.

A proposta é retomar bem de leve, não buscar correr longas distâncias no próximo ano, focar em melhorar um pouco a velocidade nas distâncias até 21km em asfalto, usar a bike como meio de transporte e eventual treino de Z1/Z2.

Domingo tem a Meia Maratona de Curitiba e decidi ir lá correr e me divertir, sem expectativas de baixar meu tempo (minha mais recente meia maratona eu fiz em 2022 em pouco mais de 2 horas cravadas).

Aproveitei esses dias também para profundas reflexões a respeito de diversos aspectos da minha vida (não apenas no âmbito esportivo, mas também no pessoal e no profissional). É bom levar um "sustinho" né? Delirar a 39 graus de febre mexe com alguns neurônios, certamente. Distanciar também do tóxico ambiente do Instagram também me fez muito bem. Cada vez mais vejo aquilo lá também como uma infecção, um vírus ou bactéria que nos faz muito mal. Nos 5 dias em que estive febril e afastado do trabalho eu praticamente não usei o celular não fosse para ler sites de notícias (o que não é muito positivo também). Quando voltei a acessar as redes, senti um estranhamento. Isso foi legal. 

Eu trabalho com mídias sociais, sou o responsável pelas redes da loja de bicicletas em que trabalho e acho que já tenho uma cota suficiente de coisas bobas para ver brevemente no feed aleatório que me aparece por lá. Agora quando abro meu Instagram particular, ele entrega gente aleatória demais e não quem eu gostaria de me sentir próximo.

Aliás, ao estar ausente das redes me fez observar isso também: todos que te conhecem estão tão preocupados vivendo suas próprias vidas que, se você não posta nada, não compartilha o seu "dia-a-dia", você se torna "esquecível".

Isso não é um problema, pelo contrário. Sou adepto do "importante mesmo é cada um cuidar da sua própria vida". O pequeno círculo de pessoas próximas e amigas me basta, inclusive bastante carinho recebido do pessoal da loja, colegas de trabalho e clientes.

E assim, pronto para "esquecer" o 2024 esportivo, vou em frente porque acho que sei exatamente o que não fazer para o próximo ano ser melhor.

Fico contente em poder compartilhar e que acompanhem também por aqui no blog.

Grande abraço e corre que o ano está acabando :)




agosto 16, 2024

O YouTube do Cascalho.Cc


Hola, que tal, Señoras e señores!

Não é segredo algum para quem me acompanha há mais tempo que tenho dedicado mais energia ao compartilhamento de assuntos, de novidades e de interesses lá no YouTube.

O formato de vídeo me agrada tanto quanto o da escrita, apesar do processo todo ser um pouco mais demorado por conta da edição principalmente. De toda forma, se eu me dedicar mais ao YouTube e ao blog do que ao consumo de conteúdo inútil no Instagram ou em grandes sites de notícias gerais, eu consigo dar conta.

E ainda com a possibilidade de linkar tudo isso, agregando os conteúdos. 

Como é o caso deste post, onde gentilmente convido-lhes a assistir este vídeo onde trato das mudanças em vista no âmbito profissional. E claro, por favor não esqueça de deixar aquele like da satisfação bem como se inscrever se ainda não for inscrito!

Nos vemos por aí!


julho 26, 2024

Seis meses e uma semana

 


Hola, que tal?

Semana que fez a diferença! Se você não leu o post anterior, convido a ler aqui.

Agora tudo muito mais nos eixos, conseguindo encaixar uma semana de corridas consistentes, faltando entregar apenas a questão do fortalecimento e/ou pilates. Neste ainda sem a chama necessária.

No domingo anterior fui correr em trilha com a Patricia Moresco, amiga de longa data e a Andressa Massoqueto, figura carimbada das trilhas mas que ainda não conhecia pessoalmente. Foi um rolê super interessante na região do Cânion da Faxina, onde pudemos desfrutar um percurso 100% off-road e quase sempre em trilhas. Trecho não muito técnico, bem "corrível" e com subidas e descidas exigentes na medida certa.

E com direito a um flashback para o ano de 2013 onde realizei junto com amigos um training camp, quando isso sequer existia aqui em nosso país e que cobrou um valor irrisório para o que entregou. Leia mais sobre ele aqui também.

e no meio da semana finalmente voltei a acordar cedo e calçar os tênis para algumas corridas leves, de baixa intensidade. O brilho nos olhos voltou e o rumo parece estar bem desenhado para as próximas semanas.

Obrigado pelo suporte de todos!

Abaixo imagens do treino de domingo, em vídeo e fotos, bem como registros da semana.

Corre Libre!






Imagens do Trail na Faxina.




Manhã de terça-feira correndo no bairro Vista Alegre.




Manhã de quarta-feira correndo no bairro Cabral.





Manhã de quinta-feira correndo no Jardim Botânico.








julho 19, 2024

Seis meses!

 Bom dia, boa tarde, boa noite, senhoras e senhores, tudo bem com vocês?

Venho eu depois de seis meses sem comparecer nesse espaço colocar novamente a culpa nas redes sociais. Contém ironia. Pero no mucho. Fato é que as redes, principalmente o Instagram nos consome um tempo precioso de vida. E nem sempre na produção de conteúdo. Geralmente é na forma de consumo.

E pior ainda, de propagandas ou de conteúdo lixo como coaches de p@#$% nenhuma, de influencers fitness do tipo que acordam as 4 da manhã, as 7 já estão treinanos e alimentados com os suplementos da moda e te fazem sentir um cocô porque acorda cansado às sete da manhã pra ir trabalhar.

Tenho ultimamente feito parte desse time dos que tem dormido muito e treinado pouco. Os últimos 3 meses foram estranhos... Uma queda de energia como nunca havia sentido antes e que coloco na conta da má alimentação principalmente.

Cheguei a desconfiar de um burnout de corrida ou mesmo um overtraining após exames básicos de sangue não apontarem nada errado. Hoje acho que tô mais pra um overreaching, convenientemente ignorado por quem eu esperava dialogar sobre.

Felizmente tenho uma excelente rede de apoio de poucos e bons amigos que me escutam e da Pati, leal companheira para todas as horas.

Decido enfim aparecer por aqui porque parece que a energia está voltando e entendendo que nunca é tarde para recomeçar.

Esse recomeço virá mais de baixo desta vez. Ganho de peso, perda de condicionamento e cabeça a mil no stress da vida diária. Que em breve deve ter uma carga reduzida uma vez no próximo mês terei uma oportunidade única de trabalho para ser encarada. Uma mudança substancial que quero contar por aqui a partir de agosto.

Vem coisa boa por aí.

E neste seis meses, tudo que tenho para entregar de vida nas montanhas são as imagens abaixo, da única visita às cumeadas paranaenses desde janeiro.

Fuerte abrazos a todos!







janeiro 29, 2024

Vamos pra cima!


 Hola, que tal?

Após um último post um pouco pessimista, volta o sol e a alegria a brilhar neste que vos escreve.

Mesmo após vários dias buscando me recuperar o mais rapidamente possível da citada gripe, ainda encontro traços dela em meu pulmão.

Ainda com  uma tosse cheia de muco nesta segunda-feira, mas com o restante do corpo começando a responder melhor.

Um pouco de falta de ar se faz presente em cima da bike, nas subidas principalmente.

Semana passada corri na terça e na quarta-feira, como deslocamento do trabalho para casa. Coisa pouca, 30 minutinhos com apenas uma subida. Mas o suficiente para me fazer caminhar já que a ideia é manter a FC o mais baixa possível. Qualquer esforço a mais, o coração já bate 170 ou mesmo 180 BPM, o que não ajuda em nada no momento.

Sábado teve o Pedal Bike4U e pude me testar por lá, fazendo aproximadamente 40 Km com a Sense Versa Comp que tá quase batendo os 1.000Km comigo.

Foi bem sofrido, já havia feito esse mesmo trajeto em um pedal anterior em novembro passado e a diferença nas sensações foi gritante. Dessa vez bem mais difícil, mais pesado, mais sem ar.

Entender e aceitar que isso faz parte do jogo é necessário. Para não sofrer desnecessariamente.

Daqui 3 dias viajo para Belo Horizonte para a minha primeira participação na Cambotas Trail Fest. Certamente o evento mais emblemático do cenário trail runner no primeiro semestre deste ano e que fico muito contente em estar por lá.

