Review - Brooks Green Silence

julho 22, 2010

O nome já parece bastante imponente para um mero tênis: Brooks Green Silence. O nome vem da alusão à duas características desse calçado.

A primeira delas é a preocupação ecológica em sua construção, como o uso de borrachas recicladas em sua construção, tintas à base de soja e até mesmo o cadarço feito de materias reutilizados. Na verdade, 75% do calçado é feito de materiais reciclados. As tintas utilizadas são não-tóxicas ao meio ambiente e inclusive a caixa em que ele é apresentado é feita de papel reciclado. Trata-se de uma preocupação que acho bastante pertinente e coerente com minhas ações durante minha passagem neste planeta. Mais informações você pode encontrar (em inglês) na página do fabricante norte-americano: http://www.brooksrunning.com/Green+Room/

A segunda característica marcante neste calçado está na segunda palavra de sua nomenclatura: Silence. É um calçado silencioso, onde quase não se ouve seus passos ao se correr e isso tem a ver com sua construção. Sendo mais direto: é um calçado minimalista!

Pesando apenas 190 gramas e com um design típico dos "Flats", aqueles calçados voltados para a elite comeptitiva. Tenho cada vez mais investido em tenis com design minimalista, aproveitando-me da ótima experiência que tenho obtido ao correr descalço ou quase.



Correr com um tênis "flat" é quase como correr descalço. Estou longe de ser um atleta competitivo ou de elite, sendo até mesmo bastante lento nas provas mais longas. Usar um tênis como o Brooks Green Silence talvez não me proporcione melhores tempos nas provas, e nem é isso que busco. O que quero da corrida é sensação de prazer e menor risco de lesões, tão comuns hoje em dia, muitas vezes causadas por calçados inadequados.

Calçar um Brooks Green Silence faz com que, automaticamente, mudemos a nossa passada, saindo daquele esquema convencional de aterrisar com o pé na parte do calcanhar e ir rolando até a "decolagem" com a parte frontal. O Green Silence é bem baixinho e faz com que a gente acabe correndo como se estivesse descalço, pisando com o pé chapado, exatamente como deve ser, fazendo que as panturrilhas atuem como amortecedores naturais.

Os tênis cheios de amortecimento e controles de pronação do mercado atual, além de causarem lesões - conforme a própria Nike admitiu recentemente - torna nosso organismo dependente de algo que não precisamos de fato: amortecimento dos tênis. Temos nossa musculatura, nossa estrutura corporal desenvolvida ao longo de milhões de anos de evolução. Isso não pode ser negligenciado diante dessa tecnologia de calçados que nos enfiaram goela abaixo nos últimos 40 anos, com o surgimento dos calçados com "air", "gel" ou qualquer outra idéia ridícula de que calçado deve ter amortecimento.



Bem, voltando ao calçado Brooks Green Silence (às vezes me empolgo no discurso anti-tênis). Vamos por partes:

Visual:

Cores berrantes, bem ao meu gosto. Acho um porre essa coisa do tênis ser branco com amarelo, branco com azul, aquela coisa muito banal. Mas o que mais me chama atenção é sua assimetria. A passagem dos cadarços, a inversão de cores em cada pé... Isso tudo achei fantástico! Uma sola é amarela e outra é vermelha! A língua do tênis também é diferente, inteiriça. Enfim, um calçado com visual moderno e arrojado, que com certeza provocará muitas perguntas de seus amigos corredores.

Nessa imagem é possível ver os detalhes assimétricos.

Calçando-o:

Ao retirá-lo de sua embalagem e ao calçá-lo vem a sensação óbvia: Cacete, que tesão de tênis! No meu pé caiu excepcionalmente bem, sendo que adquiri o número 42, igual todos os outros modelos de outras marcas que eu uso. Caiu certinho. Os primeiros passos me deram uma gostosa e confortável sensação de leveza. Pudera, apenas 190 gramas cada calçado... Diria que é quase como se não estive usando nada, quase descalço mesmo.

Performance:

Até a publicação deste post eu fiz apenas um treino (o suficiente para me encantar com ele) de 15 km. Já nos primeiros passos você naturalmente começa a correr aterrisando o pé de forma chapada, bem no meio do pé, ao contrário das corridas com tênis convencionais, onde aterrissamos com o calcanhar. Praticamente não se sente as imperfeições do solo mas ao mesmo tempo se tem uma ótima resposta aos seus movimentos. O tênis parece mesmo fazer com que você imprima uma postura mais correta, com o corpo ereto e um pouco adiantado, buscando uma passada mais curta, porém mais eficiente. mesmo com tênis recém-saído da sua caixa, nada a declarar com relação a bolhas, costuras incômodas ou qualquer outra situação desagradável. Recomendo assistir esse video que rola na internet, com o Brooks Green Silence em ação.



Vale também lembrar que Scott Jurek (na foto ao lado, durante o mundial de 24 horas), considerado o melhor ultramaratonista desta década, usou o Green Silence para bater o recorde norte-americano das 24 horas durante Campeonato Mundial realizado na França agora em 2010. Scott correu 266,677 km, o que demonstra que esse tênis não é adequado apenas para curtas distâncias ou treinos de tiros, como muita gente poderia pensar. Quer mais? Além do Ultra Scott Jurek, a Brooks patrocina ninguém menos que Chrissie Wellington, simplesmente a melhor triatleta de Ironman da atualidade. Mais performance? Brooks é também um dos patrocinadores do Valmir Nunes, atual recordista da Badwater 135, prova já vencida também por Scott Jurek, mas que teve seu tempo batido pelo santista patrocinado pela mesma marca em 2007.
Também, não podemos esquecer que este calçado, mais que um "racing flat" é considerado um calçado minimalista, sendo muito elogiado pelos corredores do movimento dos pés descalços no exterior, por ser o calçado que mais se aproxima da sensação de se correr descalço, o que comprovadamente reduz a quase zero o risco das lesões comuns aos corredores com tênis convencionais.
Impressões finais e pessoais:

Um tenis muito massa! Depois de correr com um tênis com essas características de leveza, beleza (isso é relativo e pessoal, rs) e "barefoot feeling" fica muito difícil consegui correr com tênis convencionais como os que eu usava, tipo Mizuno Prorunner ou Salomon XT-Wings. Falando nisso, vale lembrar que o Green Silence é tênis para asfalto, nada de trilhas com ele, pois o solado é bem liso e não vai te segurar nos barrancos.

Sou corredor de trilhas, mas também curto umas corridinhas no asfalto. E nestes casos, eu vou, com certeza, de Brooks Green Silence!

Espero de verdade que a Brooks tenha vindo para ficar em nosso país.

Abraços!

Vale uma leitura!

10 comentários

  1. Grande Pepe !!!
    Cara, sou fã do Brooks. Já tive dois Glycerin 5. O tenis é perfeito.
    Parei de usar, porque não é fácil encontra-lo no Rio.
    Abs.

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  2. George Volpão, ou Pepe! Fiquei muito feliz de vê-lo retornar ao Twitter. Você fez muita falta nesse período de ausência. Adorei a matéria sobre o Brooks. Agora vou ter que garimpar as lojas e ver se alguma delas vende, pois quando pergunto sobre os tênis minimalistas parece que estou falando grego: "tênis o quê!?" - me perguntavam nas lojas. Forte abraço, @JoelMaratonista

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  3. Buenas Xampa!

    Sempre fui um admirador á distância do brooks. Depois de ler muito a respeito e entender a idéia do grren Silence resolvi encarar. Simplesmente perfeito. que venham, os próximos! Abraço.

    Salve Joel!

    Tamo de volta. As vezes é bom dar um tempo :) Comprei meu Green Silence na Velocitá, via internet e o atendimento foi exemplar. Esse tênis em específico não achei em nenhum utro lugar do Brasil, infelizmente. Se tivesse na loja mais um 42 (meu numero) teria comprado outro, rs. Nos EUA custa 100 USD, de repente é o caso de conseguir alguém por lá pra trazer. Enquanto isso vou esmerilhando o meu, que é sensacional. Fica apenas a dica de fazer a transição para esse tipo de calçado com bastante cautela, já que a pisada é diferente e, principalmente, as panturrilhas sentem o baque!

    Abração e cogite correr a maratona qui em ctba :)

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  4. Pepe, onde vc encontrou para comprar? Abraços de BH!
    marco V Hermeto

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  5. Salve Marco! Comprei o meu na Velocitá, por sinal a unica loja onde o encontrei aqui no BR.

    Grande abraço!

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  6. Volpão, muito obrigado, li seu review e comprei o brooks, achei-o inacreditavel!!! Sempre questionei a forma de pisar dos tenis convencionais, sempre acreditei que estavamos agindo contra nossa fisiologia... Enfim, agora estou à espera do Newton para conjugar com o Brooks. Muito Grato!!
    Jorge - Niterói/RJ

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  7. Bah! Covardia por o cara correndo com Blowing the Wind e pisando com o antepé numa trilha de terra... impossível não comprar... Acabei de pedir o meu. Valeu a dica!

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  8. Salve Jorge, salve M. Ângelo.

    Obrigado pelos comentários. Com certeza vocês complementam o post, incentivando ainda mais a galera a provar essa "nova" maneira de encarar as corridas.

    Grande abraço!

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  9. Volpão, me diz, e em relação aos tênis para trilhas, qual seria a opção mais "barefoot feeling"?
    Que me diz do MT100 do New Balance? Dá para dispensar os Salomon, haja vista que ainda não dispões de nenhum modelo com esse conceito?
    Abraços e parabéns pelo Blog!

    Jorge

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  10. Salve Jorge!

    Pra trilha acho que o MT100 é o canal. Saiu um novo p New Balance Minimus Trail...coisa fina mas acho que só nos EUA, por enquanto. Na verdade aqui no Brasil não tem quase nada dessas coisas. Tava lendo na Trail Runner Magazine deste mês uma materia com mais de 10 calçados no esquema mínimo para trilha, de diversas marcas. A Salomon ainda nao mexeu nessa área...vamos ver o que rola. A principio o MT100 é o precursos no Minimus. Abraço e obrigado pelas palavras =)

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