Pular para o conteúdo principal

Maratona de Curitiba 2010 - A Prova

Buenas!

Falei que talvez não estivesse muito motivado para escrever sobre minha participação nesta maratona mas aqui estou. Algumas impressões abaixo, de maneira rápida:

* Correr maratona sem treinamento adequado dói muito. Minhas três maratonas neste ano foram feitas literalmente nas coxas, que por sinal foi a parte do corpo que mais doeu. Em 2009 corri 5 provas nesta distância e senti metade das dores. Em 2010 sempre melhorei meus tempos, mas doeu mais. Em 2010 fiz a Maratona de Curitiba 3 minutos mais rápido que o ano anterior. Mesmo com percurso mais acidentado e com calor mais forte. Mas também doeu mais. Senti dores nos quadríceps desde o quilômetro 14, muito cedo. Sinal evidente de falta de longões em trechos íngremes, como aqueles que fiz satisfatoriamente em 2009. Portanto, maratona com treino medíocre dá pra fazer, mas dói. Vale lembrar que esta foi a primeira maratona que fiz com um tênis flat, bem baixinho e isso pode ter influenciado no aparecimento das dores em uma musculatura mal treinada e nada acostumada com distâncias tão longas em um calçado quase mínimo.

* É claro que na prova não se deve utilizar nada que não tenha sido testado antes em treinos. Mandei essa regra às favas e corri com camiseta e tênis (pasmem) nunca antes usados. A camiseta em nada me incomodou. Nada de assaduras, nem mamilos, protegidos com micropore, sangrando. Mas deve ter incomodado um engraçadinho que ficou curtindo com a minha cara por eu estar combinando as cores do vestuário (vide foto que ilustra o post, a poucos metros da chegada). Cada um veste a mediocridade que lhe cabe. Pelo menos as fotos ficaram sensuais, lembrando algo como a Banheira do Gugu. E por ter mais sorte que juízo, saí no lucro com apenas uma bolha de leve, no solado do pé direito. Tenho o despautério de atribuir este evento ao pé molhado pelos litros de água que despejei sobre o corpo durante o percurso, para refrescar o calor. O tênis é sensacional, um Saucony Type A3, que havia usado para caminhar no Park Shopping Barigui (o templo dos idiotas) no sábado e me conquistado com seu conforto e sensação de estar descalço. Parabéns à Saucony por oferecer um calçado decente por muito menos que os 500 reais que algumas marcas cobram por tênis mais macios que chicletes babados.

* Os pentelhos de plantão reclamaram do kit fraquinho pré-corrida. Também achei descartável, mas prefiro correr do que me preocupar se a camiseta é de material XYZ-Tech Ultra Power ou se a mochila oferecida era uma vergonha. Durante a prova tudo correu perfeitamente. Água gelada, isotônico em garrafas colossais de 500 ml, esponjas com água, bananas, trânsito bem controlado e ótima estrutura. Isso que vale.

* Subidas e descidas são a tônica da prova, onde quase não há trechos planos. O calor me pegou somente após duas horas de prova, o que ajudou meu desempenho a despencar. Atribuo minha fraca segunda metade de prova ao descaso com a alimentação. O isotônico virou meu estômago e aí já era tarde pra recuperar. Melhorei após comer meio pacote de Ruffles que comprei em um AmPm, afinal como animais que somos, faz todo sentido comer comida e não coisas pastosas e tecnológicas. Deu pra segurar as pontas, intercalar umas caminhadinhas quando batia a preguiça e filosofar sobre a validade de participar de um evento desses. E é falando disso que encerro abaixo.

* Sou um cara do mato, da natureza, das praias e das montanhas. Admiro os corredores dedicados de asfalto que metem tempos e performances respeitáveis. A maratona é para vocês. Meu lance é subir e descer morro, correr em areia fofa, levar picada de inseto e mordida de cachorro, observar nascer do sol por trás de montanhas enquanto corro, incentivar as pessoas a buscar uma vida mais natural e não muito mais que isso. Para a galera do cronômetro, das revistas e dos GPS o asfalto cai melhor que a mim. Confesso que curto bastante correr no pavimento. Mas me divirto mais na terra, na lama e na praia. E como agora eu corro "apenas" por diversão (vide post anterior) é essa a busca da vez.

Abraços e meu muito obrigado a todos que aqui passam e comentam. Vocês são essenciais!

Comentários

  1. Parabens por mais uma e coisa e tal, patati patata. PARABENS PORRA !

    Legal saber que o tenis é bom. E a meia que vc estava usando?

    A minha panturrilha doeu muito na meia. Ok, se treinasse mais nao doeria, mas eu nao tenho tempo para treinar mais.

    Abs

    ResponderExcluir
  2. O melhor de tudo foi o conjuntinho verdito :-)

    Abraços!
    Rodrigo Stulzer
    transpirando.com

    ResponderExcluir
  3. Você não existe!!!!

    Adorei o texto. Vou aproveitar para ler todos que ainda não li.

    Beijão!

    ResponderExcluir
  4. quanto mais encontramos nosso próprio corpo, mais fácil dele mesmo querer se encontrar com o corpo total, universal. senti exatamente o mesmo nesta prova, e cada vez mais sinto a necessidade de bater o pé em outros locais longe da selva urbana.

    sua decisão é maior, a minha ainda se resume em correr mais tempo em Witmarsun aos finais de semana :)

    ResponderExcluir
  5. Parabéns,
    Eu curti apesar do meu tempo 05h12min41, me título Maratonista, afinal não importa o tempo e sim que consegui concuir, estou feliz da vida... Amei seu relato!!!
    Boas energias...
    www.marlipalugan.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Volpão, venho acompanhando os seus post sobre maratonas. Lhe pediria que revesse a sua decisão de não mais correr maratonas nos asfalto. Vc não pode fazer isto. Vc é referência. Sua presença conta muito. Faça um esforço pessoal pelo esporte. Espero ver muitos comentários seus sobre as próximas maratonas de Curitiba! Abraços sinceros!

    ResponderExcluir
  7. Que texto bacana!!!

    Tambem corri essa marvada, mas nao concordo quando voce fala do transito controlado. Senti uma falta de paciencia dos motoristas e uma falta de respeito aos agentes de transito, que pareciam estar se desculpando dos motoristas que, vez por outra, avancavam sobre o bloqueio.

    Mas a organizacao é impecavel, e Curitiba deveria se orgulhar da prova!

    ResponderExcluir
  8. Pô, Volpão!
    Lendo aqui e acolá o que você escreve, fiquei com a sensação que tá na hora de você correr descalço.
    Não tá não? Tem tudo a ver com você!
    Natureza, tudo natural, picada de inseto, mordida de cachorro, enfim, my friend, daqui a pouco você poderá correr inclusive pelado. E para comemorar, ao final da prova, poderá fazer o helicóptero... rárárárárá
    Parabéns!
    Maratona é sempre Maratona!
    Abraços,
    Joel Leitão
    http://corredordisciplinado.blogspot.com/

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Specialized Hardrock Sport Anos 90

Oi! Com esta bike consegui, de certa forma, realizar um sonho de adolescência: pedalar uma mountain bike com quadro de cromo-molibdênio e geometria clássica dos anos 90. A bem da verdade, lá por 1996 eu pedalei por alguns meses com uma Scott Yecora e mais recentemente, em 2014 uma Trek Antelope 800. Mas ambas tinham apenas os três tubos principais em cromoly. Esta Specialized Hardrock Sport eu consegui na Jamur Bikes, sendo trazida recentemente dos Estados Unidos pelo próprio Paulo Jamur (proprietário da loja e meu boss), que se encantou pela bike e seu estado de conservação. Quando ele colocou a bike à venda na loja, não me fiz de rogado. Era a chance de ter uma bike em cromoly e praticamente original dos anos 90. Na verdade comprei esta bike como alternativa para transporte urbano, uma vez que a Format 5222 (da qual pretendo fazer uma apresentação em post futuro) que "gravelizei" eu pretendia deixar somente para atividades esportivas. Mas gostei

Uma das mudanças em curso para 2020

Oi! Acho que um dos maiores aprendizados e uma das maiores decisões para 2020 foi focar no foco. Engraçado isso né? Focar no foco.  Preciso de foco. Com foco e direcionamento eu consigo ser mais consistente nos propósitos, ao mesmo tempo consigo extrair maior diversão dessa grande aventura que é viver e também sentir-me vivo e produtivo. No esporte, como você deve estar percebendo, o foco está nas corridas em montanha para 2020. E como sempre vai ser mais sobre montanhas que sobre corridas, não se trata de competir em provas de corrida em montanha (apesar de já estar inscrito em uma e ter ideias de correr mais duas outras apenas). É mais sobre estar nas montanhas, correndo. Sozinho, com amigos, não importa. Estar nas montanhas é a ideia. Assim sendo, decidi desfazer-me da minha bike esportiva, aquela que me acompanhou por praticamente dois anos de muito prazer nos pedais e na sua customização. Hora dos caminhos se separarem e direcionar minha veia esportiva àq

Nova Bike Kode Straat - Uma boa opção para montar uma Gravel Bike

Senhoras e senhores, tudo bem com vocês? Poxa, que bike da hora! Recebemos aqui na Jamur Bikes e já fiquei de olho grande. E adianto, já garanti a minha! Sim, a Kode Riff 70 vai retornar à proposta para a qual foi concebida (MTB 27.5 polegadas) no futuro (poca plata por ora) e vou apenas colocar o guidão drop e trocadores STI na nova Kode Straat. Vejam a imagem abaixo, retirada do site do fabricante, bem como sua geometria: Não parece ser muito apropriada para montar uma Gravel que é quase Gravel? Um top tube mais parecido com as speeds do que com as MTBs, um clearance menor na passagem das rodas, passagem dos cabos interna e outras características me levam a crer que esta bike pode andar muito confortavelmente entre estradões de cascalho (gravel roads) e asfalto, ou mesmo trilhas leves. Bora fazer essa alteração. Abaixo um vídeo mostrando a bike como ela vem de fábrica, original. E aqui a ficha técnica: - Quadro em alumínio 6061. - Garfo: Alumínio.