Considerações sobre a K42 Bombinhas


Ok, este será o último post sobre o que rolou na K42 Bombinhas, pelo menos este ano.

Tratou-se de uma experiência nova para mim, onde pude reunir duas características esportivas que gosto muito: correr 42 quilômetros e percorrer terrenos acidentados e fora das ruas e estradas.

Eu já havia corrido duas provas de 21K em montanha no ano de 2007, válidas pelo Circuito Paranaense de Corridas em Montanha. Foram provas duras e que me encantaram muito. Quando passei a viver em Belo Horizonte, a ausência de provas come ssas características na região me forçou a buscar desafios longos no asfalto mesmo, como a Meia Maratona da Linha Verde e a Maratona do Rio, minha estréia na distância clássica do atletismo.

Quando começou a divulgação da Vila do Farol K42 Bombinhas Adventure Marathon a empolgação foi total. Encarei a Maratona do Rio como treino longo para a K42, foquei em seguida nos treinos de subidas em Belo Horizonte e encarei umas trilhas de leve nas redondezas.

Tudo saiu mais que perfeito, faltando apenas a areia das praias, coisa impossível em Minas Gerais.

Aliado ao meu histórico de 10 anos como montanhista ativo nas cumeadas da Serra do Mar paranaense e algumas incursões montanhísticas em outros estados e países, tudo somou para que eu chegasse com uma boa bagagem e grande confiança para realizar a K42.

Nos trechos planos de estradas de terra e areia da praia mantive meu trotinho, nas subidas empinadas eu caminhava e nas descidas técnicas de trilhas eu soltava pra valer, utilizando o background adquirido nos anos de montanhismo. Aí realmente ganhei bastante tempo se comparado com os corredores de rua típicos que encontrei por lá.

A ORGANIZAÇÃO

Ouvi relatos e comentários de alguns corredores que a prova teria sido mal organizada. Minha impressão é bem diversa desta. Obviamente que houve algumas falhas, como em toda corrida que se propõem a ser diferente. Não há organização perfeita, bem como também é impossível agradar a todos. Na verdade acho que tem gente que tenta achar defeito em tudo. Tinha gente reclamando que a banana estava verde, que não tinha sinalização (achei fitas e staffs em TODOS os lugares, que faltou água (terminei no pelotão intermediário e não faltou água em nenhum deles), do chip diferente. Um ponto interessante era a presença intensa de pessoal de apoio, corpo de bombeiros, ambulâncias, staffs simpáticos e gentis.

Meu único senão ficou por conta do design e simplicidade das camisetas, tanto aquela que veio no kit como a de finisher que era de exclusividade para os que cruzavam a linha de chegada. Tenho certeza que os organizadores entenderam isso e providenciarão algo mais "animado" para as camisetas, que podem inclusive ser inspiradas naquelas da K42 Patagonia.

No primeiro ano de sua realização houve muito mais acertos do que erros. Imaginemos então o que podemos esperar para edições seguintes. Aliás este foi o comentário geral pós-prova: Já rola fazer a inscrição para a K42 Bombinhas 2010?

O QUE USEI NA PROVA

Detalhes importantes que podem ajudar quem curte provas longas e em trilhas também.

Tênis: Salomon Speedcross II - Fantástico. nas descidas técnicas ele agarrou perfeitamente. Na areia da praia proporcionou tração e nos curtos trechos de asfalto o amortecimento foi fantástico. Nota 10.

Meias: Optei por utilizar dois pares de meias. Meias de Compressão Kendall Média Compressão, tecido sintético, que como sempre fizeram minhas panturrilhas parecerem novas após os 42K. Por cima dela coloquei uma meia Mizuno Pro, com tecido sintético também, pois estava sentindo meu pé muito solto dentro do tênis apenas com a meia Kendall. Por volta do quilômetro 30 comecei a sentir meu pé direito "assar" um pouco. Sensação de a sola do pé parecer querer descolar. Parei uns instantes, tentei correr apenas com a Kendall mas resolvi retornar a usar os dois pares. Ao final da prova fui ver o estrago e achei estranho: estava tudo normal. nenhuma bolha, nenhuma assadura, nada estranho. Dois dias depois apareceu uma pequena bolha de sangue sob um calo duro junto ao polegar direito, mas nada que atrapalhasse (apenas o visual, hehe). No fim das contas o estrago foi muito menor do que eu esperava, afinal cruzamos riozinhos, pisamos em areia fofa, lama e corremos sob sol forte. Ah, vaselina nos pés sempre!

Shorts: Bermuda Térmica Tensor Sports e Short Adidas Supernova sobreposto. Na próxima prova acredito que eliminarei o shorts sobreposto. Foi sem função, serviu apenas para esquentar mais a região. As bermudas de compressão eu não dispenso pelo mesno motivo das meias: preserva os músculos.

Camiseta: Solo Vapor. Excelente. Super leve e fresquinha, esteve sempre seca. Nota 10!

Óculos: Julbo Junior. Muito bom, manteve os olhos protegidos do reflexo do sol no mar e na areia, não embaçou.

Mochila de Hidratação: Deuter Hydro Lite 3.0. Nota 10 da mesma forma. Leve e confortável, com sistema que ajuda a manter as costas fresquinhas. Além disso possui revestimento interno que mantém o líquido gelado por bastante tempo. Bolso externo de tamanho suficiente para carregar gel, barrinhas, etc.

ALIMENTAÇÃO E HIDRATAÇÃO

Levei comigo dois litros de água de côco. Muito melhor que isotônicos, tem basicamente a mesma composição de sais minerais e carboidratos e não destrói o estômago por não conter ácido cítrico (conservante). Tomei sempre dois copos de água nos postos de hidratação que estavam dispostos a cada 5K aproximadamente. Os dois litros de água de côco foram na medida correta para uma prova desta. Quando voltei para o hotel percebi que estava bem hidratado, com a urina bem clarinha.

Para comer levei apenas barras de cereal e batatas fritas para repor o sal. Aboli os géis de carboidrato também por sua acidez. Não fizeram falta alguma. As barras de cereais apresentam mais variedade de sabores e não detonam o estômago. O sabor de aliemento de verdade (castanhas, passas, etc) ajuda muito também, ao contrário das industrializadas porcarias gosmentas. Mantive a média de uma barra de cereal a cada 50 minutos. Comi também durante a prova duas bananas no quilômetro 21 e um pedaço de melancia no 35. Foi mais que suficiente.

CONCLUSÃO

Para uma primeira experiência nessa distância em trilhas saí muito satisfeito. Meu tempo final de pouco menos de seis horas foi satisfatório e a meta para o próximo ano é baixar bastante isso, uma hora pelo menos. Espero com esses textos todos poder motivar mais e mais as pessoas a experimentarem o verdadeiro Trail Run.

Grande abraço a todos.

Comentários

  1. Essas suas dicas são bastante utéis, principalmente em relação à alimentação.
    Também não me dou muito bem com os géis, o meu estômago não agrada...
    Grande abraço!

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  2. Informações, como sempre, consistentes de materiais e alimentação. Muito bom !!!!

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  3. Fala Brô,
    Muito bom o post. Concordo com tudo. Não vi uma única falha, exceto a camiseta. O Juan Assef - o organizador - já me gatrantiu que haverá várias melhorias.
    Com certeza essa prova estarei em todas suas edições!
    Abraço,
    Harry

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  4. Uma dúvida desde a maratona lá do Rio: por que batata frita? Tem algo de bom nessa esponja lipídica?

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  5. Galera, obrigado pelas palavras e pelos comentários aqui. To vendo que o blog está bem interestadual, com gente do RJ, MG, SP, PR, SC, sempre aparecendo e comentando.

    Harry, estaremos lá com certeza!

    Aline, Depois da Maratona do Rio adotei as batatas como amuletos mágicos. O teor de sal é perfeito para repor oq se perde, o sabor é agradável e foge do lance dos géis malvados. Na verdade a melhor é aquela assada, que contém apenas a gordura original da batata e não aquela que é absorvida quando o tubérculo é frito. Mas não encontrei a dita cuja no Super Veratoni de Bombinhas e foi a batata frita mesmo, hehe. Por outro lado, em uma corrida como essa, de mais de 5 horas de duração um pouquinho de gordura nas porções é até bom.

    Mas eu como basicamente por causa do sal na medida certa. E por isso na próxima levarei a minha batata assada de pacotinho, com o totozinho de azeite de oliva :-)

    Cápsulas de sais mineirais também não funcionaram comigo pois me atacam o estômago.

    beijos e abraços e valeu a força!

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