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O Trail Running e o Fodão da Ultraquilometragem Stravística

Oi!

Bah, eu já me achei um desses. Um fodão da ultraquilometragem stravística. Quem tiver tempo e paciência pode vasculhar o blog onde escrevo sobre corridas de montanha desde 2007.

Tanto tempo depois é fácil olhar para trás e ver que escolhas diferentes poderiam ter sido feitas. Hoje é claro como água para mim que eu fui com sede demais ao pote. Deveria ter feito um progresso mais gradual nas distâncias.

Corri minha primeira maratona (de rua) em julho de 2009. 40 dias depois eu estava em Bombinhas para a primeira edição da K42 Bombinhas, atual Indomit Bombinhas. 

Lembro bem que lá me empolguei e na segunda-feira seguinte me inscrevi no Desafio Praias e Trilhas para insanos 42 quilômetros de trilhas em um sábado e mais o mesmo tanto no domingo.

Bichinho da maratona em trilha me picou forte. De lá em diante foram mais 4 edições da K42, mais uma Maratona Ecocross Brasília e duas ultramaratonas em trilha (uma com 50 km no Chile e a primeira edição da Half Mision Brasil 80 km em 2013). Teve também as maratonas em asfalto: Curitiba por 3 vezes e Foz do Iguaçu por uma vez.

Novamente, quem me acompanha há tempos aqui sabe que em novembro de 2013 eu rompi o ligamento cruzado anterior do joelho direito em um treino.

Optei por não fazer cirurgia e consegui voltar a correr sem muitos problemas de joelho. 

Problema mesmo era a minha cabeça.


E agora nem preciso olhar assim tão para trás. Até a semana passada, acredite, eu me sentia um derrotado. De verdade.


Acabei me inscrevendo na Indomit Bombinhas 12 km deste 2019 apenas para me divertir e estar com amigos das antigas que encontraria por lá. Era pra ser apenas isso. Porque lá dentro, me sentia um fracassado. Alguém que já havia feito tanta coisa "legal", "cool", "admirado", um dos fodões da ultraquilometragem stravística". Depois eu retornaria à minha insignificância auto infligida. Afinal, é muito mais "fácil" se acomodar. Acender a luz incomoda quando se está na escuridão.

É claro que isso não acontecia de forma consciente. Nem a egotrip de ser um ultramaratonista de trilha querido por todos (quem não gosta de se sentir admirado que se olhe no espelho agora e repense), tampouco a sensação de derrota por praticamente ter parado de correr.

Nesses anos todos, qualquer intercorrência era motivo para me achar um derrotado: o joelho que incomodava eventualmente (às vezes me surpreendia com outra pequena entorse devido à instabilidade mal tratada), a lombar cansada de anos e anos de má postura no trabalho e nos esportes, a falta de energia devido a uma alimentação desequilibrada, os eventuais arroubas de vida louca regada a cigarro álcool y otras cositas más... enfim, uma sucessão de eventos que me faziam sentir exatamente assim: um lixo, um ex corredor de trilha pançudo com a barba ficando branca, um perdedor.

A chave virou depois dos 12 quilômetros dessa Indomit. Bombinhas sempre foi muito especial, o pessoal por lá também: atletas, organizadores, etc.

A chave virou pois eu saí vitorioso. Venci meus medos de não conseguir mais correr com prazer, com segurança e, principalmente, com alegria.

A chave virou porque encontrei pessoas realmente muito caras que estavam VERDADEIRAMENTE felizes em me ver fazendo parte disso tudo de novo.

Entender que ser feliz nesta atividade que amo não tem a ver com a quilometragem percorrida mas sim com a emoção sentida. Isso também me fez virar a chave.

Entender que o discurso derrotista que eu me impingia era uma covardia e uma fraqueza que não cabe a qualquer ser humano também me fez virar a chave.

Eu NUNCA em minha vida me emocionei tanto em uma atividade esportiva. Sem dúvida estar lá neste final de semana, correr bem, dentro das minhas capacidades físicas e de forma tão pura e fluida, foi a minha maior vitória desta carreira.

Não cabe e não há mais espaço para esse tipo de derrota. Que é a pior, convenhamos. Aquela derrota de quem sequer luta com as armas que tem à mão.

Eu vou até o fim e o mais legal disso tudo é que esse "caminho" até o "fim" é simplesmente aquilo que fazemos das nossas vidas.

No próximo post serei mais sintético e preciso sobre minhas expectativas com relação ao trail running, sobre voltar ou não às longas distâncias na modalidade e muito mais.

Meu eterno agradecimento àquelas pessoas que foram fundamentais nesse meu renascimento como ser humano.

Forte abraço a todos vocês!


Obrigado, Juan. Renascemos. Você é o cara!

Vivaz como um Leão, sem você isso tudo não faria sentido. Gratidão eterna!


Comentários

  1. Parabéns meu amigo, é isso aí, desistir jamais.Abs.

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  2. Valeu Milton. Desistir não é mais opção. Abração!

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