outubro 27, 2025

Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava.

Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito a um longão solitário de 21 quilômetros por Curitiba. E muita bicicleta — coisa de uns 700 km por mês, girando pensamentos junto com os pedais.

Troquei de bike, muitos de vocês já devem saber.

Não para “correr de bike”, mas para ter um equipamento que me acompanhe numa preparação física mais exigente, mais honesta comigo mesmo.

Até participei de uma prova de 35 km de gravel e de três etapas da Copa Evolue. Por um momento, cogitei levar o ciclismo a sério, treinar mesmo, pensar em provas de ultradistância — essas loucuras longas que sempre me atraem, seja correndo ou pedalando.

Mas, no fim, percebi que não é bem por aí.

A bicicleta e a corrida em trilha são, pra mim, expressões de liberdade.

Por mais que admire e estude métricas, que analise frequência cardíaca, pace, altimetria, gordura corporal, HRV — tudo isso me fascina — ainda assim, nada substitui a sensação simples de estar livre.

O vento, o barro, a poeira, o suor e o silêncio.

Então não, não dá pra pensar só em performance.

Até porque a terceira idade já acena de longe (e, sinceramente, não tenho pressa em chegar lá correndo).

Correr livre pelas trilhas e pedalar livre pelas estradas — esse é o meu caminho.

Somente o meu.

Não precisa ser o de mais ninguém.

Cada um tem o seu jeito de buscar sentido, ou pelo menos deveria ter.

Não quero ditar regras, não quero ensinar nada.

O que eu quero é só compartilhar vivências, dividir o que o corpo sente e o coração traduz.

Talvez espalhar um pouco de leveza digital nesse mundo saturado de gente fodona, de gente tentando correr mais rápido, pedalar a melhor bike, bater o próximo recorde, nem que seja de likes ou de views.

Eu sigo firme — ou melhor, sigo leve — criando esse conteúdo misto de trilhas e gravel bikes, onde o que vale é o movimento, não a medalha.

E, sim — em 2026 deverei voltar a correr algumas provas de trail running.

Pelo amor ao que sempre me moveu: a vontade de estar em meio à natureza, com o corpo cansado, alguns bons amigos e a alma desperta.

Uma boa semana a todos.

E que ela venha com vento no rosto e pés sujos de terra. 




outubro 20, 2025

Copa Evolue de MTB 2025 4.a Etapa Cat. Gravel - Almirante Tamandaré/PR

Hola, que tal?

Nunca fui muito afeito às competições de ciclismo. Sempre achei o ambiente um tanto testosterônico demais — e, confesso, tenho dificuldade em criar laços de amizade com homens. Essa coisa do “brother”, da parceria, da cumplicidade… sempre me escapou. Desde cedo, encontrei mais leveza na companhia feminina — e não falo de romance, nem de paquera. É outra sintonia.

Mas isso tem mudado.
Os pedais de sábado com os clientes da Bike4U, e os treinos das quartas-feiras com o Antony e o Paulo Boing, têm me mostrado um outro tipo de convivência. Neles encontro um companheirismo verdadeiro, sem competição disfarçada de amizade. Um vínculo que talvez sempre tenha me faltado.

O ciclismo competitivo — especialmente o MTB aqui no Brasil, onde o ciclismo de estrada respira por aparelhos — sempre me pareceu um território masculino demais.
Não apenas em números, mas em energia.
Enquanto a corrida de rua e o trail já se equilibram entre gêneros, o MTB ainda carrega esse ar de “ser o mais forte”, “o mais bruto”, “o invencível”. Uma bobagem egocêntrica que sempre me pareceu coisa de criança birrenta brincando de adulto.

Corri provas de MTB lá em 2005 e 2006 e a sensação era a mesma.
Mesmo depois, trabalhando no meio, essa impressão se manteve.

Em 2018, participei da primeira prova com categoria Gravel Bike aqui no Paraná — a pioneira Milk Race.
Depois, em 2022, encarei uma etapa da antiga Copa Soul.
E agora, em 2025, decidi voltar a competir — mais por estratégia de marketing da Bike4U do que por ambição pessoal.

Pra minha surpresa, encontrei um ambiente diferente.
Mais leve.
Talvez eu tenha amadurecido, talvez o público também.
Talvez um pouco dos dois.

Domingo, 19 de outubro, foi a quarta e última etapa do campeonato.
Três atletas na categoria gravel masculina. Nenhuma mulher.
Zero surpresa.

Decidi ir pedalando até a largada: 15 quilômetros sob uma manhã estranhamente gelada, rumo a Almirante Tamandaré. Nove graus, o sol ainda tímido, duas longas subidas que me acordaram o corpo e o espírito.

Lá encontrei o Boing. Montamos juntos nosso pequeno “circo” da Bike4U — tenda, risadas, café quente e aquela camaradagem que vai aquecendo o dia devagarinho.

O frio e o vento teimavam, mas eu estava tranquilo.
Zero expectativa de desempenho.
Só queria estar ali — inteiro — entre amigos.

O percurso: 35 quilômetros e cerca de 750 metros de ganho. Um sobe e desce constante, trechos ainda úmidos das chuvas, mas sem maiores perrengues.
Dessa vez, pude aproveitar tudo o que uma gravel oferece: conforto, controle, prazer.
A recém-adquirida Caloi Arenita se comportou lindamente — talvez um pouco pesada, mas perfeita pra o que realmente busco: viagens, estradas de terra, horizontes longos.

Saí da prova com o coração leve.
Não sei se seguirei competindo — há sempre uma cobrança interna, um sussurro que pede mais.
Mas sei, com certeza, que amo pedalar.
E que ainda há muitos quilômetros de terra e silêncio me esperando por aí.

Ah, e voltei pedalando — do melhor jeito possível.
A Pati Fontana foi me encontrar depois da prova, e fizemos juntos os 20 quilômetros de volta, sem pressa, só deixando o domingo passar por nós.

Um relato mais emocional do que técnico, do meu jeito — talvez o único jeito que eu saiba escrever: com o coração pedalando junto.

Nos vemos no próximo texto.
Bons pedais e boas corridas.












Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava. Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito...