Pular para o conteúdo principal

Just my two cents sobre o espírito trail run

É coisa rápida. É só para pensar e, quem sabe, identificar-se ou não.

Minhas duas últimas participações em provas de trail run - atleta na APTR Paraíba do Sul e staff no Trail dos Ambrósios - e as observações que faço do comportamento do atleta médio deste tipo de prova.

O que observo é que, felizmente, a grande maioria vai lá para curtir. Isso me deixa bastante contente e satisfeito. O que me encanta é gente que vai correr na montanha porque gosta de está na montanha. O que me enoja um pouco é gente que vai correr pelo pódio ou pelas glórias. Há uma linha bastante tênue entre esses dois extremos. Afinal, quem não gosta de chegar na frente e superar a si mesmo ou aos colegas de atividade? É nosso instinto competitivo que aflora, é questão de evolução das espécies... Eu mesmo já tive oportunidade de pisar no alto de pódio de corridas de montanha e achei divertido.

Mas não é, sinceramente, por isso que alinho na largada de uma prova. É apenas por poder ter a oportunidade de estar lá. De conviver e compartilhar as trilhas com novos e velhos amigos.

Com o atual boom das corridas de montanha e o aparecimento de todo tipo de gente nestas provas, situações desagradáveis para mim também começam a surgir, coisa que poucos anos atrás não ocorria. 6 anos atrás, simplesmente alinhávamos atrás de uma marca de cal e largávamos para nos DIVERTIR em montanha. Chegar na frente ou atrás de um colega era motivo apenas para gracinhas, não para esnobismo e egocentrismos. Uma falha de certo organizador ao não conseguir autorização de um proprietário para a passagem da prova em suas terras e consequentemente porteira fechada com cães ferozes soltos era apenas mais uma adversidade que superávamos com bom humor e uma conversa educada e direta. Não era com bravatas internéticas, nem com protestos vazios, nem resolvidas com a ingestão de substâncias proibidas para aumento de performance.

Portanto faço um convite: se você vai a uma corrida de montanha porque quer chegar na frente a qualquer custo, procure outro esporte. Nós, centenas de nós que vivemos o real espírito trail running, não iremos bater palmas para você.

Fica a sugestão de vídeo abaixo:

"It's not all about winning races or doing well in races, it's about what running means to me."

Algo como,

"Não se trata de vencer corridas ou ir bem nelas, é sobre o que correr significa para mim."

Pensemos!

Abraços.


Comentários

  1. Sábias palavras caro amigo, sou novo no esporte, e já apaixonado pelas montanhas. Leio muito sobre, e pode ter certeza, levo comigo a essência da corrida. Ela mudou minha vida,vivo com uma filosofia diferente hoje, e tento passar da melhor maneira possível para os outros. Grande abraço, pode ter certeza que estamos juntos nessa :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Roberto!

      Obrigado pela visita, leitura e comentário. Bacana poder compartilhar os pensamentos e ter este retorno. Abração e tamo junto!

      Excluir
  2. Felizmente essa vibe de correr "for fun" persiste no meio de nós! baita texto ;)

    Grande Abraço

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Specialized Hardrock Sport Anos 90

Oi! Com esta bike consegui, de certa forma, realizar um sonho de adolescência: pedalar uma mountain bike com quadro de cromo-molibdênio e geometria clássica dos anos 90. A bem da verdade, lá por 1996 eu pedalei por alguns meses com uma Scott Yecora e mais recentemente, em 2014 uma Trek Antelope 800. Mas ambas tinham apenas os três tubos principais em cromoly. Esta Specialized Hardrock Sport eu consegui na Jamur Bikes, sendo trazida recentemente dos Estados Unidos pelo próprio Paulo Jamur (proprietário da loja e meu boss), que se encantou pela bike e seu estado de conservação. Quando ele colocou a bike à venda na loja, não me fiz de rogado. Era a chance de ter uma bike em cromoly e praticamente original dos anos 90. Na verdade comprei esta bike como alternativa para transporte urbano, uma vez que a Format 5222 (da qual pretendo fazer uma apresentação em post futuro) que "gravelizei" eu pretendia deixar somente para atividades esportivas. Mas gostei

Só o CUme Interessa - Piada Escrota

Bah, nem é piada. Acho que isso se chama cacofonia, que é quando alguma coisa dita de um jeito dá a entender que é outra coisa. Entendeu? Ah, eu também não, hehe. Enfim, não é o que importa. To escrevendo essa parada, porque li um post no blog que os colegas Bonga e Tonto montaram para divulgar sua expedição no Ama Dablam, uma das mais belas e cobiçadas montanhas do Himalaia. Este cume não é dos mais elevados nem dos mais tecnicamente exigente. Mas o Ama Dablam é lindo! Quem não gostaria de pisar em um cume assim? Lindo, majestoso, imenso... Confira abaixo: Pois é... com seus quase sete mil metros trata-se de uma cobiçada montanha, objeto de desejo de muitos. Porém, o que rola desde princípio dos anos noventa são os turistas de montanha. Nada contra eles, pelo contrário. Servem para impulsionar uma atividade ecologicamente correta, movimentar economia, transferir renda e trazer qualidade de vida para quem pratica e/ou depende dela. Porém, tudo em exagero tem um porém - to meio engraç

Guia de Trilhas - Morro do Anhangava (parte I)

INTRODUÇÃO Saudações. É com prazer que publico aqui um mini-guia para corrida de montanha no morro do Anhangava, originalmente publicado no antigo site  TrailRunning BRASIL . MORRO DO ANHANGAVA Localização O Morro do Anhangava e seus 1.420 metros de altitude, está localizado nas proximidades da localidade de Borda do Campo, distrito do município de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, a aproximadamente 35 quilômetros da capital paranaense. O local é considerado um campo-escola de montanhismo, pois conta com trilhas para caminhada e corrida, bem como vias de escalada em rocha de todas as dificuldades. Chegando lá de carro: Deixe Curitiba pela BR-116 sentido São Paulo, seguindo até o trevo de Quatro Barras, cuja sede municipal pode ser visualizada à direita. Saindo desta rodovia, você chega ao centro da cidade. Siga as placas que indicam Borda do Campo e Morro do Anhangava à direita, onde você acaba tomando a PR 506. Em poucos quilômetros, pl