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setembro 22, 2022

Apresentação de Tênis para Trail Running - Brooks Cascadia 16

Hola, que tal?

Fazia bastante tempo que não trazia um conteúdo deste tipo e Está na hora de retomar pois sei que pode ajudar muita gente a fazer sua escolha. Este é um dos temas que mais gosto de abordar neste espaço. Mais do que falar sobre mim e sobre minhas impressões de um determinado equipamento, a experiência compartilhada é muito mais interessante que o conhecimento retido para si. Das dezenas de apresentações, avaliações e reviews que já fiz em meu site e no meu canal do Youtube, muitas delas contribuíram para que os leitores e espectadores tivessem um panorama importante sobre o que esperar de determinado item, competição ou equipamento. Então, pretendo aparecer com mais frequência aqui neste espaço. A finalidade não é trazer verdades absolutas sobre o tema abordado, mas sim as reais e sinceras impressões, como sempre foi o padrão nas análises críticas que faço no meu blog desde 2006 e no YouTube desde 2016.

Feita esta pequena introdução, que permite-me aquecer os motore e afiar a mente para compor um review minimamente interessante, vamos ao tema do dia:


BROOKS CASCADIA 16 - AVALIAÇÃO


INTRODUÇÃO

Antes da apresentação propriamente dita, é preciso contextualizar tudo. A Brooks é uma marca estadunidense que sempre me chamou a atenção e já fui um feliz usuário de um modelo de rua deles, o Brooks Green Silence. Tenho inclusive um review dele lá de 2010 no site. Depois destes anos todos, de idas e vindas e mudanças de importador, já tem um tempinho que agora está sob a tutela da Centauro aqui no Brasil, sendo esta loja o revendedor exclusivo da marca

A marca é tida como a mais vendida no segmento running nos Estados Unidos, o que é um cartão de visitas de respeito, afinal por lá esse segmento é bastante aquecido e muito maior que o nosso, com centenas de milhares de maratonistas concluindo provas todos os anos. 

No trail running, minha admiração pela marca surgiu principalmente do fato deles serem os patrocinadores de umd os maiores atletas de ultratrail de todos os tempos, Scott Jurek, vencedor de incontáveis provas de corrida em trilha, inclusive a Western States por 7 vezes consecutivas entre 1999 e 2005. Scott é também vegano e a marca Brooks sempre deixou explícito não trabalhar com produtos de origem animal em seus equipamentos de running.

Assim, com a presença no Brasil e, principalmente com uma SUPER promoção (que ainda está vigente nessa data na publicação deste conteúdo, link aqui).

Nunca é demais lembrar que eu não ganho um tostão pra falar de tênis e outros equipamentos por aqui. É tudo realmente opinião pessoal, longe de serem verdades definitivas e que não tenho, nunca tive, tampouco terei rabo preso com ninguém.


O BROOKS CASCADIA 16


A linha Cascadia já está, como diz o nome deste modelo, em sua 16ª geração sendo um modelo consagrado e amado pelos corredores em trilha pelo mundo. Difícil quem ache esse calçado ruim ou que não valha o preço

Escolhi o Cascadia 16 recentemente por alguns motivos que elenco aqui:

- Entrou em promoção, com preço reduzido de R$ 999,00 (o sugerido pela Centauro) para R$ 399,00. Uma pechincha, já que nos Estados Unidos ele está sendo vendido por US$ 130,00. Preço é sempre um fator importante e o valor atual eu achei bem condizente com o nome e conceito que a marca oferece.

- É um calçado para uso geral no trail running. Robusto, resistente, com cravos não muito baixos mas também não muito agressivos, ideal para as trilhas aqui da Serra do Mar, inclusive com umidade presente em forma de lama ou pedras escorregadias.

- Estava precisando de um calçado para corrida em trilha que fosse mais robusto, diferentemente do Nike Pegasus Trail 3 ou do Hoka Torrent 2 que também fazem parte do meu setup de tênis de trilha.

- Avaliar pontos positivos e negativos do calçado antes de investir um valor mais considerável em um eventual tênis desta marca para corrida em trilha. Boatos dizem que os modelos Caldera 6 e o Catamount virão pro Brasil, que são mais voltados ao ultratrail com amortecimento e proteção maiores, o que muito me interessa.




PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Para este primeiro texto, nada mais posso deixar que as primeiras impressões, afinal rodei com ele menos de 30 quilômetros antes de publicar este texto.

A Compra:

Adquiri na loja online da Centauro, com atendimento bastante agilizado, entrega rápida e nenhuma surpresa desagradável. Com frete grátis, a entrega foi em 4 dias úteis aqui em Curitiba - PR.

Recebendo: 

Abrir a caixa, provar, amarrar os cadarços e absorver o feeling. Primeira impressão: duro. Um pouco pela sensação da entressola mas mais ainda pelo cabedal que é construído em material que parece ser BEM resistente.

Nos pés:

Comprei um número acima do que uso no casual, mas a mesma da maioria dos meus atuais calçados de corrida: 43BR / 11US / 45EU. Com ele nos pés, espaço de sobra no chamado toe-box. Na frente sobrou até um dedo, do jeito que eu gosto. Feita a amarração correta, ajuste perfeito e aí então essa sensação de ser duro foi embora completamente. Ele não é molengão como um Nike Wild Horse tampouco um "pau" como um Kalenji. Achei ele na medida entre suporte, conforto e ajuste. O drop dele é de 8mm, o que me atende muito bem para calçados de trilha.

As primeiras corridas:

O primeiro rolê foi um treino rumo ao Pao-de-Loth, coisa de 10 Km em duas horas, alternando um corre-caminha, em um domingo ensolarado com temperatura na casa dos 23 graus, trilha relativamente seca e aproveitando algumas situações de lama. Nos trechos técnicos em descida senti plena confiança no grip dele. Solado de primeira MESMO, inclusive quando o terreno era, como dizem os espanhóis "descompuesto", aquelas pedrinhas soltas, cascalho, etc. Ou seja o solado TrailTrack ofereceu um ótimo grip tanto no seco como no molhado.