Se, mais uma vez, não chego em uma prova nas melhores condições físicas, a cabeça pelo menos está confiante de que vou lá principalmente para tentar captar um pouco da experiência do lugar e das pessoas e poder compartilhar com vocês no canal lá do YouTube. 

Então... segue por lá que vem cosia boa :)

Ótima semana, vamos pra cima!







janeiro 22, 2024

A gripe do ano

 
Hola, que tal?

Senhoras e senhores, mal começou o ano e a gripe do ano já chegou. E no momento que escrevo estas linhas, parece estar indo embora, felizmente.

Última foto pré-gripe. Com Mari Baldissera

Eu que nunca fui muito afeito aos frios consultórios médicos e tampouco a potentes medicamentos antigripais me vi cedendo pelo menos a uma cartela de dipirona para segurar a barra que é gostar de pegar uma gripezinha.

Começou na quarta-feira, logo após um treininho de corrida seguido de um café com a amiga Mari Baldissera, que agora mudou de status. Era amiga das redes e agora finalmente nos conhecemos pessoalmente. Eu já havia conversado bastante com ela, inclusive para o canal cascalho.cc onde ela relatou como foi sua marcante participação na Aconcágua Ultra Trail. Assista depois, ao final do texto. 

Aliás a Mari tem uma verve e um estilo muito peculiar ao escrever, deixo aqui o instagram onde ela compartilha muito do que passa naquela cabeça geminiana. Valeu a companhia, Mari! Sei que não foi você que me passou esse vírus bandido...

No decorrer daquela quarta-feira da semana passada 17 de janeiro, ao chegar no trabalho começo a sentir as pernas pesadas e a cabeça latejar.

O suficiente para o rendimento profissional despencar e só conseguir pensar em cama. Mas ainda bem esperançoso, uma vez que geralmente as gripes e resfriados que me acometeram durante esta vida quase sempre regrediam em seus sintomas após uma boa noite de sono.

O que não foi o caso desta vez. Até mesmo porque eu tive tudo exceto uma boa noite de sono.

Nariz trancado, dores por todo o corpo e até mesmo uma leve febre me castigaram por todo o período até a manhã seguinte. Mal conseguia permanecer em pé pela manhã.

Mesmo assim, sempre confiante que tudo passa, tudo passará, de volta ao trabalho. Pelo menos agora eu fico de certa forma "isolado" dos demais companheiros de trabalho, em uma sala exclusiva, onde nao correria risco de transmitir doenças aos camaradas.

Lancei mão então da dipirona que me aliviava os sintomas e me permitia produzir um pouco. Porém, aquilo que mais gosto de fazer na vida, que é estar com o corpo em movimento... sem condições.

Até tentei fazer uma leve caminhada mas foi um dos "eventos esportivos" mais sofrido dos últimos anos. Caminhar 1 quilômetro foi mais duro do que fazer a Indomir Bombinhas do ano anterior (leia aqui).

Assim chegava ao fim, tão no início, a proposta de fazer atividade física em cada um dos 366 dias deste 2024. 

Poucas vezes ansiei tanto por uma sexta-feira. Infelizmente não pude estar presente no pedal inaugural do ano da Bike4U que rolou no sábado. 

Passou a quinta, passou a sexta... assim como passaram o sábado e o domingo, dias estes por sinal que não coloquei o nariz para fora de casa, algo que não fazia havia alguns anos... isso de passar dois dias "trancado" em casa.

Tive aquela nítida sensação de que todos estavam se divertindo menos eu. Todos na montanha, na praia... e eu doente.

Malditas redes sociais né? As bolhas em que vivemos e que nos cegam para a realidade do mundo. O que é real é que nossa bolha faz as coisas que gostamos, que apreciamos. Mas o 98% do mundo que é fora dessa nossa bolha não. Essa maior parte também fica doente, também tem que trabalhar aos finais de semana às vezes, também "inveja" aquilo que a gente compartilha nessas também doentias ferramentas.

Falando delas, tenho estado novamente ausente por lá... Sinto-me mais feliz em dispender minha necessidade de colocar pensamentos para fora aqui em um teclado neste longevo blog. Em 2024 estou completando 17 anos de escrita ininterrupta aqui.

Nesta manhã de segunda-feira, 22 de janeiro, sinto-me relativamente melhor. Ainda sem muito apetite, graças muito aos limões, gengibres e dipironas sinto-me quase pronto pra retomar assuntos mais condizentes com quem se propõe a uma vida ao ar livre, nas montanhas.

Neste novo ano, estive no Morro do Anhangava já no primeiro dia, no dia 01. E não voltei mais. Estou em uma relação ambígua com a montanha e tratarei disso no próximo texto.

Por enquanto, registre-se que a gripe não me derrubou desta vez (nem pra covid-19 eu testei positivo), e que 2024 já chegou com dois pés na porta. Agora é renascer. Se já venci uma pesada gripe nos primeiros dias do ano, vejo como bom sinal do que vem pelos 11 meses restantes em 2024.

Excelente semana a todos vocês!



janeiro 15, 2024

To me guardando para quando o carnaval chegar

Hola, que tal?

É com um verso de música de Chico Buarque que inauguro 2024 aqui no blog. Não que eu seja fã do cara, nem gosto nem desgosto. Ouvi na verdade esse som na voz de Humberto Gessinger, eterno engenheiro do hawaii e fiquei aqui fazendo minhas considerações e filosofias em cima da letra. Irei deixar música e letra abaixo para vocês.

É a atual fase, quem sabe esperando o carnaval, literalmente aguardando ou se guardando.

O fatalismo da frase que diz "O Brasil só começa depois do carnaval" é um pouco assustadora para mim. Eu juro que gostaria de entender e, principalmente, aplicar as resoluções de ano novo, aquela que a gente faz antes da virada e diz "agora vai ser diferente". 

Como se um simples completar de translações terrestres fosse capaz de mudar algo na vida. Ok, convenções sociais são importantes, datas, calendários, números.

E, como disse, juro que gostaria de entender e realizar as mudanças que acho serem necessárias na minha vida.

Mas, mais uma vez, irei deixar para quando o carnaval chegar.

Que em 2024 irá ocorrer em uma época propícia, logo após o meu aniversário (que será na segunda feira anterior ao carnaval) e no final de semana seguinte àquela que muito provavelmente será minha única prova de corrida em trilha em 2024, a Cambotas Trail Fest.

Sentindo os "ventos da mudança" (para mais uma alusão musical, referente à Wnd of Change dos Scorpions), seguirei um pouco mais recolhido e quieto, tanto na vida digital como na pessoal, sem muito contato estreito com pessoas.

E quem sabe, quando o carnaval chegar, eu volte a estar mais participativo, mais presente nas coisas que importam.

Vejo vocês em breve, feliz 2024!


Quando o Carnaval Chegar

Chico Buarque

Quem me vê sempre parado

Distante, garante que eu não sei sambar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tô só vendo, sabendo

Sentindo, escutando e não posso falar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar


Eu vejo as pernas de louça

Da moça que passa e não posso pegar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Há quanto tempo desejo seu beijo

Melado de maracujá

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar


E quem me ofende, humilhando, pisando

Pensando que eu vou aturar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

E quem me vê apanhando da vida

Duvida que eu vá revidar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar


Eu vejo a barra do dia surgindo

Pedindo pra gente cantar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu tenho tanta alegria, adiada

Abafada, quem dera gritar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar


Mas eu já tô indo embora

Um outro que agora me tome o lugar


Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar





novembro 05, 2023

Indomit Bombinhas 42K 2023 - Relato de Prova

 Essa é a história da minha participação na Indomit Bombinhas 2023, distância de 42 quilômetros.


Em 2013 eu estava no meu melhor ano esportivo. Não apenas nos resultados do tipo pódio de categoria no trail running, algo que nunca, jamais eu persegui. Sempre corri pelo desfrute e pelo desafio pessoal. Nunca foi contra alguém.


Porém eu começava a colher o resultado da dedicação.Tanto nos treinos como em um certo reconhecimento, por estar desenvolvendo um trabalho consistente na promoção da modalidade. Eu escrevia bastante, inclusive para revistas que nem eram especializadas em trail. Começava a receber convites para correr provas. Com tudo pago, acreditem. Passagens aéreas, hotel chique, refeições, etc.


Porém em novembro daquele ano em um treino bobo eu rompi meu ligamento cruzado anterior do joelho direito, episódio que já contei inúmeras vezes por aqui.


E com isso, aliado a um profundo desânimo em voltar a correr, tratamento caro e demorado, 2013 se tornou o ano em que corri minhas últimas maratonas em trilha, a K42 Bombinhas em agosto e a Ecocoross em Brasília em setembro.

Perdi a conta de quantos ensaios e recomeços desde então. Após um exílio dolorido mas importante entre os anos de 2015 e 2019, aos poucos fui novamente me interessando por me desafiar em alguma competição.

Nesse meio tempo estava bastante dedicado aos pedais e correndo eventualmente, sem pressão, só para curtir. Até fiz uma ou outra provinha na rua. Mas em 2019 fui convidado pelo Juan para correr pelo menos os 12K da Indomit Bombinhas. Aceitei, fui e me diverti demais. Ali a chama acendeu com maior intensidade e decidi me dedicar mais intensamente.


Mesmo assim, acabei levando estes quatro anos para retornar ao evento (ok, teve uma pandemia no meio).


E no começo do ano já estava decidido a encarar os 42Km. Eu PRECISAVA disso. Uma motivação para retomar a uma maratona. e TINHA que ser esta, que foi a minha primeira, lá em 2009, e que foi também a primeira maratona em trilha do Brasil.


Aos trancos e barrancos consegui me preparar minimamente para ela. A saída de um trabalho de mais de uma década junto à Jamur Bikes, uma tentativa ilusória e relativamente fracassada de decolar o canal do Youtube, uma viagem louca e maravilhosa à Paraty para participar do lado de fora da Paraty by UTMB e um novo e encantador desafio profissional junto à Bike4U bagunçaram um pouco minha vida esportiva em 2023. Ainda bem que eu havia construído uma base relativamente sólida no primeiro semestre, treinando principalmente por conta, após a saída da Equipiazza em maio. De junho a setembro eu consegui finalmente me livrar das dores generalizadas e ser consistente nos treinos de corrida. Finalmente me senti com um norte na corrida.



Na semana da prova, a ansiedade era grande. Iria viajar já na quarta feira anterior ao evento. Já tinha me comprometido com isso e as folgas no trabalho já estavam acertadas. Queria viver o clima da cidade antes do evento, poder correr em algumas trilhas nos dias anteriores e desfrutar um pouco de silêncio e paz além da oportunidade de fortalecer relações.


Nem mesmo os dias cinzentos por lá tiraram o entusiasmo que estava tomando conta de mim.


Corrida ali nas trilhas da Praia de Quatro Ilhas, refeições e rolês aleatórios, barulho do mar… Ah, a vida é melhor junto ao mar, certamente.






Na sexta-feira anterior à prova, na retirada de kit, o encontro com velhos e novos amigos. Ah, essa vibração que eu gosto… A Indomit Bombinhas, mesmo com praticamente 700 atletas neste ano, mantinha seu clima familiar. Ser convidado para um evento como esse é absolutamente irrecusável e era questão de honra estar lá presente, conversar, motivar, PARTICIPAR EM COMUNIDADE. Queria ali fazer por merecer tanta atenção e carinho a mim dedicados. Valorizo cada convite que recebo. Deve ser por isso que sempre recebo o mesmo tanto de volta daqueles a quem me dedico. 


Na manhã da prova, dia nublado como de praxe mas com previsão de abrir um pouco o sol durante o dia. O percurso das mais recentes edições era um pouco diferente do que eu havia percorrido na década passada, englobando mais trilhas e mais desníveis. A prova tornara-se mais dura, fato que os mapas e a altimetria me alertaram.


