Quem me conhece um pouco mais sabe como "gosto" de contrariar padrões. E coloco entre aspas exatamente porque não é exatamente um "gostar". É como se o mundo me obrigasse a isso.
E o que tem isso a ver com o que escrevo hoje?
Tem a ver que a temporada de montanha 2022 aqui em minha região está acabando e só agora pareço estar sadio o suficiente para frequentá-la do jeito que eu gosto. Sim, do contra também nesse caso. Nem tanto por opção, mais por resignação. É o que tem.
Finalmente o corpo começa a dar sinais de maior resistência e força, graças ao já mencionado Pilates, à alimentação mais natural e ao cuidado que dediquei ao tratar esta minha última lesão, que se confirmou através de exame de ressonância magnética, tratar-se mesmo de uma fasceíte plantar no pé direito.
Integralista como me vejo, sei bem que não se trata apenas de cuidar do pé, da fáscia plantar propriamente dita. Tem muito mais coisa envolvida para que esta lesão se manifestasse.
Toda a minha cadeia posterior do lado direito apresenta um desbalanceamento. Nas atividades de alongamento fica visível como este lado do corpo é menos flexível, mais tenso, mais rijo. Reflexo também de comportamentos e atitudes mentais que nada facilitam uma evolução neste aspecto.
Eu mesmo muitas vezes me vejo inflexível, tenso e rijo. Estar trabalhando este aspecto mental certamente também ajudou em uma recuperação mais rápido do que eu mesmo poderia esperar.
Logo, com um pouco ainda de dor no pé e uma certa inflexibilidade nas coisas da vida, vejo meu caminho nas montanhas sendo traçado novamente.
Estou feliz com isso.
No último domingo 28 de agosto pude inclusive retornar às montanhas com um trote leve (após um sábado de corrida longa na cidade por 16 quilômetros, algo impensável apenas uma semana atrás).
Setembro se aproxima, a temporada das butucas também, mas amante da montanha que sou, não serão os insetos e tampouco o forte calor esperado para este verão que deterá o ímpeto de viver ainda mais nas montanhas.
Nos últimos tempos pude provar para mim mesmo que posso ir além da motivação. Posso ter disciplina. Ela que é tão necessária para o sucesso que busco. Que não tem a ver com glórias, pódios e recordes. Mas com experiências.
Não, eu não tenho medo de morrer. Em tenho medo é de não viver.
Esquece as modinhas, Volp. Não te deixa levar pela empolgação da vida digital. Tu sabes que o trail running não é mais o mesmo de quando iniciaste nisso 15 anos atrás. Neste final de semana que passou pudeste comprovar.
Correr em trilhas e por muitas horas nunca deixará de ser um dos teus grandes prazeres. Mas não te ilude achando que a inocência de outrora ainda possa ser encontrada nestes dias midiáticos.
Temos show business como regra e teu lance é outro. É corre libre. Tua essência é a liberdade e a camaradagem. Esquece os mortos, eles não levantam mais.
Sei bem que nunca será algo pessoal. Nunca será referente à fulano ou sicrano. Quem te conhece sabe que é mais sobre como o "sistema" se desenvolve, como as coisas se desenrolam. Nessa politicagem nojenta que vem lá de cima, nessa ânsia desmedida por parecer o que não se é, nessa letargia que afeta a sociedade atual que consome e se consome como se não houvesse amanhã.
Até porque, como diz a canção, "se você parar pra pensar, na verdade não há".
Mas será que não há mesmo, Volp?
Eu sei que tu sabes que na verdade, mas na verdade mesmo, há. Tu só não podes querer prever que seja sombrio ou ensolarado. Isso realmente não nos pertence, prever o futuro.
Mas saindo dessa conversa filosófica sobre existência ou não de futuro, o que há de fato é o presente correto Volp? Nele estamos todos inseridos e guiados pelo senso comum, pelas convenções sociais que muito importantes são, concorda?
Esta é semana de UTMB, Volp, a Ultra Trail du Mont Blanc e suas incontáveis opções de provas e distâncias. Aquela prova que tu "descobriste" em 2008 e que foi vencida por um novinho magrelo da Catalunha e que viria a se tornar a maior referência da modalidade em todos os tempos, Kilian Jornet. Ali te encantaste com aquela vibe de desafio nas montanhas, algo que sempre apreciaste desde tua primeira visita ao Marumbi em 1995 com apenas 18 anos de idade.
Certamente é o mais midiático dos eventos no nosso querido Ultratrail. É uma exposição frenética tanto por parte dos organizadores, como por parte das marcas lá presente e, obviamente dos atletas que lá estão por merecimento, já que conseguir uma vaga para qualquer uma das provas exige mais que disposição e sorte.
Eu sei que tu, Volp, no fundo acha isso bastante positivo. Quem mal te conhece é que acaba julgando-te como viúva dos velhos tempos. Mas quem te conhece intimamente sabe o quanto te alegras em ver que esse crescimento todo tem um saldo positivo.
É claro que todo crescimento gera dor também, mas são "dores do bem". É impossível progredir sem, infelizmente, deixar algumas coisas e algumas pessoas para trás. É o fluxo inexorável da vida. Não se pode ganhar sempre, Volp. Porque era isso que tu querias lá atrás, quando começaste 15 anos atrás. Tu querias mais provas, mais, atletas, mais opções de equipamentos. Aí está.
Ok que junto com isso vieram o consumo desenfreado, as deslealdades, o doping, o impacto ambiental e as futilidades. Mas isso, tu sabes Volp, não é exclusividade do nosso Trail Running. É do ser humano e quanto a isso, nada podemos fazer. Nem Jesus pode.
Sei que desfrutarás esta semana mágica, o "sommet du trail mondiale". Estávamos ansiosos por acompanhar nossos amigos e nossos herois. É chegada a hora, Volp.
Então faz tua parte, manifesta tuas intenções e pensamentos, fala aos que dispostos estejam a isso e segue.
Afinal, quem faz o caminho é o caminhante ao caminhar.
Não tenho vivido os dias mais fáceis da minha vida esportiva entre dezembro de 2020 e agora, agosto de 2022.
São quase dois anos sem a consistência idealizada, almejada e que infelizmente ficou no passado.
No último mês de 2020 sofri uma ruptura muscular nos músculos isquiotibiais da coxa esquerda, conhecido popularmente como posterior de coxa.
Não procurei tratamento correto (na verdade só descobri que se tratava de uma lesão grave após alguns meses), voltei a correr antes do prazo e tratamento ideais e acabei por atrasar bastante a recuperação.
No mês de março de 2021 uma nova torção do joelho direito que tem um LCA (Ligamento Cruzado Anterior) rompido, correndo Velódromo do Jardim Botânico de Curitiba. Incidente bobo, ao tentar desviar de um atleta parado no meio da pista enquanto eu imprimia uma boa velocidade em um treino intervalado.
Mais algumas semanas de molho.
No mês de julho de 2021 retornando aos treinos começo a sentir dormência e falta de potência em toda a cadeia posterior da minha perna esquerda.
Desta vez, consulta com especialista em coluna, exames de imagem e o diagnóstico: Protusão Discal entre L4 e L5 que estava pressionando nervos que fazem a conexão com a perna esquerda.
Tratamento é fazer fortalecimento, algo que, erroneamente, sempre acabei por subestimar, raramente fazendo alguma sessão específica.
Segui nos meses seguintes também sem muita motivação e estrutura de treinamento até o final de outubro quando decido voltar a levar a sério e correr novamente com acompanhamento especializado, junto à ML Mix Run do meu querido Manuel Lago, profissional do esporte lá do Rio de Janeiro.
No entanto, férias de 3 semanas no final de janeiro de 2022 me tirou novamente o foco e a vontade de fazer algo mais estruturado.
Prato cheio para aumentar o risco de lesões.
Pior ainda, veio uma gripe fortíssima, daquelas que acometeu quase todas as pessoas que eu conheço aqui em Curitiba entre junho e julho de 2022, logo após minha participação na Meia Maratona Internacional de Curitiba.
E agora, uma vez superado o período gripal, ao voltar a correr, uma dor incômoda no pé direito, que me leva a crer se tratar de uma fasceíte plantar provocada também pela falta de fortalecimento específico.
Iniciei na prática do Pilates em maio deste ano, o que me garantiu um visível aumento de força e flexibilidade mas que ainda parece estar longe do ideal para fornecer aquilo que preciso encarar em minhas propostas esportivas.
Pois é, amigos. A idade chega para todos. Tudo aquilo que eu fazia na casa dos meus 30 ou 35 anos hoje, com 45 anos, é impossível sem disciplina, dedicação e foco que não tenho agora.
Naqueles tempos, bastava calçar os tênis para sair correr 30 quilômetros ou meter o capacete na cabeça e fazer 100 km de bike.
Todo este abuso do passado, as quase 40 subidas ao Pico Paraná, as 13 maratonas (sendo 8 em trilha), a La Mision Serra Fina, minha única prova de trail running de 80 km e que realizei com pouquíssimo treino específico... tudo isso teve um preço e a fatura chegou.
Escrevo para desabafar que não está sendo um momento fácil essa fase de compreender que envelhecemos e mudamos.
Que se quero novamente desafios esportivos será necessário um cuidado maior com alimentação, treinamento e descanso, os pilares do sucesso.
O primeiro passo foi dado, que é o reconhecimento de que é preciso mudar. Algumas dessas mudanças estão sendo colocadas em prática, como voltar a comer melhor, focar mais ainda no Pilates semanal, me dedicar aos treinos em cima da bicicleta antes de voltar a correr.
Significa também dar um tempo nessa fissura de gravar vídeos no YouTube visando algum retorno profissional futuro e focar naquilo que me paga as contas, viagens e alguns prazeres que é a Jamur Bikes.
Significa também tentar voltar a escrever, porque os momentos que passo junto ao teclado colocando as ideias em forma de palavras escritas me proporcionam um prazer único.
E significa, principalmente, entender que a vida é muito mais que calçar tênis e ir correr, seguir uma planilha, comprar peças de bicicleta para uma ilusória melhoria de performance em atletas amadores e se inscrever em competições.
Não deveria ser minha prioridade. É somente o complemento para uma vida mais plena.
Então, primeiro resolver essa "base", a fundação do ser humano George Volpão.
Pois é, eis-me aqui relatando de forma breve a minha participação nesta edição 2022 da Meia Maratona Internacional de Curitiba, prova que como o nome diz, é realizada na capital paranaense na distância de 21.095 metros.
A Preparação.
Após ter participado do Mountain Do Praia do Rosa neste ano (cujo relato estou devendo também), busquei algo que me mantivesse motivado para os treinos de corrida. Pensei: por que não uma meia maratona em asfalto?
Em conversa com meu treinador Manuel Lago, ele achou uma boa ideia e logo encontrei essa opção local. Sem necessidade de viagens e seus custos financeiros envolvidos. Infelizmente a viagem à SC para correr o Mountain Do foi uma péssima experiência neste aspecto e pretendo realizar viagens para correr somente se for realmente um objetivo muito especial de prova.
Isto esclarecido passei a treinar mais especificamente para o evento agendado para o domingo 12 de junho pouco mais de 2 meses antes desta data.
Logo após o Mountain Do passei a lidar com dores na coxa esquerda, aquela que teve uma ruptura muscular dos isquiotibiais em dezembro de 2020. Assim, recomendado fui para não realizar treinos muito intensos tampouco em trilhas muito íngremes, já que o movimento de descida de montanha exige bastante de toda a cadeia posterior do corpo.
Realizei o acompanhamento médico necessário, tirei o pé nos treinos e ao que parece a lesão realmente foi embora após algumas semanas. Isso me permitiu pelo menos retomar os treinos intervalados das terças e quintas. Mas ainda assim, deixei de lado os treinos de montanha. Somente na semana anterior que fui testar os motores, de tanta saudade que eu estava, na região do Morro do Anhangava.
Aliado a isso, no início de maio iniciei na prática de Pilates às segundas e sextas, notando após algumas semanas uma melhora geral no aspecto de mobilidade, alongamento e fortalecimento geral.
De toda forma, apesar dos bons treinos realizados, ainda me mantive BASTANTE desregrado na questão alimentar e no descanso, dormindo poucas horas e me entupindo de alimentos industrializados, ainda que sem ingerir alimentos cárneos. E assim, cheguei aos dias anteriores à prova cercado de dúvidas...
O Pré Prova
Tirando um pouco o o pé nas sessões de treino nos dias anteriores e tentando me alimentar melhor, hora de direcionar atenção ao aspecto meteorológico previsto para o domingo da prova. Previsão do tempo indicada uma intensa massa de ar polar justamente para o final de semana da prova, indicando temperatura mínima na casa dos 2 graus às 6 da manhã do domingo, dia da prova.
Isso exigiu uma estratégia diferente principalmente para vestuário e aquecimento propriamente dito. Ainda bem que estava já adaptado à situação, pois 15 dias antes havia tido a oportunidade de correr com esta mesma temperatura em um treino longo de sábado e já sabia o que esperar.
Optei por retirar o kit de prova na sexta feira anterior, logo que disponibilizada esta opção. Melhor escolha, uma vez que no sábado, véspera de prova, tive relatos de amigos que levaram até 1h30min para retirada deste kit na loja Decathlon Barigui, uma falha muito grave do organizador da prova.
Neste mesmo sábado, já escolhido o fardamento de prova, tensão no ar e uma certa pressão desnecessária que me coloquei. Não me sentia treinado o suficiente para o que me propunha, que era fazer a prova na casa das 2 horas.
Apesar de estar veloz nos treinos intervalados, nos mais longos meu ritmo estava bastante lento. Parece que ainda me falta o "meio-termo". Tenho resistência para horas de atividade desde que de forma lenta e me sinto rápido para corridas até 30 minutos. Sabia disso e esta inquietação me tirou um pouco da tranquilidade na noite anterior.
A Prova
Com o relógio programado para despertar às 4 da manhã, vejo-me desperto uma hora antes. Rolando um pouco na cama buscando reencontrar o sono perdido, as inquietações voltaram. Mas que coisa boba, justamente comigo que jamais me importei com isso de tempo, pace, objetivos conquistados, etc...
Optei por levantar e preparar o desjejum favorito: panqueca de banana com aveia e canela e um café preto bem forte.
A largada da prova foi na Praça Nossa Senhora de Salete, a pouco mais de 1 quilômetro de casa. Fácil para chegar a pé. Mas havia o frio. Então, mochilinha e roupas quentes para serem deixadas no guarda volumes. Desta vez a Patrícia não poderia me acompanhar pois tinha compromissos profissionais neste mesmo domingo bem cedo.
Saí de casa às 5:20, muito frio e me encaminhei direto ao guarda volumes da prova. Após uns minutos de tensão, afinal a fila estava grande para deixar o material e o horário de largada se aproximava.
Acabou dando tudo certo e entrei no funil de largada faltando pouco menos de 5 minutos para as seis da manhã, horário previsto para a largada. Lá encontrei meu amigo Titai, parceiro comercial e de corridas em trilha.
Largamos pontualmente na mais completa escuridão para um já clássico trajeto de descer a Av. Cândido de Abreu, dobrar à direita na Inácio Lustosa e mais uma quebrada à direita para a Rua Mateus Leme.
Aos poucos a multidão vai se diluindo (Largamos junto com o pessoal que faria a prova dos 10Km) e consigo encaixar a minha corrida programada, na casa dos 5:30min/km.
retornamos à região do Centro Cívico e encaramos a primeira subida um pouco mais longa da prova, na Comendador Fontana sentido Alto da Glória. Obviamente a velocidade cai mas tudo sob controle.
Descemos a Ubaldino do Amaral, passamos por cima do Viaduto do Capanema com o sol nascendo, um momento muito bonito da prova.
Em seguida hora de encarar um bom trecho plano sentido PUC, indo quase até o encontro com a Linha Verde e retornando por uma via paralela.
Neste momento eu já estava no piloto automático, beirando os 10 km de prova. A estratégia de me alimentar com um gel de carboidratos a cada 40 ou 45 minutos funcionou bem mas me sentia um pouco desidratado. Havia falhado em tomar mais água pela manhã.
Umas pequenas bolhas nos dois pés começaram a me incomodar, mesmo estando com equipamento já testado anteriormente: Meias Hupi, creme antiatrito e tênis Hoka Rincon 2. Mas nada que me impedisse de prosseguir ou que me fizesse mudar a forma de pisar.
O momento mais tenso foi mesmo entre os quilômetros 12 e 14, onde meio que joguei a toalha e dei um foda-se pra ideia de meia maratona em duas horas. Bastaria completar e ok. Não estava mais curtindo. Passei a caminhar nos postos de hidratação. Mas, curiosamente, meu corpo se recusava a se entregar. Ele estava muito bem. Disposto, forte, sem dores e sem cansaço. A cabeça que não estava mais interessada em fazer tudo aquilo naquela velocidade programada de 5:30 no plano, 5:45 subindo.
No retorno á região central da cidade, superando a mais temida subida da prova ali no Viaduto do Capanema me vi novamente tomado de uma força interior que me fez acelerar novamente.
E aí começou a doer. Ma sum dor boa, uma dor gostosa. A respiração forte. Os batimentos acima de 180 por minuto. Senti-me vivo e bravo. Lutador. Batalhador por uma glória completamente questionável. Mas era o que me movia
E aí me vi feliz. Feliz pela entrega, por fazer força, por dar o máximo que eu tinha. Não importando em quanto tempo eu finalizasse a prova. O que valia era a entrega. Dar o que eu tinha. Tudo.
E dei. Na última descida, com os quadríceps quase em ponto de falha muscular, voava abaixo dos 4:40 por quilômetro.
O que foi suficiente para conquistar meu objetivo particular, fechara prova com o tempo oficial (no chip) de 2h00min08seg.
Duas horas de prova quase redondo.
E um punhado de reflexões que deixarei no próximo post.
Abaixo imagens que adquiri junto à Foco Radical e um vídeo sobre o assunto que publiquei em meu canal.
Força sempre!
O que que eu tô fazendo aqui?
Aqui as forças voltaram. Viaduto do Capanema, Km 17.
Se tem algo absolutamente obrigatório a ser feito quando se pensa em praticar caminhada, corrida ou bike numa região com a de Paraty; é acordar cedo.
O sol abrasador das 7 da manhã já é o suficiente para provocar um desgaste muito maior do que aquele que sofremos aqui em terras dos planaltos paranaenses. Então acordamos antes ainda e por volta de 6:30 já estávamos no caminho escolhido.
Para o o primeiro dia pensamos em fazer a trilha que comentei no post anterior, que leva à Pedra Cabeça do Índio passando pelas Piscinas Naturais do Cachadaço.
Sem jamais ter pisado antes na região, tivemos como munição o App Wikiloc em nossos aparelhos celulares. No meu caso, a versão paga, permite que você siga uma trilha baixada anteriormente e disponha de mapas offline. Logo, não precisa de sinal de internet parta navegar com um pouco mais de segurança.
A trilha em seu início é bastante fácil de se encontrar e de se percorrer. E em pouco menos de 30 minutos entre corrida e caminhada estávamos neste paraíso abaixo.
Impossível que as fotos traduzam a beleza que somente ao vivo podemos apreciar. Mesmo assim, é claro que fizemos dezenas de fotos e vídeos.
O bacana de ir cedinho é que por lá encontramos apenas um casal (que coincidentemente estavam acampados lá no Na Praia Camping também) e um outro trekkeiro solitário. O relógio mal passava das 7 da manhã e o calor já era bastante forte.
Obviamente caímos na água para uns mergulhos e em seguida partimos rumo à Pedra da Cabeça de Índio. Aqui, trilha um pouco mais longa e mais fechada, mas bastante tranquila de navegação, sem bifurcações ou roubadas.
Da Vila de Trindade até a Pedra são pouco menos de 5 quilômetros que em nosso passo se traduziu em pouco mais de uma hora de atividade (descontadas as paradas, é claro).
Lá na Pedra, só nós dois e o marzão a perder de vista. Um lindo dia. Breve lanche, muitas fotos, inclusive aquela clássica e voltamos à mata e à umidade sufocante da trilha.
Como o retorno seria feito pela mesma trilha da ida, decidimos passar novamente nas piscinas Naturais e aí o que encontramos foi o turismo de massa. Gente chegando em barcos e tudo. Mesmo assim curtimos um pouco por ali, novo banho para um refresco e partimos rumo Trindade.
Atividade esportiva da manhã realizada com sucesso, hora de comprar cerveja, preparar um almoço e repousar sob a sombra das árvores e a brisa do mar.
Ali no camping o forte calor não era problema.
E assim passamos o início da tarde, realmente vivendo o que chamamos de férias. Dolce Far Niente.
Por mais que os quase 10 quilômetros do trekking e corrida da manhã pareçam pouca coisa analisando a frieza dos números, a sensação foi de bastante esforço. Mesmo assim a Pati se empolgou para dar umas braçadas nas belíssimas águas de Trindade no final da tarde. Fiquei somente nas fotos, cansado que estava. E assim finalizamos mais esse dia incrível.
Dando sequência às memórias de férias do início deste ano, primeiramente me desculpo por tamanha demora na publicação dos textos. Poderia deixar meia centena de justificativas aqui mas é basicamente uma só que importa: procrastinação. Sigamos!
O domingo 23 de janeiro amanheceu MUITO bonito. Era dia de teste de 3 quilômetros e eu estava bem distante das condições ideias para isso, tanto física como geograficamente.
No aspecto físico porque já na semana anterior eu vinha com o tradicional pé na jaca alimentar. No geográfico porque poxa... eu queria correr na praia, na areia não é? Havia a possibilidade de realizar esse teste no acostamento da Rodovia Rio-Santos. Mas não ne? Férias, praia, o lance é correr na areia.
Pelo menos, a Praia de Guaratuba é na sua maior parte composta de uma areia bem compacta, o que permitia desenvolver um bom ritmo. Havia também a questão do forte calor e umidade presentes já ao amanhecer.
E que amanhecer! Um morro coberto de mata nativa junto à Barra do Rio Guaratuba deixava o cenário ainda mais bonito. Saí bem cedo, mas perdi o momento em que o sol se levantava à leste. Mesmo assim manhã maravilhosa de corrida, teste realizado de acordo com o protocolo sugerido e treino finalizado bem na hora que a Patricia já tinha tudo pronto para um desjejum. Como foi meses atrás, não lembrarei o cardápio mas sim dos eventos da sequência.
Já levantamos acampamento pois nesse dia iríamos rumo Praia de Trindade, já em Paraty, Estado do Rio de Janeiro. Tudo organizado, era hora de curtir um pouquinho a praia. A Pati se mandou para a natação dela coletando antes informações sobre correntes e marés junto a um pessoal que alugava caiaques.
Desta vez decidi não acompanhar remando e fiquei apenas me refrescando nas águas salobras da embocadura do já mencionado Rio Guaratuba. Neste horário de meio da manhã a praia já estava bastante lotada (lembre-se, era o último dia do feriadão municipal da capital paulista).
Desviando-nos da muvuca, fiquei curtindo fazendo imagens por lá, a Pati fez um treino de natação em condições ainda inusitadas para ela devido à forte correnteza em alguns pontos e depois de pouco mais de uma hora decidimos partir para a estrada.
A estrada é um show a parte e vale bastante ir sem pressa, curtindo. Apesar de termos "apenas" pouco mais de 200 quilômetros de viagem até o próximo camping, a estrada conta com inúmeras curvas, subidas, descidas e aglomerações urbanas no caminho, com tráfego intenso por vezes.
Decidimos para para almoço e abastecimento do carro em Caraguatatuba. pelo Google Maps encontramos um buffet de valor acessível como na véspera e um posto de combustível que aceitava o Sem Parar, posto de bandeira Shell. Mal sabíamos que aqui seria o início da parte dramática da viagem.
De momento, tudo em ordem, seguimos em frente, passamos por Ubatuba e muito trânsito. Mas logo após a praia principal desta cidade a rodovia começou a ficar cada vez mais deserta e as paisagens mais lindas ainda.
Cruzar a Divisa de Estados entre São Paulo e Rio de Janeiro era o indicativo de fim da jornada. Já estávamos nos aproximando do final da tarde e a sinuosa e íngreme estrada de acesso à Praia de Trindade provou ser um desafio. Descidas violentíssimas e curvas sinuosas e que exigiam muita cautela e deixaram uma pequena preocupação com relação ao retorno. De toda forma, pelo menos esse trecho era asfaltado e o movimento grande, o que nos trouxe certa segurança para obter alguma eventual ajuda.
Chegando na vilinha de Trindade, nos dirigimos ao nosso local escolhido para as próximas 3 noites de acampamento, o Na Praia Camping. Fomos muitíssimo bem recebidos e nos foi dada a oportunidade que esperávamos: montar a barraca exatamente em frente ao mar, no final do terreno da propriedade com apenas uma pequena cerca nos separando da faixa de areia junto à praia principal de Trindade.
O valor da diária foi de 70 reais e o camping oferecia cozinha, banheiros sempre limpos, tomadas e internet wi-fi. Para que mais que isso?
Bastante cansados, montamos nosso acampamento, curtimos um pouco da praia nas últimas luzes do dia e fomos em busca de algo para comer no centrinho da vila.
Encontramos uma localidade bastante impactada pelo turismo alternativo. Não é aquela coisa gourmet e fresca que não apreciamos mas também não é "raiz". É para uma galera mais diferentona, jovens descolados, com muitas lojinhas de artesanato e tal. Não poderia dizer que é uma praia "família" mas sim uma praia para jovens casais ou solteiros em fase de pegação.
Muita, mas muita gente nas ruas e nos bares. Encontramos um que dispunha de valores razoáveis para comer uma batata frita e tomar uma cerveja somente para forrar o estômago e descansar.
Neste primeiro texto com o diário de bordo (infelizmente escrito algumas semanas após os eventos e sujeito, portanto, à omissões e esquecimentos) a ideia é tentar contextualizar o lance da viagem, além, é claro de contar como foi este primeiro dia.
Nos meses anteriores acabamos por escolher a cidade de Paraty, litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, como destino principal das nossas férias programadas para o início de 2022.
Com a Patrícia tendo seus treinos dedicados à natação em águas abertas e meu recente interesse por remar também em águas abertas, vimos este lugar como um ponto interessantíssimo para visitar e explorar as possibilidades da região. Águas transparentes (para não dizer esverdeadas), sol, calor e tudo aquilo que nem sempre encontramos no litoral aqui da Região Sul do Brasil. Além disso, em nossas férias anteriores tivemos a oportunidade de visitar Florianópolis e outras localidades do litoral sul. Logo, apontar a bússola para o norte e buscar águas mais quentinhas seria uma ótima ideia. E foi mesmo!
Saímos de Curitiba neste sábado 22 de janeiro aproximadamente às 10 da manhã tendo como destino do dia o Camping Recanto Caiçara, na Praia de Guaratuba (homônima à nossa aqui do Paraná) no município de Bertioga, Estado do Paraná. Pareceu-nos uma excelente localização, junto à barra do Rio Guaratuba, uma boa opção para a natação da Pati e uma eventual remada minha na manhã seguinte, antes de partirmos rumo à Paraty.
A viagem transcorreu com bastante tranquilidade até Registro-SP, pouco mais de 200 quilômetros de Curitiba e ponto escolhido para o almoço. Preferimos entrar na cidade e buscar um restaurante do tipo buffet, uma vez que as opções situadas à margem da Rodovia Régis Bittencourt não nos pareceram interessantes do ponto de vista de economia e de opções de cardápio.
Escolhido o restaurante com base nas avaliações do Google Maps, paramos para almoço sob um calor bastante opressivo, coisa de 34 graus com sensação térmica de quase 40. Imagine isso pra um Curitibano que ama o frio como este aqui que está escrevendo... Opção simples mas bastante saborosa: arroz, feijão e salada, basicamente. Voltamos à estrada para logo deixarmos a Régis Bittencourt e tomar a direção do litoral. Passamos por Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, desviamos Santos, Cubatão e Guarujá e, finalmente, entramos na Rio-Santos. Aqui, novidade para mim, a rodovia está sob administração estadual. E aqui também começou o trânsito mais intenso, principalmente na região conhecida como Riviera de São Lourenço.
Ali aproveitamos para fazer as compras de mercado em um chiquérrimo Pão de Açúcar (A Riviera de São Lourenço é uma praia para gente com muito mais dinheiro que nós. Ponto.). Já era final de tarde e seguimos para o destino final de hoje, o já mencionado Recanto Caiçara.
O acesso foi um pouco confuso para nós, mesmo seguindo o Google Maps. Não sabíamos que o camping estava localizado em uma espécie de condomínio, com portaria e fiscalização de portaria. Na verdade essa portaria servia mais como uma intimidação para quem não conhece a região do que propriamente uma fiscalização e controle. Estranho para nós, pelo menos, aqui no Paraná não há nada do gênero.
Chegando no local do camping uma espécie de terror e pânico tomou conta da Patricia. MUITA gente e pouquíssimo controle de pessoas. Não havia uma entrada propriamente dita pro camping. Chegamos tentando achar uma vaga para o carro e para a nossa barraca em meio àquela multidão que havia acabado de retornar da praia sob o lusco fusco do anoitecer. Patrícia, mais do que eu, abomina este tipo de aglomeração, chegando até mesmo a sugerir que procurássemos outro lugar.
Imediatamente recordamos que estávamos no meio de um feriadão municipal da capital paulista (que fica a apenas 130 km do camping, aproximadamente). Logo, não haveria nenhum espaço mais vazio pela região.
Tentamos relaxar, montamos nossa barraca e fomos "reconhecer o terreno". Pelo menos haviam algumas regras bem rígidas com relação ao ruído e à ocupação dos espaços e aos poucos fomos nos "aclimatando". No fim das contas, acabou sendo uma estadia bastante agradável.
Neste mesmo final de tarde foi possível ainda ter um tempinho para ir ver a barra do rio e a praia de mar aberto.
Acabamos por conseguir montar nossa barraca em um lugar tranquilo, com pontos de energia elétrica e até wifi.
Como saldo geral, a viagem neste dia foi bem tranquila e a estadia neste camping acabou sendo uma boa surpresa. Lugar muito bonito, com bastante gente mas que acabou não prejudicando a tranquilidade.
Preparado um breve jantar e prontos para dormir, discorremos ansiosos sobre o que o dia seguinte nos reservaria, com a natação no rio pela manhã, meu teste de 3Km de corrida e a sequência da viagem rumo à Paraty.
Seguimos!
Nós, as duas bikes e tudo o necessário para pedalar, nadar, remar e correr por 15 dias.