outubro 03, 2011

Corrida da Graciosa 2011 - Como Foi

Foi bom.

Não...bom é sacanagem... Foi a melhor corrida da minha vida. melhor que as K42, melhor que Praias e Trilhas, melhor que qualquer outra coisa que eu já havia feito.

Chovia um tanto na largada. Os momentos anteriores foram passado sob a proteção de um telhadinho, conversando com companheiros de roubada. Largamos às nove, já com a sensação de que seria "o dia". Pernas leves, segurando pra não forçar demais. Começamos a subir de verdade no quilômetro dois e a as pernas estavam ótimas. Corri apreciando o visual enevoado, muitas vezes com visibilidade menor que 20 metros. O paralelepípedo estava liso, mantendo-me concentrado e focado. Quando percebi já estava no quilômetro 5. Pouco mais, já estava no 10.

Pouco adiante começa o asfalto, a pirambeira se inclina ainda mais e encontro o Super Marcelo Moraes. A partir de então corremos acompanhados e tagarelando feito duas lavadeiras, para incredulidade daqueles corredores que ultrapassávamos e que imploravam por um pouco de ar no final da subida.

Fim da subida lá pelo quilômetro 15, era hora de soltar numa sucessão de sobes e desces bem agradável. Cruzamos juntos o portal da Graciosa com 1h55min00. Prova perfeita em todos os sentidos. Organização nota dez, super simpatia dos staffs, enfim, tudo funcionando e sem frescuras. As fotos do post mostram momentos incríveis: cruzar a linha de chegada com o Marcelo e depois confraternizar com bons e novos amigos, entre eles o Hugo Magalhães, parceiro de muitas praias e trilhas.





Acredite em você! Não confie cegamente no que lhe dizem antes de experimentar se funciona. Ninguém pode lhe conhecer melhor que você mesmo. Mas se você tem dúvida disso...procure ajuda psicológica urgente =)

Conclusão do final de semana esportivo: Estou pronto!

setembro 29, 2011

Corrida da Serra da Graciosa 2011

Lá vou eu...

Corri essa prova em 2005, em tempos pré-garmins, pré-assessorias e pré Circuito das Estações. Apesar de hoje haver muito mais gente correndo por aí, poucos ainda se animam a encarar essa prova, tida como um das mais duras do país. Admito: mais sofrida que essa acho que só mesmo a Maratona de Foz que corri em 2010. Serão 20 quilômetros de corrida, sendo 14 deles totalmente em subida, sem refresco, partindo quase do nível do mar até praticamente mil metros de altitude.

Acho bastante simbólico correr do litoral ao planalto cruzando uma região altamente preservada e percorrendo uma estrada construída em 1873 e por isso devo encará-la este ano mais uma vez.

Será um bom teste de início de preparação para os 100 quilômetros nos Andes no mês de abril vindouro.

A prova irá rolar no domingo, dia 02 de outrubro e as 700 inscrições já se esgotaram há tempos.  Que tal treinar e se preparar para largar em 2012 na Graciosa?

Deixo abaixo o perfil altimétrico da prova.

Abraços, beijo na bunda e até segunda, quando postarei aqui as impressões da prova.




setembro 25, 2011

De 0 a 100 em 29 semanas

Vinte e nove semanas é um pouco mais de meio ano. Estou partindo do zero - relativo, não absoluto. Meu passado aponta quatro maratonas em asfalto (Rio, CWB duas vezes e Foz), três K42 Bombinhas , um Desafio Praias e Trilhas e uma Ultramaratón de Los Andes com 50Km  de trilhas na Cordilheira. Mas... passado é passado e chegou a hora de pensar em 2012.

Por que tão cedo, se ainda falta 3 meses para o final de 2011? Porque, para mim, em 2011 já consegui tudo que eu almejava. Uma boa prova em Bombinhas, ótimas trilhas na Serra do Mar, vida pessoal super bem resolvida, a profissional igualmente... Então, hora de concentrar forças na próxima (e ainda distante) meta: 100 Km em trilhas na Cordilheira dos Andes na Patagonia Run.

Planos traçados, hora de executar. Vinte e nove semanas de dedicação me levarão dos zero - quase não tenho corrido - aos 100 quilômetros. Nestas vinte e nove semanas eu tenho certeza que apreciarei diversos momentos bons e também os ruins. Uma longa jornada, quase 200 sessões de treino para uma meta: conhecer as profundezas da Cordilheira na região de San Martin de Los Andes da maneira que mais gosto, correndo e caminhando pelas pirambeiras geladas.

Na medida do possível, estarei postando minha rotina de treinos aqui, a fim de auxiliar e orientar aqueles que pretendam, quem sabe, seguir meus passos na longa distância em trilhas.

Com esse lance de atulizações automáticas da nossa vida via redes sociais e mesmo aqui no blog, espero poder compartilhar os acontecimentos para que, mais que a mera curiosidade sobre um treinamento para ultramaratonas, você que me lê possa absorver para si essa dedicação e esse amor pela Vida nas Montanhas.

Um beijo e um abraço a todos!