Largamos pontualmente às 7 da manhã pela Praia de Bombinhas. Percurso já bastante conhecido por mim, desvio à esquerda, sobe pela rua de acesso à Praia de Bombas, neste novo percurso, percorremos o trecho todo desta praia até desviar à esquerda por uma rua transversal ao mar e começar a subir. Poucas centenas de metros à frente uma congestionada entrada na trilha, devido ao piso escorregadio e necessidade do uso de corda auxiliar para o barranco. Após um mimimi generalizado de atletas que não leram a parte do regulamento onde se recomenda que atletas mais lentos deem passagem aos mais rápidos, dei de ombros e segui fazendo a minha prova, passando por aqueles que correm rápido no plano mas não sabem ultrapassar um simples obstáculo sem reclamar.





Haviam pouco mais de 4 quilômetros de terreno praticamente plano e ao nível do mar e  agora era hora de uma subida na mata até aproximadamente a cota 230 na chamada Trilha do Valtinho, coisa de 3 km. Duro, senhoras e senhores. Bem duro. Trechos de até 45 graus de inclinação, uso de cordas auxiliares, trilhas escorregadias… puro trail running. A inserção deste trecho na prova proporcionou a receita completa de um percurso técnico e desafiador e ao mesmo tempo com trechos facilmente corríveis. No fim das contas, por mais que tenha se tornado mais dura, ficou mais “trail” mesmo.


Após um íngreme descida que nos despachava para um gostoso pasto morro abaixo até o primeiro ponto de apoio, por volta do quilômetro 9, o que viria pela frente era conhecido.


Ali neste primeiro P.A. me reabasteci com 500ml de água e alguma comida sólida. Estava com a estratégia que havia funcionado nos 25K da Ultra dos Perdidos três meses antes: aproximadamente 80 a 90g de carboidrato por hora, alternando entre líquido, gel e sólidos como paçoca e goiabinhas. Estava funcionando a alimentação. Porém na hidratação acho que falhei um pouco até então, consumindo menos líquidos que o necessário. Infelizmente só me dei conta no meio da trilha seguinte. Aquela que depois de subir a agora asfaltada estrada que leva ao Morro da Antena, quebra à esquerda quase sempre subindo até o ponto mais alto antes de descer para a trilha da Costeira de Zimbros. Pouco mais de 7 quilômetros de trilha no total até finalmente voltarmos ao nível do mar e após um trecho de areia fofa, atingir o ponto de apoio seguinte, onde eu cheguei com zero água.





Sem pressa, me abasteci com vontade tanto com água como com carboidrato líquido. Aí acho que vacilei um pouco, pois depois desse P.A. passei a lidar com certo desconforto gástrico. Felizmente não perdurou por muito tempo e logo após finalizar o trecho de uns 5 quilômetros pelas praias de Zimbros, Morrinhos e Canto Grande, logo após o terceiro ponto de apoio, volto a me sentir melhor, voltando a hidratar apenas com água e consumir o que estava habituado, conforme estratégia anterior.


A trilha seguinte, que nos leva até a Praia da Tainha, parece fácil analisando mapas e altimetrias. Mas é um pouco travada com pequenos topes de um ou dois metros que vão minando as já parcas forças das pernas. Por ali, caminhei mais do que eu esperava. O esforço no trecho inicial lá da Trilha do Valtinho começava a cobrar o seu preço.


De toda forma cheguei bem ao início da inclemente subida rumo ao P.A. 4, desta vez sem passar na Praia da Tainha, desviando-se dela um pouco antes. Não achei ruim, evitava descer uns 50 metros para ter que subi-los novamente, como era no percurso das edições anteriores.


Mas a subida pelo estradão era a mesma… dolorida, íngreme, parecia sem fim. E agora com sol. Sim, senhoras e senhores, o sol resolveu sair e sair com vontade. Felizmente para mim, que adoro correr nestas condições mais adversas e utilizando da minha experiência para fazer o que deve ser feito: hidratar-se corretamente e repor carboidratos.


Ali estávamos por volta do Km 28 e pela primeira vez tive a certeza que finalizaria a prova dentro do tempo limite que era de 8 horas. Um tempo bastante exíguo dada a dificuldade da prova, bem diferente de uma La Mision que, apesar de maior altimetria, você tem praticamente uma vida toda para completar os 50 e os 80 km, permitindo que se faça a prova praticamente caminhando o tempo todo. Na Indomit Bombinhas era diferente. é necessário correr. E não poderia ser muito devagar.


Desci a pirambeira pela estrada de terra e paralelepípedos em um bom passo, coisa de 6min/km, o que para mim naquele momento era bastante rápido dado o estrago que já carregava nas pernas. Até poderia descer mais rápido, mas sabia que precisaria de musculatura mais à frente.


Enfim, o trecho que considero mais difícil mentalmente falando, a Praia de Mariscal. São uns 5 quilômetros de areia bem batida mas que parecem intermináveis. Havia o sol, havia os banhistas e havia uns pontos de referência para colocar como meta e distrair um pouco das dores comuns a quem está passando da marca dos 33 quilômetros em uma maratona.


No fim, deu boa e praticamente “ignorei” a subida seguinte, no quente asfalto da estrada de acesso à essa Praia e que nos levaria ao sexto ponto de apoio (o quinto ficava no meio da Praia de Mariscal e era basicamente água e paçoca). Ali, finalmente na Praia de 4 Ilhas, a tradicional melancia e uma cadeira para descansar uns minutos.


Toca para a praia para, então, fazer o trecho mais cênico da prova, a mesma trilha que havia corrido na quinta-feira anterior e que proporciona maravilhosas fotos. Aliás, falando delas, o que vocês veem por aqui é parte de um pack de fotos que adquiri antecipadamente na FotoP.





Realizado o trecho de trilha, voltamos à 4 Ilhas, encontro o apoio incondicional e vital da Vera Lúcia, companheira de tantos treinos, lamentos, desabafos e bons momentos na fase de preparação para a Indomit e que estava lá depois de ter finalizado a prova dos 12 Km. Foi muito massa encontrá-la por lá. Deu um ânimo novo e segui para aquele que é a pá de cal em quem não estava assim tão preparado: subir um concretão até entrar na trilha que leva ao Costão de Bombinhas, trecho a beira-mar bastante técnico e também muito cênico.


Mas mais complicado é sair dali. Sobe e sobe forte para depois despencar rumo à Praia do Retiro dos Padres, onde eu estava acampado. Neste trecho passei por bastante gente que realmente começava a sentir o peso da distância e do sol que havia saído anteriormente. 

Agora ele já não nos castigava como antes, mas ainda estava bem abafado.


Último ponto de apoio, última água e última subida. Uma passada ao lado da barraca (abraço, Martin, companheiro do camping) e então a tradicional passagem pela maravilhosa Praia da Sepultura, absolutamente lotada de turistas. O que não é difícil de acontecer pois ela é minúscula, menos de 50 metros de extensão.


Quilômetro final da prova, Um misto de alívio e realização. Lidei com incertezas nas semanas anteriores, cogitando até mesmo desistir da prova, fazer os 12 Km talvez…


Mas, como mencionei antes, valorizo os convites feitos e vou até o fim. Deu certo. Longe de uma performance que eu esperava no início do ano quando me inscrevi, mas muito satisfeito por ter conseguido fazer uma prova equilibrada. Sem pontos baixos, sem bad. Quilômetro por quilômetro, trecho por trecho, praia por praia. Consistente, sem pressa.  Consciente daquilo que eu podia entregar. Apenas terminar a prova. VOLTAR. RENASCER.


Ali nasci como corredor de longas distâncias em trilha e, 2009 e agora em 2023 eu renasço.


Para agradecer todos os responsáveis eu precisaria de um post inteiro dedicado a isso. Fiz algo assim no meu Instagram, onde mencionei exclusivamente os profissionais envolvidos nesse processo e que, embora solene e tristemente ignorado por alguns, me trouxe muito conforto o reconhecimento daqueles que entenderam o sabor dessa vitória pessoal e que compartilho essa conquista. Escolho ficar com os bons.


Mais à frente, um post mais técnico, falando dos equipamentos utilizados, da estratégia de alimentação e hidratação também em detalhes bem como foi o treinamento. E, claro, os próximos passos.


Muito obrigado por ter chegado até aqui. Não cruzei esta linha de chegada sozinho. Levarei todos vocês para as próximas. Pois como diz o lema da Indomit, que utiliza de uma frase atribuída ao pacifista Mahatma Gandhi, a força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável. 



Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava. Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito...