agosto 15, 2011

Fatos Técnicos Relevantes sobre a K42 Bombinhas 2011

Salve!

Tão importante quanto competir e que treinar, compartilhar o que vivo me faz bem. E dar uma atenção ao aprendizado que cada evento, que cada prova traz, compartilhando impressões, é pra mim muito mais importante que dizer que corri isso em tantos quilômetros ou que vi a Luana Piovanni correndo pelada.

Nesta minha terceira participação na k42 Bombinhas Adventure Marathon sinto que consegui fazer uma prova redonda. Sem a inexperiência de 2009 e sem as agruras de 2010, desta feita penso que cheguei a um termo entre desempenho particular e aproveitamento das condições. Isso só foi possível devido o aprendizado adquirido que soube aplicar no último 06 de agosto. Agora, deixa eu parar de enrolar e vamos aos fatos, àquilo que acho que fez a diferença para mim e que pode fazer para você que quer correr uma prova dessas.

Treinamento:

Invista nos longos semanais por estradas rurais e, se puder, a cada quinze dias se atire nas trilhas longas mesmo. Fiz alguns treinos de mais de 5 horas em trilha, mas não correndo. Algo como um fastpacking. Traduzindo: caminhada acelerada em trilhas acidentadas e carregando mochila com pertences de um dia. Treinos assim mantém sua FC lá embaixo, otimiza o consumo de gordura em detrimento do glicogênio, ensina o organismo e a mente a trabalhar com músculos cansados e faz bem para a alma. Curta! Não se bitole somente em ritmos e paces. Para correr provas longas de montanha é preciso saber caminhar, curtir a paisagem e deixar rolar. Se perto da sua região não existem montanhas nem trilhas, não se desespere.




Saia para uma caminhada em ritmo forte por umas 5 horas em qualquer lugar que seja e você irá entender quando falo sobre músculos doloridos. Meus treinos longos e com subidas certamente foram os maiores responsáveis por eu ter finalizado a prova intacto.

Nutrição:

Apesar de todo o meu mimimi em relação às comidas industrializadas, nesta prova tomei 4 GU. A praticidade ainda é seu ponto forte e sua baixa acidez mantém meu estômago sem chiliques. Intercalei essa gosma com barras de cereais, tentando ingerir uma média de 200 calorias por hora, ou seja, uma barra por hora e um GU por hora. Nos PC's do km 21 e 34 eu comi umas melancias, bebi dois copos de isotônico e pronto. Não me faltou energia, tampouco meu estômago apitou.



Essa é uma questão muito pessoal, é necessário que você descubra aos poucos durante os treinos qual seu ritmo ideal de reposição energética. Eu já havia descoberto somente este ano que preciso entre 200 e 300 kcal por hora e que não posso tomar mais de 2 géis por hora. Descubra o que funciona para você. Ah, vale lembrar também da importância da nutrição pré-prova. Eu exagerei nas gorduras no dia anterior e paguei o preço com um pit-stop forçado em uma moita no km 26. Papel higiênico salvador na pochetinha!

Calçados:

Usei meu queridinho Salomon S-Lab 3 XT Wings, que havia estreado nos 24K de Extrema e que depois meti no Pico Paraná para meu longão de 8 horas caminhando/correndo. Não foi perfeito, pois acho o trajeto da K42 Bombinhas pouco técnico, havendo na verdade somente uns poucos trechos onde um calçado como esse leva vantagem se comparado a um calçado super leve para rua. Essa é uma opinião polêmica e certamente muita gente poderá questionar isso.



Mas eu teria preferido levar uns escorregões nos poucos trechos de lama que encontrei do que carregar um tênis de 360 gramas (cada pé) cheio de areia e água após cruzar um rio. Nos trechos mais lisos o produto se mostrou pesado demais, sendo mais adequado a provas mais longas, como ultramaratonas de 50 km ou mais. Nesses 42K em 2012, se não chover na semana anterior, usarei o mais queridinho ainda Brooks Green Silence para flutuar na areia batida e nas trilhas fáceis. Caso chova, a parada fica hardcore e aí vale encarar um tênis pra montanha mesmo.

Dentro de alguns dias passarei as impressões finais: vestuário, hidratação, técnica e motivação.

Abraços e bora voltar pros treinos!

agosto 11, 2011

K42 Bombinhas Adventure Marathon 2011 Relato

Buenas!

Valeu a pena esperar mais de um ano para estar novamente na bela Bombinhas.

Aliás, esse ano ainda mais bela, já que papai-do-céu mandou céu azul, mar esverdeado e nuvem alguma no céu para quem lá esteve no 06 de agosto de 2011. Diferentemente das instabilidades climáticas do ano anterior, desta vez fomos todos brindados com um belíssimo dia de inverno nas praias catarinenses.

No pré-prova foi uma correria muito mais cansativa que a competição em si. Saída estabanada da capital paranaense por volta das onze da manhã, congestionamento na rodovia, baldeação atrasada, enfim, contratempos que faz parte de um cronograma muito justo. Desembarcamos em Bombinhas quase às sete da noite, direto para a retirada do kit, entrada no hotel (pertíssimo da largada, preço amigo e atendimento vip) e comparecimento na “charla tecnica”, uma espécie de congresso onde são apresentados patrocinadores, pessoas solenes e informações relevantes sobre a prova. Este evento teve importância ainda maior neste ano, pois havia um acréscimo de mais de 80% nos inscritos em comparação à 2010. Até então tudo perfeito, vambora comer algo e descansar.

Amanhece o sábado, 06 de agosto. Chovera um pouco durante a noite – confesso que não teria sabido disso se não me contassem depois. Não importava. O sol desenhava-se forte e a largada com temperatura fresca, na casa dos 14 graus, foi muito efusiva, afinal, na soma das modalidades, havia quase 400 atletas.

Lá fomos nós pela areia da praia central de Bombinhas. No começo na companhia do Erik Neves (de Brasília, figuraça) e do Pinguim, parceiro de outras K42. Em seguida encostou o Eliandro (Terriório, ex-patrãozinho), o Borato e o Hugo Magalhães, outro camarada das longas distâncias. Sai da praia, entra na estrada, volta pra areia, agora em Bombas. Moleza, velocidade de cruzeiro, sei-lá-quanto-o-quilômetro. O que valia era poder estar ali conversando com os amigos e sem me esfalfar.

Quebra à esquerda, entra na Rua Martim Pescador e toca alguns quilômetros de planura pela “civilização”. Papo vai e papo vem, percebo-me no km 5. Primeira água, carreguei a garrafa (deixei a mochila de hidratação para corridas mais “duras”) e toca pra cima. Hora do Morro da Antena. Sobe, sobe e sobe. Os treinos na Serra do Mar fizeram efeito e a subida – caminhando rápido – quase não me provocou desgaste. Quando me dou conta, começa uma estradinha mais estreita e seguimos subindo, mas também descendo eventualmente. Rolling trails...

Despencando nas descidas, acompanhado da Liana que desce super bem e caminhando fuerte nas subidas, para me poupar. Foi a tática perfeita. Com 1h06 min passei na marca dos 10K e agora vem trilha fechada. Sobe e desce, mais desce do que sobe. Como o terreno estava praticamente seco, consegui descer sem travar tanto. Com 14 quilômetros chegamos novamente à praia, depois de despencar mais de 200 metros em apenas um quilômetro. Areia fofa, mais trilha e mais areia.

Nas dez milhas (faça as contas...) mais um posto de água, carrego a garrafa e já vejo muita gente caminhando, certamente aqueles que bancaram os valentões correndo nas subidas anteriores. Segui no trotinho, desta vez solitário, já que a galera que me acompanhava decidiu segurar a onda ainda nas subidas anteriores.

Alguns me passam, outros eu acompanho, e depois de 5 quilômetros por Zimbros e Canto grande chego nos 21K, local onde é feito a troca do revezamento. Ali me detive por no máximo um minuto e com 2h22min de prova, parti. Estava beeeem adiantado com relação ao ano anterior mas ainda com o medinho de “quebrar” como acontecera nos anos anteiores. A diferença é que ali ainda me sentia intacto, como se tiuvesse começado a correr havia pouco. Em 2009 e 2010 eu já apresentara ali os primeiros sinais de cansaço.

Aproveitei o momento e encarei forte a belíssima trilha que nos levaria ao km 25, na Praia da Tainha. Depois da pirambeira que nos deixou nesta pitoresca prainha de menos de 200 metros de extensão era hora de encarar o momento que eu mais temia: a subida que passa às faldas do Morro dos Macacos e que nos deixaria – após despencar novamente – na Praia da Conceição. Em 2010 sofri demais nesta morraria, com fortes dores nas pernas, devido ao péssimo treinamento que eu apresentava.

Neste ano foi tranquilo. Encontrei a Clarissa (Rio de Janeiro), subimos conversando e na descida foi a vez dela despencar. Fiquei me segurando pois o intestino estava pesado, pesado mesmo. Corredor de montanha prevenido sempre leva consigo alguns metros de papel higiênico para estes momentos de relax. Encontrei meu momento no meio da descida, em um matagal às margens da estradinha. Alguns gramas mais leves e com alguns músculos menos tensos, continuei a descida com sorriso de Monalisa até chegar à Praia da Conceição.

Desta praia para a seguinte, Mariscal, são poucos passos. E chega a hora de encarar mais 5 km de areia e vento na cara. Se por um lado ele não deixa o calor apertar, por outro dá uma segurada. Neste trecho senti as pernas um pouco pesadas e caminhei em uns poucos trechos, pensando no que viria mais para a frente. Com 32 km acabou-se Mariscal, encontrei uns amigos e umas balas de goma tecnológicas (Obrigado!) que me deram um plus a ponto de correr boa parte da subida de asfalto para a próxima praia: Quatro Ilhas.

Um posto de hidratação reforçado com frutas trouxe um conforto gastronômico pra encarar a tal praia e um trecho de trilhas muito lindo, com pequena variação altimétrica e tecnicamente gostoso de enfrentar. Bota pra praia de novo, cruza com a moçada que segue na prova e vamos pro subidão de cimento com direito a corrimão, antes mais umas trilhas técnicas. Sobe, desce e caímos no costão. A experiência de ter passado por lá duas vezes e mais um trecho semelhante na Praias e Trilhas me encheram de confiança e corri todo o trecho sem medo de errar.

E veio a subida mais intensa, aquela de agarrar o mato pelo pescoço. Mas é um trecho curto, no km 38, ótimo pra derrubar quem exagerou no começo. Enfim, chegamos ao Retiro dos Padres, praia curtinha e com subida curtinha também em direção à Praia da Sepultura. Bate-e-volta na praia de nome inspirador para o quadragésimo primeiro quilômetro de uma maratona, e toca pra chegada. Antes a gente passa por um encantador trecho de calçadas em madeira sobre pedras com vista para um verdíssimo mar.

500 metros para a chegada e já se ouve o burburinho. A sensação era de estar anestesiado, afinal eu conseguia completar a prova em pouco mais de 5 horas, quase 40 minutos mais rápido que em minha primeira participação, sob condições climáticas ainda mais ideais. A 30 metros, a desejada cerveja, realizando assim um grande desejo deste cara aqui: cruzar a linha de chegada de uma maratona com a goela molhada pelo santo líquido!

Jogar um pouco na cabeça, posar para as fotos, camisetinha, medalha e outras formalidades foram momentos marcantes, porém não como a sensação de estar na linha de chegada vendo amigos e mesmo desconhecidos chegarem com sorrisos bobos como o meu.

Correr uma prova desafiadora em trilhas é de fato OUTRA COISA!

A energia é contagiante, infinitamente mais intensa do que a emanada por quem fica de olho nos paces e cronômetros. Ali é superação e não importam os minutos e os segundos. Se não tiver humildade em prova de montanha você está na merda. Você quer bancar o herói subindo uma ladeira correndo e minutos depois você pode estar caminhando em uma descida porque suas pernas explodiram. Mesmo uma prova com "apenas" 42 km você precisa usar muito a cabeça pra não forçar na hora errada, pra entender seu corpo. É diferente, é diferente.

Já escrevi zilhões de linhas sobre esse lance de estar no mato correndo. Não vou ficar falando mais do mesmo. Convido você a experimentar! Faça as provas de 12 km da Copa Paulista ou do Campeonato Brasileiro... Aqui no Paraná também tem provas curtas assim. Experimente. Conheça. Não tenha medo. Não conheço, até hoje, ninguém que tenha se arrependido de, pelo menos, experimentar.

No próximo post tratarei de temas mais técnicos, compartihando impressões sobre a prova em sim, sobre nutrição, vestuário e outros detalhes que podem ajudar quem está na vibe das trilhas, como eu. Bem como, trarei algumas imagens da prova.

Agradeço demais a força de todos que estiveram lá ou em pensamento comigo. A galera da organização também foi fundamental, pois no começo do ano eu andava desanimado e a Luciana Asef botou maior pressão pra eu ir e viver esses momentos... Brigado a todos, de coração.

Grande abraço!


George Volpão quase chegando lá... (clique da super Raquel Hoefel, obrigado a você também!)

julho 27, 2011

K42 Bombinhas Adventure Marathon - Expectativas

Seguem minhas expectativas e metas para a edição de 2011 da mais bela maratona do Brasil .

1-) Divertir-me ao máximo!
2-) Buscar diversão com os demais participantes da prova!
3-) Transformar dores em diversão!
4-) Ajudar o colega de atividade que estiver em apuros para que se divirta comigo também!
5-) Entrar no mar semi-nu com uma Murphy's para comemorar logo após a chegada!

Tá chegando a hora.

Abraços.

julho 23, 2011

K42 Bombinhas Adventure Marathon 2011 - Acabou

Dou por encerrada a temporada de treinos específicos para a mais bela corrida do Brasil. Aliás, quem diz que a Maratona mais bonita do país é aquela realizada no Rio de Janeiro é ignorante ou engraçadinho. As praias e trilhas de Bombinhas são incomparáveis em beleza. A organização da prova, devido ao menor número de atletas e à simpatia de seus integrantes, tratam cada atleta como único e não apenas um tijolo no muro. Espero estar por lá em todas as edições vindouras

Enfim, acabou. Hoje meti 36 quilômetros por estradas de chão com subidas de bom nível e daqui para frente o lance, agora, é tirar o pé. É o famoso tapering (polimento). Depois da K42 sei lá o que vai rolar... Depois eu vejo.

Bons treinos e provas a todos.


julho 17, 2011

Treino 01 para a Copa do Mundo de 2014 - Pico Paraná

Ok...não vou jogar futebol.

No entanto até poderia, já que a seleção brasileira foi eliminada pelo Paraguai hoje na Copa América. O revés foi nos pênaltis por não terem acertado nenhuma das quatro cobranças...quem sabe, mesmo com 37 anos na Copa eu jogue melhor que esses picaretas...

Esse treino foi pensando na Copa do Mundo de 2014, onde espero estar fora do país por uns dias para competir em uma prova verdadeiramente selvagem e dura (dica melhor que essa impossível).

Mas o assunto não é esse. O que importa é que fui pra beira da estrada às sete da manhã, peguei um busão até o vilarejo de Terra Boa e lá percorri 7 km de estrada de chão com desnível positivo acumulado de 250 metros.

Levei uma horinha pra fazer isto e entrei na trilha rumo ao Pico Paraná. No caminho alguns velhos amigos, como o Pereira, o Xandão e a Flavinha (já acampamos muitas vezes juntos). Mais adiante trombei com o Magro. Quase no alto, topei com o Adnam (velho, desculpe não dar toda a atenção que um encontro como esse a quase dois mil de altitude merece, eu tava pra lá de bagdá).

Depois de três horas, atingi o cume do morro do monte do Pico Paraná, com seus 1877 metros de altitude. Mais cansado que de costume, afinal havia 4 anos que não pisava naquele local, fiquei apenas 5 minutos no cume e desci, o que me tomou mais duas horas e meia. O custo do excesso foram algumas cãimbras que controlei com sucesso após reduzir o ritmo por alguns minutos.

Da fazenda até a BR-116, mais precisamente no Posto Tio Doca, foram os mesmos 7 quilômetros da manhã, porém, mesmo em descida, demorei um pouco a mais.

No fim das contas: 28 quilômetros em 7h55min com 1987 metros de desnivel positivo acumulado.

Lições do treino 01 visando a Copa do Mundo 2014:

1-) A corrida emburrece o corpo no sentido mais amplo da palavra. Depois de tanto tempo longe das subidas mais íngremes e dos trechos técnicos me senti um pato. Correr é preciso, como treino aeróbico e de fácil acesso. Mas subir montanhas em trilhas exigentes trabalha cada milímetro do seu organismo.

2-) A segunda lição tem a ver com a primeira: ser especialista é uma bosta. Você se prende numa porra de coisa, só faz isso e se julga diferente. Hoje na montanha fiquei com vontade de fazer aula de surfe. Grande merda eu correr 42 quilômetros num asfalto quente e numa cidade fedorenta se não sei ficar em pé numa prancha? Que vida é essa?

3-) Depois da quarta ou quinta hora de atividade, não tem físico que mande em você. Quem manda é tua cabeça. Assim como a trilha, tive altos e baixos psicológicos que só me permitiram desfrutar tanto porque não lutei contra meus bodes e dores momentâneas. Em algum momento o sol volta a brilhar no cérebro, as dores vão embora e a gente vira super-homem de novo. É hora de aproveitar e socar a bota.

4-) Cuidar mais da alimentação, de preferência comd espertador avisando a hora de ingerir algo. Acho uma porcaria esse tipo de controle mas acho que fez falta hoje. Poderia ter evitado alguns maus-bocados que passei ao faltar energia (santa coca-cola).

5-) A última lição serve de título para um livro: Treine menos, viva mais (o manual do atleta sem planilhas).

Abraços!






julho 13, 2011

Medalha para quem merece medalha

Medalha é pra quem merece medalha.

Eu busco sensações. Encontro-as nos montes que trilho por mim mesmo, sem marcações, sem chip e sem alvoroço. Assim sendo, após a K42 Bombinhas Adventure Marathon recolher-me-ei à minha caverna pessoal, abrindo mão de correr os 50K em Ilhabela e os 84 em Floripa na Praias e Trilhas.

Havia algum tempo que já andava cansado dos excessos. No post anterior comentei brevemente sobre minha mais recente andança na Serra do Mar. Durante esta caminhada tive a forte sensação de que percorrer estes tortuosos caminhos são, na verdade, a atividade esportiva mais prazerosa de todas que já experimentei.

Estar nas trilhas e percorrer longas distâncias. Sem números e sem planilhas. Livre. O post do amigo Leonardo é super inspirador neste sentido, fecha exatamente com meus sentimentos. No rules at all!

Ainda tenho muitas metas a serem cumpridas nas competições. Tenho meus objetivos e deles não abro mão. Mas, por hora, o caminho para atingi-los não passa necessariamente por pendurar uma medalha no pescoço. Posso dizer que estou olhando adiante, bem adiante, mas muito mais interessado no presente. Nas minhas manhãs de inverno correndo na geada, nos finais de semana passados entre bares e restaurantes de Santa Felicidade ou dormindo numa moita a 1.800 metros de altitude cercado de gente legal.

Atitudes desapegadas como essas não combinam com estatísticas, planejamentos, medalhas, funis de chegada e outras "necessidades" do moderno corredor seculo XXI com seus iPhones e demais quinquilharias chinesas. Minha necessidade é estar outdoor e sem número de peito.

Competir? Para encontrar os amigos e tomar cerveja depois. E só.

Segue a vida nas montanhas.

Abraços

julho 11, 2011

A Vida nas Montanhas

Buenas!

Para fazer jus ao novo nome deste blog nada como uma nova foto (acima, topo de página) e um novo post. Em breve, novo layout, claro!

Post rápido apenas para compartilhar algumas fotos (nem tão inéditas assim, pois já estão no Facebook) e descrever rapidinho como foi esse lance de "A Vida nas Montanhas".

Eu estava com uma programação feijão com arroz de treino longo no sábado e um soltinho no domingo. Eis que aparece o convite da Aliny e do Arce (parceiros de várias caminhadas de montanha Brasil afora) para um bivaque no Pico Paraná na madrugada de sábado para domingo. As condições climáticas apresentavam-se perfeitas para tal intento. A companhia era das melhores. Não havia nenhuma boa desculpa para não encarar esta.

Aceitei de pronto e nos largamos pra serra no sábado final de tarde. Juntaram-se a nós a Greyssi e o Leandro, que conheci naquele átimo. Lá estava também a Daiana, que havia vindo de bike desde Curitiba (mais de 70 km de pedal) e aproveitou a carona no "trem" morro acima.

A Fazenda Pico Paraná, início da caminhada estava repleta de automóveis, o que indicava que o Pico Paraná talvez não fosse o destino ideal para quem buscava sossego. No meio do caminho nos decidimos por tocar para o - para mim - querido Itapiroca, um tico mais baixo, mas tão belo quanto e, muito mais perto. A Daiana tocou pro PP, seu plano original. Chegamos nas áreas de acampamento do Itapiroca por volta das 10 da noite. Céu estrelado, lua crescente, frio de 6 graus bem dentro do suportável e nada de vento. Os casais montaram suas barracas e eu decidi-me por dormir ao relento, somente com meu saco de dormir, para me integrar melhor com a montanha e o céu.

Devidamente alimentados, hidratados (cerveja e champagne com moderação), veio o sono e o vento. Estava protegido por alguns arbustos e não senti incômodo, tampouco notei a queda de temperatura da madrugada que atingiu 3 graus.

Despertei a tempo de me encantar pela enésima vez com um nascer do sol no alto da Serra do Mar. Por mais que se repitam montanhas, cada amanhecer vivido num lugar como esse é único. Tudo devidamente registrado hora de mais um cochilo que se prolongou quase até as dez da manhã, quando o sol forte nos obrigou a levantar acampamento e agilizar o procedimento de descida. Pouco mais de uma hora foi o necessário para chegarmos à base, para celebrar com muito pinhão e cervejinha gelada, que desceu muito bem depois da caminhada sob sol forte e calor fora de época. A tarde estava agradabilíssima, com temperatura na casa dos 24 graus, um verdadeiro forno para quem já estava acostumado com temperaturas na casa do zero grau aqui no Paraná.

A idéia é reviver cada vez mais momentos assim, afinal, A Vida nas Montanhas é eterna.

Para o próximo final de semana a expectativa é estar no Pico Paraná, mas numa paulada de um dia apenas, como treino para a K42 Bombinhas cuja largada se avizinha.

Deixo abaixo algumas imagens de minha autoria e do Arce.

Abraços!


















Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava. Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito...