La Mision Brasil Serra Fina - O que usei por lá

Oi turma.

Há algum tempo que amigos montanheiros sempre comentam comigo para eu informar o que tenho utilizado nas provas, como base para que cada um também possa analisar e fazer suas escolhas. Pois bem, a partir desta Half Mision Brasil, começarei a postar por aqui o equipamento, acessórios e alimentação que tenho utilizado em cada uma das competições e eventos que participo, ok? Também acho importante esse compartilhamento de informações e estou sempre ligado no que aqueles atletas que admiro, profissionais e/ou amadores estão fazendo tanto para melhorar sua performance como para desfrutar melhor a montanha.

Vamos lá, espero não esquecer nada, rs. Na foto abaixo, TUDO que levei comigo para esta competição, com expectativa de finalizá-la em até 24 horas. Analisemos:


Bem, quase tudo... Faltou o capacete. Sim, capacete. Equipamento obrigatório da La Mision. No caso, usei um capacete de ciclismo Louis Garneu X-Lite que, como sugere o nome, é super leve e bastante ventilado. Ótimo!

Vamos lá, equipo por equipo com notas, rá!

Tênis: Salomon XR Crossmax II - Desempenho satisfatório para as condições de prova. Não é meu tipo de calçado preferido, apesar de já ter avaliado muito bem anos atrás o modelo XR Crossmax Neutral para o site TrailRunning BRASIL onde sou editor. Os tempos mudaram e o tênis também. A Salomon não conseguiu repetir neste modelo a qualidade que o anterior tinha. A meu ver, foi um caso de "regressão" ou "involução". Preferia o modelo anterior. Vale lembrar também que atualmente prefiro calçados com muito menos estrutura do que esses mais tradicionais oferecem. Por já estar correndo há algum tempo com tênis tipo "natural running", calçar o Crossmax II me fez parecer que usava tamancos. No entanto, para uma prova com 22 horas de duração, esta característica foi muito apreciada: pés protegidos e intactos no final do período, algo que certamente não aconteceria se usasse meus leves calçados para menores distâncias. Nota 8.

Meia: Louis Garneau Compression Sock. Excelente custo-benefício. Paguei em torno de R$ 130,00 uns dois anos atrás e até hoje ela continua prestando bons serviços. Acredito que infelizmente não esteja mais disponível no mercado nacional. Quase não uso mais esse tipo de produto, mas como se tratava de prova de longa duração, preferi utilizar. Segurou bem a onda e além de manter panturrilhas em ordem, cuidou muito bem dos pés. Nota 10.

Calça: Kalenji 3/4. Gosto de meias assim, 3/4. Protegem os joelhos e não esquentam demais quando utilizadas conjuntamente com meias de compressão. Preço módico, em torno de 70 reais a torna ótima escolha. Sinto falta apenas de uns bolsos laterais... Nota 7.

Cueca: Lupo. A famosa cueca da sorte, aquela que já esteve comigo em todas as minhas maratonas e ultramaratonas desde 2009, bem como nas subidas aos cumes andinos Além de outras conquistas, é claro. Vale lembrar que este item só utilizo para os grandiosos eventos ;) Nota 10.

Pochete: Deuter Neo Belt. Em neoprene e dois zíperes, acondicona muito bem o telefone celular, que também funcionou como câmera digital. Perfeita. Nota 10.

Camiseta: La Mision Brasil by Km10sports. Camiseta em poliamida bem simples, mas que atendeu bem à necessidade de ser respirável e leve. Era item obrigatório, ou seja, todos os atletas correram com ela. Não leva 10 porque a durabilidade parece ser ponto fraco. Nota 7.

Camiseta Manga Longa: Segunda Pele Curtlo. Também item obrigatório, cumpriu bem a função de aquecer e permanecer transpirável nos pontos mais gelados da prova. Leve e fácil de vestir, ótimo caimento no corpo. Nota 10.

Jaqueta Impermeável: Salomon Paclite. Jaqueta que possuo desde 2007, certamente já deve existir coisa superior no mercado. Não choveu, então pouco posso dizer se sua impermeabilidade ainda funciona. Quando precisei para me proteger do vento, funcionou super bem, apesar de não ser tão anatômica. Nota 8.

Mochila: Deuter Pace 20. Mochila de capacidade suficiente para transportar todo o equipamento obrigatório, água (em um reservatório Curtlo de 2 litros) e comida. Super anatômica, leve e com um zíper de acesso integral. Melhor escolha, impossível. Nota 10.

Lanterna de cabeça: Princeton Tec Apex Pro. Um verdadeiro "canhão de luz". Inúmeras regulagens que me permitiram poupar pilhas quando não era necessário tanta iluminação e utilizar potência máxima na técnica descida da Pedra da Mina para o Paiolinho. Utiliza duas pilhas CR123, um pouco difíceis de encontrar e caras aqui no Brasil. Comprei da China e foi ok ;) Nota 8.

Óculos: Shimano S20X. Bom óculos, não tão caro assim. Óculos é questão de gosto pessoal, então fica complicado meter o bedelho... Nota 8.

Telefone Celular: Sony Xperia P.  Bastante rústico, para um smartphone. Mantive desligado, obviamente, para salvar bateria. Não me comuniquei com ninguém através dele enquanto estive na prova, mas fiz boas imagens, inclusive vídeos. Aprovadíssimo: Nota 10.

Bandana (Buff): K42 Bombinhas e Ecohead. Levei duas unidades. Ambas similares, em tecido sintético e que cumpriram muito bem suas funções de manter a cabeleira longe do rosto no vento e de proteger um pouco do frio do amanhecer. Nota 10.

Trekking Poles: Azteq (não lembro o modelo). Em alumínio suuuuper leve. Menos de 70 reais, sem necessidade de gastar centenas de dilmas em modelos tecnológicos. Levei apenas um, pois sabia que carregar dois deles em trechos de trilha fechada seria inconveniente. Pareceu um pouco frágil mas sobreviveu. A ver cenas dos próximos capítulos. Nota 7.

Kit Primeiros Socorros: Deuter S. Pequeno e acondicionou o material necessário. Foi pro trono! Nota 10.

Alimentação: Preparei o esquema de alimentação de forma bem conservadora, baseada em pacotes separados com 300 kcal por hora. Ou seja, 24 pacotes separados, feitos com sacos plásticos tipo Zip-Loc. Foi bem conservador porque este cálculo foi feito com base nas minhas necessidades em atividades intensas. Isso se traduziu em muita sobra de comida e mesmo inapetência no final de prova. Como a intensidade de esforço era baixa, poderia ter consumido pouco menos de 200 kcal por ora que estaria bem alimentado. Os kits foram montados utilizando alimentos diferentes entre si, aleatoriamente. Consistiram de itens tão díspares como biscoitos Club Social, tâmaras secas, uvas passas, biscoito recheado Bono chocolate, castanhas-do-pará, amêndoas secas e salgadas, paçoca, suco Tang (para indignação dos detratores chatos), damascos secos e bananas secas. Durante o percurso me foi oferecido também um gole de cerveja em um festerê que rolava no Paiolinho. Aceitei, mesmo sem saber a origem. Pelas risadas que se seguiram, devia estar "batizada". Fora isso, teve a sopa lá no km37 ou 38. Foi ótimo. Alimentação 100% vegana e livre de suplementos mágicos, géis energéticos, cápsulas de sal, remédios - presenciei um atleta tomando ibuprofeno - e, principalmente, de drogas para aumento da performance, coisa de perdedores de nascença, aqueles que já se assumem inferiores e por isso se drogam. Ficou o aprendizado sobre como lidar com essa sobra de alimentos para futuras atividades longas. Nota 8.

Hidratação: Água. Pura e simpelsmente. E tomei dois pacotinhos de Tang, o supra-sumo do sabor agradável em atividades de longa duração, perdendo apenas para uma coca-cola bem gelada ;) Nota 9.

Demais itens: pilhas, apito, fé, coragem e esperança!

Até La Mision 2015!

Comentários

  1. É sempre bom contar com suas experiências Pepe, com certeza vai ajudar muitos correodores que estão migrando para as montanhas...parabéns..

    Bons treinos,

    Jorge Cerqueira
    Ultramaratonista
    www.jmaratona.com

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    Respostas
    1. Olá Jorge!

      Obrigado pelas palavras. Conte sempre comigo nessas colaborações.

      Grande abraço!

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  2. Achei bacana o suco tang e tbm não utilizar geis... costumo usar uva passa, paçoca, biscoitos, castanhas do pará...
    Usei géis na KTR intercalado com os outros alimentos, foi bom, nunca tive usado! Mas prefiro não usar géis! Vou experimentar o Tang... deve ser bom mesmo!!!
    Valeu por compartilhar!!! abraço

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  3. Grande Valmir! Obrigado pelo comentário. Se houver tempo para aquela paradinha e fazer um Tang recomendo =D A Half foi uma prova de 22 horas, tinha todo tempo do mundo. Tem horas que só água pura não desce mais. Valeu, abração, nos falamos.

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  4. Bom post. Vai ser bem útil pra minha primeira prova longa de trilha. Continue postando o equipamento que leva nas suas próximas provas, Volpão! Abs

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