Abaixo, um vídeo sugestivo: Vinte e Nove - Legião Urbana ao vivo!


setembro 22, 2011

Font-Romeu Feelings - Patagonia Run 2012

Mesmo distante muitos quilômetros de Font Romeu, por vezes me sinto como se lá estivesse. É lá que vive e treina Kilian Jornet, mestre-mor das corridas de montanha de longa duração. Mestre não apenas pela exuberante performance que ele apresenta. Mestre sim pela humildade, leveza, talento, caráter, simpatia e maturidade para um atleta profissional de apenas 24 anos.

George Volpão vive em Campina Grande do Sul, cidadezinha localizada a aproximadamente 26 quilômetros de Curitiba, capital do Estado do Paraná. É abençoada em seu território com as mais belas montanhas do sul do Brasil, muitos quilômetros de trilhas e também tranquilas estradas rurais com subidas de lamber o joelho. É meu paraíso e é onde me renovo nas saídas que faço. Seja durante o dia, percorrendo caminhos já tão conhecidos, seja como foi hoje à noite. Meia horinha de treino em subidas de também lamber os joelhos e onde entendi que um verdadeiro corredor de montanha deve se preocupar em ganhar altitude, principalmente, ter ATITUDE. Simplicidade é a chave, como demonstram outros mestres como Scott Jurek, Anton Krupicka e Geoff Roes. 

Sendo assim, a partir de hoje, na preparação para minha primeira prova de 100K em montanha, estou contando meus treinos por desnível positivo acumulado e por horas semanais de treino. Coloca 30 minutos e 200 metros na minha conta numa estrada totalmente escura, por favor seu moço. Esqueçamos os quilômetros e os paces. Deixo isso para quem gosta disso e para os exibidos. Eu gosto é de pão com queijo e goiabada, do cheiro da bosta das vacas que pastam onde corro e das montanhas.

Por que para alinhar na largada de uma prova dessas é preciso treinar o físico. Mas para cruzar a linha de chegada, é preciso ter o espírito muito mais forte que o corpo. No dia 14 de abril de 2012 eu terei a revelação.

Bons Ventos!

 Geoff Roes, Anton Krupicka e Kilian Jornet em um dia memorável na edição 2010 da Western States 100

setembro 17, 2011

Cume do Pico do Monte do Morro Tucum

No domingo passado estive no cume do pico do monte do Morro Tucum, uma montanha que muito aprecio e que está localizada a pouca distância da minha casa. Uma corrida de 17 quilômetros em terreno misto de terra e asfalto me levou ao Portal da Estrada da Graciosa, local de encontro com o pessoal do grupo Montanhoso. Trata-se de uma galera com o mesmo interesse comum: curtir a vida ao ar livre nos finais de semana e um boteco na sexta, o que me levou a apelidá-los, também, de Botecoso =)

Vamos aos fatos: de lá partimos as nove da manhã, em um grupo grande para os meus padrões de montanha, mas bastante homogêneo e muito ordeiro nas questões de repeito ao meio ambiente. Gostei disso! Por volta das dez demos início à caminhada rumo ao cume do pico do... Dia perfeito, sol na medida certa, temperatura agradável e pessoas incríveis.

Voltar desta forma ao Tucum e Camapuan depois de quase 4 anos longe foi maravilhoso. Que dia. E como tudo é treino, dei umas forçadinhas em alguns momentos, contemplei em outros, bem como é meu ideal de Vida nas Montanhas.

Abaixo algumas fotos cedidas gentilmente por amigos como o Dalla e a Simone que lá estavam. E agora, pronto para mais.

Boas trilhas! 













agosto 27, 2011

Treino 02 para a Copa do Mundo de 2014 - Ultra Tour Du Campina Grande do Sul

Hola!

Esse lance dos treinos para a Copa do Mundo de 2014 ainda será melhor explicado. Mas basicamente são treinos-chave para meu projeto esportivo para aquele distante ano e mês.

E hoje foi o segundo, o primeiro você confere clicando aqui.

Treino curto na distância mas intenso no feeling.

Após a K42 Bombinhas acabei me perdendo. O "sucesso" subiu pra cabeça. Sucesso que eu mesmo criei, já que minhas expectativas para minha participação na prova foram superadas tranquilamente e a vida parecia ganha. Tirei o peso da dúvida sobre minha capacidade de correr uma prova longa e com prazer full-time ao cruzar a linha de chegada com uma lata de cerveja bem gelada.

A idéia era segurar uns dias e depois voltar aos treinos sem compromisso. Havia abandonado a proposta de me meter em uma corrida de 100 km em abril, na Argentina. Apareceu uma ideia de fazer um 60K em Canela no início de dezembro. Desanimei também. E aí algo se perdeu. Dias friorentos, chuvosos...enfim, todo tipo de desculpa valia para eu meter o pé na jaca, a boca no gargalo de um Cabernet Sauvignon y otras cositas más. Noites mal-dormidas, ideias dispersas na cabeça, vontade de mudar o mundo urgente e certa pressão na cabeça ajudaram a enterrar o pouco de lucidez que eu tinha.

Veio a noite negra e fria, a dura realidade da vida de quem tem sonhos e não abre mão deles.

E foi preciso tomar decisões e mudar. Sair da lama e escalar desde o fundo do poço emocional, financeiro, esportivo e nutricional em que me meti nos últimos 20 dias.

Correr apenas 6 km hoje teve a ver com isso. Sair sem camisa, sem relógio, com cabelos ao vento e sem pressa no gostoso sol de inverno do sul do país teve efeito imediato: simplificar ainda mais. Por isso esse treino foi importantíssimo rumo a 2014, como reafirmação deste compromisso.

Acabou! Ou começou, depende do ponto-de-vista.

Então que venha a próxima montanha, a próxima chegada e a próxima meta. Um dia de cada vez.

Tudo vai dar certo, acredite!

agosto 17, 2011

Fatos Técnicos Relevantes sobre a K42 Bombinhas 2011 - Parte II

Buenas!

Vambora então falar de mais algumas impressões que considerei importantes e vale compartilhar.

Vestuário:

Já tem algum tempo que eu venho usando materiais texteis que fornecem certa compressão no corpitcho. Comecei com as meias e agora estou nas bermudas. Para mim funcionam super bem, nem que seja como placebo. Afinal, os doutores da ciência ainda não chegaram a um consenso no assunto - ainda bem, consenso é um porre. Usei polainas de compressão da Flets na cor branca. Elas já tem mais de 100 km corridos e ainda mantém a qualidade inicial. A vantagem dessas polainas é o fato de se poder escolher as meias de sua preferência. No meu caso são umas Lorpen surradíssimas que deram conta do recado: nada de bolhas ou assaduras. Mas antes de vesti-las, claro, vaselina nos pés. Nas pernas usei uma bermuda de triathlon da Louis Garneau que paguei 50 pilas numa promo. Marca de modinha mas que funciona muito bem, produto de grande qualidade. Mas não pagaria os 220 mangos do preço original. Nem a pau Juvenal, só na promoção mesmo. Camisetinha Adidas Climacool, até agora o melhor tecido que já usei dos 10 aos 35 graus Celsius. Na cabeçola rolou uma viseira e uma bandana, combinação que proporciona versatidade conforme o clima. Apoiado no nariz fui de óculos comum, um Tifosi que custa uma fração dos Oakley. No fim das contas, nada tenho a reclamar e não mudaria nada, nem mesmo a cor da camiseta, preta, que mesmo sob sol e calor não esquenta de modo algum.

Hidratação:

Abandonei a mochila de hidratação e me arrisquei na pochete com garrafinha. Deu super certo. Economizei no peso e carreguei comigo tudo que precisava. Como os postos de hidratação estavam localizados, em média, a cada 5 quilômetros bastou fazer uma conta simples e pessimista: considerando que eu caminhasse toda a prova na velocidade de 5 km/h e que meu consumo normal de água se mantivesse - como nos treinos- em 500 a 600ml por hora, eu estaria em segurança.



Afinal basta recarregar a botella em cada posto e pronto. Assim fiz e assim funcionou. Usei o modelo Kailash Hydro Combo (em breve uma avaliação aqui no site), que conta com um bolso amplo para acomodar minha merenda feita de géis e barras de cereais. Esquema perfeito. Mochila, daqui em diante, somente em provas menos assistidas com hidratação.

Técnica:

Simples! Andar nas subidas, despencar nas descidas e trotar no plano. Subindo: andei as subidas mais longas e as mais íngremes. Por vezes dei um trotinho morro acima pra mudar um pouco a musculatura envolvida, mas sem deixar o coração vir à boca. Caminhar rápido foi e é bem mais eficiente que trotar ridiculamente morro acima. Descendo: treinei bastante em descida, então despencava com segurança. Tem que treinar pra valer, principalmente para fortalecer músculos próximos ao joelho e embrutecer os quadríceps, sempre muito exigidos nos barrancos. Vale também ir com atenção pra não virar o pé, o que significa tornozelos fracos. Fiz a lição de casa e no dia seguinte sequer eu tinha as dores típicas de quem corre forte nas descidas. No plano: meu ritmo feijão com arroz, suficiente para entabular uma conversa animada.

Motivação:

Ter uma meta diária! É importante, claro, programar algo, como a k42 Bombinhas por exemplo. Mas se você não levantar a bunda da cadeira e não ir pra estrada, pra trilha todo dia, a K42 fica longe, distante e dolorida. Essa teoria fez todo sentido nesse ano em que treinei melhor e mais frequentemente. Como treinei com mais assiduidade e consciência, no dia da prova as coisas fluíram. Não tem segredo.



Por isso a chave da motivação não acho que seja focar no grande objetivo meses adiante. A chave do meu "sucesso" - traduzindo essa palavra como completar a prova em um tempo satisfatório e sem sofrimento - foi estar motivado a cada manhã programada para correr, nem que fosse um trote de 4 quilômetros ou um longo de 30 no frio e na chuva.

Um dia após o outro, honey!

E no próximo post encerro o assunto K42 Bombinhas =)

Abraços e bons treinos!

Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava. Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito...