fevereiro 06, 2014

Propaganda de Refrigerante



Envelhecer não significa necessariamente embrutecer. Não vejo a vida como o leite e o vinho, que com o passar dos anos azedam. Eu vejo como a oportunidade de viver cada vez mais intensamente pois a dura realidade é que cada dia que passamos aqui é um dia a menos por viver.

E isso não é negativo. Isso é positivo pra caralho! Isso é viver cada segundo. Isso é permitir perder o fôlego em um pôr do sol, em um primeiro beijo ou na assinatura de um contrato de compra do seu primeiro imóvel. Viver positivamente deveria ser muito mais que um slogan de uma propaganda de refrigerante. Viver assim é o que me mantém firme na lida. Na lida e não na luta. Não vejo a vida como uma luta. Não gosto de lutas. Eu gosto de ousar e conquistar. Um desbravador é como me vejo. Não me torna melhor que ninguém, jamais houve pretensão assim.

Agora, com 37 anos completados no dia de ontem, todo aquele cinza que as vezes aparece no meu campo de visão, começa a se diluir. Como um filme dos anos 30 que foi colocado som e cores posteriormente. Uma história já escrita e que toma novos tons. Uma certa maquiagem. Colorir a vida nunca me pareceu fácil. Mas torna-se necessário.

Necessário é, segue o baile. Com fé!

Quando o sol nasce, a escuridão se vai. Da alma, inclusive. Vista do Solar dos Volpão, residência oficial deste que vos escreve estas linhas tortas.

fevereiro 04, 2014

Prepara!

Prepara!

Prepara a metralhadora verborrágica e inútil. Prepara a cabeça se é que ainda existe. Existe? Existir ou não é algo que não se pode dizer. Afinal, o homem é o animal mais inteligente do planeta. Mas essa é a visão do homem, não? Se eu fosse um macaco, me acharia muito mais sábio. Para que descer das árvores, criar cidades, ficar rico, comer mais mulheres?

Prepara a ideia ridícula de querer, lutar e poder. Prepara o bolso para ter dinheiro para comprar sem se vender. Assim somos, assim vivemos e assim deve continuar. É a lei, doutor, por favor respeito. Ser proativo, neoliberal ou velha-virgem pouco interessa. As cortinas abertas mas a janela fechada que impede o ímpeto. A fúria que vem do mal mas traz o bem. Porque nada é tão bom que não possa melhorar ou nada é tão ruim que não possa ficar pior? Tirando o ruim, o resto está bom? Qual é, cara?

Prepara a cara porque não pode ter nem sebo nem espinha. E se tiver, por favor, favor rebocar com aquele make da China. Não pode ser feia, nem pobre a ponto de ter somente dinheiro. Compartilha e me dá um like? Tenso né, guria?

Prepara o bucho porque existe um 38 e é ótimo falar isso. Não olha para a mina, não ouse querer dobrar na conversa. Quer bala, quer perna quebrada, quer sangue. Quer o que, cara pálida? Quer assumir a imbecilidade? Conseguiu. És mais autêntico que eu, que me escondo pelas noites escuras.

Mas não, não termina assim comigo. Vamos tomar um café?

fevereiro 01, 2014

A Vida nas Montanhas com Anton Krupicka

Olá!

Nunca escondi de ninguém minha admiração por este cabeludo esquisito. Acompanho sua vida nas montanhas desde o antigo blog Riding the Wind e agora continuo aprendendo muito no site pessoal, o www.antonkrupicka.com.

Conheci o cara, seu blog e seu primeiro filme em 2008, bem antes do atual boom do trail running no Brasil e seus adeptos que se inspiram nos atletas mais visualmente do que nos valores.

Anton vive verdadeiramente a montanha, equilibrando uma paixão verdadeira pelas montanhas à uma vida atribulada como atleta profissional de uma grande marca de calçados esportivos.

No segundo filme, In A High Country, lançado no ano passado, há uma mostra ainda maior de sua relação com as montanhas, que me inspira cada vez mais de que o que mais vale são os momentos passados lá em cima.

Alguém com o vínculo muito maior com o ambiente do que com o esporte. Valorizo!

Abaixo e aqui um trecho do filme acima citado, que muito me agrada.

Boa semana!



janeiro 30, 2014

Por Quatro Barras e Região em 2014

Fim do mês chegou e tudo se acalmou. Os dias tem estado quentes ao extremo no extremo do primeiro planalto paranaense. Sim, porque em tempos fossem antigos, aqui onde moro era uma borda de campo. A pouco mais de três quilômetros está o distrito quatro barrense de Borda do Campo, ainda em alusão àqueles tempos que haviam descampados a perder de vista por aqui. Agora, além do ridículo progresso do qual hipocritamente faço parte, se vê também a profunda ignorância sobre onde se vive.

Não escolhi, junto com a Ana Barbara, Quatro Barras para viver ao acaso. Lugar que travei conhecimento pela primeira vez nos anos oitenta, de cara me chamou a atenção. Algo bom no coração, simplesmente. Ficou a ideia: um dia viver nesta terra. Pesquisei, me informei, conheci a história e algumas pessoas. Sei que hoje vivo na bacia hidrográfica do Capivari, que ouço a vizinhança acelerando em chevettes rebaixados e que a casa está situada a pouco mais de 920 metros de altitude.

Challenge accepted. E missão cumprida. Hoje, nesta belíssima terra, passo a maior parte da minha vida. Tenho os cumes por perto, tenho a cidade por perto. Ainda preciso dessa porra de cidade, não há termo melhor para utilizar, perdoem-me os chatos e antiquados. Preciso para pagar as contas, para comprar o pão nosso de cada dia entre otras cositas más. Preciso para ganhar o dinheiro também, quem não gosta?

Um dia, tudo vai mudar, e assim como me dei uma missão e a cumpri, outra se inicia.

É sabido que rompi o LCA (Ligamento Cruzado Anterior) no dia 29 de novembro e desde então não pude mais praticar o esporte que amo, a corrida de montanha, a corrida fora do asfalto. Passei a pedalar e até já subi o Morro do Anhangava, coisa que muito preguiçoso jamais terá iniciativa de fazer. São dois meses passados e dois meses onde as dúvidas se foram e as certezas tomaram conta.

É este o período antes do carnaval em que as fantasias deram lugar à fria realidade. Ótimas conversas, com ótimos amigos. Apoio de profissionais, cada um no seu ramo, da culinária à fisioterapia, passando por astrologia e vida financeira. Colhi as informações. Joguei no bolo fecal mental da minha cabeça e saiu uma pasta pronta para ir ao forno.

Mais pé no chão e mais cabeça nas nuvens. Mais bike na estrada, mais amor para dar, mais trabalho a fazer. É assim que gosto de viver. Tudo sintetizado em uma frase inspiradora surgida em um vídeo de treinamento empresarial: 

"Dar o melhor de si naquilo que faz de melhor para o benefício dos outros." - Charles Handy

Queria um lema para 2014? Pega esse. Para toda a vida.

Hora do confessionário:

- Em 2014 não levo o veganismo a ferro e fogo. Tenho a enorme vantagem de contar com ovos frescos e vindos de galinhas muito felizes aqui das chácaras da região. Não vejo mal comer os ovos produzidos desta forma, pelo rabo das galinhas felizes. Eventualmente, uma pizza eu também não tenho como dispensar. Eu gosto e pago o preço por "sofrer" na consciência por comer algo que causou dor e sofrimento a outro ser vivo. Reconheço a fraqueza do espírito aqui. A carne, esta sim abolida, para todo o sempre, principalmente depois das "escorregadelas" do final de 2013.

- Não tenho mais vínculo com empresas esportivas por opção própria. Recebi por um tempo apoio da Deuter com equipamentos e recomendo a todos, para sempre. Da mesma forma, até o final do ano, era atleta da Território Mountain Team, participando de corridas de montanha. Deixei o time por escolha própria, igualmente. Quero - e preciso de - liberdade. Obrigado por tudo, amigos Território. São como uma família para mim, mas, uma hora, o filho deve voar ;)

- As eventuais competições que eu vá participar, levarei o nome Força Vegana e Trail Running Club Brasil.

A propósito, sou contratado TRC Brasil, nada mais que isso, por favor não confundam. Ganho a vida prestando serviço de consultoria em marketing digital e comunicação social para a querida empresa dos queridos amigos Ricardo Beraldi e Raphael Bonatto. Mas faço também outros 'bicos".

Em breve vou colocar o portfólio profissional do Volpão à disposição.

Chega de papo. Era pra eu escrever uma coisa e saiu outra, que porra de falta de foco... 

Vem ni mim fevereiro, que outro ano se inicia para mim, com 37 anos completados no dia 05. Fotos do mês, abaixo.

Beijunda, seus bronhas ;)


Faxinando!

Lá vem o sol! Vista da casinha...

Ame como se não houvesse amanhã!

Riding!

Pico do monte do cume do Morro do Anhangava. Estou de volta!

Perfeita simetria, duas metades iguais.

Os primeiros amigos com quem passamos vergonha pela zona na casa nova!

Bate-papo com o maior dos maiores: Vitamina!

Trabalhamos pra caralho pra deixar essa porra apresentável. Favor apreciar, hehe.






janeiro 17, 2014

Relatório 01 - Janeiro 2014

Isso, aê, feliz 2014 a todos, piazada.

Tem sido um pouco rara a minha presença no blogue. E vamos àquele papo de sempre: escrever mais, compartilhar mais, e tudo mais, mais e mais.

Assim é a tal sociedade pós-moderna: mais, mais e mais. Mais dinheiro, mais saúde, mais relatórios, mais metas, mais objetivos, mais foco e mais felicidade.

Tem a New Balance que trabalha com o conceito de "menos é mais" para justamente o que? Vender mais, é claro.

Quando, enfim, realizei com a Ana Barbara a mudança para Quatro Barras, a mudança também visava "mais" qualidade de vida, "mais" tranquilidade, "mais" proximidade com a Serra do Mar e "mais" economia.

Bah, o apartamento é sensacional. Não tem "mais" que 60 metros quadrados. Mas por que um casal poderia almejar "mais" que isso? "Mais" que dois quartos? Mais que aquilo que o bolso pode pagar em qualquer situação? Mudamos logo após a virada de ano e as coisas ainda estão se ajeitando. Em breve poderemos receber os amigos, algo que queremos fazer com frequência. Os gatos chegarão neste final de semana, que deve ser o primeiro onde, enfim, tomaremos o rumo da Serra do Mar. Apenas 5 quilômetros de bike nos separam da base do Morro do Anhangava, onde a paixão pela montanha foi despertada na prática em 28 de janeiro de 1995, quando pisei em seu cume pela primeira vez. Desde então, nestes 14 anos, mais de uma centena de vezes estive percorrendo as trilhas das montanhas paranaenses. Agora, estou cada vez mais perto da Serra.

E assim, aos poucos, vou deixando meu caminho cada vez mais traçado e direto: sem muitos desvios, espero, aproveitarei muito a viagem que me aguarda. Mergulhar dentro de nós mesmos é absolutamente fascinante, trazendo histórias e paisagens que jamais encontraremos em outros lugares.

Estou viajando em mim. Uma viagem sem fim. Um relatório da produção semanal, mensal e universal. O ponto de equilíbrio entre o bem e o mal. Para, no final, saber aquilo que seria óbvio: tudo muda, o tempo todo, no mundo.

Estou em mudança. A casa é nova mas o espírito ainda é pobre. Que venha o enriquecimento e fortalecimento. Seja do joelho podre, seja da alma que parece mais inquieta que naquele 28 de janeiro de 1995. Que venha a hora do almoço para matar a fome que mata. Que a chuva traga alívio imediato. E que os muros e as grades da minha alma, caiam.

Para ilustrar uma foto nada a ver.


dezembro 25, 2013

Passado, presente e futuro nas montanhas - Com George Volpão

Pensar em linha do tempo sempre foi algo que ocupou bastante a cabeça dos homens. Apegar-se ao passado, viver o presente com intensidade e sonhar com o futuro é parte integrante da vida cotidiana de praticamente qualquer ser humano.

Em tempos de retrospectivas - acho até que já fiz uma bem mixuruca, com o recente acontecimento de ter rompido o LCA (Ligamento Cruzado Anterior) do joelho direito, mudanças se fizeram necessárias para o ano que chega.

Isso tudo coincide com a entrega das chaves do apartamento em Quatro Barras (20 km de Curitiba, 5 Km do Morro do Anhangava) que comprei com a Ana Barbara e a consequente necessidade de investimentos de grana e tempo para deixar o local habitável. Quem aí já comprou imóvel na planta sabe como é: a chave está na mão mas ainda há coisa por fazer: limpeza pesada, colocação de piso, instalações diversas, mudança, decoração e muito mais.

Estes dias, portanto, tem sido bem intensos e com a cabeça bastante distante daquele recorrente tema montanhoso. Não consigo planejar nada para daqui algumas semanas ou meses nas montanhas enquanto não estiver tudo ok no local que escolhi para viver.

Isso tudo traz uma sensação muito boa e uma amplitude mental ainda maior naquilo que sempre defendi e preguei: abrir a cabeça, diversificar atividades e disposição para encarar o que aparecer.

Hoje meu desafio é, junto com a esposa, montar um "lar". Um lugar onde possamos viver com paz, segurança e prazer. Para chamar de "nosso lar".

Com isso, sinceramente, meu joelho bichado para correr é a última coisa que me importa. A satisfação maior atual é estar vivo para superar este novo projeto que é tornar real a loucura criativa do casal na montagem e decoração do apartamento. Só temos a dizer: vai ficar realmente  "muito louco!"

No meio disso tudo, ainda surgiu conjuntamente uma ideia de empreendedorismo na nova cidade que nos acolherá. Ou seja, o corpo pode até dar sinal de desgastes, mas a mente continua inquieta. Vamos amadurecer isso antes de dar outro passo.

Um ótimo Natal e excelente 2014 a todos. Que seus desafios e conquistas sejam merecidos e atinjidos.

Beijos e abraços.




dezembro 10, 2013

Corra (ou ande) para as montanhas

Bem, é isso.

Após a consulta de sexta-feira passada, veio o diagnóstico definitivo: Rompimento do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Aconteceu assim (leia aqui). Totalmente rompido, joelho frouxo. Foi impressionante ver o médico fazer a "Manobra da Gaveta" e sentir a perna solta... Desde então, cinco dias se passaram e cinco milhões de ideias igualmente. A recomendação imediata do especialista é operar, para que possa voltar a fazer as coisas que faço, ter vida ativa, enfim. Quem já sofreu do mesmo problema recomenda igualmente. Li muitos bytes na rede, quase todos unânimes em apontar a cirurgia como solução definitiva.

Não, eu não tenho problema com bisturis e parafusos. Mas a ideia verdadeiramente não me agrada e neste intervalo de tempo tenho consolidado cada vez mais a ideia de apostar em um tratamento conservador e "autônomo" baseado em fortalecimento muscular (algo que jamais fiz), muita paciência e, principalmente, respeito. 

Respeito a esse corpo já cansado. Eu, que cansei de ver atletas amadores cheios de lesões das mais diversas, praticamente todas elas provocadas por sobrecarga nos treinos e pouca recuperação, hoje me vejo passando por uma lesão aguda séria e impeditiva para minha atividade atual (corrida de montanha). Sim, não é possível praticar este esporte com o LCA rompido. De tudo que tenho lido, nada garante que eu possa voltar a praticar o esporte sequer no mesmo nível (amador e entusiasta) que eu estava ao realizar a cirurgia. Li também sobre os casos de infecção, de dores para o resto da vida na parte frontal do joelho e, pasmem, de infecção hospitalar. Isso tudo não me assusta. O que incomoda, na verdade, é dispender um bocado de dinheiro e de TEMPO parado em busca de algo que não é garantido.

Gostei muito do que li aqui: 


Com o tratamento conservador eu posso pedalar, ir à montanha (sem exageros como antes), fazer natação, remar e até mesmo correr de leve, uns trotinhos de 5 a 10 Km no asfalto.

Realmente, tenho que concordar que correr em alto nível ou além do "normal" não se trata de saúde, mas de massagem de ego. Entendo hoje que eu provei desse doce veneno da dita performance, do correr forte (não muito, mas pra mim era), do correr "muito" (longas distâncias no caso). Não me arrependo de nada disso que fiz, de nenhuma competição nem de nenhuma meta traçada e cumprida.

Mas hoje, tenho articulações de um senhor de 65 anos e não de um ser humano saudável e equilibrado de 36 como aponta meu R.G. Um ligamento não romperia assim, em um simples salto, não tivesse eu sobrecarregado tanto meu corpo durante esses quase 20 anos correndo. Minha primeira corrida de rua foi em 21 de abril de 1994, a Corrida de Tiradentes em Maringá - PR, onde com 17 anos fiz 12 km em apenas 48 minutos (algo que eu não sei se conseguiria fazer antes da lesão que tenho agora).

Um ligamento não romperia assim, em um simples salto, não tivesse eu sobrecarregado tanto meu corpo durante esses quase 20 anos subindo montanha. A primeira delas foi o Morro do Anhangava, em 28 de janeiro de 1995. Desde então não parei mais, tendo subido mais de 30 vezes o Pico Paraná, tendo passado mais de 100 noites acampado na Serra do Mar paranaense, carregando mochilas pesando entre 12 e 25 quilos (conforme a trip) por dias inteiros seguidos. 

Sim, isso exige. Pode ser que muita gente não sofra de lesões por conta disso. Elas tem os limites delas. Eu descobri o meu. E aí que entra o respeito.

Que 2014 traga novamente montanhas, e que eu volte a enxergá-las mais como catedrais e não como estádios (*).

Beijos e abraços.

(*) Parafraseando Anatoli Boukreev"Mountains are cathedrals: grand and pure, the houses of my religion. I go to them as humans go to worship...From their lofty summits, I view my past, dream of the future, and with unusual acuity I am allowed to experience the present moment. My strength renewed, my vision cleared, in the mountains I celebrate creation. On each journey I am reborn." 

Algo como: Montanhas são as catedrais onde eu pratico a minha religião ... Eu vou a elas como os seres humanos vão aos templos. De seus altivos píncaros eu vejo o meu passado, sonho do futuro e, com uma acuidade incomum, eu vivo a experiência do presente momento ... a minha visão clareia, minha força renova. Nas montanhas celebro a criação. Em cada viagem rejuvenesço.

O autor deste blog com o joelho imobilizado em breve descanso durante uma leve caminhada na Serra do Mar 8 dias após o rompimento do LCA.

Dois meses depois, voltei a correr em trilhas — novamente no Anhangava. Nesse meio tempo, foram poucas corridas pela cidade, mas com direito...