Pular para o conteúdo principal

Confissões

Queria poder curtir um final de semana de preguiça sem me cobrar tanto.

Porra, to treinado, corro pra cacete o quanto e quando quiser.

Vou chegar lá no Chile e completar os 50K de corrida com um mínimo de treino porque tenho a mente preparada pra isso...quem me levará adiante, e sempre me levou, é a mente é o jamais desistir, qualquer que seja a dor. Se não completar essa corrida será por doença, não por cansaço.

Não, não é o fisico, jamais foi... Eu não tenho essa força, esse preparo físico todo... mas quando eu estou motivado pra ir até o fim eu faço até a Badwater.

Eu sei o que é ter que andar, andar e andar... O mais rápido possivel porque era a única alternativa pra nao morrer. Já passei por duas ou tres situações assim em minha vida de montanhista.

Passei um dia todo andando por montanhas secas e desconhecidas sem uma maldita gota de água em 2002, a ponto de quando encontrei uma pedra coberta limo úmido eu sorvi aquilo como se fosse a mais gelada das cervejas.

Tentei, com alguns amigos, fazer a Travessia da Serra Fina em 12 horas porém desistimos devido ao mau tempo, optando por uma rota mais curta, porém desconhecida. Escureceu e obviamente nos perdemos. Mas nos achamos, não desistimos porque isso nunca passa pela cabeça de pessoas determinadas. Veja o vídeo aqui.



Passei oito dias sem banho, dormindo mal sete noites, comendo mal oito almoços e evacuando oito manhãs atrás de pedras sob frio de 0 grau porque queria subir minha montanha de 6.000 metros. Começar a caminhar às três da manhã, sob temperaturas negativas, sobre o gelo em terreno desconhecido graças a um objetivo. Não há nada de sacrifício ou esforço físico nisso. Existe vontade, desejo, busca e fé. Veja o vídeo aqui.



Não tem essa de ficar lamentando que tá longe, tá calor, tá com sede...tem que andar, tirar força não sei de onde...mas tem que ir.

Tudo isso sem platéia pra bater palma, sem twitter pra se exibir, sem site pra postar foto com medalha no final.

E compartilho tudo isso aqui não para mostrar que sou foda. Longe disso. Fodão era o Shackleton, era o Mallory. Compartilho aqui pra mostrar que você também pode. Que você não precisa de ninguém dizendo quanto e como correr, pra onde ir, qual montanha subir e que métodos precisa. Eu tenho esse blog não pra contar meus feitos, mas pra motivar quem passa por aqui. Uma das maiores alegrias da minha vida é quando recebo um mail ou um comentário com dúvidas ou com observações. Saber que estou sendo útil sem cobrar nada por isso. Tenha certeza você, leitor, que tem a oportunidade de ler essas confissões, faz parte desse cara que está escrevendo aqui. Compartilhar sentimentos bons, sem choradeiras desnecessárias, expondo minha opinião sobre os mais diversos temas (que sei que acaba chocando alguns), isso é parte de mim.

Mas admito que não consigo lidar comigo mesmo nessa hora do conforto, da preguiça q se abate, na desmotivação em treinar...sou confiante demais no meu psicológico durante as ações...mas aqui, na cidade, longe das montanhas, eu sou fraco...lá em cima eu sou forte.


“Mas os dias que estes homens passam nas montanhas, são os dias em que realmente vivem. Quando as cabeças se limpam das teias de aranha, e o sangue corre com força pelas veias. Quando os cinco sentidos recobram a vitalidade, e o homem completo se torna mais sensível, e então já pode ouvir as vozes da natureza, e ver as belezas que só estavam ao alcance dos mais ousados.” Reinhold Messner


Será que o sorriso pleno só me invade acima dos 2.000 metros de altitude?


Acampamento El Salto (4200 metros de altitude). Cordón del Plata -Argentina.


Comentários

  1. Boa sorte lá no Chile,tenha sempre essa determinação...

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Eitâ! Eu disse que no meu blog que fazer essas coisas, tais como ultras, não é uma questão de condicionamento, mas de experiência e maturidade. Lendo agora seu texto sobre as montanhas, esqueci de falar sobre o que talvez seja principal: força de espirito.

    ResponderExcluir
  4. Show! Parabens pela motivacao que voce nos passa. Abs.

    ResponderExcluir
  5. Haha

    O homem-arvore chegou!!!
    Sabe que o seu apoio e o do Joel(falei isso pra ele) foram um ingrediente muito forte para a brincadeira crescer e chegar nesse tamanho. Afinal, se 2 criticos vorazes estão a favor da ideia, é porque realmente é uma coisa legal.
    Valeu!!!

    Quanto a essas montanhas todas, eu até toparia subir, mas sem esse FRIO todo, minha cabeça aguenta numa boa, o corpo suporta bem, mas essa parte do FRIO eu deixo para os pinguins.
    Se tiver uma mais quentinha pode me chamar! hehe

    Abraço e boa sorte no Chile!

    Colucci
    @antoniocolucci

    ResponderExcluir
  6. Olá George,

    obrigado pelo link para o meu texto do Shackleton!

    Um abraço, Rodolfo.

    ResponderExcluir
  7. Salve! Muito obrigado, de coração mesmo, a todos os comentários! E bora escrever mais entao :)

    Beijos e abraços!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Specialized Hardrock Sport Anos 90

Oi! Com esta bike consegui, de certa forma, realizar um sonho de adolescência: pedalar uma mountain bike com quadro de cromo-molibdênio e geometria clássica dos anos 90. A bem da verdade, lá por 1996 eu pedalei por alguns meses com uma Scott Yecora e mais recentemente, em 2014 uma Trek Antelope 800. Mas ambas tinham apenas os três tubos principais em cromoly. Esta Specialized Hardrock Sport eu consegui na Jamur Bikes, sendo trazida recentemente dos Estados Unidos pelo próprio Paulo Jamur (proprietário da loja e meu boss), que se encantou pela bike e seu estado de conservação. Quando ele colocou a bike à venda na loja, não me fiz de rogado. Era a chance de ter uma bike em cromoly e praticamente original dos anos 90. Na verdade comprei esta bike como alternativa para transporte urbano, uma vez que a Format 5222 (da qual pretendo fazer uma apresentação em post futuro) que "gravelizei" eu pretendia deixar somente para atividades esportivas. Mas gostei

Uma das mudanças em curso para 2020

Oi! Acho que um dos maiores aprendizados e uma das maiores decisões para 2020 foi focar no foco. Engraçado isso né? Focar no foco.  Preciso de foco. Com foco e direcionamento eu consigo ser mais consistente nos propósitos, ao mesmo tempo consigo extrair maior diversão dessa grande aventura que é viver e também sentir-me vivo e produtivo. No esporte, como você deve estar percebendo, o foco está nas corridas em montanha para 2020. E como sempre vai ser mais sobre montanhas que sobre corridas, não se trata de competir em provas de corrida em montanha (apesar de já estar inscrito em uma e ter ideias de correr mais duas outras apenas). É mais sobre estar nas montanhas, correndo. Sozinho, com amigos, não importa. Estar nas montanhas é a ideia. Assim sendo, decidi desfazer-me da minha bike esportiva, aquela que me acompanhou por praticamente dois anos de muito prazer nos pedais e na sua customização. Hora dos caminhos se separarem e direcionar minha veia esportiva àq

Nova Bike Kode Straat - Uma boa opção para montar uma Gravel Bike

Senhoras e senhores, tudo bem com vocês? Poxa, que bike da hora! Recebemos aqui na Jamur Bikes e já fiquei de olho grande. E adianto, já garanti a minha! Sim, a Kode Riff 70 vai retornar à proposta para a qual foi concebida (MTB 27.5 polegadas) no futuro (poca plata por ora) e vou apenas colocar o guidão drop e trocadores STI na nova Kode Straat. Vejam a imagem abaixo, retirada do site do fabricante, bem como sua geometria: Não parece ser muito apropriada para montar uma Gravel que é quase Gravel? Um top tube mais parecido com as speeds do que com as MTBs, um clearance menor na passagem das rodas, passagem dos cabos interna e outras características me levam a crer que esta bike pode andar muito confortavelmente entre estradões de cascalho (gravel roads) e asfalto, ou mesmo trilhas leves. Bora fazer essa alteração. Abaixo um vídeo mostrando a bike como ela vem de fábrica, original. E aqui a ficha técnica: - Quadro em alumínio 6061. - Garfo: Alumínio.