Este tênis conta com uma placa de proteção na parte anterior que realmente faz a diferença quando se passa por terrenos mais pedregosos. Ansioso para testá-lo na quebradeira do Morro do Cal e suas descidas insanas no cascalho pontiagudo.

A placa, chamada de  Ballistic Rock Shield que protege contra pedras e detritos, além de se adaptar mais facilmente a terrenos irregulares.


Na umidade da Trilha do Itupava também senti muita confiança, agarrou MUITO mais que os modelos da Nike por exemplo. Ótima transpirabilidade, não incomodou com o calor que fazia. É certo que ainda não corri com ele em um dia com temperatura de mais de 30 graus mas... vá lá, essa temperatura por aqui é rara. 

O ajuste caiu quase perfeito, faltando apenas fazer a amarração utilizando o furo extra para evitar que ele se desloque demais ali junto ao calcanhar. Talvez o tamanho 42 ficasse melhor? Pode ser, mas prefiro um calçado com espaço na frente e folga atrás que pode ser corrigida com esse ajuste do que um tênis apertado nos dedos. 

 Como já devem saber, estou tratando uma fascite plantar no pé direito e trabalhando minha biomecânica para voltar a aterrissar com o médio pé, prática que abandonei ao acabar voltando a usar calçados com drop mais alto, como os Nike de rua. Nesse aspecto, o Brooks Cascadia me atendeu muito bem e não senti incômodo nos pés.

A entressola DNA LOFT v2 ofereceu essa ótima sensação de maciez mas sem comprometer a estabilidade e sustentação. É na medida certa para mim. 

Outros ponto que acho válido destacar são as portas de drenagem que permitem que a água escoe  rapidamente ajudando a secar os pés mais rapidamente depois de passar por algum riacho ou algo do gênero. E uma outra sacada interessante é a presença de um "eyelet" para fixar uma polaina, caso seja de seu interesse. Em provas com muita areia ou com neve é uma solução interessante para evitar que estes elementos entrem por cima do calçado.

E aí que vem minha conclusão sobre para quem este calçado serve: pau pra toda obra, um daily trainer de verdade, honesto que que para nós, os mais lentos, rola até em competição tranquilamente. 

CONCLUSÃO DA APRESENTAÇÃO

Nestes primeiros quilômetros com ele eu não poderia estar mais satisfeito. Leve, confortável e, principalmente, confiável, me atendendo justamente naquilo que procurava: um calçado para usar em qualquer condição, principalmente as úmidas, já que minhas outras opções não me atendem tão bem assim nestes terrenos. 

Agora é aguardar pra saber da durabilidade. Acredito que não me decepcionarei.

Quando estiver entre 300 e 400 quilômetros percorridos com ele eu volto com uma avaliação completa e o veredito final.

Obrigado por ter acompanhado até aqui! Abaixo um vídeo bem completo com o review.

E você? Já usou calçados da Brooks, tanto asfalto como trilha? Deixa aí que vou curtir saber e você ajuda também toda a comunidade contando sua experiência nos comentários. 




outubro 17, 2019

O Que Estou Usando - Tênis para Running: Hoka One One Clifton 4

Opa!

Este é um dos temas que mais gosto de abordar neste espaço. Mais do que falar sobre mim e sobre minhas impressões de um determinado equipamento, a experiência compartilhada é muito mais interessante que o conhecimento retido para si. Das dezenas de apresentações, avaliações e reviews que já fiz em meu site, muitas delas contribuíram para que os leitores tivessem um panorama importante sobre o que esperar de determinado item, competição ou equipamento. Então, pretendo aparecer com mais frequência aqui neste espaço. A finalidade não é trazer verdades absolutas sobre o tema abordado, mas sim as reais e sinceras impressões, como sempre foi o padrão nas análises críticas que faço neste espaço há mais de 10 anos.  

Feita esta pequena introdução, que permite-me aquecer os dedos no teclado, adaptar-me novamente à escrita após tanto tempo focado apenas em vídeos no YouTube e afiar a mente para compor um texto minimamente agradável ao leitor, vamos ao tema do dia:

HOKA ONE ONE CLIFTON 4 - AVALIAÇÃO


INTRODUÇÃO

Antes da apresentação propriamente dita, é preciso contextualizar tudo. Tomei conhecimento da marca HOKA ONE ONE há alguns anos, curiosamente na mesma época em que me afastei do circuito de Trail Running, por volta de 2014. Foi o ano que um atleta que muito admiro, o Sage Canaday passou a ser atleta patrocinado da marca. Logo de cara me chamou a atenção o fato deles acreditarem no conceito de calçado maximalista, com um solado "superdimensionado", mas ao mesmo tempo com um drop baixo, girando na casa dos 4 ou 5mm. Não sabe o que é drop? É a diferença de altura entre a parte anterior e posterior de um calçado de corrida e que influi diretamente no conforto, performance e otimização do corredor.

Porém, como eu disse, o ano era 2014 e me afastei do cenário das corridas, acompanhando bem à distância. Alguns anos depois a marca chegou ao Brasil, mais precisamente em dezembro de 2016 fazendo bastante barulho, apoiando alguns atletas e alguns influencers digitais (com direito a polêmicas recentes por conta de trapaças de uma das "atletas" apoiadas pela marca). Aliás este é tema certeiro para eu abordar em post futuro. Vamos voltar à marca HOKA ONE ONE.

Com origem na França e fundada por ex funcionários da SALOMON, com a ideia de desenvolver um calçado capaz de performar de forma excelente em descidas de montanha, absorvendo impacto e oferecendo controle ao mesmo tempo. Daí vieram esses baita solados e entressolas que são característicos dos produtos da marca. Talvez os primeiros modelos fossem um pouco mais ousados neste aspecto, mas ainda hoje os modelos apresentam um generoso material ultraleve que se traduz em conforto e controle na hora da corrida. Em abril de 2013 a companhia foi vendida e a marca atualmente pertence ao grupo norte americano Decker Brands

A lamentar é o fato de não termos disponíveis no Brasil nenhuma opção de calçados para trail running desta marca nem como a defasagem na disponibilização de modelos mais recentes. O próprio modelo Clifton já foi lançado na Europa e Estados Unidos na versão 6. Aqui nem o Clifton 5 apareceu, pasmem. Alô, HOKA ONE ONE Brasil!

O HOKA ONE ONE CLIFTON 4

A linha Clifton é carro chefe, pelo menos aqui no Brasil das vendas da marca. Na sua quarta versão, O Clifton repete a receita de ser um calçado bastante confortável e voltado para rodagens, apesar de alguns testadores e formadores de opinião classificarem os modelos anteriores como um calçado mais voltado à competição e velocidade pelo seu baixo peso.



Escolhi o Clifton 4 recentemente por alguns motivos que elenco abaixo:

- Entrou em promoção, com preço reduzido de R$ 799,00 (o sugerido pelo importador) para R$ 499,00. Preço é sempre um fator importante e o valor atual eu achei bem condizente com o nome e conceito que a marca oferece.
- É um calçado, como adiantei, de uso mais geral, rodagem, mas sem perder no quesito leveza.
- Estava precisando de um calçado para corrida em asfalto que tivesse qualidade. Minha última experiência com calçado para corrida em asfalto havia sido um  KALENJI EIKIDEN ACTIVE BREATH que não teve a durabilidade que eu desejava (pudera, um calçado de menos de duzentos reais).
- Avaliar pontos positivos e negativos do calçado antes de investir um valor mais considerável em um eventual tênis desta marca para corrida em trilha (terei que importar, pois não tem á venda no Brasil).


PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Para este primeiro texto, nada mais posso deixar que as primeiras impressões, afinal rodei com ele menos de 30 quilômetros antes de publicar este texto.

A Compra:

Adquiri no site da loja Keep Running, com atendimento bastante agilizado, entrega rápida e nenhuma surpresa desagradável. Com frete grátis, a entrega foi em 4 dias úteis aqui em Curitiba - PR.

Recebendo: 

Abir a caixa, provar, amarrar os cadarços e absorver o feeling. Primeira impressão: realmente mais alto. Tem 28mm na parte de trás e 23mm na parte da frente, traduzindo-se em um drop de 5mm. Os calçados ditos "tradicionais" têm em torno de 18mm na parte de trás e entre 8 e 10mm na frente.

Nos pés:

A sensação de que havia um certo "suporte" no arco do pé me levou a temer pelo pior: será que ia ficar "pegando" a ponto de causar incômodo ou mesmo bolha como já me aconteceu com calçados com esta característica? Lembro que tive um SALOMON XT WINGS ainda na década passada que era impossível de usar em corridas: pegava firme no arco do pé, causando bolhas horríveis. Nem o passar do tempo, amaciando o calçado, resolveu o problema. Tive que vendê-lo. No caso deste HOKA ONE ONE CLIFTON 4 tive esse receio que felizmente não se concretizou. O conforto geral realmente é superior. Preciso levar em consideração também que havia mais de 6 anos que não calçava um tênis de corrida de rua premium, de alto nível. Certamente a indústria deve ter evoluído muito neste aspecto nesse tempo que estive ausente das corridas. Gostei muito também dos cadarços, de um material leve e maleável. Mais interessante ainda foi que em momento algum ele perdeu o laço, mesmo com apenas um nó simples, coisa rara. Praticamente todos os calçados de corrida que já utilizei precisavam de um nó duplo para que não se desfizessem. Antes de correr, não senti o calçado nem muito frouxo, nem muito apertado. Comprei na minha numeração habitual, de praticamente todos os calçados que já utilizei: 42BR / 10US / 44EU.



As primeiras corridas:

O primeiro rolê foi um treino de 10 Km em pouco menos de 60 minutos, em um domingo ensolarado com temperatura na casa dos 23 graus, asfalto quente, pouca variação de ritmo e de altimetria. No entanto esta variação de ritmo que aconteceu foi o suficiente para uma conclusão importantíssima que deixo no final do texto! Calçado saiu-se super bem e muito me agradou o seu conforto. Tanto na pisada como no cabedal, que em momento algum senti "pegar" no pé. Na parte de trás, no contraforte do calcanhar, onde alguns calçados incomodam na chamada "bola" do tornozelo, nenhum incômodo. Realmente MUITO confortável. Com relação à respirabilidade, nada a reclamar também, apesar da temperatura não estar assim tão alta para avaliar melhor. 

Outra observação que merece ser apontada é o fato do calçado "pedir" para você fazer a aterrissagem de médio pé, característica de todo calçado com drop entre zero e seis milímetros. Já tive oportunidade de correr com o maravilhoso BROOKS GREEN SILENCE e o NEW BALANCE MINIMUS que tinham 4mm e a sensação é parecida só que melhor. Pera, explico: o HOKA ONE ONE CLIFTON 4 oferece um conforto MUITO maior que aquele Green Silence que usei lá em 2010 ou o Minimus em 2013. Até mesmo por serem de categorias diferentes, uma vez estes dois eram calçados de velocidade. Esta é uma característica que aprecio muito: calçado que me faz buscar a melhor passada. Ter esta sensibilidade de entender o que o calçado pede é uma habilidade que todo corredor tem por obrigação desenvolver se ele quer se tornar mais rápido, mais eficiente ou menos sujeito a lesões. Isso mesmo, corredor: "ouça" o que o calçado pede!

Dois dias depois, com friozinho de 14 graus e uma levíssima garoa, saí para um regenerativo de 5 km a 6min/km com direito a um teste de pulmões pernas e calçado em uma única aceleração de 400 metros a 4'15"/km só pra ver o estrago. E aí me parece que o calçado saiu-se melhor que as pernas! Ainda cansado das semanas anteriores de treinos puxados, as pernas não tiveram a mesma entrega que o calçado. Parece ser mesmo um modelo excelente para acelerar.


E aí que vem minha conclusão sobre para quem este calçado serve, também com base no que adiantei lá em cima no começo do texto!




Li alguns comentários e relatos pela internet (YouTube, Instagram, Facebook) que o Clifton 4 era um calçado difícil de se adaptar e que tinha a tendência de desgastar muito rapidamente no solado. Apesar da distância muito curta que o utilizei para falar de durabilidade, elaborei minha teoria:

Observei que ao mudar o pace para valores mais acima de 6min/km (como no caso de subidas ou em trote regenerativo), há uma tendência de não aterrissar com o calçado exatamente com o médio pé, mas sim com o ante pé e, pior ainda, por vezes "arrastando" o solado, como se estivesse com o pé "pesado". Obviamente este não é o caso, pois trata-se de um calçado super leve (menos de 300 gramas o pé no tamanho 42BR). é realmente uma mecânica diferente de passada que este calçado exige e que, concordo, talvez não seja ideal para quem corre mais lento que 6min/km. Em velocidades inferiores a esta observei frequentemente que meu pé "raspava" no chão, tanto no ante pé como na parte da frente também, quando eu tentava "forçar" uma aterrissagem diferente. Pura questão de adaptação. Ou, triste conclusão para os fãs da marca, que este calçado não serve para quem corre em pace mais lento.

CONCLUSÃO DA APRESENTAÇÃO

Nestes primeiros quilômetros com ele eu não poderia estar mais satisfeito. Leve, confortável e, principalmente, responsivo, me atendendo justamente naquilo que procurava: um calçado para rodagem mas que não fosse tão pesado. Ou, o contrário: leve o suficiente para acelerar mas não tão seco quanto os minimalistas que eu gostava de correr antigamente. 

É o tênis eleito para as próximas rodagens de asfalto e vamos ver até onde minha teoria faz sentido e se a durabilidade dele não me decepciona. 

Quando estiver entre 300 e 400 quilômetros percorridos com ele eu volto com uma avaliação completa e o veredito final.

Obrigado por ter acompanhado até aqui!

Aqui temos um vídeo onde falo mais dele.



E mais abaixo, outras imagens.

Abraços!






setembro 12, 2019

O Salomon Sense Mantra 3 Apresentado


Olá, senhoras e senhores.


Deixo abaixo um vídeo onde apresento um novo calçado de corridas em trilha que estou usando, o Salomon Sense Mantra 3. Consegui um preço bem interessante nesse modelo lá na loja Orientista, de Santa Maria - RS.


Aliás, por um certo período fui atleta apoiado por esta loja, quem aí se lembra?


Trata-se de um calçado bem coringa, indo de encontro àquilo que eu buscava: drop intermediário, solado e construção que me permite utilizar sem erro tanto em asfalto como em trilhas menos técnicas.

Abaixo então, o vídeo :)

Abraços, bons treinos!




março 08, 2019

Salomon Speedcross 3 - Review




Bom dia, boa tarde, boa noite, senhoras e senhores, tudo bem com vocês?

Compartilho abaixo algumas impressões sobre um dos modelos de tênis de corrida em trilha que tenho utilizado atualmente, o clássico Salomon Speedcross, desta vez, na versão 3.

Já fiz uma avaliação do Salomon Speedcross 2 aqui. Isso foi em 2011! De lá para cá tive a oportunidade de rodar com mais dois pares do Speedcross 3 e finalmente agora, no mais recente par de calçados que utilizo, seguem as minhas sinceras impressões, bem como uma análise em vídeo aqui onde você confere mais imagens.


Salomon Speedcross 3 em ação, fora de seu habitat natural.

Em 2019 houve o lançamento da versão 5 deste modelo, mas sem previsão de chegada ao Brasil. Por aqui o mais fácil é encontrar o Salomon Speedcross 4, mas não podemos esquecer que o Salomon Speedcross 3 ainda pode ser encontrado em algumas lojas online. O preço médio que encontrei nas pesquisas foi de R$ 749,90. 

Na prática, observei poucas diferenças entre todos os modelos já lançados, me parecendo que as alterações são mais de ordem de acabamento e design do que de funcionalidades. Entre as versões 2 e 3, as sensações nas corridas são exatamente as mesmas.

Na areia também não é a melhor opção. Mas... bem melhor que um calçado de corrida de rua.



Mas... vamos lá:

Tempo e Condições de Teste: 6 meses, algo em torno de 250 km variando entre estradões de terra, um pouco de asfalto, areia solta, areia batida, lama e rochas das trilhas da Serra do Mar. Corrida mais longa teve duração de 4 horas e 1.000 metros de desnível positivo.

Amortecimento: Vou repetir o que postei no review do Salomon Speedcross 2. Excelente para um tênis de corrida de montanha. Lembro que amortecimento não é um quesito tão importante nestes modelos como nos tênis de corrida de rua. Ao sair trotando é possível perceber um excelente amortecimento, mesmo com o passar dos quilômetros. Após uns 100 quilômetros essa sensação diminui um pouco mas ainda podemos sentir que se trata de um calçado macio.

Aderência: Na lama é um espetáculo! Um verdadeiro trator e nesse quesito, só perde para um La Sportiva Anakonda que tive oportunidade de usar. Na pedra úmida não segura tanto, mas aí...já seria pedir demais né? Nestas condições, reduza o passo, tenha cautela e confie mais em você do que no calçado.  No asfalto é possível sentir o solado “grudando” no piso. Impressionante. No geral, ele funciona muito bem em terrenos molhados.

Acabamento: Cuidadoso, inclusive com material refletivo para corridas noturnas. Nota-se um cuidado com a produção. É realmente primoroso mas também não poderíamos esperar algo diferente de um calçado desta faixa de preço. O cadarço é fixo e vai embutido em um pequeno bolso, o que impossibilita a desamarração involuntária. Está disponível em várias opções de cores e o material do cabedal apresenta rápida secagem quando se faz necessário molhar os pés em algum cruzo de rio.

Durabilidade: Preocupava-me este fato, principalmente ao notar o solado tão macio e cheio de cravos. Porém ele me surpreendeu, durando mais do que eu esperava. Obviamente que não se deve treinar nem competir com ele em asfalto, caso contrário o solado irá fritar rapidamente, pois é muito macio. Se possível guarde-o apenas para as competições. Terá um tênis para muitas e muitas corridas.

Peso: Em torno de 550 gramas o par, o que o torna o mais leve do gênero. Excelente para competições.

Conforto Geral: Muito confortável, envolvendo os pés de forma uniforme. Com um amortecimento comparado aos tênis de corrida de rua, faz a diferença nas provas e treinos mais longos. O tecido do cabedal não é dos mais respiráveis, o que pode comprometer o conforto dos pés em corridas com temperaturas acima dos 25 graus. Apesar de não ser tão respirável, seca bastante rápido após ser submetido às condições úmidas que muitas vezes enfrentamos em trilhas. Ele também me parece um pouco estreito, se comparado com outros modelos da marca que já tive oportunidade de testar. Ele é também bastante flexível, para um calçado de corrida em trilha, mas dentro do esperado para a proposta de calçado leve e para curta distância.

Considerações Finais: Em 2011 eu recomendei este tênis como boa opção para quem estava começando nas corridas de montanha. Vivíamos em um outro Brasil, quase não haviam opções de calçados para a modalidade. Em 2019 temos dezenas de opções de diversos fabricantes, o que me leva a mudar a minha análise. Certamente existem muitos outros calçados que eu recomendaria para quem está começando no trail running agora. O Salomon Speedcross 3 é um calçado bem específico e que entrega todo o seu potencial para uso de forma bem específica igualmente. Recomendo ele como um segundo ou terceiro calçado de trail running, aquele que você tem guardado para estas ocasiões especiais de trilhas muito úmidas e provas rápidas.

Para quem recomendo o Salomon Speedcross 3:

- Atletas abaixo dos 70 kg de peso;
- Corridas em trilhas úmidas com até duas horas de duração;
- Competições em distâncias até 21 km;
- Se dinheiro não for problema (acho o valor de R$ 749,90 um pouco acima da realidade do corredor médio nacional), principalmente pelo fato do mercado atual oferecer outras opções com menor preço.

Para quem não recomendo o Salomon Speedcross 3:

- Atletas acima dos 70 kg;
- Treinos e provas de longa distância;
- Quem roda muito em estradões (nem pensar, vai acabar com o solado rapidinho);
- Quem roda muito em clima quente;
- Areia fofa (vai fazer duas vezes mais força).

Espero ter podido ajudar com estas impressões, lembrando que esta avaliação está baseada puramente em impressões e opiniões pessoais.

Tem algo a acrescentar? Manda nos comentários :)

Valeu, abraços. É isso aí. 

julho 30, 2018

Minha Bike Esportiva

Olá, bom dia, tudo bem?

Neste post rápido, apresento minha bike esportiva de forma resumida e um pouco mais técnica do que no post sobre a Specialized Hardrock Sport.

Prefiro definir desta forma - Bike Esportiva - o modelo de bike que estou usando agora para me divertir nas estradas e nos matos.

Minha já conhecida e característica impaciência com termos, definições e filosofias para classificar bicicletas com nome e sobrenome.

Justamente eu, que trabalhei por um tempo na divulgação do termo "gravel bike", acho que não cabe a mim esta finalidade. Prefiro definir apenas como bicicleta. E como no momento estou com duas bikes, esta do post é a Bike Esportiva, uma vez que está configurada pensando em aproveitar as possibilidades de fazer esporte em cima de uma bike.

Minha esperança é que este se torne um post definitivo sobre a bike que estou usando para treinamentos e curtições na estrada e fora dela.

Evito, da mesma forma, a publicação de fotos em detalhes por questões de cunho pessoal e de privacidade.

Aliás, privacidade é um tema que tem se tornado bastante importante para mim, à medida que cada vez mais eu observo que as pessoas, em geral, estão perdendo o respeito à privacidade.

Como gerador de conteúdo, sei do interesse que pode existir em obter indicações e opiniões personalizadas sobre os assuntos que eu abordo. Mas, definitivamente este não é o meu papel.

Chegamos ao cúmulo de até mesmo a Thamires, minha companheira de vida, ter recebido nas redes sociais perguntas que seriam direcionadas a mim, mas que me abstenho de responder porque preservo minha privacidade e meu sossego, principalmente em finais de semana longe da internet. Uma absoluta falta de noção.

Felizmente não se trata da maioria, são casos isolados (embora não poucos) que não conseguem ainda me tirar o prazer que tenho em compartilhar um pouco de conhecimento. Importante lembrar: não existem gurus. Não tenho as respostas para coisa alguma. Única certeza que posso dar é:

Vai lá e experimente você mesmo!

Afinal, eu apenas relato as minhas experiências.

Abaixo ficha técnica o mais completa possível da minha bike esportiva.

Forte abraço!


Bike Esportiva

- Quadro: Format 5222 em cromo molibdênio tamanho 56cm no top tube (tenho 1,83m) com pintura personalizada do Giovani Madeira.
- Garfo: Format 5222 em cromo molibdênio com pintura personalizada.
- Caixa de direção: Oversized Aheadset Semi Integrada sem marca.
- Suporte de guidão: Cannondale Alumínio C3 10 graus.
- Guidão: Cannondale Alumínio C3 Compact 420mm.
- Fita de Guidão: duas fitas. Uma Pro Bike Smart Silicon e uma Velo Grip sobrepostas para maior conforto.
- Freios: V-Brake Alumínio original da Format.
- Trocadores/Manete de freio: STI Shimano Claris ST-R2000 2X8 com passagem interna dos cabos.
- Câmbio dianteiro: Shimano Claris FD-R2000.
- Câmbio traseiro: Shimano Claris RD-R2000.
- Cassete: Shimano HG-200 11-34 8V.
- Corrente: Shimano CH-HG40 7V.
- Pedivela: Shimano Claris FC-2450 Octalink 50/34D 172,5mm.
- Movimento central: Shimano Ocatlink ES-25.
- Pedais: Look Quartz II.
- Rodas Shimano R-501  24mm. 20 raios na dianteira, 24 na traseira.
- Pneus: Kenda Kwick Bitumen com arame 700X35.
- Selim: Fizik Tundra M7.
- Canote de selim: Alumínio 25.4.
- Peso aproximado: 12,3 kg.






junho 21, 2017

Nova Bike Kode Straat - Uma boa opção para montar uma Gravel Bike

Senhoras e senhores, tudo bem com vocês?

Poxa, que bike da hora!

Recebemos aqui na Jamur Bikes e já fiquei de olho grande.

E adianto, já garanti a minha!

Sim, a Kode Riff 70 vai retornar à proposta para a qual foi concebida (MTB 27.5 polegadas) no futuro (poca plata por ora) e vou apenas colocar o guidão drop e trocadores STI na nova Kode Straat.

Vejam a imagem abaixo, retirada do site do fabricante, bem como sua geometria:






Não parece ser muito apropriada para montar uma Gravel que é quase Gravel? Um top tube mais parecido com as speeds do que com as MTBs, um clearance menor na passagem das rodas, passagem dos cabos interna e outras características me levam a crer que esta bike pode andar muito confortavelmente entre estradões de cascalho (gravel roads) e asfalto, ou mesmo trilhas leves.

Bora fazer essa alteração.

Abaixo um vídeo mostrando a bike como ela vem de fábrica, original.




E aqui a ficha técnica:

- Quadro em alumínio 6061.
- Garfo: Alumínio.
- Cor: Champagne.
- Marchas: 16.
- Câmbio Dianteiro: Shimano Claris 2400.
- Câmbio Traseiro: Shimano Claris 2400.
- Trocadores: Shimano Claris.
- Pedivela: Shimano Claris 2450.
- Pedal: Alumínio WPD 313.
- Movimento Central: Shimano BB300.
- Movimento de Direção: Kode Aheadset Semi Integrado.
- Anéis espaçadores de Direção: 10mm.
- Corrente: Shimano 8V.
- Cassete: Shimano HG50 8V.
- Cubos: Shimano TX505.
- Freios: Disco Hidráulico Shimano M445.
- Aros: Alumínio 700C Kode Straat.
- Raios: Em Aço Pretos.
- Pneus: Rubena Hook.
- Guidão: Reto Kode 31.8 em Alumínio Preto.
- Mesa: Kode Alumínio 6061.
- Canote de Selim: Kode 27.2. Com Carrinho.
- Selim: Kode Preto.
- Peso aproximado: 12,2 kg no tamanho 17.


Abraços, namastê!

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junho 20, 2017

O que estou usando #002 | Roupas para frio na corrida

Senhoras e senhores tudo bem com vocês?

Deixo abaixo um vídeo do meu canal Nature Sessions onde abordo o equipamento básico de vestuário (sim, vestuário técnico é equipamento).

Já peço de antemão, se ainda não o fez, que se inscreva no canal, pois já tem e ainda terá muito conteúdo de corrida, trail running, gravel bikes, montanhismo, vegetarianismo e mais.

Muito obrigado!


Na foto, Leonardo Freitas e eu antes da largada da Super Meia Maratona Notura de Extrema -MG, corrida em montanha com 24 km no frio do inverno na Serra da Mantiqueira. Junho de 2011.





novembro 21, 2016

Lonely Sunday Theme - Música Mínima por George Volpão


Olá, tudo bem?

Lonely Sunday Theme foi composta em 20 de novembro de 2016 ao teclado. Instrumental tocante e profundamente expressivo de um sentimento que me envolvia naquele exato momento: solidão de uma tarde de domingo. Gravei ao vivo, sem truques, sem overdubs, sem correções. Música mínima com máxima expressão.

Música Mínima é uma ideia que surgiu de repente. É compor algo no teclado, violão ou qualquer outro instrumento, gravar e botar para o mundo. É uma manifestação mínima porém intensa da arte que brota de forma imediata e que precisa ser expressada com urgência.





Gravado em 20 de novembro de 2016. 
DAW: Reaper + Kontakt (Nord Piano).
Teclado Controlador AMW61.
Interface de Áudio Behringer U-Phoria UM2.


George Volpão - Nature Sessions - Todos os Direitos Reservados

Siga-me nos canais:










Gravado em 20 de novembro de 2016. 
DAW: Reaper + Kontakt (Nord Piano).
Teclado Controlador AMW61.
Interface de Áudio Behringer U-Phoria UM2.


George Volpão - Nature Sessions - Todos os Direitos Reservados

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setembro 04, 2016

O Que Estou Usando / Trail Running - Adidas Kanadia TR7

Hey, ho.

Firmeza, povo?

Voltando à ativa nas postagens sobre equipamentos que estou usando, seja para trail running, seja para montanha, para corrida e também instrumentos musicais. Quando acabar o assunto posso falar também sobre sabonetes e cremes dentais, why not?

Mas, seguindo um caminho mais intenso e interessante, vou falar em vídeo. Já estudaram por aí que a informação de cunho audiovisual tem uma penetração (ui) muito mais profunda (hmmm) que aquela escrita. Então, vamos unir as duas coisas por aqui. Um textinho breve no blog e um vídeo lá no canal.

E, pelas barbas do profeta, clique aqui e inscreva-se para ficar ligado nas novidades do Canal ;)

Beijos, abraços e aquela coisa toda.

Se você não consegue visualizar o vídeo abaixo, veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=cANaJ7DNU1g






julho 07, 2015

Nas trilhas, sempre. E com Jamur Bikes e CamelBak



Olá, que tal?
Já são mais de 40 dias sem escrever aqui...
O "Ensaio Sobre a Liberdade" ficou pronto, as quatro músicas já estão disponíveis para quem quiser ouvir (links abaixo) e esse papo foi finalizado. Não foi o resultado que eu esperava, até mesmo porque são músicas antigas e que não refletem muito minha veia musical atual,. como já disse em posts anteriores.

Neste intermezzo eu voltei a correr, a pedalar e também a compor um pouco de música. Tudo isso aliado ao meu trabalho na Jamur Bikes. Coisa que aliás vai cada vez melhor, focando no marketing e produção de vídeos.

Agora de bike nova (mountain bike), uma grande motivação toma conta para os pedais mais divertidos e longos. Vamos continuar pedalando e correndo em trilha quando possível.


Bem, as coisas mudam, sabemos. Quem aí leu esse post triste, irônico e cheio de mágoa:

http://www.georgevolpao.com.br/2015/01/capitalismo-malvado-ne.html

Quem?

Agora não é momento de citar nomes e marcas, mas quem me conhece sabe do que se trata. Mas
passou e já estou pronto novamente a, de alguma forma, ajudar na promoção de uma melhor qualidade de vida. Não somente através do esporte, mas também em um estilo de vida mais simples e direto: vegetariano, consumo consciente e vida ao ar livre.

Fui procurado pelo importador CamelBak para integrar uma parceria voltada ao trail running e ao MTB. Caramba, conheço os caras e sou amigo deles há mais de 7 anos, quando fizemos várias coisas juntos com a Deuter e a Território. Impossível recusar. Porque parceria também é amizade. E nesses caras eu boto fé.

Vamos lá então. Para segundo semestre, vamos de Jamur Bikes e CamelBak como apoiadores desta louca vida vegetariana, simples e ao ar livre, principalmente.
Vamos explorar o potencial adquirido nestes anos todos em comunicação e trazer coisas boas.

Que venha a primeira foto pelado em cume de montanha com mochila :)

Abraços, bons ventos e ouça no volume máximo:

https://www.youtube.com/watch?v=D1IVwOIWW9U&list=PL-d9ZJuc_IyVW79hmR-jVlpjkIq4rj5DZ






fevereiro 11, 2015

Review La Sportiva Anakonda - Avaliação


Olá, amigos!

Enfim, coloco aqui as minhas impressões sobre o Tênis La Sportiva Anakonda, um montnheiro de primeira categoria.

Acho IMPORTANTÍSSIMO deixar claro que não tenho meu nome vinculada a nenhuma fabricante e/importador de equipamentos. Recebo os produtos para as avaliações graças ao meu trabalho de sete anos visando unicamente o crescimento saudável da modalidade. E assim os produtos são avaliados: de maneira equilibrada, despida de paixões e absolutamente isenta. Todos iguais.

Proposta: Avaliar de maneira direta e sem frescuras inúmeros produtos que são oferecidos no mercado nacional de trail running e corrida de montanha. Importante lembrar que escolhi parâmetros de avaliação baseados no renomado site TrailRunning Review.

É preciso que entendamos que não existe o "melhor calçado para trail running". Cada tipo de terreno sugere uma característica que seja mais desejável encontrar e um calçado. 

Item avaliado neste review: Tênis La Sportiva Anakonda.


Introdução

A marca La Sportiva tem aquilo que chamo de DNA de montanha. Enquanto algumas marcas chegaram ao trail running vindas do asfalto, outras tem sua origem no esporte de montanha. É o caso dos italianos da La Sportiva. Eles não fabricam roupas ou calçados voltados à corrida de rua. Mas sim botas de montanhismo, sapatilhas de escalada e outros artefatos. Com um marketing voltado totalmente ao desafio e à paixão pelos esportes de montanha, o que fica bem claro para mim é que trabalhar com calçados de corrida de montanha é um caminho natural para quem está envolvido até o talo com a oferta de produtos para uso nestes ambientes, qualquer que seja a modalidade. Somente por isso, já ganhou minha simpatia. Mas, como simpatia não garante bons produtos, vamos falar um pouco do La Sportiva Anakonda.

Primeiras impressões

Recebi o calçado para testes no começo de 2014. Ainda estava com os movimentos restritos para colocá-lo nas trilhas, devido à lesão no joelho direito que não me dava confiança para uso intenso.

Já deixei claro em meus comentários nas redes sociais. Pura montanha. Não é calçado para correr no Barigui (tradicional parque de Curitiba onde muitos corredores apreciam fazer seus treinos). Mas como assim, pura montanha? Porque pura montanha? Porque logo ao calçar você nota certas características: baixo peso, baixo drop, amortecimento quase zero e um certo minimalismo no acabamento. Continuemos!

Entressola

O mínimo de EVA necessário para um calçado com drop de apenas 4mm, o que lhe deixa em contato com o solo, ideal para quem já tem uma certa experiência em corridas de montanha ou para aqueles que gostam desta sensação de ter mais controle sobre o que acontece. Os citados 4mm são decorrentes de uma altura de 18mm na parte traseira e 14mm na dianteira. Ou seja, é bem baixinho mesmo. Não podemos esquecer também dos cravos salientes, que acrescentam 6mm nestas medidas todas. Neste pequeníssimo espaço ainda cabe uma "rock-plate", ou seja, uma placa de proteção no meio do calçado que protege os pés de pedras e raízes pontiagudas. Esta inserção da rock-plate não compromete a flexibilidade necessária na transição da passada, mas afeta um pouquinho no movimento lateral. Por apresentar esta placa de proteção, não podemos chamá-lo de "minimalista", apesar do drop baixo.



Lingueta

Na medida certa para reduzir a entrada de titicas que coletamos pelos matos, tais como pedrinhas, folhas, terra, etc. Bem envolvente e com acabamento primoroso. Não é daquelas que fica se deslocando com o "passar das passadas". Ajuda a manter a estabilidade dos pés, algo que trato no tópico abaixo.

Controle

Controle é algo que depende mais do que está "dentro" do calçado do que do produto propriamente dito. Como o La Sportiva Anakonda é um tênis de perfil baixo, um trail runner mais experiente se aproveitará melhor dessa sua característica. E terá controle TOTAL sobre seus movimentos. Esta foi, talvez, a principal característica que chamou minha atenção. Com este tênis nos pés, foi possível colocar em prática tudo que meus 20 anos de corridas em trilhas me ensinaram. Se o hábito faz o monge, quanto mais tempo nos matos, melhor nos tornamos na leitura e aproveitamento do terreno. Porém, não significa que quem está começando agora no Trail Running não possa se beneficiar desta característica importante do tênis. Pelo contrário! Quem está começando aprende melhor com um calçado assim, desses que permitem que o usuário sinta as variações de terreno. Bem melhor que correr com tênis que dizem "amortecer".

Mesmo se tratando de um tênis de baixo peso e econômico em materiais oferece ótima proteção contra topadas e irregularidades dos terrenos por onde corremos. Sendo assim, o La Sportiva Anakonda permite um total controle da corrida por quem está com ele nos pés. E aí...é com o piloto ;)

Tempos atrás filmei uma descida técnica e veloz. Puro controle que foi garantido por estar usando este calçado especificamente. Não tenho certeza se desceria com essa confiança toda se estivesse com outros modelos que já experimentei. Dê o play!


Ajuste (Fit)

Seria o chamado "true-to-fit", ou seja, veste na numeração a qual você está acostumado. No meu caso, sempre usei o 10 USA (42 Brasil). Calçou perfeitamente. O cabedal (upper) é bem envolvente e os cadarços garantem um ajuste fino bem sucedido. ão é um calçado que deixe muito espaço lateral, pelo menos para meu tipo de pé. Se você é daqueles que possuem pés largos, sugiro que experimente antes em alguma loja, evitando compras pela internet.

Acabamentos

Gostei muito da forma como o pessoal da La Sportiva trabalhou para proporcionar um calçado bonito e eficiente ao mesmo tempo. O que mais me chamou a atenção foi a aplicação de uma peça de TPU (poliuretano termoplástico) como placa estabilizadora no calcanhar. Proporciona rigidez e proteção necessária ao tornozelo e é muito bonita (opinião pessoal). Na parte interna e junto ao calcanhar, existe uma aplicação de material mais áspero visando maior controle mas que me preocupou no começo. Alguns amigos comentaram comigo que haviam surgido algumas bolhas nos pés exatamente neste ponto de contato. Comigo não aconteceu, o que leva a crer que caímos naquela velha questão: o que é bom para um atleta, pode não funcionar com outro. E vice-versa.

Todas as costuras são muito bem acabadas e mesmo com uso intenso não notei nenhum tipo de desgaste acentuado. O cabedal é constituído basicamente de aplicações de reforços em vinil e de um tecido tipo Nylon Mesh bastante resistente. Mesmo colocando o calçado para uso intenso em superfícies abrasivas, absolutamente nenhum sinal visível de desgaste apareceu após mais de 30 horas de trilhas. 

Impermeabilidade / Transpirabilidade

Como disse acima, esse mesh do cabedal é bastante robusto. Isso acaba se traduzindo em menor respirabilidade. Certamente não seria minha opção de calçado em trilhas próxima ao mar, que cruzem muitos riachos ou em temperaturas acima de 25 graus. Por outro lado, na lama e em climas temperados não notei a presença de umidade excessiva nos pés.

Solado

Destaque total para o "FriXion XF", solado escolhido para o La Sportiva Anakonda. Possui cravos pronunciados e espaçados, com 6mm de altura, por toda a extensão. Os terminais são uniformemente espaçados ao redor e não variam em altura. Os cravos tem formato de U, sendo bi-direcionais. na frente tem posicionamento de forma a proporcionar tração. Na parte detrás, eles são invertidos para garantir controle e sustentação nas descidas. Este foi disparado o calçado mais "seguro" que já utilizei em 20 anos de corrida de montanha. Ele agarra como nenhum outro, qualquer que seja o terreno: pedras soltas, lama, terra batida. Obviamente que em certas situações não haverá como evitar quedas e escorregões. Mas este modelo certamente é o que me proporcionou maior controle e segurança em descidas técnicas e em subidas enlameadas.



Durabilidade

Na avaliação do solado que fiz acima citei que ele agarra muito MESMO. Isso normalmente se traduz em menor durabilidade. Não é o caso deste produto. O solado já enfrentou muitas montanhas e continua com seus cravos quase intactos. É certo que não uso o calçado em asfalto e evito até meso estradas e terra, guardando-o para saídas de montanha de verdade. Mas sabemos que muitas vezes temos rochas abrasivas nestas montanhas. Nem mesmo estas rochas foram capazes de provocar desgaste considerável no solado. Aprovadíssimo!

Com relação ao cabedal, posso garantir que estou igualmente satisfeito. Ainda sem perspectivas de final de vida útil, este modelo ainda deve me acompanhar por muitas centenas de horas de montanha.

Conclusões

Puro sangue de montanha. Sem sombra de dúvida, o La Sportiva Anakonda é um dos melhores calçados para a prática da modalidade, desde que você o utilize no ambiente para o qual foi construído: trilhas técnicas, enlameadas, sem muitas pedras soltas, grandes desníveis e zero asfalto. Com isso, fica a curiosidade para experimentar os demais modelos da marca italiana, já que mostraram que ter o DNA de montanha realmente fez a diferença na produção de um item específico como esse.

Peso: 286g no tamanho 10 US.
Preço sugerido ao consumidor: R$ 619,90.

Indico para: 

- Corredores leves e medianos, de até 80 kg, que irão aproveitar a leveza do calçado e conseguem "desfilar" com mais leveza pelas trilhas;
- Atletas que correm rápido, com tempo abaixo dos 45 minutos em um 10K no asfalto irão se beneficiar mais do produto. Para corredores mais lentos, recomendo este tênis para provas de até 21 km;
- Pessoas com boa experiência em trilhas técnicas.
- Aqueles que estão começando a correr em montanha e querem aprimorar sua técnica de corrida. O aprendizado será muito mais rápido do que aquele que vem junto com os tênis mais robustos.
- Atletas já adaptados ou que se adaptem cautelosamente ao uso de calçados com drop baixo (4mm ou menos). Sem adaptação risco de lesões é maior. Como se trata um tênis basicamente para montanha, a musculatura envolvida na pisada não é tão exigida como se fôssemos correr repetindo os passos, da maneira que fazemos na rua ou estradas de chão.

Pontuação:

- Flexibilidade                                     8.0
- Torção lateral    9.0
- Proteção                                          9.0
- Materiais refletivos                           8.0
- Costuras   10.0
- Altura do calçado                            10.0
- Sistema de fixação, cadarços, etc      9.0
- Respirabilidade                                 8.0
- Aderência em subidas de terra         10.0
- Aderência em descidas de terra       10.0
- Aderência do calçado em rocha      10.0
- Aderência em rocha molhada        9.0
- Aderência do calçado em lama        10.0
- Estabilidade    9.0
- Amortecimento dianteiro                   5.0
- Amortecimento traseiro                     6.0
- Fit (ajuste)                                       10.0
- Durabilidade                                    10.0
- Asfalto                                              4.0
- Estrada de terra                                 8.0
- Trilha   10.0
- Montanha                                        10.0

MÉDIA:                                           8.72

Bons treinos!


Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava. Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito...