Um Quase Adeus

Hola, que tal?

Faz dias que uma ideia insiste em bater à porta: abandonar o cascalho.cc.
Não é só uma crise criativa — é um cansaço diante da selva digital em que a internet se transformou.
Quero ser mais George Volpão do que uma logomarca estampada na tela.

O YouTube, que já foi um oásis em meio à secura do Instagram e do TikTok, agora também cobra seu pedágio.
Fique uma semana sem postar e verá: seus vídeos novos murcham, e até os antigos são engolidos pela sombra do algoritmo. Meus views e minutos assistidos dos reviews de tênis, outrora a engrenagem do canal, caíram 1/4 só porque desacelerei.

É cruel. E o que me incomoda não é só o número — é a sensação de estar sendo domado por uma máquina. Eu não quero gravar para agradar ao código oculto de uma plataforma. Quero gravar quando houver tesão nas palavras, quando a ideia pedir para nascer em roteiro, câmera e edição.

E quanto ao dinheiro… sete reais a cada mil visualizações. Dois reais por um vídeo de 300 views. Um trampo imenso que mal paga o café e o lanche no pedal que foi registrado nas dispendiosas câmeras de ação. Não é pelo retorno, nunca foi — mas seria justo se ao menos sustentasse o lanche da jornada.

A isso se soma a enxurrada de conteúdos vazios, que arrastam multidões pelo brilho raso, enquanto criadores que admiro constroem obras de altíssimo nível. Vejo neles uma régua inalcançável — respeito, mas sei que essa corrida custa mais energia do que tenho.

Talvez seja hora de silenciar um pouco a câmera e deixar a escrita falar. Aqui, ao menos, as ideias encontram terreno fértil.

Nos vemos no próximo texto. Que ele não tarde.


"Competindo" e filmando (detalhe para a GoPro instalada sob o guidão da bike). Pra que, Senhor?



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