Pular para o conteúdo principal

A vantagem de quem corre e treina em subidas

Buenas!!

Há muito tempo eu defendo a prática da corrida em terrenos acidentados como componente importante na melhora do desempenho em corridas de percursos planos. E não se trata de papo de quem corre em trilhas. Estou falando diretamente a quem corre nas ruas. Quem corre em trilhas sabe que se não treinar subidas é melhor mudar de esporte...rsrs

Pude comprovar o efeito prático disso tudo ao participar de competições nos últimos dois meses em que as subidas estavam sempre presentes. Em alguns treinos dei preferência aos percursos planos, pois estou focado na Maratona do Rio, que tem trajeto basicamente sem desníveis. Desta forma aproveitei estas corridas de 10 km para forçar mais um pouco, já que encontraria subidas exigentes em todas essas provas.

A primeira corrida foi a João César, dia 24 de maio. 10 km em 51:31. Uma semana depois rolou a Corrida da Fundação Torino. Desnível altimétrico semelhante nos mesmos 10 km. Fechei com 51:22, quase a mesma coisa. Nesta prova eu poderia ter me saído melhor se não tivesse corrido 20 km no dia anterior de forma acelerada.

Em seguida participei da Corrida da Lua Cheia, realizada dia (noite) de 09 de junho. Essa foi a mais pesada em termos de desnível, quase o dobro das outras, como se pode observar nos números abaixo. Fechei os 9.450 metros em 47:30, mantendo o mesmo padrão de pouco mais de cinco minutos o quilômetro.

Finalmente, na última prova, a Corrida de Pentecostes rolou um temporal: 48:02 nos 10 km.

Porém mais que baixar o tempo o que levo muito em consideração é o chamado "effort level". Poderia traduzir isso de maneira simplista como percepção subjetiva de esforço. Foi nesta prova que me senti mais "confortável". Isso não significa que eu poderia ter ido mais rápido ou que eu tenha me poupado. Significa que mesmo fazendo um tempo quase tres minutos menor (pode haver pequenas variações na distância) do que meu habitual, eu me senti "forte" na prova. Fiz todas as subidas sem sofrimento, chegando nos trechos planos com folga para impor o ritmo abaixo dos 5min/km que eu havia previsto.

E tenho plena certeza que a redução do meu tempo nos 10 km para abaixo dos perseguidos 50 minutos foi graças às provas que serviram como treinos fortes de ritmo e subidas. Afinal meu treinamento está todo focado em apenas completar a maratona. Não estou treinando tiros, ritmo, fartkleks ou qualquer outro tipo de treino que foque no ganho de velocidade. A mim me basta completar a Maratona do Rio. Correr 10 km abaixo dos 50 minutos veio como bônus pela dedicação e pelo acerto em privilegiar provas com percurso mais acidentado.



Clique na imagem acima para obter dicas para melhor encarar as subidas



E com isso fica a certeza óbvia: em uma prova de terreno totalmente plana, como as que rolam na orla da Lagoa da Pampulha, o tempo será bem baixo. No final de novembro do ano passado marquei lá 50:01 nos 10 km do Circuito das Estações, etapa verão. Este ano pretendo correr a mesma prova por lá, na mesma época. E aí veremos os resultados. Até mesmo porque após a Maratona do Rio o foco também não será na velocidade dos 10 km planos e sim na resistência necessária para se completar inteiro os infindáveis quilômetros da blá-blá-blá Run em 2010 (ainda não defini qual será o desafio, mas será bem mais longo que uma maratona).

Segue abaixo os dados das quatro provas:


24-05-09 - Corrida João César - 10 km.

901m Altiude mínima
978m Altitude máxima
82m Soma das subidas
-82m Soma das descidas


31-05-09 - Corrida da Fundação Torino - 10 km

1087m Altitude mínima
1168m Altitude máxima
76m Soma das subidas
-76m Soma das descidas

09-06-09 - Corrida da Lua Cheia - 9,45 km

1022m Altitude mínima
1209m Altitude máxima
131m Soma das subidas
-131m Soma das descidas

14-06-09 - Corrida de Pentecostes - 10 km

700m Altitude mínima
772m Altitude máxima
88m Soma das subidas
-88m Soma das descidas

Comentários

  1. Indecente aquele primeiro morro da pentecostes!! Eu quase pedi uma corda pra subir aquilo ali rapelando!! =P
    A Lua cheia então, nem se fala... cabulosa!!

    Mas como dizem, o que não mata, fortalece... =D

    ResponderExcluir
  2. Ah,Aline...subinha simples... 30 metrinhos. E a vantagem é que poderíamos usar as 4 patas pra subir mais rapido, nós q nao pensamos nisso, hehe

    Bjooo

    ResponderExcluir
  3. Pepe pra mim isso sempre foi tipo básico!
    Se o corredor enfrenta constantemente desnível nas corridas, quando pegar um plano vai brincar....he he he...
    Abraços!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Specialized Hardrock Sport Anos 90

Oi! Com esta bike consegui, de certa forma, realizar um sonho de adolescência: pedalar uma mountain bike com quadro de cromo-molibdênio e geometria clássica dos anos 90. A bem da verdade, lá por 1996 eu pedalei por alguns meses com uma Scott Yecora e mais recentemente, em 2014 uma Trek Antelope 800. Mas ambas tinham apenas os três tubos principais em cromoly. Esta Specialized Hardrock Sport eu consegui na Jamur Bikes, sendo trazida recentemente dos Estados Unidos pelo próprio Paulo Jamur (proprietário da loja e meu boss), que se encantou pela bike e seu estado de conservação. Quando ele colocou a bike à venda na loja, não me fiz de rogado. Era a chance de ter uma bike em cromoly e praticamente original dos anos 90. Na verdade comprei esta bike como alternativa para transporte urbano, uma vez que a Format 5222 (da qual pretendo fazer uma apresentação em post futuro) que "gravelizei" eu pretendia deixar somente para atividades esportivas. Mas gostei

Só o CUme Interessa - Piada Escrota

Bah, nem é piada. Acho que isso se chama cacofonia, que é quando alguma coisa dita de um jeito dá a entender que é outra coisa. Entendeu? Ah, eu também não, hehe. Enfim, não é o que importa. To escrevendo essa parada, porque li um post no blog que os colegas Bonga e Tonto montaram para divulgar sua expedição no Ama Dablam, uma das mais belas e cobiçadas montanhas do Himalaia. Este cume não é dos mais elevados nem dos mais tecnicamente exigente. Mas o Ama Dablam é lindo! Quem não gostaria de pisar em um cume assim? Lindo, majestoso, imenso... Confira abaixo: Pois é... com seus quase sete mil metros trata-se de uma cobiçada montanha, objeto de desejo de muitos. Porém, o que rola desde princípio dos anos noventa são os turistas de montanha. Nada contra eles, pelo contrário. Servem para impulsionar uma atividade ecologicamente correta, movimentar economia, transferir renda e trazer qualidade de vida para quem pratica e/ou depende dela. Porém, tudo em exagero tem um porém - to meio engraç

Guia de Trilhas - Morro do Anhangava (parte I)

INTRODUÇÃO Saudações. É com prazer que publico aqui um mini-guia para corrida de montanha no morro do Anhangava, originalmente publicado no antigo site  TrailRunning BRASIL . MORRO DO ANHANGAVA Localização O Morro do Anhangava e seus 1.420 metros de altitude, está localizado nas proximidades da localidade de Borda do Campo, distrito do município de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, a aproximadamente 35 quilômetros da capital paranaense. O local é considerado um campo-escola de montanhismo, pois conta com trilhas para caminhada e corrida, bem como vias de escalada em rocha de todas as dificuldades. Chegando lá de carro: Deixe Curitiba pela BR-116 sentido São Paulo, seguindo até o trevo de Quatro Barras, cuja sede municipal pode ser visualizada à direita. Saindo desta rodovia, você chega ao centro da cidade. Siga as placas que indicam Borda do Campo e Morro do Anhangava à direita, onde você acaba tomando a PR 506. Em poucos quilômetros, pl