Pular para o conteúdo principal

O Meu Aconcágua

Olá senhoras e senhores, tudo bem com vocês?

Nesta temporada, uma atleta argentina anunciou que faria uma tentativa de "Récord 360 del Aconcágua", que se trata de entrar subir a rota por Vacas e descer por Horcones (entendedores entenderão). É literalmente um 360 graus na montanha, fazendo seu cume a partir da trilha onde as duas rotas se encontram no Campamento Cólera. Segundo a "atleta", foi lá e fez.

Infelizmente surgiu grande polêmica a respeito do feito, uma vez que não se podia confirmar o cume através de fotos. Mas o que mais entristece são os relatos de quem estava na montanha na ocasião. Montanhistas que lá estavam relataram o profundo desrespeito desta senhorita com a montanha e com os montanhistas locais, menosprezando seu trabalho e classificando-os como "lentos", "cheios de roupas" e "vestidos como astronautas", que não podia acreditar que se levava normalmente de 18 a 20 dias para fazer essa rota que ela almejava completar em 48 horas. Enfim, comportamento patético.

Um texto sobre o assunto pode ser lido (em espanhol) aqui.
.
.
.
O respeito à montanha pelos ditos atletas é algo que sempre cobrei e irei cobrar. Estou nas montanhas desde 1995 e com o boom das corridas em montanha que começou no início da atual década, observei que boa parte dos ditos atletas pouco ou nada contribuem para a conservação dos lugares onde mais importa a foto para as redes sociais do que o respeito aos demais visitantes, ao ambiente e à tradição.

Atualmente, estou afastado das agremiações de montanha que são responsáveis pelos mutirões de conservação e manutenção de trilha. Já participei de alguns em tempos passados e sempre que vou à montanha tento fazer o que é possível: não deixar rastros e ainda recolher algum tipo de resíduo que encontre, ou carregar por um trecho alguma pedra deixada nos depósitos criados por estes montanhistas, visando a manutenção das trilhas. Não fosse por essa turma unida e dedicada, não haveria trilhas para vocês corredores tirarem suas fotos e se desafiarem. Respeito!

E para concluir, o "meu Aconcágua" que sonho desde os meus 11 anos de idade é esse: com pessoas justas, éticas e com profundo respeito à montanha e sua história. Justamente por isso, que ainda não me sinto digno de pisar em seu cume. Ainda tenho muito o que evoluir como ser humano para o tão sagrado momento de estar nas encostas da Sentinela de Pedra. Fiz essa imagem do Aconcágua em fevereiro de 2009. Foi o mais perto que consegui chegar dele até então :)

Forte abraço, boas montanhas e perdoem-me o desabafo =)
.
.
.
"Las competencias no son por las marcas, el tiempo, es superación personal y saber reconocer para que estamos preparados, y si nos caemos, levantarnos y trabajaras más duro para lograrlo."

“En la cumbre del Aconcagua no hay nada, sólo una cruz, la satisfacción de llegar, es revivir lo que pasamos para poder llegar”

Carlos Matías Sergo Pezoa





Comentários

  1. Excelente texto.
    Parabéns, pela iniciativa.

    ResponderExcluir
  2. Oi Marcelo. Pow, muito obrigado pelo retorno. Estamos juntos. Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  3. Muito bom o texto Volps! Simplesmente ridículo o comentário dessa infeliz!!! Só existe trail run porque existe montanhismo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bah... Um desrespeito que poucas vezes tive conhecimento. Mas, sigamos compatilhando boas experiências e fortalecendo a cena. Valeu, abração!!!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Specialized Hardrock Sport Anos 90

Oi! Com esta bike consegui, de certa forma, realizar um sonho de adolescência: pedalar uma mountain bike com quadro de cromo-molibdênio e geometria clássica dos anos 90. A bem da verdade, lá por 1996 eu pedalei por alguns meses com uma Scott Yecora e mais recentemente, em 2014 uma Trek Antelope 800. Mas ambas tinham apenas os três tubos principais em cromoly. Esta Specialized Hardrock Sport eu consegui na Jamur Bikes, sendo trazida recentemente dos Estados Unidos pelo próprio Paulo Jamur (proprietário da loja e meu boss), que se encantou pela bike e seu estado de conservação. Quando ele colocou a bike à venda na loja, não me fiz de rogado. Era a chance de ter uma bike em cromoly e praticamente original dos anos 90. Na verdade comprei esta bike como alternativa para transporte urbano, uma vez que a Format 5222 (da qual pretendo fazer uma apresentação em post futuro) que "gravelizei" eu pretendia deixar somente para atividades esportivas. Mas gostei

Só o CUme Interessa - Piada Escrota

Bah, nem é piada. Acho que isso se chama cacofonia, que é quando alguma coisa dita de um jeito dá a entender que é outra coisa. Entendeu? Ah, eu também não, hehe. Enfim, não é o que importa. To escrevendo essa parada, porque li um post no blog que os colegas Bonga e Tonto montaram para divulgar sua expedição no Ama Dablam, uma das mais belas e cobiçadas montanhas do Himalaia. Este cume não é dos mais elevados nem dos mais tecnicamente exigente. Mas o Ama Dablam é lindo! Quem não gostaria de pisar em um cume assim? Lindo, majestoso, imenso... Confira abaixo: Pois é... com seus quase sete mil metros trata-se de uma cobiçada montanha, objeto de desejo de muitos. Porém, o que rola desde princípio dos anos noventa são os turistas de montanha. Nada contra eles, pelo contrário. Servem para impulsionar uma atividade ecologicamente correta, movimentar economia, transferir renda e trazer qualidade de vida para quem pratica e/ou depende dela. Porém, tudo em exagero tem um porém - to meio engraç

Guia de Trilhas - Morro do Anhangava (parte I)

INTRODUÇÃO Saudações. É com prazer que publico aqui um mini-guia para corrida de montanha no morro do Anhangava, originalmente publicado no antigo site  TrailRunning BRASIL . MORRO DO ANHANGAVA Localização O Morro do Anhangava e seus 1.420 metros de altitude, está localizado nas proximidades da localidade de Borda do Campo, distrito do município de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, a aproximadamente 35 quilômetros da capital paranaense. O local é considerado um campo-escola de montanhismo, pois conta com trilhas para caminhada e corrida, bem como vias de escalada em rocha de todas as dificuldades. Chegando lá de carro: Deixe Curitiba pela BR-116 sentido São Paulo, seguindo até o trevo de Quatro Barras, cuja sede municipal pode ser visualizada à direita. Saindo desta rodovia, você chega ao centro da cidade. Siga as placas que indicam Borda do Campo e Morro do Anhangava à direita, onde você acaba tomando a PR 506. Em poucos quilômetros, pl